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Feminismos é Igualdade

18
Mar21

Romancear o Pernicioso


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Romancear o cotidiano é tarefa inerente à poesia, à música, às artes enfim, não fosse o coração (no sentido figurado) humano sedento de emoções. Em boa verdade esta busca, esta necessidade, esta dependência dos humanos em relação às emoções é inexoravelmente o que torna o milagre da humanidade ser possível. Não só não vivemos sem emoções como não a podemos dissociar da lógica ou da razão, honras feitas a toda a obra de António Damásio. Apesar do dado adquirido, é necessário separar-se as águas em Romancear o Cotidiano e Romancear o Pernicioso. O pernicioso, assim como o cotidiano, toma muitas formas. Entre estas realço à partida a violência e o seu efeito romanceado o qual ocorre mais vezes do que o que poderia ser esperado. Saliento um caso que me tem feito espécie desde que chegou ao meu conhecimento. Chris Watts, pai devoto de duas filhas, Bella e Celeste, e esposo carinhoso de Shanann Watts. Bom, devoto e carinhoso, são qualidades que não coloco em causa que Chris tenha, em algum momento da sua vida familiar, tido para com as mulheres da sua vida. Isto antes de as ter matado a todas, naturalmente. Chocados? Também eu fiquei quando vi documentários sobre este caso e sim, reforço que Chris fora, em algum momento, um pai dedicado e um esposo carinhoso até um dia ter, escandalosamente, assassinado as suas duas meninas e respectiva esposa. Um crime macabro que culminou com a condenação de Chris Watts a múltiplas sentenças perpétuas.

Ora, o alcance do Romancear o Pernicioso que mencionava anteriormente é de tal forma ilimitado que consegue distorcer a imagem de um sociopata, como o é Chris, e elevá-lo a um nível romanceado estratosférico. O assassino tem recebido, pasmem-se, centenas de cartas de amor por parte de mulheres que se têm oferecido para uma relação amorosa. É visto, por algumas mulheres, e não obstante ter confessado o seu crime, como a coisinha mais fofa à face da terra. Macabro? Ridículo? Surreal? Independentemente do epíteto que se prefira atribuir, a verdade é que existe um certo jeitinho especial para os humanos conseguirem Romancear o Pernicioso, não por forma exclusiva a desculpabiliza-lo, apesar de também o ser, mas porque é impossível viver sem ser ao comando das emoções e estas deixam-nos incessantemente à sua mercê. Estas mulheres são também vítimas da condição humana no seu maior esplendor. A diferença entre elas e a mulher que sofre de violência no dia-a-dia e não se afasta da relação por acreditar que o cônjuge irá melhorar, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam envolver por músicas, livros, filmes ou qualquer outra forma de arte que ofusca o empoderamento feminino e o reduz a meros objectos sexuais, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam apaixonar por algum homem com traços de violência bem patentes são igualmente inexistentes. A imagem de um Bad Boy que se possa dobrar, manipular e por fim curar é extremamente aliciante e faz activar o sistema de recompensas no cérebro assim como a um viciado no jogo sedento pela recompensa. Apesar das possíveis explicações científicas devo afirmar que este cenário me faz espécie pois se o Romancear o Pernicioso é plausível convém que se reconheça igualmente a inexorabilidade inerente ao perigo. Se é perigoso é porque te pode, e na esmagadora maioria das vezes vai, fazer mal. Não consideres sequer essa possibilidade.

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