Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Feminismos é Igualdade

25
Set19

Estar no lado certo não é fácil


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

9-de-abril-ativismo-mídia

Não pensem que ser ativista é glamoroso. Pode, até, ser moda mas, como qualquer moda, quem não o é por convicção, não sentirá, a longo prazo, que o ativismo incomoda. Ser ativista não é fácil. As pessoas afastam-se. As pessoas rotulam. As pessoas falam pelas costas e dificultam um trabalho que é urgente. De repente, quando dás por ti, perdeste (supostos/as) amigos/as, ganhaste outra mão cheia de inimigos/as. Dizia-me uma ativista que é como se tivesses lepra. Tu abraças as tuas convicções ao mesmo tempo que a maioria se afasta de ti. O mundo parece ser feito para quem bajula, para quem leva ao colinho, para quem diz que sim a tudo, para quem não reivindica.  O mundo tem sido feito pelos quem têm o poder e pelos que querem beber um bocadinho desse poder. Não importa como.

O ativismo é consequência de uma insatisfação de alma. E isto é doloroso. É bastante doloroso. Às vezes, parece uma doença lá dentro, num sítio que nem sabes que existe. O assoberbamento do mundo pesa-te, faz-te perder as forças, hesitas se deves continuar, se não seria mais fácil pensar menos, agir menos, importar-se menos, empatizar menos. Mas é isso que querem, não é? Que deixemos de nos revoltar. Que sejamos mais um/a no mar de desinteresse. E como é fácil o desinteresse...

Não pensem que ser ativista é especial. Não nos faz especiais. Ser ativista é consequência de um mundo que não respeita as pessoas, os animais e a natureza. Ser ativista é perceber que o mundo está torto e que não nos sentimos parte dele. Viver na invisibilidade é dolorido.

Não pensem que ser ativista é nos acharmos superiores. Na verdade, é ao contrário: por vermos tantos/as como nós serem diminuídos é que a revolta começa. Viver revoltada/o é péssimo. Faz mal à saúde.

Ainda assim, ser ativista é o que nos sustenta no equilíbrio. Porque somos assim: almas livres; de diária desconstrução porque também temos os nossos preconceitos; corações sedentos por justiça; corpos que querem viver em segurança. Talvez o ativismo nos melhore os defeitos. Talvez não, porque somos pessoas. Não somos heroínas ou heróis, não queremos medalhas nem menções, não precisamos de validação. Só queremos que nos oiçam, que reflitam e que venham para o lado de cá da barricada. 

Estar no lado certo não é fácil. Mas é menos difícil quando não estamos sozinhas/os.

Eu sou muito, muito grata a quem está connosco.

bannervalentina1

 

 

12
Set19

43 anos. Já somos adultas


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

26578168681_2fa14b557e_z_0

Fazemos 43 anos. Nascemos a 12 de Setembro de 1976. Já somos adultas e mobilizadas para continuar a lutar pelos nossos direitos e por uma sociedade de igualdade para todas as Pessoas. Quando alguém ainda nos questiona sobre a razão da nossa existência, por quê continuamos a ser uma associação apenas de mulheres, nós respondemos prontamente: Porque as mulheres continuam a ter todas as razões para continuar a lutar pelo seu direito a ser igual. Porque a sociedade onde vivemos, embora se diga muito modernizada, ainda não criou as devidas condições de igualdade. Porque sabemos muito bem que ninguém melhor que nós para defender o que nos interessa, e por isso, não passamos cartão em branco, seja a quem for, para nos representar. Queremos ser donas dos nossos destinos, de corpo inteiro, e intervir em todas as áreas, mostrando que somos polivalentes e temos capacidades inesgotáveis para trabalhar, intervir e influenciar.

Temos provado ao longo destes 43 anos de existência que sabemos nos adaptar às novas situações que, entretanto, foram sendo criadas. Alteramos duas vezes a nossa designação mas mantivemos sempre a nossa sigla. Hoje somos uma Associação de alternativa pela igualdade de direitos mas também apresentamos respostas para os problemas. Seja através da revindicação, seja no apoio concreto às mulheres com quem trabalhamos.

Este nosso aniversário coincide com um período eleitoral duplo, no caso da nossa Região. Vemos algumas mulheres em cartazes e algumas a intervir. Poucas falam no que nos interessa enquanto feministas. Parece existir até um afastamento da nossa causa. Acho, ainda, que algumas se envergonham, porque não entendem que o feminismo é, tão-somente, defender a igualdade para todos os seres humanos. Para não falar dos que nos acham umas radicais porque falamos muito nos direitos das mulheres, na violência doméstica e nos assassinatos de mulheres. Este ano já foram 19, incluindo uma da nossa Região. Acham que a nossa causa, por uma sociedade sem desigualdades, de sexo e de género, é uma chatice que eles têm que tolerar, de vez em quando, de preferência só uma vez por ano, para dizerem que até são progressistas.

Mas temos que estar atentas porque estão em jogo os futuros Parlamentos que vão legislar e os futuros governos que vão governar. Há muita reivindicação em cima da mesa por decidir. Desde já em relação à necessidade da educação para prevenir a violência, a começar nas famílias e nas escolas desde o 1º ciclo até ao ensino secundário, profissional e superior. Não conseguiremos mudar as mentalidades se este trabalho preventivo não for feito. Maior celeridade nos casos de violência doméstica, afastando o agressor de casa e protegendo eficazmente as vítimas. Mais empenho, e apoio regional, ao trabalho desenvolvido por todas as associações que trabalham com a igualdade de género, sem controlos e sem exigências de calendários partidários.

Queremos que o próximo parlamento regional seja mais representativo em relação às mulheres, em que as eleitas sejam interventivas e exigentes relativamente aos nossos direitos e não sejam apenas jarras para enfeitar ou, então, sejam vozes iguais a tantas outras que não entendem as razões da nossa luta. Queremos deputadas/os feministas, sem medo de o demonstrar, porque a sociedade de igualdade é apenas, e tão só, o termos direitos iguais.

VIVA O 43º ANIVERSÁRIO DA UMAR!

bannerGuidanovo

25
Mai19

Não deixar por mãos alheias o que é nosso!


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

direitos_humanos_gettyimages-e1473165932461

O título deste artigo faz parte de um ditado popular que oiço desde pequena. Mas sabemos que nem sempre acontece assim. Houve sempre quem quisesse decidir por nós. Quem nos queira impingir o desconhecido, só porque sim. Quem nos trate ainda com menoridade, ou como minoria, quando sabemos que somos uma grande maioria que pode mudar muita coisa neste mundo.

No mundo em que vivemos estão a acontecer grandes coisas. Boas e más. O que mais me preocupa são os retrocessos no que diz respeito a direitos adquiridos com tanta luta e suor e que fazem parte das nossas vidas com toda a naturalidade. Sei que no mundo actual, outras questões estão na ordem do dia, como as alterações climáticas que influenciam toda a existência na Terra. Mas não considero contraditório continuar a estar atento e não deixar que haja retrocessos naquilo que foi adquirido e lutar com afinco por mudanças de mentalidade na forma como se encara a nossa vivência no Planeta Terra.

Mais do que nunca é preciso continuar a aliar ao que já foi conseguido outras conquistas. Mas há que saber tratar muito bem de tudo. Estar com atenção quando estamos a decidir, seja em relação a quem nos representa, seja em relação ao que vamos fazer. Se nada cai do céu, há coisas que só nós podemos decidir. Saber escolher de acordo com os balanços que fazemos. Não nos demitirmos e só dizer mal apenas porque sim.

Quando decidimos fazer uma escolha temos que conhecer bem o que estamos a escolher e não deixarmos que nos digam que o caminho é por ali, quando sabemos que é por aqui. Quando falamos de escolhas temos que estar conscientes, e seja qual for o resultado, sentirmos que as nossas consciências estão tranquilas.

Que não nos deixamos manipular com medo de maiorias, ou minorias. É tão bom ter o poder nas nossas mãos: de fazer, de dizer, de querer e de decidir. Nunca devemos delegar o nosso poder em quem não acreditamos que seja capaz de nos representar ou defender. Mesmo que nos digam “não vais por aí”, devemos fazer o que a nossa consciência manda. Só assim nos sentiremos realizadas e felizes.

Pela experiência da vida de feminista e activista, de corpo inteiro, pelos direitos das mulheres, sinto que cada vez mais precisamos de Gente que saiba o que fazer quando é preciso agir e defender o que nos interessa. Só assim podemos sentir segurança no prosseguimento da luta e no trazer para a agenda as novas questões que preocupam quem realmente defende os direitos humanos.

47316115581_b87165503d_b

 

13
Abr19

Batalhar na Igualdade de Género, faz sentido?


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

serigual

Não há dúvida de que houve um progresso nas últimas décadas, este progresso deveu-se em parte à custa da luta incansável de ativistas. Para mim, nos dias de hoje o maior desafio no que diz respeito à igualdade de género, é a educação. A mudança começa dentro da casa de cada um e de cada uma. Eu acredito que se começarmos a educar as nossas crianças, a nossa mãe, o nosso pai, o nosso irmão ou irmã para a igualdade, para os direitos humanos, para a cidadania, para a paz, daqui a uns anos estaremos com as várias formas de desigualdade menos visíveis.

Muitas vezes questiono “e se acontecesse/fosse contigo?” Tento sempre fazer com que cada pessoa que está no meu ambiente familiar se coloque no lugar da outra pessoa. As pessoas precisam urgentemente de aprender a parar e ouvir, compreender e respeitar. Aprender a respeitar cada pessoa independentemente de diferenças das capacidades, género, orientação sexual, raça, cultura… Se tenho visto resultados? Claro que sim. Eu não nasci a saber o que era a igualdade de género ou numa bela amanhã acordei e saltei da cama a dizer “sou feminista”. Eles e elas também não. É preciso educar!

Existe um preconceito que deriva sobretudo da ignorância, a maior parte das pessoas não sabe o que é ser feminista. Por isso, hoje passo a mensagem, amanhã volto a fazê-lo, depois de amanhã e depois, depois, depois…. E todos os dias o meu pai, a minha mãe, a minha sobrinha e todas as pessoas que convivem comigo vão interiorizando cada palavra e essa palavra passa para onde quer vão, para o trabalho ou para a escola.

Mas... Em todas as vidas existe um mas. Isto é dentro do meu seio familiar, no meu lar, onde existe diálogo, compreensão e união. Não é possível promover a igualdade de género se não houver condições dignas de sobrevivência. Na mesma, tento passar a mensagem às pessoas que vou encontrando no meu dia a dia e tento trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que de alguma forma essas pessoas se sintam respeitadas nos seus direitos, não apenas por serem mulheres ou homens, mas por serem mulheres e homens que têm determinadas características que as e que os tornam mais vulneráveis.

A igualdade de género ainda está longe de ser uma verdade absoluta, mas como sou uma sonhadora não deixarei de lutar, sei que daqui a alguns anos a questão ainda não estará resolvida, mas, acredito que todos e todas terão um maior usufruto dos seus direitos.

Nesta luta, juntar-se-ão outros e outras feministas e lutaremos por um conjunto de exigências curriculares e sociais, lutaremos sempre pela promoção da igualdade de género, pela mudança de mentalidades, por uma maior liberdade, sempre que necessário sairemos à rua, em todo o lado encontrar-nos-ão. Acreditem muito ainda vai acontecer… Por isso sim, faz sentido batalhar na igualdade género!

bannerCassia

22
Mar19

Um 8 de março de muita luta!


umarmadeira

ARTIGO DE MANUELA TAVARES

manife

O 8 de março de 2019 foi um dia em que milhares de mulheres saíram à rua por todo o país, em especial em Lisboa, no Porto e em Coimbra. Foi um grito de indignação perante os assassinatos de mulheres por violência nas relações de intimidade. Foi um sinal do repúdio a uma justiça que insulta as mulheres ao desculpabilizar agressores. Foi um levantar de muitas vozes contra as discriminações salariais, a precariedade no trabalho e na vida das mulheres, o assédio sexual, as muitas horas de trabalho não partilhado nas famílias, entre muitas outras questões que dominam as nossas vidas e tornam os quotidianos muito duros.

Podemos dizer que os feminismos saíram à rua numa grande maré mostrando que os espaços de protesto se alargaram a milhares de mulheres e homens, em especial jovens. É esta emergência de jovens feministas no movimento, que nos faz refletir sobre um presente em que as ideias de uma terceira vaga dos feminismos (identidades fluídas e não binárias) se estão a enraizar e a entrelaçar com reivindicações da segunda vaga, caso da luta contra a violência de género, tudo isto reforçado pela consciência das múltiplas discriminações sobre mulheres negras, imigrantes, trans, de diferentes etnias e capacidades.

Como membro da direção da UMAR sinto que temos grandes desafios pela frente, não só em termos de reflexão política feminista, mas também da ação que é preciso ter em relação ao flagelo da violência contra as mulheres, da prevenção nas escolas, da ação mais concertada ao nível da Educação para a Cidadania e em áreas, que não têm vindo a ser faladas nos últimos tempos com a acuidade que merecem, como as infra-estruturas de apoio a crianças e pessoas idosos na rede de serviços públicos.

bannerManuela

15
Mar19

Lutar por um mundo melhor? Com todo o gosto!


umarmadeira

ARTIGO DE CARINA TEIXEIRA

cartaz-acao-umar-madeira-8-marco-2019_520_403

O passado 8 de março foi um dia importante mas com sabor agridoce para mim. E porquê, perguntam vocês, já que é uma data comemorativa da Mulher? Este dia leva-me a um misto de emoções, uma vez que é uma efeméride em que se reinvidica direitos, em que relembramos todas as lutas de mulheres operárias por melhores condições de trabalho, dignidade, respeito, entre muitos outros.

Mas... Não esqueço o facto de já 12 mulheres terem sido assassinadas este ano (e ele mal começou...) por companheiros e ex companheiros. Para onde caminhamos? Até quando haverá uma próxima vítima? Até quando teremos uma justiça machista? Até quando acontecerá a próxima intimidação (seja no trabalho ou em espaços públicos), o próximo assobio na rua, a próxima abordagem desagradável, a próxima piadinha machista? Até quando nos iremos calar, enquanto outra mulher é assediada, violentada, maltratada? Quantas mortes ainda iremos chorar? Sim, chorar. Choro por elas, choro por mim e por todas nós, porque mexe com todas nós. Não nos podemos calar!

No 8 de março foi assinalado o Dia Internacional da Mulher por ter sido um dia de luta! A UMAR saiu à rua para distribuir o seu manifesto “Se as Mulheres param, o Mundo para” de reinvidicação por mais direitos para a mulher e entristeceu-me ver a indiferença de algumas mulheres em relação à causa. Entre muitas coisas, ouvi a pergunta "Em vez de um papel, porquê não dão uma flor?". Esta pergunta marcou-me pelo simples facto de tentarmos embelezar e a romantizar este dia. Não estou a dizer que não se possa oferecer flores ou outras lembranças às mulheres. Não, apenas quero que reflitam sobre a essência deste dia, em que muitas de nós morreram, sofreram e lutaram arduamente para conquistar direitos que temos hoje garantidos. Por isso, um simples papel e a luta constante por mais direitos vale ouro comparado com uma flor.

É preciso parar para falar, para lutar, para gritar até que a voz doa por mais sororidade. É preciso dizer basta! Entendam uma coisa: não seremos livres enquanto outras mulheres forem prisioneiras, não seremos fortes enquanto não empoderarmos todas as outras, não poderemos viver normalmente enquanto outras morrem e são tratadas de forma cruel. Por isso, lutem, todos os dias da vossa vida, porque já como dizia Simone de Bouvoir "Basta uma crise política, económica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes, terás de te manter vigilante durante toda a tua vida".

bannerCarina

08
Mar19

As Operárias foram as primeiras!


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

operárias

Elas foram as primeiras a fazer greve. Elas foram as primeiras a se manifestar nas ruas. Elas morreram ao reivindicar melhores condições de vida e de trabalho. Elas saíram das empresas e vieram para as ruas gritar liberdade. Elas saíram das suas casas e quebraram tradições, tirando os lenços e os véus da cabeça, assumindo que também eram trabalhadoras. Elas deram a vida a novos sectores e foram um exemplo que nós recordamos neste 8 de Março.

As mulheres operárias, de quem hoje quase ninguém fala, – e quando falam é como se estivessem a lembrar um passado “atrasado” – foram pioneiras na luta pelos direitos das mulheres, que beneficiou muitas outras profissões. Raramente é feita uma homenagem a estas mulheres. Dizem que ser operária passou de moda. Eu tenho muito orgulho de ter sido uma delas que, no século XX, juntamente com outras camaradas de profissão e de luta, prosseguiu o desígnio da conquista de direitos muito importantes, que ainda beneficiam as novas gerações. É por isso que me indigna que, quando é apresentado um curriculum de uma pessoa (então, se for mulher, ainda puxam mais pelos galões), não se dá importância se é uma interventora social. Isso também passou de moda. Só se realçam os títulos de isto e daquilo que ganhou, como se os títulos mostrassem o caráter de uma pessoa.

Uma mulher ou um homem, quando é apresentado, nunca o é como operária/o porque, na visão de muita gente, ser operária/o não dignifica ninguém. Ninguém deve envergonhar-se da sua profissão. Na minha juventude, ser operária/o, era saber produzir algo de útil para a sociedade. Era conhecer um ofício. Os tempos evoluíram. As máquinas foram introduzidas e substituíram muito trabalho manual. No entanto, ainda são aa pessoas dos ofícios que chamamos para nos acudir quando uma das máquinas avaria, ou quando precisamos de um produto exclusivo, mostrando a importância do ser humano com conhecimento especializado. Estamos a viver noutra época. Hoje, quase toda a gente tem mais estudos e formação do que as operárias/os de outros tempos. Mas se existe este dia 8 de Março, foi porque operárias uniram-se e lutaram, mesmo sem currículos ricos e sem estudos, e ajudaram a que hoje o mundo do trabalho seja melhor, e contribuíram para o avanço da sociedade.

Existem novos problemas. Claro que sim. É preciso continuar a luta. Claro que sim. Vamos honrar a memória das que já partiram, lembrando a sua existência para que sirva de exemplo, e que o dia 8 de Março nunca morra nas memórias. Vale a pena nunca desistir e lutar por aquilo em que acreditamos. Eu continuo a acreditar que só lutando se conseguirá um mundo melhor e mais justo.

bannerGuida

15
Fev19

Educação Cidadã e Prevenção da Violência de Género


umarmadeira

ARTIGO DE MARIA JOSÉ MAGALHÃES

violencia

A escola para todos teve, desde o início, uma componente de educação para a cidadania, constituindo-se como ideal democrático, de progresso e de desenvolvimento humano. Em Portugal, datam do final da Monarquia, os primeiros diplomas legais de uma educação de massas para todos, mas é na I República, com a Reforma de 1911, que se consubstancia uma legislação abrangente, prevendo, não apenas a educação de massas para o sexo masculino, mas também para o sexo feminino.

Apesar de a I República não ter concretizado as promessas que enunciou, o certo é que, em termos de educação, deu forma a uma perspetiva cidadã e democrática, através de uma visão ampla e profunda do papel da pedagogia na construção de uma sociedade assente em direitos de cidadania. Imbuída do espírito do movimento pedagógico que se chamava Educação Nova, foi uma proposta pedagógica e política avançada, de tal forma que ainda hoje tem dimensões de uma atualidade que nos surpreende.

A educação cidadã, na época designada educação cívica, era uma proposta pedagógica de formação das crianças e adolescentes no exercício da cidadania, enquanto conjunto de direitos e deveres. Faço lembrar, por exemplo, a proposta pedagógica de António Sérgio (1883-1969), sobre o auto-governo, em que ele propunha que não se ensina a ser cidadão e cidadã de forma transmissiva e ‘moralista’, mas deve ser feito através da prática da cidadania, desde a mais tenra idade, claro, adaptando às características do período de desenvolvimento das crianças e adolescentes. Na proposta de António Sérgio, assim como de outras/os pedagogas/os, a escola era uma cidade, uma comunidade de trabalho, e aí, dever-se-ia ensaiar os valores e atitudes de uma cidadania democrática, para que, quando adultos e adultas, tivessem o conhecimento e a prática de viver como cidadãos/ãs. A escola não se confundia com ‘instrução’. Era isso e muito mais. O autogoverno (self-government), segundo a proposta pedagógica sergiana, consiste na organização da escola e das atividades, com orientação docente, mas com decisão coletiva das próprias crianças, como num parlamento. Um dos fundamentos de António Sérgio é que as crianças aprendem conteúdos mas também aprender modos de ser e de fazer a partir dos exemplos das/os adultas/os e da forma como são, por estes/as, bem ou maltratados.

Estas/es pedagogos/as do início do séc. XX tinham muito claro que uma educação da e na cidadania democrática exigia uma escola democrática em que as próprias crianças e adolescentes tivessem voz ativa e capacidade de participação nas decisões. Depois deste período áureo da pedagogia, no nosso país, tivemos aquelas quase cinco décadas de fascismo que nos fez regredir em termos de pensamento pedagógico, de tal forma, que talvez ainda não tenhamos conseguido, em termos nacionais, recuperar dessa perda.

Hoje, enquanto feministas e umaristas, defendemos uma educação para a prevenção da violência de género, no contexto de uma pedagogia emancipatória, freireana e feminista. O nosso trabalho situa-se na educação de valores e atitudes como um projeto de um futuro sem violência (não apenas de género). E acreditamos que o tipo de sociedade que atravessaremos no futuro está a ser já hoje desenhada, e a sua concretização está nas mãos das pessoas que, hoje, vivem uma idade de aprendizagem, de ‘preparação’, da qual nós temos de assumir responsabilidades sobre a sua formação.

banneGi

Sobre nós

foto do autor

Pesquisar

Siga-nos

Iniciativas diversas

Debate "A Nutrição e as Mulheres" 05/11/2018

Todas as fotografias aqui

Tertúlia "O impacto do 25 de Abril de 1974" 28/04/2019

Todas as fotografias aqui

Passeio de Verão UMAR Madeira 14/07/2019

Todas as fotografias aqui

Semana das Artes EcoFeministas, de 15 a 19/07/2019

Todas as fotografias aqui

43º Aniversário da UMAR 13/09/2019

Todas as fotografias aqui

Tertúlias Literárias

I Passeio dos Livros nos Jardins do Lido 03/08/2018

Todas as fotografias aqui

II Passeio dos Livros no Jardim de Santa Luzia 28/09/2018

Todas as fotografias aqui

III Passeio dos Livros na sede da UMAR Madeira 10/03/2019

Todas as fotografias aqui

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D