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Feminismos é Igualdade

30
Jul18

Prevenir a Violência de Género nas Escolas: Projeto ART’THEMIS+


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

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A UMAR tem vindo a desenvolver o seu trabalho na prevenção primária da violência de género (prevenir a violência antes que ela ocorra) desde 2004, em escolas de várias regiões de Portugal Continental. Em 2018, pela primeira vez, a UMAR Madeira integrou o projeto ART’THEMIS+, subvencionado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade. Como coordenadora do Projeto a nível regional, aproveito o meu primeiro artigo aqui para vos falar um pouco sobre o mesmo.

A principal finalidade do Projeto ART’THEMIS+ é promover, nas gerações mais novas, valores de incentivo à cidadania, uma cultura de igualdade, de paz e de resolução não violenta de conflitos, transmitindo e partilhando conhecimentos, intervindo na desconstrução de estereótipos e mitos em torno das relações entre homens, mulheres e demais pessoas, lutar pelos direitos das mulheres e raparigas e pelos direitos das vítimas, contribuindo para o empoderamento das jovens. Este Projeto abrange os níveis de ensino desde o jardim-de-infância até ao ensino secundário.

Também não são ignoradas outras formas de violência de que as nossas crianças, adolescentes e jovens são vítimas, como o racismo, a homofobia e bifobia, a desigualdade de classes e a pobreza, e o capacitismo, ou seja, a discriminação e o preconceito social contra pessoas com qualquer tipo de deficiência. Incidindo particularmente na igualdade de género e na prevenção da violência de género, a intervenção pauta-se por estratégias de mediação, utilizando ferramentas artísticas, proporcionando às crianças, adolescentes e jovens oportunidades de serem protagonistas na produção cultural e na mudança social.

O Projeto ART’THEMIS+ funciona através de um programa de ação pedagógica sistemática com jovens, explorando-se diversos temas no domínio da prevenção de comportamentos violentos, nomeadamente com base no género, mas, sobretudo, desconstruindo as suas bases culturais e sociais. Neste sentido, abordam-se temas como os Direitos Humanos, Direitos das Mulheres, estereótipos de género, violência no namoro, de género e doméstica, entre outros. Com recurso a uma metodologia de projeto, procura-se a participação e o envolvimento das/os jovens num trabalho que engloba diferentes métodos pedagógicos. Este programa é implementado de acordo com o estabelecimento de um protocolo com cada escola.

Durante o ano letivo, os/as jovens desenvolvem e estimulam a sua criatividade na área da igualdade de género e prevenção da violência. Com o intuito de desconstruírem o fenómeno da violência, produzem, através de ferramentas artísticas, os seus trabalhos finais, tornando-se os/as protagonistas com a construção de um produto final artístico (vídeos, coreografias, peças de teatro, exposição fotográfica, entre outros). Estes produtos são apresentados nos encontros de final do ano letivo, com a presença de vários/as participantes da comunidade educativa.

Este trabalho tem que ser realizado de forma continuada, a médio e longo prazo, interligado com toda a comunidade educativa, para se conseguir uma mudança real de mentalidades.Temos prevista também a realização de outras ações no âmbito do ART’THEMIS+, direcionadas também para professores/as, auxiliares e encarregados/as de educação.

Trabalha numa escola na Madeira e está interessado/a neste projeto? Para mais informações, contacte-nos através do e-mail umar.madeira@yahoo.com.

bannerJoana 

25
Jul18

O Feminismo não tem Género


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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O título deste artigo poderá parecer estranho a muitas pessoas que o lêem, mas passo a explicar. Na última comemoração do dia da Mulher, na Junta da “minha” Freguesia, tive o prazer de ouvir dois homens falarem dos direitos da mulher e da sua importância em todas as esferas da sociedade. Nesse dia, que era dedicado à luta da mulher pelos seus direitos, dois homens mostraram que o feminismo não tem género nem sexo, porque é a mesma coisa que falar em igualdade de oportunidades, em todos os aspectos da vida, para todas as pessoas.

Há muita gente que ainda vê a palavra feminismo, ou feminista, com alguma depreciação. Ainda pensa que somos pessoas radicais e que estamos contra tudo e contra todos. Isto é um erro, pois apenas falamos em ter direitos iguais. enquanto pessoas, independentemente do sexo, raça, género, cor, religião, sindicato, partido, clube, função profissional, etc. NEM MENOS NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS é a nossa palavra de ordem, e esta pode ser a mesma para qualquer pessoa que esteja connosco nesta luta, independentemente do seu papel na sociedade.

Direitos iguais implica não aceitarmos como normal que as mulheres estejam em minoria em lugares de decisão: nos Governos, nos Parlamentos, nas Autarquias, nas Direcções partidárias, nos Sindicatos etc. e que ainda exista discriminação em função da escolha que cada pessoa faça da sua vida. Na vida coexistem todas as cores, como se fossemos um arco iris. Se alguma dessas cores for anulada, o arco iris desequilibra-se e nós não queremos isso, nem aceitamos que assim aconteça.

É por isso que qualquer pessoa que defenda este equilíbrio pode ser feminista. Ser feminista é fácil? Devia ser, mas não é. Muita gente, quando ouve falar de direitos iguais, de forma teórica, até está de acordo, mas quando é para passar à prática a vacilação predomina. Até dizem que concordam, mas depois usam mil e um argumentos para justificar a discriminação existente. Ou porque as pessoas não estão disponíveis, ou porque não têm capacidades, ou porque têm família ou empregador/a para enfrentar, ou isto, ou aquilo…, enfim para manterem tudo na mesma.

E muita gente, particularmente as mulheres, acomodam-se perante estes argumentos. Não participam. Não reivindicam. Aceitam fazer o papel de “jarra para enfeitar” colaborando desta maneira para a situação de discriminação existente. Sobre esta questão falarei no meu próximo artigo.

 

bannerGuida

 

20
Jul18

Lutas Feministas


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

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Segundo li na Comunicação Social, mulheres inglesas marcharam em diversas cidades do seu país a 11/ 6/ 2018, celebrando o centésimo aniversário da conquista do direito ao voto feminino que aconteceu em 1918.

Durante anos, mulheres inglesas lutaram intensamente pelo direito ao voto, em igualdade com os homens. Foi a luta das sufragistas. Estas mulheres levaram pancada da polícia, foram encarceradas e maltratadas pelo poder e até alguns maridos as expulsaram da casa. Mas elas não recuaram. Porquê? Porque queriam ter mais poder perante o Estado e a sociedade e conquistarem direitos, como o poder sobre os filhos, que lhes era negado. E por fim conseguiram o direito ao voto e só depois o direito sobre os filhos que elas davam à luz e só os pais homens decidiam da vida deles.

Estas mulheres, além das conquistas conseguidas, foram um exemplo para as outras nos outros países, como em Portugal, onde muitas mulheres republicanas se empenharam pelo direito ao voto, entre muitas outras reivindicações, mas foi muito difícil esta e outras conquistas. Só na sequência do 25 de Abril de 1974, todas as portuguesas e portugueses obtiveram o direito ao voto em toda a sua extensão.

Em Portugal, também há 100 anos, Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma dama da alta sociedade lisboeta, deixou o palácio de São Vicente, onde vivia com o marido e um filho para viver em união de facto como Manuel Claro, um homem que tinha sido motorista da casa dos senhores de São Vicente. Trocou a opulência por uma vida simples ao lado do homem que amava. O marido, um senhor prepotente e muito considerado na sociedade, foi procurá-la e, com auxílio das autoridades, encarcerou-a numa casa de doentes mentais, onde ela se encontrou com um certo número de outras mulheres que lá estavam encarceradas por razões iguais ou parecidas com as dela. O Manuel Claro também esteve preso cerca de 4 anos, acusado de raptar Maria Adelaide. Sofreram muito, mas por fim puderam viver o seu amor durante cerca de 30 anos.

Todos os familiares de Maria Adelaide a condenaram, até o filho, que era a pessoa que ela mais amava. Grandes psiquiatras da época afirmaram que Maria Adelaide estava louca, era uma “louca lúcida”, porque tinha deixado um palácio e um marido rico e famoso para viver com um homem pobre.

Neste artigo, só me refiro em concreto a estes dois casos, que aconteceram há um século, mas muitas outras lutas foram travadas durante os últimos cem anos. A sociedade conservadora e machista esforça-se ao máximo para que não se altere nada na nossa vida quotidiana, porque cada vitória obtida é uma referência e arrasta consigo mudanças que os machistas temem.

Que as lutas das mulheres que nos precederam nos inspire e nos encoraje para fazer avançar a luta pelos nossos direitos. Como disse Confúcio “LEMBRA-TE QUE EXISTES PORQUE HOUVE OUTROS ANTES DE TI”.

 

bannerConceição

 

16
Jul18

Bem-vindas/os ao blog “Feminismos é Igualdade”


umarmadeira

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Este blog, implementado pela Associação UMAR, Núcleo da Madeira, tem como objetivos principais a partilha de opiniões por parte de um coletivo em relação à temática da Igualdade, e a divulgação de notícias relativas à nossa Associação.

A Associação UMAR, na Madeira, já existe desde a fundação da UMAR em 1976. É uma Associação Feminista, que luta pela Igualdade de Género, ou seja, pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. O percurso desta associação, na Madeira, sempre foi de grande esforço e dedicação. Durante muitos anos, as reuniões entre associadas eram feitas em sedes emprestadas de outras associações, em cafés ou em casa das próprias. Apenas em dezembro de 2014, isto é, após 38 anos de existência na região, é que, graças à Câmara Municipal do Funchal, a UMAR conseguiu ter uma Sede.

Embora com poucos recursos financeiros para implementar projetos, a UMAR Madeira desenvolveu, ao longo destes anos, diversas iniciativas na área da Igualdade que importam referir:

  • Vários cursos de formação profissional e de desenvolvimento pessoal integrados em projetos nacionais da UMAR;
  • O livro “Ecos de Memórias”, desenvolvido no âmbito do projeto Memórias e Feminismos, que congrega histórias de vida de mulheres na Madeira (mulheres de diversas classes sociais, idades e de vários concelhos da região), com o objetivo de dar a conhecer a realidade destas mulheres, a importância do seu testemunho e sua história para a sociedade;
  • O Diagnóstico Social pela Igualdade de Género no Funchal, desenvolvido em 2015, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, é pioneiro na Região Autónoma da Madeira. A partir de 500 questionários anónimos, recolhidos em várias freguesias do Concelho, foi possível conhecer e caraterizar a realidade da igualdade de género no Funchal. As conclusões deste estudo permitiram à Associação uma maior abertura, não só a nível de desenvolvimento de iniciativas, como também na criação de materiais relativos a esta temática;
  • O livro “As imagens falam por elas”, que retrata, à base de 300 registos fotográficos, os 40 anos de história do ativismo na Madeira;
  • O projeto “Promovendo a Igualdade na Comunidade e nas Escolas”, desenvolvido em 2017, com a parceria da SECI/CIG*, possibilitou à Associação organizar um grupo de associdadas para receberem formação interna, com o objetivo de serem elas próprias a desenvolverem iniciativas, em nome da UMAR, nas diversas áreas da igualdade de género.
  • Ao longo deste ano e do próximo ano letivo, com a parceria da SECI/CIG, o projeto “Art’themis+” será implementado em algumas escolas da Região, que tem como objetivos a Prevenção Primária da Violência de Género e a Promoção dos Direitos Humanos nas escolas.

Posto isto, com a experiência que foi sendo adquirida ao longo dos anos, tornou-se necessário alargar o debate à comunidade e promover a responsabilidade cívica de todas/os.     

O blog “Feminismos é Igualdade!” vem, então, acrescentar ainda mais vida a estas questões da igualdade de género, uma vez que permite a discussão de ideias e de opiniões em relação a diversos assuntos.

O caminho para a Igualdade de direitos entre homens e mulheres foi, é e deve ser sempre uma luta constante no nosso dia-a-dia!

 

*Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade / Comissão para a Cidadania e Igualdade

 

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