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Feminismos é Igualdade

17
Set18

Nunca desistir, mas saber passar o testemunho


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Se há coisas que a sociedade precisa, urgentemente, é de uma renovação de ideias e de mais gente nova a intervir. Isto coloca-se em todas as vertentes, social, política, económica e também na área da luta pelos direitos das mulheres e pelo avanço da verdadeira igualdade de género e do feminismo, enquanto objectivo de uma verdadeira igualdade de oportunidades.

A UMAR, enquanto organização social de mulheres, tem estado a conseguir este feito. Temos gente mais velha, ainda algumas fundadoras, nas quais me incluo, que já andam nesta luta há 42 anos; temos mulheres que já entraram mais tarde e que hoje ocupam cargos importantes na nossa organização; e temos uma nova vaga de associadas que se estão a preparar e a se formar, para serem elas, no futuro, as continuadoras deste trabalho que já vem de mais de quatro décadas.

É preciso entender que as lutas do passado, de que muito me orgulho, do meu tempo e das mulheres que, em Portugal e em todo o mundo, nos antecederam, são as nossas referências que nunca devem ser esquecidas porque foi graças aos nossos e aos seus feitos que aqui chegamos. Mas precisamos de chamar mais gente nova para as nossas organizações, procurando criar condições para que, pouco a pouco, vão tendo algum protagonismo, e amanhã estejam em condições de levar a nossa luta para a frente.

Dizem algumas pessoas que, comparadas com as grandes lutas anteriores e mesmo com a produção teórica de algumas mulheres que escreveram sobre o feminismo, esta gente nova não passa de “pés de chinelo”. Mas todas nós fomos “pés de chinelo” alguma vez na vida. Porque muitas vezes partimos do zero e quantas vezes nos interrogamos o que andávamos aqui a fazer, porque as reivindicações eram tantas e as necessidades da luta, muitas vezes, nem nos deixavam tempo para aprofundarmos, e até lermos, alguns dos livros que hoje conhecemos melhor. Só muito recentemente é que os feminismos começaram a ser objecto de mais aprofundamento e, mesmo assim, muito falta conhecer e fazer a esse nível.

A UMAR e todas as organizações que trabalham e lutam para criar alternativas para a causa da verdadeira igualdade de direitos, a todos os níveis da sociedade, só terão futuro se souberem integrar as novas gerações e irem passando a experiência com muito carinho, atempadamente, sabendo criar as oportunidades para que, umas e outras, se sintam felizes e realizadas naquilo que fazem, para que o futuro seja assegurado e a luta pela nossa causa continue, porque ela tem sido longa e há muito trabalho a fazer para mudar as mentalidades que ainda pensam que as mulheres são uma espécie de propriedade privada, e é por isso que continuam a ser assassinadas, no nosso país, e no mundo inteiro, milhares de mulheres todos os anos. Só este ano, em Portugal, já foram mortas 21 mulheres.

No meu artigo anterior, prometi voltar à carga sobre o papel das mulheres para ocuparem os lugares a que têm direito sem se sentirem jarras de enfeitar. Acho que algumas já compreenderam que é aceitando os novos desafios, a todos os níveis da sociedade, que essa transformação pode acontecer. Mas é preciso acreditar que isso só é possível se existir vontade e disponibilidade pessoal para essa participação e não desistir perante os obstáculos que dia-a-dia vão surgindo.

Vencer as barreiras, que são muitas, é um grande desafio que temos pela frente. Não voltar as costas às dificuldades. Não desistir perante as adversidades, insistir nas nossas causas, mesmo que pareça que o “mundo” nos vira as costas, é, e tem sido sempre o meu lema, nesta nobre causa que é a luta para que um dia este mundo seja mais justo e mais igualitário. Já tivemos avanços mas precisamos de continuar a trabalhar de mãos dadas, em harmonia com aquilo que defendemos, nunca desistindo mas sabendo passar o testemunho às novas gerações, sabendo que cabe a elas cuidar do nosso futuro.

Tenho muito orgulho no trabalho que a UMAR em todo o País está a fazer neste sentido. Na Madeira, também estamos no bom caminho, com ainda muito trabalho pela frente, mas com a certeza que estamos a assegurar o futuro.

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