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Feminismos é Igualdade

19
Abr21

Petição pública para termos calma com as petições públicas


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

fotopaulo

Fleabag, para mim, uma das melhores séries feitas nos últimos anos, tem uma frase que podia ter sido escrita por mim, caso tivesse o talento da Phoebe Waller-Bridge. Enquanto caminha na rua com o seu “Padre Amaro”, Phoebe responde às suas palavras motivacionais com um “não me tornes uma optimista, vais arruinar a minha vida”. Como pessimista militante, padeço do mesmo receio. A minha sorte é o ser humano ser bastante consistente em práticas que me levam a achar que estou do lado certo da barricada – alerta “não sou niilista, mas…”.

No meu penúltimo rabisco aqui no blog irritei-me com o comportamento questionável – fazendo uso de um eufemismo – com que a população estava a lidar com a pandemia e teorias da conspiração.

Hoje, este avô rezingão que vos escreve, qual Larry David, está com urticária por causa das petições públicas. São um instrumento democrático muito valioso, sem dúvida, que têm como objectivo dar voz a causas ou injustiças que não têm o merecido mediatismo. E, caso atinjam as 10 mil assinaturas, serão debatidas em plenário da Assembleia da Républica. Problema: nos últimos tempos, sempre que há algum ruído acerca de petições é pela sua boçalidade gritante – segundo e último eufemismo, prometo.

Uma das mais faladas foi a que visava Mamadou Ba. A petição, que conta com mais de 32 mil assinaturas, pedia a expulsão do activista de Portugal. Quando vi o título até pensei, por momentos, que o Dirigente da SOS Racismo tivesse entrado num desses reality shows bizarros que nos tem invadido os televisores nos últimos tempos. Depois, fui ler o texto em questão e concluí que dizia algo como “nós não somos racistas, mas se queres ter uma voz activa vai para a tua terra”. Lamento ser o portador das más notícias, porém o pós-virgula anula brutalmente o pré-virgula da frase.

Lembrei-me que Joacine também tinha sido protagonista de uma dessas petições; no seu caso, exigiam o seu impedimento de tomada de posse como deputada. Com mais de 22 mil pessoas a subscrever essa intenção, os motivos eram semelhantes aos das 32 mil que desejavam ter o poder de Teresa Guilherme ao exigir que o concorrente Mamadou abandonasse, não o Big Brother, mas neste caso, Portugal.

O juiz Ivo Rosa também já leva com quase 200 mil pessoas a quererem que seja “afastado de toda a magistratura”. Estou a anos-luz de ser um socratista pois confesso-vos não ser um especial apreciador de pessoas egocêntricas e mitómanas, mas parece-me que estamos perante uma cultura do cancelamento mais formal, para quem não tem conta no Twitter.

Todavia, não se deixem enganar, isto não é só para quem não perde um episódio da Quadratura do Círculo desde 2005. Há também algumas mais diversificadas como uma que pede o regresso das bombocas – o doce, não o duo de música popular, autor de temas como "Roda roda a cabecinha” – outra que exige uma auditoria à votação do último Big Brother Duplo Impacto, num processo que, caso aconteça, sugiro que se chame “Operação Abre-Olhos™”, ou mesmo uma que pede que proíba o ananás na piza – se bem que esta já me parece mais sensata.

Mas se a ânsia do leitor por assinar coisas for assim tão incontrolável sugiro, antes, que assinem a Amazon Prime e vejam a deliciosa série Fleabag.

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13
Abr21

Violência nas Redes Sociais, uma realidade atual!


umarmadeira

ARTIGO DE MARGARIDA PACHECO

A_violência_nas_redes_sociais

Hoje em dia vivemos todos/as conectados/as pela internet. O mundo virtual e as redes sociais trouxeram uma nova forma de nos relacionarmos com as outras pessoas e com a realidade que nos rodeia. Estaremos todos/as mais conectado/as com a internet ou estaremos todos/as menos conectados/as com a realidade? Com a pandemia, houve um aumento do uso das redes sociais, que se tornaram uma fonte importante de conexão, de comunicação e de partilha. Ajudou-nos a sentirmo-nos conectados com o mundo, com as pessoas e também com nós mesmos/as. Com o isolamento físico e o aumento da conexão virtual das nossas relações interpessoais, será que podemos separar o mundo virtual do mundo real? 

Há cada vez mais redes sociais diversificadas que têm fatores positivos como, a rápida partilha de notícias, a criatividade e a possibilidade de falarmos sobre temas e problemáticas a nível mundial. No entanto, há também o lado negativo. A interação nas redes sociais emerge como um espaço de violência através de manifestações de ódio. Muitas vezes as pessoas fazem comentários depreciativos, humilham, ameaçam e exercem violência psicológica. Muitos desses comentários são feitos anonimamente, com recurso a perfis falsos, mas que têm um grande impacto na vida de todos nós, principalmente dos/as jovens. Essas manifestações de ódio têm sempre como base a discriminação, a opressão, a exclusão, e os estereótipos e preconceitos que continuam a ser perpetuados e legitimados na nossa sociedade. Os comentários de ódio presentes nas redes sociais que são manifestados através do racismo, da xenofobia, do sexismo, da homofobia, da transfobia e do classicismo, são uma nova forma de violência de exercermos a violência estrutural, cultural e simbólica na qual a nossa sociedade é desenvolvida.  

Tem se refletido cada vez mais sobre o impacto do mundo digital. A desvalorização de nós mesmos/as, a falta de sentimento de presença, a comparação negativa com as outras pessoas, a falta autoestima, são algumas das consequências negativas que todos/as nós sofremos devido à violência exercida nas redes sociais. 

 É importante alertar e consciencializar a sociedade sobre as várias formas de violência e o impacto que estas têm na nossa vida, seja nas relações interpessoais, na escola, no trabalho ou até mesmo, na relação com nós mesmos/as. É ainda necessário refletirmos em sociedade sobre estas consequências de modo a promovermos uma sociedade mais igualitária e inclusiva, que previna a violência dentro e fora do mundo virtual. Precisamos urgentemente de desenvolver políticas públicas e educativas para a prevenção e combate aos discursos de ódio e violência online.

A violência nas redes sociais é uma realidade atual. Por isso, precisamos de compreender que esta violência o é um espelho daquilo que se passa na nossa sociedade e que todos/as fazemos parte deste problema.

bannerMargarida

 

05
Abr21

Na direção da Utopia


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

3may2020_pemba_1

 

Se tens um coração de ferro, bom proveito.

O meu fizeram no de carne, e sangra todo dia.

José Saramago

 

No dia 5 de abril de 1821, foi extinto por decreto o tribunal da Inquisição em Portugal.

 

Quis iniciar este texto com uma efeméride positiva, pois não vivemos tempos felizes. Não que a felicidade tenha sido erradicada do nosso planeta, afinal, ela está por aí e todos a conhecemos, mas não está no ar que respiramos, também não está nos acontecimentos que presenciamos, nem nas notícias que recebemos. Vejamos.

Hoje, dia 5 de abril de 2021, passados 200 anos sobre a data que comecei por referir, os ataques a “Cabo Delgado”, deixam um rasto de fome e destruição em milhares de inocentes, entre os quais crianças, doentes e idosos que perderam o pouco que tinham e foram separados daqueles que lhes garantiam o mínimo de proteção e cuidados. Fundamentalismo religioso ou ganância? Talvez os dois, mas pouco importa, o sofrimento tem apenas um nome: a população inocente e massacrada por sucessivas jogadas dos senhores da guerra.

Um pouco por todo o mundo, a juntar-se à devastação da pandemia, as consequências de políticas ambientais desastrosas desembocam em tragédias que destroem as vidas e o futuro de quem menos possui. Anda hoje, Timor-Leste procura sobreviver às cheias que assolaram o país.

 

No futuro, quando os anos vinte deste século aziago puderem ser analisados sem a emotividade da atualidade, esta época será associada a muitas outras em que, ao longo da história da humanidade, a violência, a fome e a solidão atacaram a população mais frágil, tratada sempre como um dano colateral, sacrificado em nome de um bem maior, do qual é sempre excluída.

Porventura, será a pandemia-COVID 19 o fenómeno que mais marcará estes anos, por tão habitual e ordinário se terem tornado as outras “pandemias”, e os cidadãos do futuro concluirão sobre o papel positivo da natural evolução científica e tecnológica que tornou mais suportável os constrangimentos impostos. Não há como discordar. Sem dúvida que os heróis, a quem nunca agradeceremos nem valorizaremos o suficiente, encontrarão, como sempre acontece, postumamente, a merecida homenagem.

Estudarão, provavelmente, também o fenómeno inexplicável de algumas vozes vindas de um passado sombrio, que procuram ressuscitar ideologias tenebrosas e ameaçam levar ao engano as populações sofridas, que voluntariamente se aproximam do abismo.

A humanidade do futuro perguntar-se-á porque gastamos tanto tempo a destruir-nos, quando o poderíamos ter aproveitado para nos salvarmos.

 

Mas, voltemos à esperança, afinal, foi assim que comecei o texto, gostaria de acabá-lo da mesma forma.

A notícia inicial dava conta de uma conquista, num momento da nossa história em que o humanismo começava, timidamente, a dar os primeiros passos, a caminho dos direitos e garantias de todos os seres humanos. Ora, em 2021, essas conquistas cresceram e estão plasmadas em lei. Ainda que a tradição e o saudosismo de alguns agentes dessa mesma lei dificultem a sua aplicação, temos nas nossas mãos os instrumentos para criar uma sociedade mais igualitária, em que se erradique para sempre todo o tipo de tirania, exploração desenfreada, racismo, xenofobia e perseguição com base na orientação sexual, religião ou qualquer outra situação.

 

Ao longo de séculos, mulheres e homens tiveram de lutar desafiando a lei vigente, abrindo caminho com a sua própria vida e não desistiram, trouxeram-nos até aqui. Temos o dever de honrá-los, hoje. Temos as ferramentas, mas se não as usarmos iremos perdê-las, não tenhamos dúvidas, e todo o sofrimento passado terá sido em vão.

Por muito que tentem barrar o caminho, a direção só pode ser uma, rumo ao humanismo pleno, em comunhão com a natureza.

 A utopia estará sempre à nossa espera, obrigando-nos a dar mais um passo, porque

“Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar” [Sophia de Mello Breyner]

 

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