Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Feminismos é Igualdade

03
Dez18

As Super-Mulheres


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

supermulheres

Às mulheres de hoje em dia, de países desenvolvidos como o nosso, são, muitas vezes, exigidos superpoderes para levar a cabo com todas as responsabilidades que têm no dia-a-dia, assim como para provar o que valem, numa sociedade onde cada vez mais impera a concorrência e a superficialidade.

As mulheres trabalham mais em casa. As mulheres cuidam mais dos/as filhos/as e familiares doentes. As mulheres fazem mais voluntariado. As mulheres estudam mais. Mas as mulheres têm mais dificuldade em aceder a cargos de topo nas carreiras e ganham, em média, para o mesmo trabalho menos 18% do que os homens. Estes são, de forma muito geral, os dados de vários estudos atuais feitos em Portugal. No entanto, apesar de todas as desigualdades que persistem, às mulheres é sempre exigido mais. Têm que se encaixar nos padrões sociais – e nem sequer falo dos padrões de beleza – ou são olhadas de lado, com estranheza. Têm que casar e ter filhos/as. Senão, são egoístas. Têm que escolher uma carreira com horários que lhes permitam fazer tudo o resto, mesmo que não lhes traga qualquer realização pessoal. Senão, são extraterrestres (“o que é essa coisa de escolher a felicidade em primeiro lugar?”). Têm que trabalhar fora pois, se trabalham em casa (às vezes, mais do que 8h por dia), mesmo pagando os seus impostos e descontos, são vistas como “eternamente desempregadas e disponíveis”, sendo sobre elas que, muitas vezes, a família coloca o peso de responsabilidades familiares. Senão, se impõem respeito pelo seu trabalho, não prestam.

As mulheres têm que se comportar e vestir de determinada maneira, discretas e recatadas. Senão, são p…. As mulheres têm que ser calmas e compreensivas, mesmo com quem lhes ofende ou ataca. Senão, são intolerantes. As mulheres têm que ser assim ou assado, as mulheres têm que fazer isto ou aquilo, as mulheres têm que… têm que… têm que… Ao mínimo “deslize” ou “fuga dos padrões impostos”, cai-lhes o mundo em cima. E, infelizmente, são outras mulheres que, em primeiro lugar, apontam o dedo.

Nesta era das redes sociais, onde o que vale, em primeiro lugar, são as aparências, é bastante evidente este apontar de dedos e julgamentos imediatos, irracionais e cheios de preconceitos. Enquanto esta mentalidade se mantiver, muitos flagelos vão também se manter. Enquanto se encontrar desculpas para o gap salarial e falta de partilha das tarefas domésticas (“ele chega tão cansado a casa, trabalha tanto”), para a violência doméstica (“ele era bom vizinho e tão boa pessoa, deve ter perdido a cabeça”), para o assédio sexual e violações (“ela estava a pedi-las, vestida dessa maneira, eles não resistiram”) e para tudo o resto, nunca existirá uma verdadeira igualdade de género.

Igualdade de género é, em primeiro lugar, sinónimo de respeito. Respeito pelas diferenças, permitindo que, seja qual for o sexo e género duma pessoa, ela possa ter os mesmos direitos e oportunidades. Feminismo é lutar para que as mulheres tenham os mesmos direitos do que os homens. É sinónimo de igualdade.

As mulheres não têm superpoderes, nem têm que os ter. As mulheres não têm que ser super-mulheres, super-mães, super-isto ou aquilo. As mulheres têm o direito a ser como quiserem, fazer o que quiserem, e escolher o que quiserem para a sua vida. Sem que lhes apontem o dedo e lhes caiam em cima, com falsos moralismos.

O que é bom para uma mulher, pode não ser bom para outra. Isto é respeito. Sejam super-mulheres sim, mas naquilo que quiserem. E, principalmente, umas para as outras. Precisamos de mais respeito, sororidade e solidariedade.

bannerJoana

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.