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Feminismos é Igualdade

30
Set19

O raio da catraia


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

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Imagem retirada do vídeo satírico criado pelo humorista Mark Humphries, onde cria uma linha de apoio para quem odeia irracionalmente a jovem activista. A ver.

 

E, pronto, cá estamos. Apesar de ainda haver meia dúzia de negacionistas, parece do senso comum que atingimos um estado de emergência climática. Fomos aquela família abastada que nada fez para conquistar a riqueza que tinha em mãos e acabou por estourá-la. Por vezes, devido à necessidade, outras por conforto, uma ou outra por desconhecimento e, aqui e ali porque, também, quem é que não gosta de um bocadinho de megalomania, não é?!

De repente, com 955 euros na conta pedem-se atitudes imediatas e com impacto. Alguns membros do agregado já se estão a borrifar para isso e quem se chega à frente para a insurreição é a irmã mais nova de 16 anos. O tio do Brasil contesta, pois acha que a pirralha não passa de uma jovem bolchevique que quer atenção; o outro tio da América que, apesar de estar pelos cabelos com tantos dados científicos, continua c(s)éptico. O calcanhar de Aquiles da sua casmurrice – ou conveniência -  é que, enquanto se pode refutar a opinião de um filme com um rotineiro “eu achei bom, é a minha opinião”, a ciência não permite um “ eu acho que 10+10 é igual a 27, é a minha opinião”; ou então o irmão mais velho, que devido à falta de argumentos, se limita a ofender gratuitamente a rapariga pelo cabelo, timbre de voz, género ou incoerência, pois respira, logo polui – que, a meu ver, é a adaptação contemporânea do “penso, logo existo” de  Descartes.

Felizmente, do seu lado, tem todos os seus primos e a tia-avó que esteve em Woodstock e, apesar de saber que já não vai ser tão afectada quanto os seus netos, tem a consciência de perceber que aquela luta também é sua. Curiosamente - pasmem-se com esta coincidência entre o escriba e a personagem que criou - partilhamos da opinião em que, a resposta tão procurada ao fatídico dilema existencialista “qual a nossa missão na Terra?” é, no mínimo, tentar deixar este mundo um bocadinho melhor para as gerações vindouras.

Todos podemos (e devemos) contribuir diariamente de forma activa para atenuar a actual situação ambiental. A fórmula é mais que sabida, se aplicarmos a máxima dos 5 Rs (repensar, reduzir, recusar, reutilizar e só em último caso reciclar), diariamente, o planeta agradece. Claro que as verdadeiras medidas terão de partir dos nossos governantes, onde terão a missão de conseguir uma restruturação mais sustentável e em que será imperativo que, tal como em quase as grandes mudanças, quem saia mais atropelado não seja o Zé Povinho.

Resta saber se há essa vontade e capacidade de abrir mão de bens que damos como garantidos. O consumismo desenfreado passou a fazer parte do nosso quotidiano e, consequentemente, tudo passou a ser mais descartável. Seja a roupa, a alimentação ou, eventualmente, até mesmo, a/o cônjuge do/a estimado/a leitor/a.

O ódio em relação à gaiata prende-se, a meu ver, à dificuldade do adulto de levar um bom ralhete de uma criança. E, principalmente, por ela ter razão. É claro que ela tem as suas incoerências. Tampouco está a dizer algo que não fizéssemos ideia. Ela acaba por simbolizar a garra e força de vontade de querer reverter esta situação. Sem ser o Messias que nos guiará à salvação, acaba por me dar um quentinho de que ainda é possível salvar esta família – e cá está, consegui aguentar esta analogia sofrível até ao fim, pois não a descartei.

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25
Set19

Estar no lado certo não é fácil


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Não pensem que ser ativista é glamoroso. Pode, até, ser moda mas, como qualquer moda, quem não o é por convicção, não sentirá, a longo prazo, que o ativismo incomoda. Ser ativista não é fácil. As pessoas afastam-se. As pessoas rotulam. As pessoas falam pelas costas e dificultam um trabalho que é urgente. De repente, quando dás por ti, perdeste (supostos/as) amigos/as, ganhaste outra mão cheia de inimigos/as. Dizia-me uma ativista que é como se tivesses lepra. Tu abraças as tuas convicções ao mesmo tempo que a maioria se afasta de ti. O mundo parece ser feito para quem bajula, para quem leva ao colinho, para quem diz que sim a tudo, para quem não reivindica.  O mundo tem sido feito pelos quem têm o poder e pelos que querem beber um bocadinho desse poder. Não importa como.

O ativismo é consequência de uma insatisfação de alma. E isto é doloroso. É bastante doloroso. Às vezes, parece uma doença lá dentro, num sítio que nem sabes que existe. O assoberbamento do mundo pesa-te, faz-te perder as forças, hesitas se deves continuar, se não seria mais fácil pensar menos, agir menos, importar-se menos, empatizar menos. Mas é isso que querem, não é? Que deixemos de nos revoltar. Que sejamos mais um/a no mar de desinteresse. E como é fácil o desinteresse...

Não pensem que ser ativista é especial. Não nos faz especiais. Ser ativista é consequência de um mundo que não respeita as pessoas, os animais e a natureza. Ser ativista é perceber que o mundo está torto e que não nos sentimos parte dele. Viver na invisibilidade é dolorido.

Não pensem que ser ativista é nos acharmos superiores. Na verdade, é ao contrário: por vermos tantos/as como nós serem diminuídos é que a revolta começa. Viver revoltada/o é péssimo. Faz mal à saúde.

Ainda assim, ser ativista é o que nos sustenta no equilíbrio. Porque somos assim: almas livres; de diária desconstrução porque também temos os nossos preconceitos; corações sedentos por justiça; corpos que querem viver em segurança. Talvez o ativismo nos melhore os defeitos. Talvez não, porque somos pessoas. Não somos heroínas ou heróis, não queremos medalhas nem menções, não precisamos de validação. Só queremos que nos oiçam, que reflitam e que venham para o lado de cá da barricada. 

Estar no lado certo não é fácil. Mas é menos difícil quando não estamos sozinhas/os.

Eu sou muito, muito grata a quem está connosco.

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12
Set19

43 anos. Já somos adultas


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Fazemos 43 anos. Nascemos a 12 de Setembro de 1976. Já somos adultas e mobilizadas para continuar a lutar pelos nossos direitos e por uma sociedade de igualdade para todas as Pessoas. Quando alguém ainda nos questiona sobre a razão da nossa existência, por quê continuamos a ser uma associação apenas de mulheres, nós respondemos prontamente: Porque as mulheres continuam a ter todas as razões para continuar a lutar pelo seu direito a ser igual. Porque a sociedade onde vivemos, embora se diga muito modernizada, ainda não criou as devidas condições de igualdade. Porque sabemos muito bem que ninguém melhor que nós para defender o que nos interessa, e por isso, não passamos cartão em branco, seja a quem for, para nos representar. Queremos ser donas dos nossos destinos, de corpo inteiro, e intervir em todas as áreas, mostrando que somos polivalentes e temos capacidades inesgotáveis para trabalhar, intervir e influenciar.

Temos provado ao longo destes 43 anos de existência que sabemos nos adaptar às novas situações que, entretanto, foram sendo criadas. Alteramos duas vezes a nossa designação mas mantivemos sempre a nossa sigla. Hoje somos uma Associação de alternativa pela igualdade de direitos mas também apresentamos respostas para os problemas. Seja através da revindicação, seja no apoio concreto às mulheres com quem trabalhamos.

Este nosso aniversário coincide com um período eleitoral duplo, no caso da nossa Região. Vemos algumas mulheres em cartazes e algumas a intervir. Poucas falam no que nos interessa enquanto feministas. Parece existir até um afastamento da nossa causa. Acho, ainda, que algumas se envergonham, porque não entendem que o feminismo é, tão-somente, defender a igualdade para todos os seres humanos. Para não falar dos que nos acham umas radicais porque falamos muito nos direitos das mulheres, na violência doméstica e nos assassinatos de mulheres. Este ano já foram 19, incluindo uma da nossa Região. Acham que a nossa causa, por uma sociedade sem desigualdades, de sexo e de género, é uma chatice que eles têm que tolerar, de vez em quando, de preferência só uma vez por ano, para dizerem que até são progressistas.

Mas temos que estar atentas porque estão em jogo os futuros Parlamentos que vão legislar e os futuros governos que vão governar. Há muita reivindicação em cima da mesa por decidir. Desde já em relação à necessidade da educação para prevenir a violência, a começar nas famílias e nas escolas desde o 1º ciclo até ao ensino secundário, profissional e superior. Não conseguiremos mudar as mentalidades se este trabalho preventivo não for feito. Maior celeridade nos casos de violência doméstica, afastando o agressor de casa e protegendo eficazmente as vítimas. Mais empenho, e apoio regional, ao trabalho desenvolvido por todas as associações que trabalham com a igualdade de género, sem controlos e sem exigências de calendários partidários.

Queremos que o próximo parlamento regional seja mais representativo em relação às mulheres, em que as eleitas sejam interventivas e exigentes relativamente aos nossos direitos e não sejam apenas jarras para enfeitar ou, então, sejam vozes iguais a tantas outras que não entendem as razões da nossa luta. Queremos deputadas/os feministas, sem medo de o demonstrar, porque a sociedade de igualdade é apenas, e tão só, o termos direitos iguais.

VIVA O 43º ANIVERSÁRIO DA UMAR!

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09
Set19

Democracia e identidade de género


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

raquel

Perante o hábito enraizado, no nosso país, de assistir à publicação de leis que não saem do papel, eis que, de repente, quando são criados mecanismos que permitem operacionalizar uma dessas leis, a sociedade entra em sobressalto. É muito confortável mostrar orgulho por viver um país como o nosso em que, a igualdade está consignada na lei, difícil é aplicar essa igualdade quando a tradição e os preconceitos a ela se sobrepõem, deixando a nu a solidão de todas e todos aqueles que não se encaixam no desenho que a sociedade desenhou para eles.

No início de um novo ano lectivo impõe-se refletir sobre o tipo de sociedade que queremos para o futuro. Queremos uma sociedade em que os nossos jovens e crianças se sintam seguros e felizes, com pleno direito ao respeito pela sua identidade ou queremos uma sociedade em que essa identidade tenha de andar escondida e de braço dado com o medo, exposta constantemente ao bullying e a todos os tipos de violência.

A publicação do Despacho n.º 7247/2019, de 16 de agosto, que veio estabelecer medidas concretas sobre o Decreto-lei n.º 38/2018, de 7 de agosto lançou uma discussão em alguns sectores que nos deve causar alguma preocupação. Salvaguardando opiniões legítimas sobre a sua aplicação, são as posições relacionadas com o seu próprio conteúdo as que me causam mais preocupação. Esta ideia de que a fragilidade tem de se adaptar à força dominante, de que aqueles e aquelas que carregam na maior das solidões a dor e o medo da violência têm de continuar invisíveis, para que os outros continuem confortáveis no status quo, é de uma crueldade sem limites e revela uma incapacidade, de se colocar no lugar do outro. Isto sim é um flagelo que não podemos deixar alastrar.

O respeito pela Identidade de Género não é radicalismo como alguns pretendem fazer crer, mas sim uma luta pelos direitos fundamentais de toda a humanidade em relação à qual ninguém tem o direito de ficar indiferente. Infelizmente, ainda é necessário derrubar muitas paredes e uma escola verdadeiramente inclusiva é sem dúvida o melhor sítio para fazê-lo, garantindo ambientes seguros e ensinando a empatia e o respeito pela diferença que existe em cada um de nós. Mas, para este trabalho, todas as mãos são poucas e para avançarmos é preciso encontrar eco em todos os setores da sociedade.

A Democracia só será plena quando aquilo que cada cidadã e cada cidadão têm de mais sagrado - a sua identidade - for respeitado.

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