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Feminismos é Igualdade

17
Dez18

A Mulher e o Humor


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

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Estes dias, assisti à segunda temporada da maravilhosa série The Marvelous Mrs. Maisel. Passada no final dos anos 50, em Nova Iorque, o enredo acompanha o percurso de Midge, dona de uma vida bastante confortável: tinha dinheiro, dois filhos catitas e um homem que provocava inveja. Para a época, isso era o socialmente exigido às mulheres.

Tudo muda, no entanto, quando a protagonista experimenta fazer stand-up. A família não aceita ver uma mulher ter aquela postura, citando ser “inadequada e vergonhosa”. Os seus companheiros lidam muito mal com o facto de um ser-humano-não-portador-de-pénis ser melhor que eles. Mas Midge vai atrás do seu sonho, com a sua tresloucada agente, ignorando os julgamentos a que é sujeita. Para os maiores fãs de comédia, temos também um easter egg, que é Lenny Bruce. Sim, o lendário e corrosivo humorista é representado na trama e é um dos grandes aliados da personagem principal.

Na história do humor há uma prevalência enorme no número de homens comparativamente ao de mulheres. As razões já foram muito discutidas: há quem diga que se deve ao facto de a mulher ter que ser mais séria para a terem em consideração devido à máxima do “muito riso, pouco sizo”; para outros deve-se a que quando uma menina, na escola, brinca muito é excluída por ser a “palhacinha” - mesmo por outras mulheres.

Também há quem afirme que as que conseguem alguma visibilidade, perdem o interesse do público porque falam muito de “assuntos de mulheres”, que os homens têm menos medo de se submeter ao ridículo e, outros, como Hitchens, afirmam que o humor é desenvolvido como arma de sedução e, segundo ele, as mulheres têm outras armas para isso, ficando os homens com essa tarefa para cativar o sexo oposto.

Em Portugal, sempre tivemos excelentes actrizes de comédia, como Ivone Silva, Maria Matos, Mirita Casimiro, Maria Rueff, Ana Bola, entre outras tantas. Actualmente, há um grande leque de humoristas, com diversos estilos e capacidades, seja stand-up comedians, argumentistas ou locutoras, como Cátia Domingues, Joana Marques, Mariana Cabral, Joana Gama, Catarina Matos, Susana Romana ou Marta Bateira, que se juntam às últimas duas citadas. Felizmente, temos cada vez mais mulheres a fazer humor. Mais e melhor.

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