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Feminismos é Igualdade

12
Set18

Igualdade de género e Feminismo


umarmadeira

ARTIGO DE MARIA JOSÉ MAGALHÃES

8334-004-BA721186

Igualdade, liberdade e solidariedade constituem os três lemas fundacionais da sociedade moderna, inaugurada pela Revolução Francesa e consubstanciada pelas legislações constititucionais liberais que se foram estendendo a grande parte das nações do mundo, a partir daí (em Portugal, a 1ª Constituição liberal é de 1820). Apesar das promessas liberais, cedo as populações compreenderam que estes princípios não seriam aplicados a todas as pessoas, ficariam apenas como retórica liberal, a não ser que as lutas sociais conseguissem a sua concretização. Feministas em vários pontos do mundo se aperceberam de que a noção liberal de igualdade não se aplicava a nós, seres humanos do sexo feminino, e que a luta pelos mesmos direitos que os homens teria de ser feita com firmeza e convicção. Não sabiam elas que duraria tanto tempo — séculos.

Os movimentos dos trabalhadores e os movimentos pelos direitos civis para negros (e negras?) foram fazendo o seu caminho lutando contra as noções liberais de igualdade e liberdade que incluíam, explicitamente, noções capitalistas (de quem detinha propriedade) e colonialistas (racistas) subjacentes à ideia de igualdade. As suas lutas marcaram a história, mas a igualdade ainda não foi completamente conseguida.

As mulheres, organizadas em movimentos, grupos e ativistas, têm pugnado longa e firmemente pelo estabelecimento de plenos direitos de cidadania para todas as mulheres. Mas ainda temos de combater a prevalência de noções liberais de igualdade.

A consciência da discriminação de género ainda não está estabelecida, criando, em mentes mais distraídas, a ideia de que as mulheres querem ser idênticas aos homens. Podíamos argumentar que o movimento pelos direitos civis, ao lutar pela igualdade entre brancos e negros, pelo fim do colonialismo e da colonialidade, nunca perspetivaram a mudança da cor da pele para almejar igualdade de direitos. Também para as mulhres, trata-se de conseguir os mesmos direitos, não apenas no papel (na lei), mas também na vida.

Mas há ainda mais uma batalha a vencer na luta pela igualdade de género, combatendo noções liberais de igualdade entre homens e mulheres. Hoje, a causa da igualdade de género é cada vez mais consensual, mas continua confinada aos limites da perspetiva liberal. É esta perspetiva que apregoa mundo dividido por privilegiados/as e desprivilegiados/as como consequência de uma divisão “natural”, fundada na falsa ideia de mérito, que um feminismo de agência deve ainda de combater. As feministas progressistas, de esquerda, revolucionárias, que lutam pela transformação social, por um mundo mais justo e democrático para todas e para todos, combatemos por uma igualdade de género em que, não só homens e mulheres tenhamos os mesmos direitos na lei e na vida, mas que entre as mulheres (como entre os homens) também se eliminem as divisões de classe, “raça”/etnia, orientação sexual, região ou religião, para que um mundo em que todas as pessoas tenham iguais direitos seja possível. Em que os lemas igualdade, liberdade e solidariedade (sororidade, como costumamos dizer no movimento feminista) deixem de ser apenas uma vaga retórica e constituam as linhas orientadoras dos nossos quotidianos e da governação local, nacional e mundial.

A UMAR tem vindo a fazer caminho, há mais de 40 anos, para que esta visão seja cada vez mais possível – uma igualdade de género que concretize igualdade de direitos para todas as mulheres. Nesta luta por uma igualdade de género substantiva, lembramos todas as mulheres, e especialmente, as mulheres trabalhadoras, desempregadas, negras, de etnias diferentes (como ciganas), lésbicas, das zonas do interior e das ilhas, de fora dos grandes centros urbanos, das meninas, das jovens à procura de emprego e de alguma estabilidade nas suas vidas, das imigrantes, das mães sós, das portadoras de alguma(s) deficiência(s), das idosas. Se conseguirmos a igualdade para todas as mulheres, um enorme passo será dado para se conseguir um mundo justo, democrático e solidário para todas as pessoas.

banneGi

 

 

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