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Feminismos é Igualdade

19
Nov18

Quem tem medo do feminismo?


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

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Esta pergunta já não deveria fazer sentido, em pleno século XXI, num país democrático como o nosso, mas, infelizmente, ainda se impõe fazê-la, pois falar de feminismo leva-nos, invariavelmente, a uma discussão que termina com a necessidade de desconstruir argumentos tão falaciosos como os exageros de que são acusadas as mulheres na luta pelos seus direitos, em vez de operarem uma espécie de «milagre das rosas moderno», que levasse os homens a aceitarem a igualdade sem se sentirem ameaçados.

Como podemos verificar, enfrentar séculos de supremacia masculina e contrariar a tradição de uma sociedade patriarcal e heteronormativa é difícil, principalmente quando essa luta não encontra eco nas instituições que têm o poder de a efetivar. Mas quem a faz tem a seu favor a coragem inabalável e a força do amor pela humanidade, por isso não podemos permitir que os passos dados nesta viagem, que traz em si todas as cores do arco-íris, sejam dados na sombra. Afinal, esse tem sido o destino das mulheres ao longo dos séculos e é contra essa imposição que devemos agir.

Desta forma, é muito importante o empoderamento da Mulher, não para ser superior ao Homem, mas para sermos todos mais felizes. As quotas, que começaram na política, têm de ser alargadas à cultura, às artes, ao desporto e a todas as vertentes da educação, desde a ciência e investigação até a aspetos tão práticos como a organização dos manuais escolares.

Conseguiram-se os direitos no “papel”, falta conquistar a sua aplicação nas nossas vivências, promovendo uma educação para a igualdade de género que não se fique pelas normas e pelos documentos oficiais emanados pela tutela. Há sempre um enquadramento geral que torna secundária a igualdade entre mulheres e homens, com a desculpa de que já é um facto consumado. No entanto, quando, de repente, nos deparamos com a notícia de que o número de mulheres vítimas de violência doméstica voltou a aumentar, abrimos os olhos para esta realidade, momentaneamente, até que algum escândalo menos doloroso ocupe o seu lugar.

Lamentavelmente, a sociedade prefere continuar a olhar para o lado. Afinal, que razões podem existir para que alguém tenha medo de un(s) movimento(s) que luta(m) diariamente contra todos os tipos de violência, de discriminação, de segregação e de exploração, recusando os preconceitos e estereótipos? Talvez o medo seja outro. Talvez seja medo de olhar para as “feridas” que podem encontrar na porta ao lado, na esquina mais próxima, tão próxima que não poderão olhar para o lado.

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