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Feminismos é Igualdade

25
Set19

Estar no lado certo não é fácil


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Não pensem que ser ativista é glamoroso. Pode, até, ser moda mas, como qualquer moda, quem não o é por convicção, não sentirá, a longo prazo, que o ativismo incomoda. Ser ativista não é fácil. As pessoas afastam-se. As pessoas rotulam. As pessoas falam pelas costas e dificultam um trabalho que é urgente. De repente, quando dás por ti, perdeste (supostos/as) amigos/as, ganhaste outra mão cheia de inimigos/as. Dizia-me uma ativista que é como se tivesses lepra. Tu abraças as tuas convicções ao mesmo tempo que a maioria se afasta de ti. O mundo parece ser feito para quem bajula, para quem leva ao colinho, para quem diz que sim a tudo, para quem não reivindica.  O mundo tem sido feito pelos quem têm o poder e pelos que querem beber um bocadinho desse poder. Não importa como.

O ativismo é consequência de uma insatisfação de alma. E isto é doloroso. É bastante doloroso. Às vezes, parece uma doença lá dentro, num sítio que nem sabes que existe. O assoberbamento do mundo pesa-te, faz-te perder as forças, hesitas se deves continuar, se não seria mais fácil pensar menos, agir menos, importar-se menos, empatizar menos. Mas é isso que querem, não é? Que deixemos de nos revoltar. Que sejamos mais um/a no mar de desinteresse. E como é fácil o desinteresse...

Não pensem que ser ativista é especial. Não nos faz especiais. Ser ativista é consequência de um mundo que não respeita as pessoas, os animais e a natureza. Ser ativista é perceber que o mundo está torto e que não nos sentimos parte dele. Viver na invisibilidade é dolorido.

Não pensem que ser ativista é nos acharmos superiores. Na verdade, é ao contrário: por vermos tantos/as como nós serem diminuídos é que a revolta começa. Viver revoltada/o é péssimo. Faz mal à saúde.

Ainda assim, ser ativista é o que nos sustenta no equilíbrio. Porque somos assim: almas livres; de diária desconstrução porque também temos os nossos preconceitos; corações sedentos por justiça; corpos que querem viver em segurança. Talvez o ativismo nos melhore os defeitos. Talvez não, porque somos pessoas. Não somos heroínas ou heróis, não queremos medalhas nem menções, não precisamos de validação. Só queremos que nos oiçam, que reflitam e que venham para o lado de cá da barricada. 

Estar no lado certo não é fácil. Mas é menos difícil quando não estamos sozinhas/os.

Eu sou muito, muito grata a quem está connosco.

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13
Abr19

Batalhar na Igualdade de Género, faz sentido?


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Não há dúvida de que houve um progresso nas últimas décadas, este progresso deveu-se em parte à custa da luta incansável de ativistas. Para mim, nos dias de hoje o maior desafio no que diz respeito à igualdade de género, é a educação. A mudança começa dentro da casa de cada um e de cada uma. Eu acredito que se começarmos a educar as nossas crianças, a nossa mãe, o nosso pai, o nosso irmão ou irmã para a igualdade, para os direitos humanos, para a cidadania, para a paz, daqui a uns anos estaremos com as várias formas de desigualdade menos visíveis.

Muitas vezes questiono “e se acontecesse/fosse contigo?” Tento sempre fazer com que cada pessoa que está no meu ambiente familiar se coloque no lugar da outra pessoa. As pessoas precisam urgentemente de aprender a parar e ouvir, compreender e respeitar. Aprender a respeitar cada pessoa independentemente de diferenças das capacidades, género, orientação sexual, raça, cultura… Se tenho visto resultados? Claro que sim. Eu não nasci a saber o que era a igualdade de género ou numa bela amanhã acordei e saltei da cama a dizer “sou feminista”. Eles e elas também não. É preciso educar!

Existe um preconceito que deriva sobretudo da ignorância, a maior parte das pessoas não sabe o que é ser feminista. Por isso, hoje passo a mensagem, amanhã volto a fazê-lo, depois de amanhã e depois, depois, depois…. E todos os dias o meu pai, a minha mãe, a minha sobrinha e todas as pessoas que convivem comigo vão interiorizando cada palavra e essa palavra passa para onde quer vão, para o trabalho ou para a escola.

Mas... Em todas as vidas existe um mas. Isto é dentro do meu seio familiar, no meu lar, onde existe diálogo, compreensão e união. Não é possível promover a igualdade de género se não houver condições dignas de sobrevivência. Na mesma, tento passar a mensagem às pessoas que vou encontrando no meu dia a dia e tento trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que de alguma forma essas pessoas se sintam respeitadas nos seus direitos, não apenas por serem mulheres ou homens, mas por serem mulheres e homens que têm determinadas características que as e que os tornam mais vulneráveis.

A igualdade de género ainda está longe de ser uma verdade absoluta, mas como sou uma sonhadora não deixarei de lutar, sei que daqui a alguns anos a questão ainda não estará resolvida, mas, acredito que todos e todas terão um maior usufruto dos seus direitos.

Nesta luta, juntar-se-ão outros e outras feministas e lutaremos por um conjunto de exigências curriculares e sociais, lutaremos sempre pela promoção da igualdade de género, pela mudança de mentalidades, por uma maior liberdade, sempre que necessário sairemos à rua, em todo o lado encontrar-nos-ão. Acreditem muito ainda vai acontecer… Por isso sim, faz sentido batalhar na igualdade género!

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02
Jan19

O Feminismo na Música


umarmadeira

ARTIGO DE CARINA TEIXEIRA

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Hoje vou falar-vos sobre uma pessoa que, para mim, é uma inspiração, não só como cantora, mas também como pessoa: a Beyoncé. Como muitos sabem, muitas das músicas de Beyoncé têm uma perspetiva feminista, nomeadamente sobre o empoderamento das mulheres a nível financeiro, de obterem a sua própria independência, sobre cuidarem de si mesmas e, ainda, sobre a superação após o fim de um relacionamento. Falamos de singles como “Independent Woman”, “Survivor”, “Me, Myself and I”, “If I Were a Boy”, “Run the World (Girls)”, entre outros.

O single “Irreplaceable” é um dos singles da cantora que mais gerou controvérsia e que foi entendido como uma afronta aos homens, uma vez que se trata de uma letra que fala sobre um término de relacionamento por causa de uma traição, em que a mulher o substitui por outro, tratando o homem como algo descartável. A cantora inverte os papéis para provar um ponto de vista, fazendo uso do lugar do masculino para falar do feminino, uma vez que, na sociedade patriarcal em que vivemos, muitas mulheres são tratadas como objetos e são vistas como substituíveis pela próxima (independentemente da idade, da beleza, etc). Ou seja, ela faz-nos ver como é cruel tratar as pessoas como se tivessem um prazo de validade e não tivessem nenhum valor.

Durante toda a sua carreira de cantora, nos concertos ao vivo, Beyoncé apela ao feminismo, fazendo discursos sobre o assunto. Gostaria de referir um, uma vez que ainda hoje me toca bastante: “Nós ensinamos as meninas a se retraírem para diminuí-las. Nós dizemos a elas para terem ambição, mas não muita. Que devem ser bem-sucedidas, mas não muito porque, caso contrário, ameaçarão os homens. Nós educamos as meninas a se verem como concorrentes, não pelo emprego e realizações – o que penso que pode ser uma coisa boa – mas, sim, pela atenção dos homens. Nós ensinamos as meninas que não podem ser sexuais da mesma forma que os meninos são. Por eu ser mulher, esperam que eu queira casar e esperam, ainda, que eu faça as minhas próprias escolhas na vida, tendo em conta que o casamento é o mais importante. Uma pessoa que é feminista acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos.” (Discurso no TEDxEuston, 2013, traduzido)

Contudo, apesar da cantora ter uma perspetiva feminista e ser ativista pela igualdade de género, muitos críticos pensam que é uma farsa e que se trata apenas de uma autopromoção e oportunismo. Independentemente disso, o que esta mulher demonstra na sua discografia é a constante preocupação com os problemas que afetam o universo da mulher.

O que fica é a propagação positiva da mensagem de incentivo, superação, independência, realização profissional, inspiração para realizar os seus sonhos, alcançar objetivos, ou seja, o empoderamento das mulheres.

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13
Nov18

O ativismo, da minha vida...


umarmadeira

ARTIGO DE EMANUEL CAIRES

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A minha lagartazinha do ativismo começou quando fiz o meu coming out como homem gay à minha família, e transformou-se num bicho quando o VIH entrou literalmente na minha vida. Não sei como agarrei em duas coisas que me deixaram marcas tão fortes e as transformei num incentivo para mudar o mundo, mas realmente fi-lo. E geralmente são estas, as pessoas que mais marginalizadas pela sociedade são, que se emancipam e empoderam de tal forma que se tornam as maiores e melhores ativistas.

Este bichinho do ativismo cultivou-se quando, pela rede ex aequo, viajei até Lisboa para uma formação de voluntariado. Apercebi-me do quão a Madeira estava atrasada em relação à capital. Faltava o empoderamento, o apoio e a união de uma comunidade que, até hoje, estava altamente fragmentada pela falta de um espaço comunitário, de reunião e convívio. Isto para dizer que estes intercâmbios são cruciais para as comunidades das regiões insulares e interiores, porque permitem motivar pessoas que, consequentemente, empoderam a sua comunidade local.

Quando comecei a dar os primeiros passos para criar o núcleo lgbti funchal da rede ex aequo, não me apercebi do quão emocionalmente envolvido estava a ficar na causa nem da responsabilidade disso. Comecei a remar contra mim próprio: introvertido, reservado e distante, mas a vontade para mudar o mundo era tão maior! Criou-se de certa forma um conflito entre o que eu queria fazer, e aquilo que a minha personalidade me permitia. O ativismo requer, por vezes, um alto nível de socialização e exposição, a vários níveis, principalmente quando são as nossas experiências e as nossas identidades que são usadas como forma de consciencialização e empoderamento das comunidades.

A verdade é que, apesar deste conflito interior, fiz para trazer mais juventude para este ato político que é o ativismo. Parece-me importante que a juventude esteja envolvida na renovação social das comunidades e da sociedade em geral, pois é este trabalho que definirá o futuro da nossa juventude, já que o ato político não se pode ficar apenas na vontade (ou falta dela) de voto, tem que expressar-se no nosso dia a dia, na reunião e na associação. Porque com a união se faz mais e se faz melhor!

Nestes 3 anos envolvido no ativismo de reconhecimento dos direitos humanos e, em particular, de luta pelos direitos lgbti+, apercebi-me que apesar de tudo vale sempre a pena transmitir mensagens positivas, mesmo que num meio pequeno e limitado isso seja ainda mais difícil. É importante o recurso às boas emoções e aos bons sentimentos, incentivando, inspirando e, talvez, dando a liberdade a nós próprios de nos tornarmos numa referência para as pessoas que muito dificilmente conseguem fazer-se ouvir fora do armário.

Percebi, também, a responsabilidade de ser a voz de uma comunidade e a importância de que essa voz continue a verbalizar as necessidades da população lgbti+ na Madeira e Porto Santo.

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17
Set18

Nunca desistir, mas saber passar o testemunho


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Se há coisas que a sociedade precisa, urgentemente, é de uma renovação de ideias e de mais gente nova a intervir. Isto coloca-se em todas as vertentes, social, política, económica e também na área da luta pelos direitos das mulheres e pelo avanço da verdadeira igualdade de género e do feminismo, enquanto objectivo de uma verdadeira igualdade de oportunidades.

A UMAR, enquanto organização social de mulheres, tem estado a conseguir este feito. Temos gente mais velha, ainda algumas fundadoras, nas quais me incluo, que já andam nesta luta há 42 anos; temos mulheres que já entraram mais tarde e que hoje ocupam cargos importantes na nossa organização; e temos uma nova vaga de associadas que se estão a preparar e a se formar, para serem elas, no futuro, as continuadoras deste trabalho que já vem de mais de quatro décadas.

É preciso entender que as lutas do passado, de que muito me orgulho, do meu tempo e das mulheres que, em Portugal e em todo o mundo, nos antecederam, são as nossas referências que nunca devem ser esquecidas porque foi graças aos nossos e aos seus feitos que aqui chegamos. Mas precisamos de chamar mais gente nova para as nossas organizações, procurando criar condições para que, pouco a pouco, vão tendo algum protagonismo, e amanhã estejam em condições de levar a nossa luta para a frente.

Dizem algumas pessoas que, comparadas com as grandes lutas anteriores e mesmo com a produção teórica de algumas mulheres que escreveram sobre o feminismo, esta gente nova não passa de “pés de chinelo”. Mas todas nós fomos “pés de chinelo” alguma vez na vida. Porque muitas vezes partimos do zero e quantas vezes nos interrogamos o que andávamos aqui a fazer, porque as reivindicações eram tantas e as necessidades da luta, muitas vezes, nem nos deixavam tempo para aprofundarmos, e até lermos, alguns dos livros que hoje conhecemos melhor. Só muito recentemente é que os feminismos começaram a ser objecto de mais aprofundamento e, mesmo assim, muito falta conhecer e fazer a esse nível.

A UMAR e todas as organizações que trabalham e lutam para criar alternativas para a causa da verdadeira igualdade de direitos, a todos os níveis da sociedade, só terão futuro se souberem integrar as novas gerações e irem passando a experiência com muito carinho, atempadamente, sabendo criar as oportunidades para que, umas e outras, se sintam felizes e realizadas naquilo que fazem, para que o futuro seja assegurado e a luta pela nossa causa continue, porque ela tem sido longa e há muito trabalho a fazer para mudar as mentalidades que ainda pensam que as mulheres são uma espécie de propriedade privada, e é por isso que continuam a ser assassinadas, no nosso país, e no mundo inteiro, milhares de mulheres todos os anos. Só este ano, em Portugal, já foram mortas 21 mulheres.

No meu artigo anterior, prometi voltar à carga sobre o papel das mulheres para ocuparem os lugares a que têm direito sem se sentirem jarras de enfeitar. Acho que algumas já compreenderam que é aceitando os novos desafios, a todos os níveis da sociedade, que essa transformação pode acontecer. Mas é preciso acreditar que isso só é possível se existir vontade e disponibilidade pessoal para essa participação e não desistir perante os obstáculos que dia-a-dia vão surgindo.

Vencer as barreiras, que são muitas, é um grande desafio que temos pela frente. Não voltar as costas às dificuldades. Não desistir perante as adversidades, insistir nas nossas causas, mesmo que pareça que o “mundo” nos vira as costas, é, e tem sido sempre o meu lema, nesta nobre causa que é a luta para que um dia este mundo seja mais justo e mais igualitário. Já tivemos avanços mas precisamos de continuar a trabalhar de mãos dadas, em harmonia com aquilo que defendemos, nunca desistindo mas sabendo passar o testemunho às novas gerações, sabendo que cabe a elas cuidar do nosso futuro.

Tenho muito orgulho no trabalho que a UMAR em todo o País está a fazer neste sentido. Na Madeira, também estamos no bom caminho, com ainda muito trabalho pela frente, mas com a certeza que estamos a assegurar o futuro.

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25
Jul18

O Feminismo não tem Género


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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O título deste artigo poderá parecer estranho a muitas pessoas que o lêem, mas passo a explicar. Na última comemoração do dia da Mulher, na Junta da “minha” Freguesia, tive o prazer de ouvir dois homens falarem dos direitos da mulher e da sua importância em todas as esferas da sociedade. Nesse dia, que era dedicado à luta da mulher pelos seus direitos, dois homens mostraram que o feminismo não tem género nem sexo, porque é a mesma coisa que falar em igualdade de oportunidades, em todos os aspectos da vida, para todas as pessoas.

Há muita gente que ainda vê a palavra feminismo, ou feminista, com alguma depreciação. Ainda pensa que somos pessoas radicais e que estamos contra tudo e contra todos. Isto é um erro, pois apenas falamos em ter direitos iguais. enquanto pessoas, independentemente do sexo, raça, género, cor, religião, sindicato, partido, clube, função profissional, etc. NEM MENOS NEM MAIS, DIREITOS IGUAIS é a nossa palavra de ordem, e esta pode ser a mesma para qualquer pessoa que esteja connosco nesta luta, independentemente do seu papel na sociedade.

Direitos iguais implica não aceitarmos como normal que as mulheres estejam em minoria em lugares de decisão: nos Governos, nos Parlamentos, nas Autarquias, nas Direcções partidárias, nos Sindicatos etc. e que ainda exista discriminação em função da escolha que cada pessoa faça da sua vida. Na vida coexistem todas as cores, como se fossemos um arco iris. Se alguma dessas cores for anulada, o arco iris desequilibra-se e nós não queremos isso, nem aceitamos que assim aconteça.

É por isso que qualquer pessoa que defenda este equilíbrio pode ser feminista. Ser feminista é fácil? Devia ser, mas não é. Muita gente, quando ouve falar de direitos iguais, de forma teórica, até está de acordo, mas quando é para passar à prática a vacilação predomina. Até dizem que concordam, mas depois usam mil e um argumentos para justificar a discriminação existente. Ou porque as pessoas não estão disponíveis, ou porque não têm capacidades, ou porque têm família ou empregador/a para enfrentar, ou isto, ou aquilo…, enfim para manterem tudo na mesma.

E muita gente, particularmente as mulheres, acomodam-se perante estes argumentos. Não participam. Não reivindicam. Aceitam fazer o papel de “jarra para enfeitar” colaborando desta maneira para a situação de discriminação existente. Sobre esta questão falarei no meu próximo artigo.

 

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16
Jul18

Bem-vindas/os ao blog “Feminismos é Igualdade”


umarmadeira

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Este blog, implementado pela Associação UMAR, Núcleo da Madeira, tem como objetivos principais a partilha de opiniões por parte de um coletivo em relação à temática da Igualdade, e a divulgação de notícias relativas à nossa Associação.

A Associação UMAR, na Madeira, já existe desde a fundação da UMAR em 1976. É uma Associação Feminista, que luta pela Igualdade de Género, ou seja, pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. O percurso desta associação, na Madeira, sempre foi de grande esforço e dedicação. Durante muitos anos, as reuniões entre associadas eram feitas em sedes emprestadas de outras associações, em cafés ou em casa das próprias. Apenas em dezembro de 2014, isto é, após 38 anos de existência na região, é que, graças à Câmara Municipal do Funchal, a UMAR conseguiu ter uma Sede.

Embora com poucos recursos financeiros para implementar projetos, a UMAR Madeira desenvolveu, ao longo destes anos, diversas iniciativas na área da Igualdade que importam referir:

  • Vários cursos de formação profissional e de desenvolvimento pessoal integrados em projetos nacionais da UMAR;
  • O livro “Ecos de Memórias”, desenvolvido no âmbito do projeto Memórias e Feminismos, que congrega histórias de vida de mulheres na Madeira (mulheres de diversas classes sociais, idades e de vários concelhos da região), com o objetivo de dar a conhecer a realidade destas mulheres, a importância do seu testemunho e sua história para a sociedade;
  • O Diagnóstico Social pela Igualdade de Género no Funchal, desenvolvido em 2015, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, é pioneiro na Região Autónoma da Madeira. A partir de 500 questionários anónimos, recolhidos em várias freguesias do Concelho, foi possível conhecer e caraterizar a realidade da igualdade de género no Funchal. As conclusões deste estudo permitiram à Associação uma maior abertura, não só a nível de desenvolvimento de iniciativas, como também na criação de materiais relativos a esta temática;
  • O livro “As imagens falam por elas”, que retrata, à base de 300 registos fotográficos, os 40 anos de história do ativismo na Madeira;
  • O projeto “Promovendo a Igualdade na Comunidade e nas Escolas”, desenvolvido em 2017, com a parceria da SECI/CIG*, possibilitou à Associação organizar um grupo de associdadas para receberem formação interna, com o objetivo de serem elas próprias a desenvolverem iniciativas, em nome da UMAR, nas diversas áreas da igualdade de género.
  • Ao longo deste ano e do próximo ano letivo, com a parceria da SECI/CIG, o projeto “Art’themis+” será implementado em algumas escolas da Região, que tem como objetivos a Prevenção Primária da Violência de Género e a Promoção dos Direitos Humanos nas escolas.

Posto isto, com a experiência que foi sendo adquirida ao longo dos anos, tornou-se necessário alargar o debate à comunidade e promover a responsabilidade cívica de todas/os.     

O blog “Feminismos é Igualdade!” vem, então, acrescentar ainda mais vida a estas questões da igualdade de género, uma vez que permite a discussão de ideias e de opiniões em relação a diversos assuntos.

O caminho para a Igualdade de direitos entre homens e mulheres foi, é e deve ser sempre uma luta constante no nosso dia-a-dia!

 

*Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade / Comissão para a Cidadania e Igualdade

 

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