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Feminismos é Igualdade

13
Nov18

O ativismo, da minha vida...


umarmadeira

ARTIGO DE EMANUEL CAIRES

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A minha lagartazinha do ativismo começou quando fiz o meu coming out como homem gay à minha família, e transformou-se num bicho quando o VIH entrou literalmente na minha vida. Não sei como agarrei em duas coisas que me deixaram marcas tão fortes e as transformei num incentivo para mudar o mundo, mas realmente fi-lo. E geralmente são estas, as pessoas que mais marginalizadas pela sociedade são, que se emancipam e empoderam de tal forma que se tornam as maiores e melhores ativistas.

Este bichinho do ativismo cultivou-se quando, pela rede ex aequo, viajei até Lisboa para uma formação de voluntariado. Apercebi-me do quão a Madeira estava atrasada em relação à capital. Faltava o empoderamento, o apoio e a união de uma comunidade que, até hoje, estava altamente fragmentada pela falta de um espaço comunitário, de reunião e convívio. Isto para dizer que estes intercâmbios são cruciais para as comunidades das regiões insulares e interiores, porque permitem motivar pessoas que, consequentemente, empoderam a sua comunidade local.

Quando comecei a dar os primeiros passos para criar o núcleo lgbti funchal da rede ex aequo, não me apercebi do quão emocionalmente envolvido estava a ficar na causa nem da responsabilidade disso. Comecei a remar contra mim próprio: introvertido, reservado e distante, mas a vontade para mudar o mundo era tão maior! Criou-se de certa forma um conflito entre o que eu queria fazer, e aquilo que a minha personalidade me permitia. O ativismo requer, por vezes, um alto nível de socialização e exposição, a vários níveis, principalmente quando são as nossas experiências e as nossas identidades que são usadas como forma de consciencialização e empoderamento das comunidades.

A verdade é que, apesar deste conflito interior, fiz para trazer mais juventude para este ato político que é o ativismo. Parece-me importante que a juventude esteja envolvida na renovação social das comunidades e da sociedade em geral, pois é este trabalho que definirá o futuro da nossa juventude, já que o ato político não se pode ficar apenas na vontade (ou falta dela) de voto, tem que expressar-se no nosso dia a dia, na reunião e na associação. Porque com a união se faz mais e se faz melhor!

Nestes 3 anos envolvido no ativismo de reconhecimento dos direitos humanos e, em particular, de luta pelos direitos lgbti+, apercebi-me que apesar de tudo vale sempre a pena transmitir mensagens positivas, mesmo que num meio pequeno e limitado isso seja ainda mais difícil. É importante o recurso às boas emoções e aos bons sentimentos, incentivando, inspirando e, talvez, dando a liberdade a nós próprios de nos tornarmos numa referência para as pessoas que muito dificilmente conseguem fazer-se ouvir fora do armário.

Percebi, também, a responsabilidade de ser a voz de uma comunidade e a importância de que essa voz continue a verbalizar as necessidades da população lgbti+ na Madeira e Porto Santo.

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