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Feminismos é Igualdade

28
Dez20

Precisamos de todas!


umarmadeira

ARTIGO DE MADALENA NUNES

artigo maddalena

Aqui há dias vi um cartoon, cujo autor desconheço, que mostrava um pai a perguntar à filha pequenita: “Neste Natal queres uma boneca que chora?” ao que a miúda responde: “Não, quero uma que lute pelos seus direitos!”.

No passado dia 21 de dezembro, após a apresentação para discussão e votação do Plano Municipal da Igualdade do Funchal, tivemos oportunidade de ouvir alguns lugares comuns e politicamente corretos sobre “igualdade”. Ao fim de duas intervenções, um deputado pede para usar da palavra e vocifera que estas questões são baboseiradas. Que se ele quiser fazer um partido só de homens, que o deve poder fazer. Idem para um partido só de mulheres. Linguagem inclusiva é baboseirada e ridicularia, acrescenta ele. Perante tamanha veemência e irritação, vários deputados e deputadas do PSD e do CDS riem a bandeiras despregadas. Alguns vereadores e vereadoras também. Um deputado do Grupo Municipal Confiança, ao ouvir este discurso, diz que o deputado é um troglodita, ou algo assim, não me lembro bem. É logo invetivado em alta vozearia pelo grupo do PSD, sobre quem é ele para dizer uma coisa dessas! Do lado do PSD fui questionada sobre o que faz a vereadora com o pelouro da igualdade quando uma junta de freguesia do Funchal tem uma maioria de homens no seu elenco. Quando questionado sobre o que faz ele junto do seu partido que está no poder há mais de 40 anos e não aplica a lei da paridade no parlamento regional, não responde. Lembro que estávamos a falar de um direito previsto na Constituição da República Portuguesa, mas que parece não valer nada aos olhos de muitas pessoas com responsabilidades políticas, servindo só para chacota e enxovalho.

Anotei duas coisas durante esse debate (devo dizer que anotei mais umas, mas não as vou explanar aqui…):

1 - que efetivamente as questões da igualdade não estão confinadas a um setor político. Foram defendidas nessa mesma Assembleia Municipal pela deputada da CDU, Herlanda Amado, pela deputada do CDS, Carla Batista, pela deputada do PS do Grupo Municipal Confiança, Elisa Seixas e pelo grupo municipal da Confiança;

2 – que efetivamente muitas pessoas e partidos políticos consideram que a igualdade entre homens e mulheres é um frete que por enquanto terão de engolir, mas que esperam ver desaparecer brevemente.

Vivemos numa sociedade machista e patriarcal. Aquilo a que assistimos na Assembleia Municipal do Funchal, que tem todos os partidos lá representados, foi uma eloquente amostra. Só com uma ação conjunta e determinada de homens e mulheres é que poderemos defender a construção de um país gerido de forma paritária e que enquadre na sua gestão uma visão do mundo em que os valores da igualdade e da não discriminação estejam presentes em todos os momentos. O direito à igualdade só é um direito adquirido até o dia em que desaparece. E isso pode acontecer. Por isso, no fim de mais um ano, apetece-me agradecer a quem luta diariamente por um mundo em que homens e mulheres são tratados de forma igual e que lutam pela não discriminação. Vou mencionar algumas mulheres neste final do ano de 2020. Os homens são muito importantes nesta causa, mas vou só nomear algumas mulheres. Eles que me desculpem. E as que não estão aqui nomeadas, que me perdoem.

Obrigada, Elisa Seixas, Carla Batista, Herlanda Amado, Guida Vieira, Carla Abreu, Conceição Pereira. Obrigada, Rosa Monteiro, Graça Freitas e Marta Temido. Obrigada Maria Velho da Costa, Helena Ferro de Gouveia, Bárbara Reis, Maria João Marques. Obrigada, Catarina Ferreira, Sandra Nóbrega, Catarina Faria, Luísa Paolinelli, Paula Erra, Violante Saramago Matos, Cátia Pestana. Obrigada, Ana Gomes e Marisa Matias. Obrigada, Angela Merkel, Kamala Harris, Ruth Bader Ginsburg, Karima Baloch. Obrigada, UMAR Madeira. Obrigada, Mulheres Socialistas. Obrigada blogs e páginas de feministas e de direitos humanos. Obrigada a todas as mulheres anónimas que no seu espaço nunca desistem e não se calam, lutando para que a sua ação não seja tornada invisível e anulada. Precisamos de todas! Bom 2021!!!

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14
Dez20

Frappart, Dapena e COVID-19


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

blogue

Nesta época em que vos escrevo tantos são os assuntos que merecem o destaque das minhas palavras pelo que optei por destacar três assuntos: 

No passado dia 2 de Dezembro, a francesa Stéphanie Frappart fez história ao tornar-se na primeira mulher a arbitrar um jogo da Liga dos Campeões de futebol sénior masculino. Alguns amantes do futebol provavelmente nem deram pelo marco histórico e isto deve-se ao simples facto de ter sido apenas mais um jogo da liga milionária dirigido por um árbitro que na instância era uma mulher. Nada mais do que isto. Nos cafés não se discutiu a já tradicional arbitragem, ninguém se indignou, os jogadores respeitaram a juíza, a vida seguiu o seu percurso normal e a caixa de Pandora manteve-se fechada. Com efeito o ferreiro dos Deuses e criador de Pandora, Hefesto, seria hoje um Deus de consciência tranquila. Hoje a mulher consegue se imiscuir e, não raras vezes, suplantar o homem nas tarefas e actividades que deveriam ser de todos. Meu Deus, Hefesto, estais ilibado de todo e qualquer estigma. Haveis criado apenas o igual ao homem, apenas algo mais atraente.

Ainda no desporto, Maradona, deixou o reino dos mortais para cruzar o rio Estige e o mundo chorou a sua partida homenageando-o das mais variadíssimas formas. Bom, “homenageando-o” é na verdade um eufemismo sendo que houve ainda quem quisesse demonstrar repúdio perante alguns dos valores defendidos por Maradona. Paula Dapena, jogadora de futebol da equipa espanhola Viajes Interrías FF recusou-se a prestar homenagem ao Deus do Futebol Diego Armando Maradona sentando-se no chão de costas voltadas enquanto se fazia um minuto de silêncio pelo desaparecimento do vulto desportivo. Quando questionada acerca da atitude, Dapena referiu que “quando se assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, esses gestos não foram feitos. E se não houve um minuto de silêncio pelas vítimas, não estou disposta a fazê-lo por um agressor". A atleta demonstrou ter mais coragem do que muitos homens ao ter uma voz diferente, mas simultaneamente assertiva perante alguns episódios. Os organismos que gerem o futebol, poderiam aprender algo desta posição e passar a utilizar a sua influencia para erradicar a violência contra as mulheres. Fica a ideia a quem de direito.

Por outro lado temos ainda o COVID-19 nesta época natalícia. Viver o natal em plena pandemia não será apenas um desafio mundano, pode mesmo ser um desafio pela sobrevivência. Com o vírus chegou também a crise e a nossa pérola do Atlântico não é excepção. O turismo abrandou para níveis nunca vistos e o grande motor da economia estancou. Milhares de pessoas precisam de apoio como nunca, e este natal poderá vir a ser pouco feliz para algumas famílias. Temo que os efeitos da pandemia agravem a violência doméstica uma vez que certamente fará aumentar os níveis de stress e a inabilidade em ultrapassar as depressões que se avizinham. Cabe-nos a todos ser vigilantes e ajudar homens, mulheres e crianças nesta época mais negra.

Lembrem-se de passar o natal em segurança, por vós e pelos outros.

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07
Dez20

Sou mulher, e a minha cabeça não é uma máquina!


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

Sem Título

Apesar de os problemas mentais serem bastante elevados em ambos os géneros, vários estudos feitos nos últimos anos apontam que é a mulher quem sofre mais desse flagelo.

Às meninas, desde cedo, é impingido que o modelo de perfeição são as princesas representadas nos desenhos animados e as bonecas, nomeadamente a famosa Barbie, que apresenta um corpo de medidas surreais e inalcançáveis. Para além disso, a maioria dessas figuras reproduzem “mulheres” brancas e de cabelos lisos, com muita valorização para os contornos harmoniosos do rosto e do corpo, a pele perfeita e roupas caras. Esta imagem de esmero persegue as jovens na pré e na adolescência, e não são raras as vezes que, em conversa com meninas, muitas referem que querem seguir a carreira de modelo. Que cabeça aguenta isto?

Ao longo da vida, o desejo pela vida perfeita, pela família exemplar, pelo corpo padrão, pelo cumprimento de objetivos como se a vida fosse uma meta a alcançar – impostos pela sociedade! - pode levar, assim, ao desenvolvimento de problemas mentais, como a ansiedade, ataques de pânico, depressões, esgotamentos e, muitas vezes, a um cocktail de várias doenças psiquiátricas, outras ainda mais graves. Que cabeça aguenta isto?

A mulher, ao entrar no mercado de trabalho, enfrenta mais uma série de contrariedades: ganha, em média, menos que os homens, mesmo que tenha igual função e produtividade; é vítima de assédio sexual e moral e corre o risco de não alcançar os seus objetivos profissionais caso engravide. Que cabeça aguenta isto?

Elas são sobrecarregadas com o trabalho, com as lides domésticas, com os problemas familiares, com os problemas do mundo e com os seus próprios dilemas pessoais, numa avalanche de acumulações que vão pesando ao longo da vida. Que cabeça aguenta isto?

A maternidade não é o mar de rosas que a sociedade insiste em promover. A gravidez é, normalmente, apreciada como um período de bem-estar emocional para a mulher. Porém, para muitas delas, a gravidez e a maternidade são momentos de maior vulnerabilidade a distúrbios psiquiátricos, como a depressão pós-parto. Que cabeça aguenta isto?

E para as que não querem engravidar aparecem os dedos apontados, as insinuações, as insistências e as acusações. Que cabeça aguenta isto?

A mulher idosa enfrenta questões relacionadas ao preconceito, à marginalização e à subalternidade. Não bastando o ato de envelhecer ser, para quase todos/as, um processo de autorreconhecimento, aceitação e algum sofrimento, envelhecer, para a mulher, acresce o cunho histórico do patriarcado que afeta, fortemente, esta fase da vida. A acentuação das diferenças em papéis de género origina, assim, estereótipos de masculinidade e feminilidade, assentes em diversos pressupostos: a própria personalidade – condicionada pela sociedade -; os papéis desempenhados pela mulher no trabalho e no lar, a identidade sexual, fortemente influenciada pelo dogma masculino; as histórias de vida que figuram um momento sócio histórico; as vis representações do corpo e as pressões da publicidade no que diz respeito à estética do envelhecer e à busca da juventude. O corpo feminino, na sua juventude, é encarado como local sagrado da conceção. A menopausa encerra esse ciclo e, ao mesmo tempo, parece marcar um fim: é como se apontássemos o dedo à mulher e lhe disséssemos que a sua própria sexualidade deverá ser aposentada a partir desse momento, mas, ao mesmo tempo,  à mulher é imposta uma obrigação de salvamento do corpo jovem e belo, para que esta não sofra uma rejeição social. Que cabeça aguenta isto?

O machismo latente na sociedade é consequência para a prevalência de doenças psiquiátricas nas mulheres (e pelo abafamento, diga-se, desses mesmos problemas no sexo masculino, porque o homem ainda está colado à imagem de força e independência, sendo olhado como fraco e inferior caso não obedeça a esse padrão social). A doença psiquiátrica, seja ela qual for, é, admitamos, um grave problema do século XXI, destruindo a qualidade de vida de quem a sofre e dos seus pares.

Somos mulheres e a nossa cabeça não é uma máquina. Desconstruamos esse pensamento e abracemos com empatia, respeito e consideração aquelas (e aqueles!) que passam por momentos destes, independentemente do que despoletou, oferecendo a nossa ajuda e compreensão.   

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