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Feminismos é Igualdade

14
Set20

Desemprego no Feminino


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Durante esta pandemia, há palavras que de tanto se ouvir ficaram na mente, tais como: pobreza, desemprego, violência, assédio e desigualdade salarial. A situação que vivemos é problemática e a perspectiva para continuar a dar passos em frente não é fácil, com o crescer do desemprego e a perda de autonomia financeira. O não se poder dar resposta a questões básicas leva ao crescimento da pobreza que acaba por ter um forte impacto na saúde mental, em particular das mulheres, ficando com maiores vulnerabilidades psicológicas que podem ser fatais.

Por força da tradição, em cada 10 trabalhadores que estiveram na linha da frente neste período da pandemia, nove eram mulheres, fosse no sector social, hospitais, lares ou limpezas etc., por isso é mais do que justo ser reconhecido que as mulheres estiveram na frente do combate. Embora a sua maioria aufira o salário mínimo, aflige-me saber que lhes seja exigido que não abandonem o barco, sendo que o seu trabalho é pesado e de risco, exige proximidade e contacto físico com utentes e clientes, sem que estejam muitas vezes em segurança. Aliado a tudo isso, o tempo de descanso é, não raras as vezes, comprometido e sem a devida e justa compensação e sem que sejam asseguradas as suas condições.

 Era de esperar que as entidades fiscalizadoras estivessem capacitadas para actuarem em casos de violência e assédio, mas a maioria deles não é levada a sério, colocando em risco a saúde psicológica e física de quem trabalha. Repare-se que, além de se tratarem de práticas proibidas e inaceitáveis para a dignidade humana, não se reconhece os efeitos da violência no mundo do trabalho, nem o alcançar da igualdade salarial entre homens e mulheres, sendo público que a diferença salarial entre mulheres e homens era de 14,4%, mas nas grandes empresas ronda os 26%. Não é por acaso que o Comité de Direitos Humanos do Conselho da Europa já concluiu que Portugal tem violado a Carta de Direitos Sociais da organização por falta de progresso em alcançar igualdade salarial entre mulheres e homens. As leis asseguram a transparência e permitem comparações sociais, só que na prática, isso não se reflecte na vida dos/as trabalhadores/as.

Por isso, é mais do que justo, pelo que atrás é dito, que seja reforçada a protecção social dos/as trabalhadores/as, porque dois terços dos desempregados ficam de fora do subsídio de desemprego, há muitas pessoas a trabalhar e que não têm nenhum apoio, nem social nem de desemprego, e as mulheres estão sempre na linha da frente.

 A pandemia fez com que se atrasassem direitos específicos e se agravasse a desigualdade de género, uma vez que as práticas tradicionais se baseiam, quase sempre, na ideia de que o bem-estar dos homens é mais importante do que o bem-estar das mulheres e, por isso, o financiamento para as suas especificidades é normalmente sempre escasso e as necessidades com a pandemia ainda veio atrasar mais. É sabido que as crises afectam sempre mais as mulheres, pois estão mais expostas ao risco, são discriminadas no acesso à saúde, etc. O custo mais elevado é a dignidade destas mulheres e a violação dos direitos humanos.

É visível que esta pandemia veio por a nu as várias discriminações que já existiam, se pensarmos nas mulheres idosas, nas portadoras de deficiência e nas taxas de doenças cancerígenas que afectam as mulheres mais velhas, estas deixaram de ser prioridade para os governos com todas as suas consequências.

 Os/as trabalhadores/as vão perdendo, assim, cada vez mais emprego, direitos e rendimentos, pois a crise económica e social aprofunda as vulnerabilidades, a desorganização e a quebra de actividade. O coronavírus parece que serve para ocultar tudo isso.

O insuficiente e frágil crescimento da economia, assim como o seu distorcido desenvolvimento, baseado em baixos salários e na exploração de quem trabalha com qualificações mais elevadas, obrigou muitos/as a saírem do país à procura de melhores rendimentos. O teletrabalho foi utilizado para instalar o medo entre os trabalhadores/as, para os/as isolar e fragilizar e levá-los/las a aceitar a destruição de direitos. E as/os trabalhadores/as que hoje mais perdem e continuam a perder são os/as de menor escolaridade.

A luta por emprego com direitos e melhores salários tem de continuar, pois só assim será possível sairmos desta situação, por muito que custe.

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