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Feminismos é Igualdade

20
Ago18

Nanette: Porque todas as histórias merecem que o seu final seja ouvido


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

HannahGadsby_06

Certamente que já se depararam com a palavra "Nanette" nas vossas odisseias pela internet. Uns foram ver do que se tratava, outros continuaram com o scroll. É para estes últimos que me dirijo: Não! Não fechem os olhos a este nome, pois esse cerrar é o responsável por estas histórias serem um habitué.
 
Hannah Gadsby, a cara, corpo e alma deste especial de stand-up, é uma mulher lésbica e gorda - sim, esta informação é crucial para a história e não preconceito gratuito da minha parte - proveniente da Tasmânia, essa bela ilha australiana onde a homossexualidade foi crime até ao "remoto" ano de 1997.
 
Hannah chega à maior plataforma de streaming da actualidade com um intuito, no mínimo surpreendente: este especial é o seu adeus à comédia. E porquê? Por estar farta de apenas ter conseguido ser ouvida pelo seu humor auto-depreciativo, subgénero, esse, que é tão válido como qualquer outro, sendo, para muitos, uma catarse onde conseguem aceitar as suas características mais risíveis (para os outros, obviamente). Neste caso foi auto-destrutivo. 
Entre gargalhadas e lágrimas, Hannah fala sobre as dificuldades de ser dona daquele corpo e da sua orientação sexual e de como é viver a odiar tudo o que se é.
 
Para muitos, não se trata de um stand-up porque a piada não é a principal meta. Para outros, significa a representação de todo o sofrimento que foi silenciado pelo seu meio.
Para mim, pode ser o que quiserem, desde que dêem uma oportunidade ao espectáculo e, no fim, se sentem um bocado, reflictam sobre o que aconteceu e vejam se são parte do problema ou da solução.
 
Tal como Nanette, este texto não vai terminar com uma punchline. Lidem com a tensão.
 
 

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