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Feminismos é Igualdade

23
Dez19

Vamos abrir as portas e janelas para a Igualdade entrar


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Vivemos um ano muito rico em termos da igualdade de género. Muitas instituições, associações, escolas, partidos, e pessoas individualmente, têm demonstrado um interesse maior sobre esta questão tão vital para conseguirmos um mundo mais justo e equilibrado a todos os níveis.

Quando falamos em igualdade, estamos a falar de direitos humanos. Estamos a dizer que, todas as pessoas, independentemente do seu sexo, orientação sexual, credo religioso, partido político, filiação sindical, gosto musical ou teatral, têm direitos iguais.

Há, no entanto, quem ainda pense que isto de direitos iguais, tem muito que se lhe diga, pois o homem é mais forte fisicamente e, logo, há profissões que são "só" deles. Que a mulher é mais frágil e sensível, e há profissões que são "só" delas. Aqui justifica-se muita da discriminação salarial que continua a existir, colocando a maioria das mulheres a ocupar os lugares mais baixos da hierarquia do trabalho. Já não é apenas “a trabalho igual, salário igual”, mas outra coisa discriminatória fundamentada na força física.

Cada vez mais mulheres desmentem esta teoria quando já são motoristas de pesados, pilotam aviões, gerem grandes empesas, são trabalhadoras da estiva, são prémios Nobel nas ciências e nas artes, na literatura, etc, etc,…e ainda continuam a gerar os filhos nos seus ventres, que são os continuadores da humanidade enquanto a terra resistir e existir.

A luta para que o Feminismo seja encarado como o direito a ser igual ainda não é entendida assim. Continuam a existir pessoas que dizem que as mulheres querem ser as dominadoras do mundo, ocupando o lugar que os homens ocupam há séculos. A história ensina-nos que nem sempre foi assim, mas, independentemente dos dados históricos, o que interessa é entender que a nossa luta é para que não sejamos tratadas como seres inferiores e frágeis, que só queremos “miminhos” nos dias assinalados. Sim, também gostamos de mimos, assim como os homens também gostam. Somos seres humanos e, como tal, gostamos de amar e ser amadas/os. Mas gostamos de ter direitos e ser respeitadas com dignidade, em direitos plenos de cidadania.

Infelizmente, não é assim que acontece ainda em muitas situações. Há homens que ainda pensam que a mulher é sua propriedade e que as podem maltratar e até matar como aconteceu este ano, onde foram assassinadas 32 mulheres, sendo uma da Madeira. Nos últimos 15 anos foram 503 as mulheres que foram mortas, sendo 14 da Madeira. São aos milhares as queixas de mulheres que sofrem violência doméstica, com todas as implicações com os filhos que acabam por sofrer, muitas vezes, sem poderem expressar esse sofrimento que vai marcar para sempre as suas vidas.

Há quem ainda falte aos eventos que assinalam estes problemas, dizendo que são secundários e que há outras coisas mais importantes para se preocuparem. Há muita falta de noção que, quando a igualdade está em causa, tudo está errado. Nada pode bater certo. É como tapar o sol com a peneira. Há grupos que se fecham apenas nos seus problemas específicos, pensando que resolvem os mesmos sem participarem na luta mais geral para que o mundo seja realmente equilibrado e justo. Há pessoas que acham que, ao fazer dois ou três eventos por ano, já cumpriram o seu papel e ficam com a consciência tranquila. “Eu já fiz a minha parte, o resto façam elas”…

ELAS, que devem também ser ELES, como podemos ver com a participação de alguns artigos deste blogue, são fundamentais para continuar a lutar por um mundo mais justo, mais igualitário e mais humano. Os homens também podem ser feministas: basta defenderem direitos iguais e serem coerentes na sua prática com essa maneira de pensar.

Mesmo com a existência de muitos problemas, hoje, o respeito por esta causa da igualdade é muito maior. Sem dúvida. Mesmo os meios de comunicação denotam algum interesse que gostaria de realçar e oxalá que prossigam neste caminho. Em todo o mundo vêm-se notícias de mulheres que saltam para as ruas, lutando e cantando, por este mundo sem violações aos direitos humanos e sem violadores de mulheres.

As escolas estão mais abertas ao tema. Muitas crianças e jovens estão a aprender a ser seres humanos de corpo inteiro, justos e alegres. Precisamos de alegria. Precisamos que as artes tratem deste tema. Obrigada a todas e a todos que, este ano, partilharam os seus talentos evocando a causa da igualdade. Foi muito bonito e gratificante ver a exposição de artistas plásticos e as peças no Balcão de Cristal e da OLHO_TE. Precisamos de continuar neste caminho e que venham muita gente a festejar todos os avanços para enfrentar os problemas que ainda faltam resolver.

A luta vai continuar. É um chavão mas é a verdade. Que venham muitas e muitos mais pois precisamos que este mundo onde vivemos seja mais justo e igualitário. Eu acredito que já começa a ser um pouco melhor e será muito mais se continuarmos a abrir as portas e as janelas para que a igualdade entre em todas as casas. Sem violência, com muito mais amor e respeito. Temos muito trabalho pela frente mas isso nunca nos assustou, porque quando as causas são justas, ninguém nos para.

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14
Dez19

Abuso sexual de crianças e jovens


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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O abuso sexual de crianças/jovens decorre da exposição de uma criança ou jovem a estímulos sexuais inapropriados ao seu desenvolvimento físico, psicológico, social e moral. É frequente, nos media e em conversas de café, confundirmos os termos “abusador sexual” e “pedófilo”, muitas vezes tidos como sinónimos. No entanto, algumas particularidades fazem com que seja necessário distingui-los. Os abusadores sexuais não se sentem sexualmente atraídos por crianças. O abuso decorre, não de uma atração, mas por qualquer outro motivo, tais como, a necessidade de poder, vinganças, delinquências, uso de drogas ou álcool. Alguns estudos revelam que ¾ dos abusadores sexuais de menores foram ou são casados. O abuso pode ocorrer dentro da própria família. O incesto é o tipo de abuso mais comum e é mais frequente ser entre pai e filha, onde esta ocupa o lugar da mãe, num casamento que pode estar deteriorado. No entanto, o abusador pode vitimizar crianças fora de casa e, ainda, violar mulheres. Não recorrem a estratégias de sedução e, na maioria das vezes, agem por impulso. São relações sexuais rápidas, sem aproximação sentimental com a vítima, apenas com o intuito de satisfazer alguma necessidade sexual, emocional, psicológica ou social. A pedofilia é, segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, um transtorno de personalidade e comportamentos em adultos. É, mais concretamente, uma parafilia. O termo, em latim, significa “amante de crianças”, ou seja, a atração sexual de um pedófilo é dirigida primariamente para crianças. As suas condutas compulsivas são consequência de um desejo sexual por menores e não despoletadas por situações de stress. É importante salientar que há pedófilos que nunca abusaram sexualmente (no termo estrito da palavra) de crianças, recorrendo a fotografias pornográficas infantis, conversas de teor sexual com pré-adolescentes, visualização de crianças a brincarem em parques infantis ou na praia, para satisfazerem as suas fantasias.

Embora a tendência seja para fugir a essa verdade, o facto é que as crianças são seres sexuados e, por isso, o seu amadurecimento sexual é feito ao longo dos anos através da informação que vão recebendo durante o seu desenvolvimento. Um ambiente seguro proporciona a confiança suficiente para aprender e compreender o sexo de maneira estável e benéfica e, aqui, os adultos são os maiores responsáveis por essa direção.

Para diversos especialistas, não há um perfil do abusador infantojuvenil, mas, em muitos casos, o machismo pode ser observado no comportamento de quem subjuga crianças e adolescentes. "É machismo. O homem tem a filha como se fosse a sua propriedade", aponta a advogada Leila Paiva, coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, no Brasil. "O corpo da mulher foi encarado o tempo todo como propriedade”. A cultura do machismo foi apontada como responsável pela exploração sexual de crianças e adolescentes, em audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A avaliação foi feita pelo coordenador do Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), Vicente Faleiros, que referiu ser preciso entender a exploração de crianças e adolescentes no contexto do mercado do sexo, tratando-se uma atividade fundamentalmente económica, e esse serviço sexual é tolerado pela sociedade porque está vinculado à cultura do machismo, à ideia de que se pode usar o corpo da mulher. Para além disso, estudos comprovam que há uma tendência a se subestimar o problema da violência sexual contra meninos pelo facto de o tema ser visto como um grande tabu na sociedade. Flávio Debique, gerente técnico de proteção infantil da ONG Plan International Brasil, refere que "Tanto os meninos quanto as meninas têm bastante dificuldade de falar sobre isso. Mas os meninos chegam aqui muito mais constrangidos, apreensivos. Vivemos numa cultura que 'homem não chora' e 'sabe se defender sozinho'. Admitir uma fraqueza é difícil, então, se ele for abusado por uma mulher e reclamar disso, será conotado como gay, e se for abusado por um homem e denunciar, também pode ser considerado gay". Para Debique, a "cultura machista é a grande vilã" na maior parte dos casos de assédio ou abuso sexual de crianças, porque é ela que estabelece o "poder" do homem com relação à mulher e que determina que o homem não pode assumir a condição de vítima, ele precisa ser "durão".

No fundo, tudo começa na forma como assumimos o que é ser homem e o que é ser mulher, a desvantagem que as meninas têm, e as aparentes vantagens que os meninos têm. As desigualdades de género afetam as pessoas de maneira diferente mas, no final da equação, todos/as sofrem as suas consequências.

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07
Dez19

Ele ajuda a mulher em casa. Que coisa tão linda e progressiva!


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Nesta época natalícia que se avizinha, quero vos presentear com a descrição sucinta de um artigo muito suis generis que tive a oportunidade de ler a semana passada no website da revista “Visão”, e que dá conta da opinião do psicólogo espanhol Alberto Soler acerca da “ajuda” que o homem deve dar em casa à sua esposa ou companheira no decorrer das responsabilidades parentais.

Segundo a revista, Alberto Soler teria sido surpreendido num supermercado com o comentário de duas senhoras que o elogiavam por tomar conta dos seus dois filhos gémeos de 15 meses prestando assim uma preciosa “ajuda” à esposa, facto este que levou o psicólogo a reflectir e deambular sobre o assunto durante algum tempo e posteriormente escrever no seu blog o seguinte: “Eu não ajudo em casa, eu faço parte da casa. E não, eu não ajudo a minha mulher com as crianças porque não posso ajudar alguém com uma coisa que é da minha inteira responsabilidade.” O comentário foi partilhado milhares de vezes pelos internautas e hoje conta já com diversas variações traduzidas em vários idiomas atingindo repercussão internacional possível através da internet.

Não obstante esta viralidade cibernética julgo existir ainda um longo caminho na desconstrução desta ideia da “ajuda” preciosa que o esposo, namorado ou companheiro pode dar à sua esposa ou companheira uma vez que é também seu dever cumprir com obrigações caseiras, quer isso implique lavar a loiça, cozinhar, engomar, ou cuidar dos filhos. Os filhos não são pertença exclusiva de um ou de outro membro do casal, de maneira que, ambos devem partilhar as responsabilidades que acarreta a educação e o bem-estar dos seus descendentes.

Na verdade, hoje tornou-se moda afirmar que se “ajuda” em casa porque nos fica bem, mas o termo deve ser repensado por forma a desmistificar esta ideia da caridade conjugal como se à mulher pertencesse o mundo doméstico e ao homem tudo o resto, e que apenas pela vontade do próprio poderá oferecer-se uma “mãozinha” se for conveniente. Ajudar em casa não é um cliché, não é uma moda dos tempos modernos. Devemos desconstruir o “ajudar” para nos ajudarmos enquanto sociedade que se regenera e se supera, eliminando este conceito ultrapassado e ingénuo. Sugiro que se reflita futuramente sobre este termo pobremente empregue e que doravante se aplique a expressão: “Ele contribui nos seus deveres”!

Wouldn't that be a sight!?

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23
Nov19

Violência sobre as mulheres: A sociedade está errada!


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ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Na próxima segunda-feira, dia 25 de novembro, assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e em um país onde mais da metade da população é constituída por mulheres, será que somos só nós, feministas, que reconhecem a nossa sociedade como errada?

Ora vejamos: se todos os anos continuamos a evocar este dia e a homenagear as dezenas de mulheres assassinadas, a sociedade está errada e estamos a falhar.

O ano de 2019 está manchado por uma onda de sangue: 28 mulheres foram assassinadas. É esta a triste realidade do nosso país. Entre 2004 e 2019, 531 mulheres perderam a vida às mãos de assassinos.

A verdade é que a violência doméstica é um problema grave que afeta mais mulheres do que as estatísticas revelam. As vítimas não são simples números, são mulheres que não têm a proteção devida das leis existentes. Temos urgentemente que acabar com esta violência que atinge as mulheres dentro da própria casa.

A sociedade está errada quando silencia os gritos que ouve, a sociedade está errada quando diz que entre marido e mulher ninguém mete a colher “porque os problemas são deles, eles que resolvam”. Não! O problema não é deles, é nosso, é de todos e todas, e metam sim a colher! A violência doméstica é um crime público e a sociedade está errada quando ignora e não denuncia.

A sociedade está errada quando desculpa a violência doméstica com o desemprego, com o alcoolismo, com a toxicodependência, com problemas mentais, com o ciúme, entre muitas outras justificações que se vão ouvindo aqui e acolá.

Que forma de ignorância é esta? A violência não é exclusiva de certas classes sociais, a violência é transversal a qualquer classe e a qualquer idade! Que sociedade é esta, que insiste em inferiorizar as mulheres? Que sociedade é esta, que permite que uma mulher seja agredida e insultada? O que acontece com as queixas que são feitas? Que modelo social pretendemos, quando o agressor é levado a julgamento e o juiz atenua a pena, ou na maioria das vezes nada acontece e é a vítima que tem de fugir apenas com a roupa do corpo? Ou, por exemplo, quando um juiz cita a Bíblia para desvalorizar as vítimas de alegada violência doméstica, e quando um juiz afirma que "uma simples ofensa à integridade física, está longe de poder considerar-se uma conduta maltratante suscetível de configurar violência doméstica", aqui percebemos o quanto ainda há por fazer, aqui percebemos o quanto a nossa sociedade está errada.

A sociedade está errada, quando não é capaz de entender que as mulheres têm os mesmos direitos, que podem decidir sobre o seu corpo, que podem lutar por uma vida sem medos. A sociedade está errada, quando não aceita o empoderamento das mulheres.

É urgente a mudança de mentalidades, é urgente lembrar a cada instante o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Enquanto este artigo não passar do papel à prática, continuaremos a viver numa sociedade machista, numa sociedade errada.

Enquanto a lei não for praticada pelos tribunais, continuaremos a ter vítimas silenciosas nesta sociedade errada que olha para o lado, insensível à dura realidade de mulheres magoadas e sem ajuda.

A sociedade precisa aceitar que temos um grave problema em mãos e que precisamos de agir. E não é depois, é já!

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20
Nov19

Vídeo sobre a Convenção dos Direitos das Crianças


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Vídeo da UMAR Madeira sobre a Convenção dos Direitos das Crianças, que hoje se comemora o 30º aniversário, em que demos voz a crianças e jovens que participam no ART'THEMIS+ Madeira. Animações feitas com base em desenhos criados por participantes do projeto no ano letivo 2018/2019. Em parceria com a Câmara Municipal do Funchal. Edição do vídeo feita por Diogo Freire.

 

16
Nov19

Um mundo de desigualdades, onde são as mulheres e crianças quem mais sofre, onde crescem as ameaças aos direitos das mulheres


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ARTIGO DE MANUELA TAVARES

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Assistimos a momentos políticos e sociais muito preocupantes.

Perante um mundo de desigualdades crescentes, crescem as forças populistas de extrema direita que representam uma ameaça às liberdades, à democracia e aos direitos das mulheres.

Sabemos que os gritos de revolta de quem é espezinhado, de quem não tem casa para viver ou pão para comer são aproveitados por quem quer impor ditaduras disfarçadas de resolução dos problemas prementes.

As mulheres e as crianças são quem mais sofre com este cenário político e social.

As forças fascizantes envolvem os seus discursos de que os feminismos dão cabo das famílias, que não garantem os direitos destas. O que se passa é que essas forças defendem que as mulheres se devem dedicar totalmente aos maridos e filhos, deixem de ser elas próprias, tal como acontecia na ditadura salazarista de triste memória.

A extrema-direita em Espanha, que cresceu imenso nas últimas eleições, quer eliminar as leis de proteção às mulheres vítimas de violência. Para eles, a violência não significa morte, assassinatos. Significa apenas “arrufos” entre marido e mulher e querem voltar ao antigamente que “entre marido e mulher que ninguém meta a colher”.

Estas forças ultraconservadoras querem também dominar as escolas. Querem que qualquer programa de prevenção da violência ou de promoção da igualdade seja analisado por comissões de encarregados da educação. A escola, os/as professores/as, os estudantes não têm opinião para essa gente que veio para fazer com que as conquistas civilizacionais voltem para trás.

Quanto mais as desigualdades e a pobreza crescem, mais estas forças ganham terreno.

Lutar para a eliminação das desigualdades que geram pobreza e falta de direitos é uma obrigação de cada um/a de nós.

As feministas têm nesta luta um papel fundamental.

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09
Nov19

A Igualdade de Género está a fazer caminho, mas há que estar vigilante para não haver retrocesso


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ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Têm surgido ultimamente diversas abordagens, e de diversas formas, sobre a Igualdade de Género, em que a maioria reconhece que já foram feitos avanços, mas havendo ainda um largo caminho a percorrer, porque muito há a fazer contra a discriminação e mudança de mentalidades para que seja alcançada a Igualdade de Género, maior visibilidade dada à violência doméstica contra as mulheres, com alguns casos a lembrar-nos as atrocidades praticadas na idade média, assim como os maus tratos às crianças, Idosos/as, as agressões violentas entre Jovens, terminando com o aumento da Pobreza, e suas consequências que dai advêm para as Famílias e a sociedade.

A história demonstrou e o tempo confirmou que só é possível atacar as desigualdades entre mulheres e Homens Trabalhadores/as, se a Igualdade for respeitada e for assegurada a sua estabilidade e segurança no emprego valorizadas as suas profissões e forem garantidos e respeitados os seus direitos, para que cada pessoa possa obter a sua emancipação económica, satisfazer as suas necessidades básicas e cumprir com os seus compromissos, sem estar dependente de ninguém, o que passa por receber melhores salários e haver uma melhor distribuição da riqueza produzida, pois é sempre da parte mais fraca que reside a maior desigualdade da nossa sociedade.

As pensões de reforma que as Mulheres auferem são 32% inferiores à que recebem a maioria os Homens, porque entre outros fatores a desigualdade salarial continua a penalizá-las, com grandes reflexos nas suas carreiras contributivas e pensões, mesmo sendo as suas habilitações em muitos casos superiores às dos Homens.

Penso que se a avaliação fosse por competências, as Mulheres progrediam tanto como os homens, mas sabemos que assim não é. Porque engravidam, logo são penalizadas por serem mães, acusadas de absentismo por terem de faltar mais dias para prestarem assistência aos filhos enquanto são pequenos, embora já haja Pais a exercerem os seus direitos de paternidade para cuidarem dos filhos e levá-los ao médico, continua maioritariamente a ser a Mulher a ter essa responsabilidade, assim como os cuidados com os /as familiares idosos, a divisão de tarefas ainda é feita mas de forma lenta.

Somos mais de metade da humanidade mas só 1/3 das Mulheres ocupa lugares de decisão, e nos Parlamentos da República e Regional, assim como nas Autárquicas, às Mulheres ainda lhes falta um longo caminho a percorrer para estarem em pé de Igualdade, para poder termos uma sociedade mais justa e equilibrada. Temos boa Legislação, mas ainda há um grande fosso entre o que está na Lei e a sua ligação à vida.

Assiste-se a uma excessiva precariedade de centenas de trabalhadores/as, que executam funções permanentes, mas com vínculo muito precário e em várias situações nem lhes é pago o acordado, e para sobreviver têm de andar de mão estendida a pedir apoio. Esta triste realidade indica que há muitas, mesmo muitas pessoas a trabalhar, mas que não conseguem sair da situação de pobreza, e isso já não bastasse, no total dos/as trabalhadores/as abrangidos pelo salário mínimo, as Mulheres representam 51%, e o emprego criado o maior peso é para receberem o salário mínimo e quando recebem.

As formas de trabalho emergentes tentam equiparar perversamente trabalho subordinado ao trabalho por conta própria, para transformar trabalhadores/as em empresários/as nas estatísticas e em explorados na vida real. O futuro do trabalho não pode deixar de estar indissociável da justiça social e da valorização dos trabalhadores/as, tem de ser pelo progresso e justiça social que temos que lutar, porque é pelo avanço dos direitos que lá chegamos.

Não é por acaso que o trabalho e as suas Associações, sejam elas Internacionais Nacionais ou Regionais, normalmente estão associadas ao progresso na condição humana a princípios e valores que são postos em causa pelos que, subvertendo o conceito de modernidade, e recorrendo às chamadas plataformas digitais, promovem a desregulamentação das Leis Laborais e impõem condições de trabalho próximas da servidão para obterem o lucro máximo com custos mínimos. Porque se os compromissos e pactos aprovados fossem cumpridos, não tínhamos as situações de retrocesso social que se têm verificado em período de crise financeira, e  em contrapartida aumentado o leque de milionários. Não é por acaso que sempre que os/as trabalhadores/as lutam por salários mais justos e pela reposição dos seus direitos, os empresários apresentam um rol de dificuldades, e que os mesmos estão a pôr as empresas em risco. É verdade que a Legislação em Portugal defende uma política de igualdade, mas na prática têm pouca aplicação nas suas vidas. Temos que estar vigilantes, porque tudo o que conquistamos ao longo de quase meio século, nada nos foi dado, só foi conseguido porque houve muita luta e persistência de muitas mulheres, algumas delas já nos deixaram, mas outras ainda continuam na luta, por isso não podemos adormecer, não podemos dar o que conquistamos como adquirido, ou definitivo porque do outro lado o inimigo espreita-nos.

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31
Out19

A bruxa: o ícone feminista mais antigo


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ARTIGO DE JOANA MARTINS

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O espectro da bruxa abrange factos e ficção. Uma mulher velha, enrugada, a segurar uma maçã envenenada na mão direita, ansiosa por se vingar de uma bela jovem. Uma solteirona experiente casada com os seus livros, e conhecedora das propriedades mágicas de muitas plantas. Uma mulher extremamente bela à custa de feitiços sombrios, extremamente sedutora com os seios praticamente à mostra e um olhar hipnótico, que controla e manipula os homens que quiser…

A bruxa personifica o medo, porque controla forças que transcendem o corpo mortal e encarna uma feminilidade poderosa, livre da influência masculina ou, simplesmente, uma mulher livre. Ao longo da História, a figura da bruxa desafiou narrativas patriarcais personificando o poder das mulheres, tornando-a num dos ícones feministas mais duradouros de todos os tempos.

A figura da bruxa tem origem nas deusas da mitologia de diversas civilizações, com um legado que se estende até há milhares de anos atrás, desde o mito de Inanna, a irmã do deus-sol Utu na mitologia Suméria, às histórias hindus da deusa Kali e mitologia celta da deusa Brigit, ambas personificando a Mãe Natureza, e os contos da deusa Hécate na Grécia Antiga, associada à magia e bruxaria. Estas deusas tinham a capacidade de gerar e tirar a vida, e eram adoradas por isso. Ainda assim, as suas capacidades eram sempre alvo de dúvidas. À medida que as religiões monoteístas foram se expandindo e ganhando poder, as crenças foram se consolidando em torno de uma divindade onipotente masculina, havendo uma maior secundarização das mulheres em todos os aspetos.

Entre os séculos XIV e XVIII na Europa, milhares de pessoas acusadas de bruxaria foram torturadas e mortas pela Inquisição, um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica Romana, com o objetivo de “combater a heresia”. Embora alguns homens também tivessem sido apanhados na confusão deste pânico em massa – muitos deles, visionários e cientistas – a maioria das pessoas horrivelmente torturadas, abusadas sexualmente e queimadas na fogueira eram mulheres. Curandeiras e parteiras com grande conhecimento sobre a reprodução e o corpo humano, que ameaçavam educar e ensinar uma população altamente – e convenientemente, para a igreja – ignorante. Mulheres que eram alvo de suspeita por possuírem “demasiadas” terras, riqueza ou influência. Eram mães, irmãs e filhas, que estavam no lugar errado à hora errada. E foram, pura e simplesmente, castigadas por isso.

À medida que as bruxas foram capturando a imaginação do público nos livros e nos ecrãs, o seu retrato sempre se baseou no medo dos homens da sexualidade feminina, ou na representação simplista de mulheres velhas, ciumentas e invejosas, revoltadas contra mulheres mais novas, ingénuas e “bonitinhas”. Os exemplos de histórias da cultura popular onde as bruxas são assim retratadas, par a par com inúmeros estereótipos para catalogar as “princesas boazinhas” e “normalizar” a violência doméstica, são inúmeros. Alguns exemplos: Cinderela, Bela Adormecida, A Bela e o Monstro, Branca de Neve, Rapunzel.

À medida que o movimento feminista foi ganhando visibilidade, a representação da bruxa foi se tornando cada vez mais complexa. A narrativa deixou de ser escrita apenas por homens, e a sua história foi reformulada por mulheres. Um exemplo recente é a escritora J. K. Rowling e a sua saga “Harry Potter”, que descreve o quanto é necessário o estudo para se tornar num/a bruxo/a, e desafia estereótipos como, por exemplo, na sua representação de Hermione Granger. Ao mesmo tempo, a argumentista Linda Woolverton atualizou a história de “Bela Adormecida” para humanizar a bruxa, no filme de 2014 “Maléfica”, numa tentativa de acabar com as personagens exclusivamente más ou boas.

Ainda assim, tanto em séries como em filmes, ainda estão presentes perigosos estereótipos, para vender uma versão menos política e mais consumível da bruxa, mas a expansão do feminismo na cultura popular tornou estas escolhas menos viáveis. Desde “As bruxas de Eastwick”, passando por “Penny Dreadful” e “American Horror Story: Coven”, os novos retratos das bruxas abriram, simultaneamente, velhas feridas na história da opressão das mulheres, e ajudaram a despertar as pessoas para as injustiças que as mulheres sofreram ao longo da História – muitas das quais continuam até aos dias de hoje.

As acusações de bruxaria foram, outrora, utilizadas para controlar o comportamento das mulheres (e ainda são, num número impressionante de países em todo o mundo), mas agora, mais do que nunca, as bruxas tornaram-se em símbolos de mulheres que desafiam dificuldades e obstáculos. Uma vez que os direitos reprodutivos, a igualdade salarial, a liberdade sexual e a luta contra a violência sobre as mulheres continuam a ser alguns dos objetivos principais da luta feminista, a bruxa vai permanecer como uma representação das nossas frustrações e da nossa luta pela igualdade e poder, para além do patriarcado.

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