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Feminismos é Igualdade

07
Dez20

Sou mulher, e a minha cabeça não é uma máquina!


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

Sem Título

Apesar de os problemas mentais serem bastante elevados em ambos os géneros, vários estudos feitos nos últimos anos apontam que é a mulher quem sofre mais desse flagelo.

Às meninas, desde cedo, é impingido que o modelo de perfeição são as princesas representadas nos desenhos animados e as bonecas, nomeadamente a famosa Barbie, que apresenta um corpo de medidas surreais e inalcançáveis. Para além disso, a maioria dessas figuras reproduzem “mulheres” brancas e de cabelos lisos, com muita valorização para os contornos harmoniosos do rosto e do corpo, a pele perfeita e roupas caras. Esta imagem de esmero persegue as jovens na pré e na adolescência, e não são raras as vezes que, em conversa com meninas, muitas referem que querem seguir a carreira de modelo. Que cabeça aguenta isto?

Ao longo da vida, o desejo pela vida perfeita, pela família exemplar, pelo corpo padrão, pelo cumprimento de objetivos como se a vida fosse uma meta a alcançar – impostos pela sociedade! - pode levar, assim, ao desenvolvimento de problemas mentais, como a ansiedade, ataques de pânico, depressões, esgotamentos e, muitas vezes, a um cocktail de várias doenças psiquiátricas, outras ainda mais graves. Que cabeça aguenta isto?

A mulher, ao entrar no mercado de trabalho, enfrenta mais uma série de contrariedades: ganha, em média, menos que os homens, mesmo que tenha igual função e produtividade; é vítima de assédio sexual e moral e corre o risco de não alcançar os seus objetivos profissionais caso engravide. Que cabeça aguenta isto?

Elas são sobrecarregadas com o trabalho, com as lides domésticas, com os problemas familiares, com os problemas do mundo e com os seus próprios dilemas pessoais, numa avalanche de acumulações que vão pesando ao longo da vida. Que cabeça aguenta isto?

A maternidade não é o mar de rosas que a sociedade insiste em promover. A gravidez é, normalmente, apreciada como um período de bem-estar emocional para a mulher. Porém, para muitas delas, a gravidez e a maternidade são momentos de maior vulnerabilidade a distúrbios psiquiátricos, como a depressão pós-parto. Que cabeça aguenta isto?

E para as que não querem engravidar aparecem os dedos apontados, as insinuações, as insistências e as acusações. Que cabeça aguenta isto?

A mulher idosa enfrenta questões relacionadas ao preconceito, à marginalização e à subalternidade. Não bastando o ato de envelhecer ser, para quase todos/as, um processo de autorreconhecimento, aceitação e algum sofrimento, envelhecer, para a mulher, acresce o cunho histórico do patriarcado que afeta, fortemente, esta fase da vida. A acentuação das diferenças em papéis de género origina, assim, estereótipos de masculinidade e feminilidade, assentes em diversos pressupostos: a própria personalidade – condicionada pela sociedade -; os papéis desempenhados pela mulher no trabalho e no lar, a identidade sexual, fortemente influenciada pelo dogma masculino; as histórias de vida que figuram um momento sócio histórico; as vis representações do corpo e as pressões da publicidade no que diz respeito à estética do envelhecer e à busca da juventude. O corpo feminino, na sua juventude, é encarado como local sagrado da conceção. A menopausa encerra esse ciclo e, ao mesmo tempo, parece marcar um fim: é como se apontássemos o dedo à mulher e lhe disséssemos que a sua própria sexualidade deverá ser aposentada a partir desse momento, mas, ao mesmo tempo,  à mulher é imposta uma obrigação de salvamento do corpo jovem e belo, para que esta não sofra uma rejeição social. Que cabeça aguenta isto?

O machismo latente na sociedade é consequência para a prevalência de doenças psiquiátricas nas mulheres (e pelo abafamento, diga-se, desses mesmos problemas no sexo masculino, porque o homem ainda está colado à imagem de força e independência, sendo olhado como fraco e inferior caso não obedeça a esse padrão social). A doença psiquiátrica, seja ela qual for, é, admitamos, um grave problema do século XXI, destruindo a qualidade de vida de quem a sofre e dos seus pares.

Somos mulheres e a nossa cabeça não é uma máquina. Desconstruamos esse pensamento e abracemos com empatia, respeito e consideração aquelas (e aqueles!) que passam por momentos destes, independentemente do que despoletou, oferecendo a nossa ajuda e compreensão.   

bannervalentina1

 

 

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