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Feminismos é Igualdade

29
Mar21

Num Planeta distante


umarmadeira

ARTIGO DE CARINA JASMINS

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Era uma vez um Planeta muito distante, onde as pessoas tinham uma aparência semelhante à nossa, viviam de uma maneira tranquila, formavam uma única sociedade interdependente, com muita diversidade na aparência e na maneira de ser, mas havia uma admiração e um respeito pela individualidade de cada um, consideravam essa diversidade a sua maior riqueza.

Tinham evoluído num respeito profundo pela Natureza e pelo Planeta onde viviam. Era um povo evoluído em consciência e também tecnologicamente e estando em paz com todos, assim como com a luxuriante natureza que os rodeava, decidiram que gostariam de explorar o Universo e conhecer outros planetas, outras culturas, outras maneiras de pensar e de viver. Tinham construído naves com sistemas de navegação que permitiam detetar as “autoestradas” do Universo, que eram túneis espaço-tempo que permitiam atravessar grandes distâncias em pouco tempo, conseguindo, assim, visitar zonas distantes do Universo.

Numa dessas explorações chegaram a um belíssimo Planeta Azul, num distante sistema solar. Este planeta destacava-se no negro do espaço, como uma linda esfera azul brilhante. Admirados com a beleza daquele planeta que lhes fazia lembrar o seu próprio planeta, idealizaram que deveria ser um planeta tranquilo onde imperava a paz.

Sempre que chegavam a um planeta, conseguiam ter acesso à memória desse Planeta, porque para eles os Planetas eram seres vivos que, além da sua própria memória, guardavam também a memória de todos os acontecimentos desde o início. Ao aceder, começaram a ver e a sentir os enormes tumultos, lutas, violência, separação que tinham ocorrido ao longo dos milhares de anos da existência da espécie humana, já que estes eram os habitantes principais e em maioria deste planeta. Era deveras impressionante como a sua parte animal estava tão presente ao longo de tantos milhares de anos, mas pensaram que isso era normal, toda a evolução começa de um nível mais baixo de consciência para o mais elevado.

A surpresa foi quando chegaram aos tempos recentes em que se deparando com uma imensa evolução desde os primórdios da existência, a humanidade ainda mantinha guerras em algumas partes do planeta e a maior parte dos territórios onde não haviam guerras externas mantinham grandes guerras internas, dentro de si próprios, o que levava a pequenas grandes guerras com aqueles que os rodeavam. Admiraram-se por ainda fazerem distinções baseadas na cor da pele, na aparência, e em tantas outras coisas, pensavam como era possível, porque eram todos humanos, iguais na sua matriz, apenas o exterior mudava, mas isso era bom e não conseguiam ver. Os estereótipos e preconceitos ainda imperavam na maioria dos seres humanos deste planeta e com a sua visão evoluída conseguiam ver a ignorância e imaturidade que ainda reinava. A força física era usada para dominar, maltratar, matar aqueles que eram mais frágeis. O poder e a ganância geravam desigualdades, que poderiam ser facilmente combatidas se houvesse mais partilha.

Ficaram chocados com o profundo desrespeito com que tratavam a natureza porque dependiam dela para a sua própria vida.  Olhavam para tudo com espanto e tristeza, falando entre si, refletindo sobre tudo aquilo que tinham visto e sentido.

Neste Planeta, a Humanidade ainda não percebeu que é Uma Unidade, que o tempo de vida é relativamente curto e que deveria ser aproveitado para se elevar, transcendendo os instintos de onde partiu para algo mais elevado que lhes traga alegria genuína, que expanda o amor que está dentro de todos e que encarceram no peito, essa é a sua maior miséria, aquela que gera tanto sofrimento em si e nos outros seres.

Que devem procurar a natureza e serem Um com ela, porque ela faz parte de quem são, viver o pouco tempo que estão neste magnifico planeta contemplando as belezas que os rodeiam: um pássaro a cantar, o voo de uma gaivota sobre o mar, o nascer e o pôr do sol, viver mais esses momentos mágicos que estão à disposição de todos, porquê não aproveitam? Não entendemos. Porque não aproveitam mais para se tratarem bem e se amarem para que possam viver em paz e amar verdadeiramente quem está à sua volta e puderem, assim, trazer uma Paz verdadeira a todo o planeta? O bem de um é o bem de todos, ainda não perceberam que dependem todos uns dos outros, que estão todos juntos nesta grande nave que é o Planeta Terra que os leva a viajar todos os dias pelo universo.

Voltaremos a este Planeta daqui a muitos anos para saberem como estão, temos esperança em vocês humanidade, para que percebam, finalmente, que apesar de serem todos diferentes, essa é a vossa grande riqueza, tal como acontece no nosso lindo Planeta. Somos todos únicos e é quando respeitamos e exercemos a nossa verdadeira essência que trazemos a riqueza e a evolução à nossa volta, porque trazemos o único à realidade.

Formam todos juntos HUMA UNIDADE e que vivam cada dia mais essa realidade, para que juntos, possam um dia viver em harmonia consigo, com os outros e com a Natureza que os rodeia, neste Planeta tão lindo que têm a honra de viver.

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22
Mar21

Mulheres na política e na vida pública


umarmadeira

ARTIGO DE MADALENA SACRAMENTO NUNES

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Em política, quando se fala de igualdade entre homens e mulheres, tendemos a olhar para a presença delas nos parlamentos, nas assembleias, nos executivos, etc. Contam-se quantas lá estão (não interessa o lugar ou a função) e apregoa-se que se implementou a paridade. Na minha opinião, nada mais falso e enganador. É importante que as mulheres entrem na política, claro. Mas para que a sua ação seja influente e decisória é necessário que os papéis que lhes são atribuídos sejam importantes e não meros adornos. É fácil de verificar que muitas delas entram nesses lugares simplesmente para preencher espaço sem relevância e calar vozes que defendem essa mesma participação igualitária na vida dos territórios regionais, nacionais, europeus. Façam um exercício e olhem com lentes mais críticas para algumas realidades que nos cercam:

  • Quantas vezes são elas escolhidas para serem porta-vozes (parlamentares ou outros)?
  • As pastas que lhes são atribuídas mantêm os estereótipos femininos, apresentando-as como as melhores pessoas para as funções sociais de cuidadoras ou educadoras?
  • Que orçamentos são adstritos às suas áreas?
  • Quantas estão em comissões consideradas verdadeiramente importantes e com visibilidade mediática?
  • Quando se constituem comissões consideradas decisivas para o país ou região, que equilíbrio de género lá existe?
  • Quando se dá visibilidade ao trabalho desenvolvido por elas, quem aparece na comunicação social a apresentá-lo?

Falar em igualdade de género fica sempre bem e dá imenso jeito. Ser consequente já custa mais, pois implica ser verdadeiramente defensor ou defensora desses princípios, abdicando da ânsia de protagonismo e poder. E isso não é fácil. Os partidos políticos são importantes como fatores de participação das mulheres na vida pública. Contudo, também devem constituir-se como instrumentos que promovem as mulheres a cargos de decisão. Penso que nos lembramos de Rui Rio afirmar que em mais de cem câmaras o PSD só escolheu 3 mulheres para presidentes de câmara (!!!) porque elas não aparecem!!! Se olharmos para a composição atual da Câmara Municipal do Funchal, chegamos à conclusão de que em reunião de câmara existem mais mulheres (6) do que homens (5). Contudo, também aqui convém olhar com atenção e perceber por que razão isso aconteceu. Elas estavam em lugares dificilmente elegíveis e só subiram porque os homens que estavam à sua frente desistiram.

Observem os programas das televisões e verifiquem quantas mulheres são convidadas para falarem como especialistas ou como pensadoras da política regional, nacional ou internacional. Muito poucas. São sempre eles os escolhidos. Quer sejam especialistas ou não. Ninguém questiona.

Para que estas coisas mudem é necessário que quem acredita na democracia representativa faça ouvir a sua voz, seja homem ou mulher, partido político ou órgão de comunicação social. Criticar. Escrever. Falar. “Fazer barulho”. Tudo isto é importante. Só assim as mulheres poderão vir a estar representadas na vida pública e política em termos paritários e correspondentes à sua proporcional presença na população portuguesa (52,8%).

Não esqueçam que hoje em dia há um movimento cada vez mais intencional que defende o regresso das mulheres ao “lar”. Tal como escrevi no meu primeiro artigo para a UMAR Madeira, “A única coisa que cai do céu é chuva. O resto é luta!”

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18
Mar21

Romancear o Pernicioso


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Romancear o cotidiano é tarefa inerente à poesia, à música, às artes enfim, não fosse o coração (no sentido figurado) humano sedento de emoções. Em boa verdade esta busca, esta necessidade, esta dependência dos humanos em relação às emoções é inexoravelmente o que torna o milagre da humanidade ser possível. Não só não vivemos sem emoções como não a podemos dissociar da lógica ou da razão, honras feitas a toda a obra de António Damásio. Apesar do dado adquirido, é necessário separar-se as águas em Romancear o Cotidiano e Romancear o Pernicioso. O pernicioso, assim como o cotidiano, toma muitas formas. Entre estas realço à partida a violência e o seu efeito romanceado o qual ocorre mais vezes do que o que poderia ser esperado. Saliento um caso que me tem feito espécie desde que chegou ao meu conhecimento. Chris Watts, pai devoto de duas filhas, Bella e Celeste, e esposo carinhoso de Shanann Watts. Bom, devoto e carinhoso, são qualidades que não coloco em causa que Chris tenha, em algum momento da sua vida familiar, tido para com as mulheres da sua vida. Isto antes de as ter matado a todas, naturalmente. Chocados? Também eu fiquei quando vi documentários sobre este caso e sim, reforço que Chris fora, em algum momento, um pai dedicado e um esposo carinhoso até um dia ter, escandalosamente, assassinado as suas duas meninas e respectiva esposa. Um crime macabro que culminou com a condenação de Chris Watts a múltiplas sentenças perpétuas.

Ora, o alcance do Romancear o Pernicioso que mencionava anteriormente é de tal forma ilimitado que consegue distorcer a imagem de um sociopata, como o é Chris, e elevá-lo a um nível romanceado estratosférico. O assassino tem recebido, pasmem-se, centenas de cartas de amor por parte de mulheres que se têm oferecido para uma relação amorosa. É visto, por algumas mulheres, e não obstante ter confessado o seu crime, como a coisinha mais fofa à face da terra. Macabro? Ridículo? Surreal? Independentemente do epíteto que se prefira atribuir, a verdade é que existe um certo jeitinho especial para os humanos conseguirem Romancear o Pernicioso, não por forma exclusiva a desculpabiliza-lo, apesar de também o ser, mas porque é impossível viver sem ser ao comando das emoções e estas deixam-nos incessantemente à sua mercê. Estas mulheres são também vítimas da condição humana no seu maior esplendor. A diferença entre elas e a mulher que sofre de violência no dia-a-dia e não se afasta da relação por acreditar que o cônjuge irá melhorar, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam envolver por músicas, livros, filmes ou qualquer outra forma de arte que ofusca o empoderamento feminino e o reduz a meros objectos sexuais, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam apaixonar por algum homem com traços de violência bem patentes são igualmente inexistentes. A imagem de um Bad Boy que se possa dobrar, manipular e por fim curar é extremamente aliciante e faz activar o sistema de recompensas no cérebro assim como a um viciado no jogo sedento pela recompensa. Apesar das possíveis explicações científicas devo afirmar que este cenário me faz espécie pois se o Romancear o Pernicioso é plausível convém que se reconheça igualmente a inexorabilidade inerente ao perigo. Se é perigoso é porque te pode, e na esmagadora maioria das vezes vai, fazer mal. Não consideres sequer essa possibilidade.

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02
Mar21

Consequências da pandemia!


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Neste já longo período da pandemia covid-19, as mulheres têm vivido momentos de grande stress e ansiedade, sendo confrontadas com muitas informações sobre a pandemia. Algumas verdadeiras, outras nem tanto, aparentemente com o intuito de confundir e baralhar as pessoas menos esclarecidas, e menosprezar a gravidade da pandemia que se abateu sobre a Humanidade. Ao longo deste período, muitas/os perderam as suas vidas, outras/os ficaram sem meios para viver com alguma dignidade: perderam o emprego, a sua habitação e os seus rendimentos, com graves consequências para as suas famílias.

Com o evoluir da pandemia e as suas medidas de confinamento, muitas famílias viram-se sem meios para sobreviver, sendo obrigadas a recorrer a Associações, IPSS e Juntas de Freguesias, etc.. Precisam de auxílio para poderem ter comida na mesa. Outras, nas suas casas, mesmo com grandes dificuldades, mas envergonhadas, porque nunca pensaram que algum dia seriam confrontadas com a pobreza e miséria, pois essa situação só acontecia a outras pessoas. Chegar ao fim do mês e não ter meios para pagar as suas despesas era impensável.

Por outro lado, algumas Mulheres sentem alguma revolta por haver pessoas sem escrúpulos a se aproveitar da pandemia. Enquanto aumenta o desemprego e a pobreza, cresce o número de milionários, que esvaziam os direitos de quem trabalha e aumentam o trabalho precário, baixam salários e ameaçam com despedimentos das e dos que mais sofrem com esta pandemia. Incentiva-se o drama do teletrabalho para milhares de mães e pais com crianças a cargo, com o novo confinamento, onde o governo insiste em manter um regime que deixa as pessoas entre a espada e a parede. Muitas mulheres são forçadas a acumular o teletrabalho com assistência às crianças, situação que provoca stress laboral, instabilidade emocional e intranquilidade familiar. Toda esta crise tem escancarado cada vez mais desigualdades na partilha de tarefas. As mulheres são as mais sacrificadas com esta pandemia. As consequências do teletrabalho têm uma dimensão na igualdade de género.

A crise social vai deixando as pessoas desesperadas, porque não são momentos propícios à socialização, à convivência que nos aproxime enquanto seres humanos. No que toca à violência doméstica, contra mulheres e crianças, o próprio confinamento e com as crianças fora da escola é propício a essas situações de agressão, dificultando a queixa.

Embora tenha havido ao longo dos últimos anos algum trabalho de consciencialização sobre a criminalidade dentro de casa, ainda morrem muitas mulheres, muitas crianças são vítimas de violência e, como se ainda não bastasse, somos um dos países que pior tratam as pessoas idosas.

Há ainda um longo caminho a percorrer na prevenção, sendo muito importante a disciplina de ensino para a cidadania. Há que continuar a luta por uma justa distribuição dos rendimentos que garantam a solidariedade, protejam os direitos das crianças e promovam a justiça social.

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