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Feminismos é Igualdade

27
Set21

Votar: o verdadeiro superpoder do ser humano.


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

fotoartigoval

Imagem retirada do Gabinete Alunos Engenharia Biomédica, UMinho

 

Ontem, aconteceram as Eleições Autárquicas no nosso país. Segundo os dados disponibilizados no site da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, quando 99,58% dos votos estavam já contados, a taxa de abstenção era de 46,3%, a segunda taxa de abstenção mais alta desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976. E recuemos a esse ano. Foi a 25 de abril de 1976, que os portugueses e as portuguesas puderam votar para eleger, pela primeira vez, os seus representantes na Assembleia da República, o órgão legislativo nascido no recente regime democrático. O desconhecimento pela função do novo órgão legislativo e a iliteracia política poderão ter justificado esse valor. Precisamente um ano antes, essa participação terá sido esmagadora: 91,7% dos 6,2 milhões de eleitores/as recenseados/as elegeram os deputados que prepararam e aprovaram a nova Constituição. Foi o valor mais elevado de participação em eleições democráticas em Portugal. Como era preciosa a liberdade e a participação política! Recorde-se que, durante o Estado Novo, o voto estava limitado ao comum dos cidadãos, sendo que as restrições impediam o voto geral e universal, sem a ocorrência de eleições livres, justas e democráticas. Relativamente ao voto das mulheres, os obstáculos eram maiores e tornavam praticamente impossível a participação da mulher no ato eleitoral.

Ontem, no rescaldo dos resultados, falava-se na importância do voto obrigatório. Sem ter feito muita reflexão sobre o assunto, confesso, no imediato questiono se não será perigoso levar às urnas cidadãs/cidadãos pouco interessadas/os com a política e haver riscos de aumentos de participação eleitoral concentradas em propostas, partidos ou políticos/as populistas e extremistas. Parece-me mais sensato alargar, por exemplo, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento ao Ensino Secundário, cujos/as jovens estão mais perto da idade de votar, e apostar na consciencialização para essa participação consciente e democrática. De momento, é, apenas, uma componente do currículo desenvolvida transversalmente com o contributo de todas as disciplinas e componentes de formação no ensino secundário, o que significa que, sem querer retirar nenhum mérito às professoras e professores das diferentes disciplinas, não haverá uma maior preocupação – e, sejamos justas/os, o tempo letivo é curto para tanto objetivo - no cumprimento do currículo das próprias disciplinas do que nos temas que a Cidadania e Desenvolvimento propõem? Enquanto disciplina autónoma nos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico, não faria sentido alargar e incluir projetos de educação de diferentes Associações relacionadas com os Direitos Humanos, como aliás, já acontece com o Projeto ART’THEMIS+, da UMAR? Estamos em algumas turmas de algumas escolas da RAM, mas somos poucas, e mesmo voluntariosas em muitos dos pedidos (que vai além das horas e ordenado previstos em contrato), não conseguimos chegar a todo o lado, infelizmente. O investimento nessa área não deveria ser maior? Associações que trabalham, através de Técnicas/as especializadas/os, profundamente e na prática, estas questões não deveriam ser mais valorizadas? Não deveriam ser incluídas no âmbito da Secretaria Regional de Educação? Eu iria, até, mais longe relativamente à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento: esta não deveria ser incluída, enquanto cadeira, nas diferentes Licenciaturas?

Contornar um trabalho de educação e de prevenção para preferir uma “solução imediata” – e para chorar abstenções, por exemplo - dá, realmente, mais encargos (humanos, logísticos, financeiros…), mas não deveria essa mesma educação para a cidadania ser privilegiada? Ficam as reflexões. Votar é o verdadeiro superpoder do ser humanos, mas as pessoas também precisam ser educadas para isso.

Ontem, no Funchal, local onde a UMAR tem desenvolvido grande parte do seu trabalho, embora, mais uma vez, os nossos braços tentem chegar a outros concelhos, ganhou a coligação Funchal Sempre à Frente (PSD/CDS). Eu não poderia terminar este artigo sem deixar de agradecer ao Miguel Silva Gouveia e a todo o seu executivo pelo enorme trabalho realizado em prol das cidadãs e dos cidadãos funchalenses no último ano, sobretudo, e ao que à UMAR diz respeito, a possibilidade de existir uma sede de trabalho; a possibilidade de podermos concorrer ao Apoio ao Associativismo e, com isso, alargarmos o nosso âmbito de atuação; a possibilidade de termos uma Feira semanal que permite que algumas dezenas de mulheres, artesãs e sem outros rendimentos, vendam os seus produtos e tenham alguma independência económica; a possibilidade de criarmos parcerias entre o Município e as suas entidades, como é o caso dos Centros Comunitários, no desenvolvimento de ações concretas; a possibilidade de coorganizarmos o Madeira Pride, em conjunto com outras associações; entre outras.

Ao novo Executivo Camarário, deixo os parabéns e votos de bom trabalho e que possamos continuar, juntos/as, esta caminhada por uma sociedade mais justa, igualitária e responsável.

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20
Set21

Sometimes I Might Be Introvert


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

foto artigo paulo

Ainda há muitos álbuns que irão ver a luz até ao final do ano que, certamente, serão marcantes, mas acredito piamente que o Sometimes I Might Be Introvert, da britânica de origem nigeriana, Little Simz, figurará em grande parte das listas de melhores discos do ano.

Muito precoce e prolífica, nascida em 1994, estreou-se com a mixtape Stratosphere, em 2010. Desde então, já conta no seu curriculum com 4 mixtapes, 8 EP´s e 4 LP´s. A Curious Tale of Trials + Persons, de 2015, o seu primeiro longa-duração, mostrou que estávamos perante um diamante em bruto. Um ano depois, lança Stillness In Wonderland, um disco conceptual inspirado no clássico Alice In Wonderland, de Lewis Carroll. Simz usa a história infantil de Alice como metáfora para fazer uma viagem de auto-descoberta, utilizando as suas ambições e inseguranças como tinta para pintar este quadro. GREY Area chega em 2019 e seria o seu álbum mais aclamado pela crítica. A diversidade, capacidade de escrita e densidade da obra reuniu consenso de todos os entusiastas da música e colocaram Simz como um dos maiores talentos da sua geração.

Com os holofotes todos apontados a si, Simbi – alcunha pela qual é conhecida e que dá o acrónimo do seu último LP -, regressa com um pontapé na porta. O primeiro single, Introvert, é uma obra-de-arte onde a rapper usa a sua poesia de um jeito interventivo sobre o estado actual do mundo. Segue-se Woman, um tema que escreveu como tributo à sua mãe e a todas as mulheres que a inspiram. É um hino de empoderamento e de celebração do que é ser mulher. Rolling Stone foi o terceiro single, onde vemos a britânica explorar sonoridades. O penúltimo single foi o tema I Love You, I Hate You, que a autora confessou no programa Tiny Desk ter sido o mais complicado de escrever por tê-la obrigado a ir a sítios e a mexer com sentimentos do seu âmago. Quinto e último tema antes do lançamento, Point And Kill, acompanhada pelo nigeriano Obongjayar, onde o afrobeat revolucionário de Fela Kuti e as suas raízes nigerianas, concretamente do grupo étnico ioruba, são celebradas. O tema ganha ainda mais alma no disco, pois tem uma continuação na faixa seguinte, Fear No Man.

 

Little Simz, com este disco, confirma que é uma das artistas contemporâneas mais entusiasmantes. Consegue conciliar uma paleta interminável de sonoridades (desde o rap ao R&B; do afrobeat à neo-soul ou do grime ao funk) a uma sensibilidade poética na sua escrita, que tanto consegue ser vulnerável e auto-reflexiva, como assertiva e corrosiva na forma como aborda problemas da actualidade como o machismo, o racismo ou a política. Sobra-lhe, ainda, tempo para celebrar isto de estar vivo, com todos os seus prós e contras. Como tal, celebremos Simz e todas as “Simz” que se empoderam e têm orgulho nas suas raízes.

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