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Feminismos é Igualdade

23
Nov20

Menos violência, mais igualdade e paz


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

prevenir

O Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres celebra-se todos os anos no dia 25 de novembro. Esta data existe para alertar todo o mundo para as violências que as mulheres sofrem e propor alternativas políticas, contribuindo, assim, para uma maior igualdade entre mulheres e homens.

É verdade que todos os seres humanos sofrem violência. No entanto, as mulheres são ainda as principais vítimas de violência em todo o mundo, sendo que esta não é somente física; é, também, psicológica, económica, sexual, entre outras. E afeta mulheres de todas as idades, desde bebés e crianças até à terceira idade. A violência é, também, transversal a todos os países. Embora hajam particularidades dos contextos dos países onde as mulheres estão inseridas, a violência não está confinada e atravessa países, regiões e culturas.

A violência de género contra as mulheres trata-se de um problema estrutural, relacionado ao patriarcado e originado pela falta de igualdade de género e oportunidades entre homens e mulheres, assim como pela discriminação persistente a que as mulheres estão sujeitas, desde que nascem.

O ano de 2020 está a ser marcado pela pandemia mundial causada pelo vírus SARS-CoV-2 que ditou regras de confinamento necessárias para travar o vírus, mas perigosas para algumas pessoas. O facto de as famílias permanecerem juntas dentro da mesma casa durante mais tempo, seja devido ao confinamento, ao teletrabalho ou ao desemprego, leva à agudização de situações de violência e à dificuldade acrescida de pedir ajuda. Para além das pessoas adultas, as crianças e as mulheres idosas são, também, muitas vezes, vítimas diretas e/ou indiretas, ainda pouco faladas. Considero que as verdadeiras consequências da pandemia e da crise social e económica, no que diz respeito à violência de género, virão à luz do dia mais para a frente, e carecem de estudos aprofundados – conhecer para intervir.

O combate à violência, no meu prisma, não deverá ser feito principalmente após terem ocorrido situações violentas. A violência tem, infelizmente, raízes profundas na sociedade, e precisa ser desconstruída desde as mais tenras idades. Uma maior aposta na prevenção alargada no tempo e no espaço é a chave para um futuro menos violento, acompanhada por políticas sociais que contribuam para uma sociedade mais igualitária e pacífica, em todos os sentidos.

É fundamental e deveria ser prioritária a educação para a mudança de mentalidades acerca da violência, consciencializando as pessoas, de forma abrangente, para a responsabilidade que têm nas mãos, acerca do mundo e da sociedade onde estão inseridas. Se queremos ver a mudança no mundo, temos também que ser essa mudança, que dar o exemplo.

Uma das prioridades será empoderar as mulheres, desde crianças, e criar redes, onde seja mais fácil para a mulher “descascar e sacudir” o papel de vítima e tomar nas suas mãos as rédeas da vida, sem ter que deixar para trás tudo o que construiu e conquistou, em nome da sua segurança. As políticas têm que ser mais firmes e a justiça tem que ter uma resposta mais adequada e célere.

Quando uma sociedade ainda julga mulheres de “provocarem situações” ou “se porem a jeito” para serem vítimas de abuso sexual, quando a justiça comete erros imperdoáveis, e quando ainda se aponta o dedo e se fazem graves insinuações a mulheres que conseguem chegar ao topo da carreira, então algo precisa mudar. Urgentemente. Em primeiro lugar, na mente e no espírito de cada pessoa. Sim, porque o combate à violência é, também, o de todas e todos nós, e somos os espelhos uns/umas dos/das outros/as.

A violência de género não deixa apenas marcas físicas e psicológicas. A violência de género também mata. De 1 de janeiro a 15 de novembro de 2020, em Portugal, segundo o Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR, foram mortas 16 mulheres em relações de intimidade (atuais, passadas ou pretendidas) e 14 mulheres assassinadas, maioritariamente, por familiares. Diga-se o que se disser, enquanto houver um femicídio, não há igualdade de género.

Aproveito para vos convidar a participar na tertúlia literária que a UMAR Madeira vai realizar amanhã, 24 de novembro, pelas 18h30, através da plataforma Zoom. O tema é “Mulheres que superaram violências”, e desafiamos os/as participantes a partilhar um livro, de qualquer género, que fale sobre uma ou mais mulheres que sofreram violência e deram a volta à sua vida. Inscreva-se através dos e-mails umar.madeira@yahoo.com e umarmadeira@gmail.com.

Tertulia24Novembro

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16
Nov20

Rebenta a bolha


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

nicolascage

“Nicolas Cage”, em 1870.

Dentro dos apreciadores de arte, há um grupo que me causa um pouco de comichão, os hipsters-no-início-é-que-era-giro. Este grupo de pessoas destaca-se por proferir a frase “bro, curtia muito deles no primeiro álbum, mas agora são bué comerciais” com frequência. Ou seja, por exemplo, na música, gostam de uma banda enquanto os/as seus/suas integrantes vivem na casa dos/as pais/mães. Quando conseguem pagar pela própria comida e começam a ter alguma visibilidade, deixam de ter interesse para esses grupos, pois começam a ser conhecidos por uma boa parte da população e o hipster-no-início-é-que-era-giro sente-se menos especial. O abandono é inevitável, e vão à procura de outra banda com cerca de 80 seguidores nas redes sociais.  Essa malta chateava-me, e hoje sinto que estou perto de me tornar um deles. Não em relação à arte, mas sim às teorias da conspiração.

No meu tempo – sempre que digo esta frase sinto a minha juventude a afastar-se num horizonte longínquo – as teorias da conspiração eram criativas e com um mínimo de lógica plausível. Mesmo não acreditando, entretinham-me e faziam-me crer, por meros instantes, que podia ser um visionário. Quem não recorda com saudosismo, e mesmo com um leve marejar nos olhos, a teoria que, em 1969, o homem não chegou mesmo a ir à lua, e foi o lendário realizador Stanley Kubrick, a mando do governo americano, a encenar as famosas imagens que todos conhecemos? Esta teoria acredita que foi tudo gravado num estúdio, com patrocínio de Walt Disney, e que a viagem nunca aconteceu. Ou se aconteceu, aquelas não são as filmagens reais. Entre as justificações está o abanar da bandeira americana, as sombras ou a falta de estrelas. Como Kubrick teria sido contratado pelo governo nesta missão secreta, nunca poderia desvendar este segredo, então decidiu vestir o jovem Danny, no clássico The Shining, com uma camisola do Apollo 11. Esta teria sido a forma do cineasta confirmar este pensamento, com uma mensagem encriptada para os illuminati.

Na cultura pop também há espaço para actores vampiros, como Nicolas Cage ou Keanu Reeves. O primeiro porque há uma fotografia datada de 1870 de um sósia dele, e estas pessoas não estão a par do conceito de doppleganger. Simpatizo com esta ideia, pois o excesso de tempo que implica ser imortal, justificaria a enorme disponibilidade que o actor tem para perder anos da sua vida a fazer filmes de qualidade questionável - fazendo uso de um eufemismo. O segundo porque o homem que dá vida a Neo, no Matrix, não envelhece e mantém o seu rosto inalterado há décadas. Vai-se a ver e, na verdade, a pílula vermelha que ele toma no filme, que supostamente lhe permitia ver o mundo real tal como ele é em vez de viver enganado, no final de contas não é nada menos que o “milagroso” Cogumelo do Tempo. Há, ainda, quem acredite que os cantores Paul McCartney, Avril Lavigne e até mesmo a Anitta faleceram há imenso tempo, mas que têm sido substituídos por sósias ao longo dos anos. Se um dia desconfiarem que fizeram o mesmo comigo, verifiquem o canto superior esquerdo do meu lábio, que tem uma micro cicatriz de infância, resultado de uma pancada que um primo me deu. Nem imaginam como é que ele ficou… Como podem ver, há uma variedade tão vasta e criativa de teorias da conspiração, que é impossível não rejubilar com elas.

O problema é quando isto deixa de ser uma brincadeira, e grupos enormes ganham poder político com pensamentos substancialmente mais descabidos. Nos Estados Unidos, vai ganhando relevância mediática um movimento chamado QAnon. Este grupo acredita que Donald Trump é um messias, que tem um projecto secreto com o objectivo de combater as elites políticas e de Hollywood. Para eles, estas pessoas são basicamente todos pedófilos, canibais, satanistas e responsáveis pelo tráfico sexual infantil. Nomes como Barak Obama, Tom Hanks, Hillary Clinton, George Soros, Angela Merkel, Bill Gates, Papa Francisco ou Oprah Winfrey são alguns dos mais visados. Com a eleição de Marjorie Taylor Greene à Câmara dos Representantes pelo estado da Geórgia, o grupo QAnon vê-se representado no Congresso americano pela republicana, apoiante deste movimento. Este movimento que começou em chats virtuais como o 4chan, ganha agora outra dimensão.

Em Portugal, como povo competitivo que não fica a dever nada aos estrangeiros, também já tivemos um ar da sua graça com manifestações de pessoas que afirmavam coisas como: o confinamento serviu apenas para instalar o 5G; a covid-19 foi criada pelo lobby farmacêutico para vender medicamentos; o vírus foi criado para matar os/as idosos/as, pois dão despesa ao Estado com as suas reformas; o aborto foi legalizado até aos 9 meses para esquartejarem bebés vivos; os/as mais poderosos/as, só o conseguem ser porque comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Numa era em que nunca tivemos tão fácil acesso à informação, e em que nunca tivemos tanta desinformação, também temos um papel importante nisto. Temos o dever de confirmar as informações que decidimos acreditar e que acabamos por disseminar. Portanto, hoje sinto-me um desses hipsters. Ou seja, embora não acreditasse, achava piada a algumas das teorias da conspiração no primeiro álbum. Só que acho que levaram isto longe demais e, em vez de se tornarem comerciais, tornaram-se perigosos lunáticos.

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