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Feminismos é Igualdade

12
Out18

Tens razão, mas eu gosto tanto dele...


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

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As redes sociais têm coisas muito giras: é maravilhoso encontrarmos um primo em vigésimo sétimo grau que vive no Burundi sem precisar de ir ao Ponto de Encontro; é fascinante saber que a vlogger do momento gosta de comer rúcula depois de fazer pilates, ou mesmo, ver aquele deputado conservador no parlamento com aquele nariz e orelhas fofíssimas de cachorrinho. 

Como todas as coisas boas da vida, tem o seu lado negro da força. Quando vislumbram opiniões contrárias aos seus dogmas, as pessoas abusam da libertinagem de expressão e fazem da sua opinião a lei. São rac… e tudo o tipo de «istas» que existem. Mas principalmente desumanos. Fazem comentários com uma malícia tão apurada que deixaria invejoso o mais malévolo general de Auschwitz.

Esta verborreia toda para introduzir um dos assuntos do momento: a acusação de violação que Cristiano Ronaldo é alvo. 

Eu, ainda abalado com a turbulência da notícia, cometi o maior dos erros que se pode cometer. Sim. Fui parar à caixa de comentários. Lá, nesse mundo sombrio onde impera a falta de civismo, deparei-me com centenas e centenas de pessoas a apoiar o acusado. A alegada vítima era, surpreendentemente, a criminosa e o acusado, afinal, era a vítima - qual telenovela da TVI, qual quê.

O ser um humano é um bichinho que normalmente gosta de gostar. E gosta muito. Gosta como um fanático insano. Seja do presidente da junta, do Tony Carreira ou do avançado do seu clube. E ai de quem ouse blasfemar sobre essa bolha divina de anjos alados.

É verdade que Ronaldo tem uma aura de D. Sebastião, mas não está imune à lei. Quando digo o futebolista, digo o tal presidente da junta, o rei do Mónaco ou o barbeiro Zézito. E como alguém que gosta tanto, odeia estar errado ou sentir que foi traído pelo Romeu a quem entregou o seu coração. O problema é que acontece e, como não há um Shakespeare que possa reescrever o enredo, temos que possuir o discernimento de matar a nossa personagem principal. Usando a analogia que a Sarah Silverman fez em relação a perder muitos ídolos com o movimento #MeToo “É como cortar tumores: é muito complicado e doloroso, mas é algo necessário e no fim seremos todos muito mais saudáveis”.

Se Ronaldo é efetivamente culpado ou inocente, não faço a minima ideia, mas algo está muito errado quando uma alegada vítima de violação é a puta, sem ninguém saber rigorosamente nada sobre o caso apenas se guiando pela reputação do ídolo. Tremendamente errado.  

Já que falei tanto de Cristiano Ronaldo, aproveito para rematar finalmente com um "vamos acabar com o seguidismo incondicional?” - SIIIIIIII.

P.S. – Em momento algum questiono a inocência (ou não) de Ronaldo.

P.S. 2 – Faço estes post scriptum pelo que escrevi no segundo parágrafo.

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