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Feminismos é Igualdade

04
Mai20

As desigualdades no século XXI


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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No actual contexto, pelo facto de permanecer em casa há já algum tempo, tem-me feito reflectir sobre as oportunidades e os vários níveis de desigualdades, que abrangem todos/as, mas de forma mais acentuada as mulheres. Mas por outro lado, a palavra que eu mais retive ao longo deste período de emergência, foi que todas/todos estavam no mesmo pé de igualdade, quanto à pandemia, e que tudo ia ficar bem…

Então, dei por mim a pensar que as desigualdades, queiramos ou não, começavam antes de nascermos, assim como o desenvolvimento das pessoas ao longo da vida, influenciado não só pelas decisões que as/os mães/pais fazem relativamente à educação, das/dos suas/seus filhas/os, mas também pelas oportunidades, económicas, políticas e sociais, que as famílias com mais poder económico tendem em preservar esse poder, para elas mesmas e para os seus, ao contrário das de menores posses.

 Por outro lado, constatando que nos países mais desenvolvidos, as desigualdades estão concentradas na distribuição dos rendimentos que é maior, que nos menos desenvolvidos, e que a distribuição dos rendimentos diminuiu bastante nos últimos anos, mas ao contrário do que deve ser a informação, o que nos é transmitido via sondagens de opinião em todo o mundo, é que a proporção da população que se dizia importante diminuía e a desigualdade vinha aumentando a vários níveis.

Há informações que parecem dar a entender que o desconforto em relação às desigualdades vai num sentido mais abrangente, e que as causas estavam mais relacionadas com a forma como as pessoas viam as oportunidades que tinham, olhando para o futuro, num mundo em grande mudança.

Por isso, verifico que, em alguns aspectos, as desigualdades têm diminuído, mas noutras têm aumentado, havendo convergência, mas também divergências. Tenho consciência de que houve progresso em alguns indicadores de desenvolvimento, que a pobreza extrema tem vindo a cair e também a mortalidade infantil, mas, em Janeiro de 2020, um órgão de comunicação social tornava público haver 500 milhões de pessoas a trabalharem, sem receberem salário e que os/as jovens eram os/as mais excluídos/as, apesar do progresso e do avanço das novas tecnologias, concluí que as grandes desigualdades persistem em todos os domínios de desenvolvimento humano.

No campo da educação é sabido que, em vários países, a taxa de escolaridade primária tem caído, muitas crianças têm deixado de poder frequentá-la, e nos ciclos seguintes há divergências entre países, assim como dentro dos países, contribuindo para que os mesmos não sejam para todas/os. Quanto ao ensino superior, está cada vez menos acessível a todas/os, porque a situação económica de muitas famílias, devido às frágeis condições de trabalho, e às baixas remunerações, não lhes permitem, que os/as seus/suas filhos/as possam também sonhar com a universidade. O que está mais do que visto é que há uma grande desigualdade na área da educação.

A saúde, que é um bem essencial à vida de qualquer ser humano, deve estar acessível a todas/os, mas contínua a haver muita desigualdade. Quem detém poder económico, tem acesso a melhores meios de diagnóstico e de tratamento, enquanto os/as mais vulneráveis morrem por não ter acesso nem a uma coisa nem outra. Está mais do que visto que só através de políticas públicas e de acções dos decisores políticos é possível tomar medidas que reduzam as desigualdades, mas é visível também que essas decisões são condicionadas por aqueles que querem manter as suas posições privilegiadas.

Por isso, defendo que é fundamental haver oportunidades mais equitativas para todas/os, porque não é só uma questão de justiça, é também uma questão de eficiência económica, até porque é provável que os/as filhos/as dos/as mais privilegiados/as, não sejam os/as mais preparados/as, para as ocupações de empregabilidade melhor remuneradas.

Por outro lado, também o impacto das alterações climáticas afecta mais rapidamente e de forma mais profunda os/as mais vulneráveis e que têm menos recursos. Por isso, tende a aumentar as desigualdades e as respostas a serem mais difíceis, o mesmo se passando com as novas tecnologias. Há actividades com remunerações baixas que não podem ser automatizadas, por exemplo, os serviços de limpeza e as/os empregadas/os domésticas/os, entre outros, tarefas que maioritariamente são desempenhadas por mulheres, o que contribui para que, tanto na doença, como na velhice, haja grandes desigualdades, e se é verdade que já se deram alguns passos, muitos ainda terão de ser dados.

A desigualdade de género continua a ser uma das maiores barreiras do desenvolvimento humano. Porque o preconceito contra a igualdade de género ainda está longe de ser ultrapassado. Ainda existem empresas que, na admissão de trabalhadoras/os, elaboram inquéritos e fazem questionários onde é perguntado às candidatas, por exemplo, se um homem não é melhor líder político do que uma mulher ou se tencionam engravidar, e a ambos os sexos se estão inscritos/as no partido do poder, entre outros. Estas normas sociais condicionam, e de que maneira, o papel das mulheres na sociedade. É crucial olhar, também, para a forma como as desigualdades podem evoluir ao longo da vida das pessoas, não só antes de nascerem, mas também para a forma como os mercados funcionam.

Com o COVID-19, as mulheres mais vulneráveis e com menos recursos serão as mais afectadas. Neste momento, as mulheres que são mães, trabalhadoras e professoras em simultâneo, não deve ser nada fácil desempenhar todas estas tarefas. Por outro lado, com a solução encontrada de aulas dadas à distância, muitos/as alunos/as filhos/as das classes menos favorecidas sentem-se descriminados/as, porque os/as seus/suas pais/mães não têm condições económicas para lhes proporcionar essa ferramenta de aprendizagem, faltando-lhes computador, impressora e Internet. Enfim, a luta pela igualdade não pode parar. Todas/os temos de continuá-la porque nesta vida nada está seguro.

Concluo fazendo votos que o Estado de Emergência, no país e na região, esteja próximo do seu fim, deixando todas/os profissionais de saúde, às centenas de mulheres que limpam escritórios, hospitais e centros de saúde, assim como a todos/as que já há quase dois meses trabalham, para que a quem se encontra em casa nada falte.

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14
Dez19

Abuso sexual de crianças e jovens


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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O abuso sexual de crianças/jovens decorre da exposição de uma criança ou jovem a estímulos sexuais inapropriados ao seu desenvolvimento físico, psicológico, social e moral. É frequente, nos media e em conversas de café, confundirmos os termos “abusador sexual” e “pedófilo”, muitas vezes tidos como sinónimos. No entanto, algumas particularidades fazem com que seja necessário distingui-los. Os abusadores sexuais não se sentem sexualmente atraídos por crianças. O abuso decorre, não de uma atração, mas por qualquer outro motivo, tais como, a necessidade de poder, vinganças, delinquências, uso de drogas ou álcool. Alguns estudos revelam que ¾ dos abusadores sexuais de menores foram ou são casados. O abuso pode ocorrer dentro da própria família. O incesto é o tipo de abuso mais comum e é mais frequente ser entre pai e filha, onde esta ocupa o lugar da mãe, num casamento que pode estar deteriorado. No entanto, o abusador pode vitimizar crianças fora de casa e, ainda, violar mulheres. Não recorrem a estratégias de sedução e, na maioria das vezes, agem por impulso. São relações sexuais rápidas, sem aproximação sentimental com a vítima, apenas com o intuito de satisfazer alguma necessidade sexual, emocional, psicológica ou social. A pedofilia é, segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, um transtorno de personalidade e comportamentos em adultos. É, mais concretamente, uma parafilia. O termo, em latim, significa “amante de crianças”, ou seja, a atração sexual de um pedófilo é dirigida primariamente para crianças. As suas condutas compulsivas são consequência de um desejo sexual por menores e não despoletadas por situações de stress. É importante salientar que há pedófilos que nunca abusaram sexualmente (no termo estrito da palavra) de crianças, recorrendo a fotografias pornográficas infantis, conversas de teor sexual com pré-adolescentes, visualização de crianças a brincarem em parques infantis ou na praia, para satisfazerem as suas fantasias.

Embora a tendência seja para fugir a essa verdade, o facto é que as crianças são seres sexuados e, por isso, o seu amadurecimento sexual é feito ao longo dos anos através da informação que vão recebendo durante o seu desenvolvimento. Um ambiente seguro proporciona a confiança suficiente para aprender e compreender o sexo de maneira estável e benéfica e, aqui, os adultos são os maiores responsáveis por essa direção.

Para diversos especialistas, não há um perfil do abusador infantojuvenil, mas, em muitos casos, o machismo pode ser observado no comportamento de quem subjuga crianças e adolescentes. "É machismo. O homem tem a filha como se fosse a sua propriedade", aponta a advogada Leila Paiva, coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, no Brasil. "O corpo da mulher foi encarado o tempo todo como propriedade”. A cultura do machismo foi apontada como responsável pela exploração sexual de crianças e adolescentes, em audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A avaliação foi feita pelo coordenador do Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), Vicente Faleiros, que referiu ser preciso entender a exploração de crianças e adolescentes no contexto do mercado do sexo, tratando-se uma atividade fundamentalmente económica, e esse serviço sexual é tolerado pela sociedade porque está vinculado à cultura do machismo, à ideia de que se pode usar o corpo da mulher. Para além disso, estudos comprovam que há uma tendência a se subestimar o problema da violência sexual contra meninos pelo facto de o tema ser visto como um grande tabu na sociedade. Flávio Debique, gerente técnico de proteção infantil da ONG Plan International Brasil, refere que "Tanto os meninos quanto as meninas têm bastante dificuldade de falar sobre isso. Mas os meninos chegam aqui muito mais constrangidos, apreensivos. Vivemos numa cultura que 'homem não chora' e 'sabe se defender sozinho'. Admitir uma fraqueza é difícil, então, se ele for abusado por uma mulher e reclamar disso, será conotado como gay, e se for abusado por um homem e denunciar, também pode ser considerado gay". Para Debique, a "cultura machista é a grande vilã" na maior parte dos casos de assédio ou abuso sexual de crianças, porque é ela que estabelece o "poder" do homem com relação à mulher e que determina que o homem não pode assumir a condição de vítima, ele precisa ser "durão".

No fundo, tudo começa na forma como assumimos o que é ser homem e o que é ser mulher, a desvantagem que as meninas têm, e as aparentes vantagens que os meninos têm. As desigualdades de género afetam as pessoas de maneira diferente mas, no final da equação, todos/as sofrem as suas consequências.

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16
Nov19

Um mundo de desigualdades, onde são as mulheres e crianças quem mais sofre, onde crescem as ameaças aos direitos das mulheres


umarmadeira

ARTIGO DE MANUELA TAVARES

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Assistimos a momentos políticos e sociais muito preocupantes.

Perante um mundo de desigualdades crescentes, crescem as forças populistas de extrema direita que representam uma ameaça às liberdades, à democracia e aos direitos das mulheres.

Sabemos que os gritos de revolta de quem é espezinhado, de quem não tem casa para viver ou pão para comer são aproveitados por quem quer impor ditaduras disfarçadas de resolução dos problemas prementes.

As mulheres e as crianças são quem mais sofre com este cenário político e social.

As forças fascizantes envolvem os seus discursos de que os feminismos dão cabo das famílias, que não garantem os direitos destas. O que se passa é que essas forças defendem que as mulheres se devem dedicar totalmente aos maridos e filhos, deixem de ser elas próprias, tal como acontecia na ditadura salazarista de triste memória.

A extrema-direita em Espanha, que cresceu imenso nas últimas eleições, quer eliminar as leis de proteção às mulheres vítimas de violência. Para eles, a violência não significa morte, assassinatos. Significa apenas “arrufos” entre marido e mulher e querem voltar ao antigamente que “entre marido e mulher que ninguém meta a colher”.

Estas forças ultraconservadoras querem também dominar as escolas. Querem que qualquer programa de prevenção da violência ou de promoção da igualdade seja analisado por comissões de encarregados da educação. A escola, os/as professores/as, os estudantes não têm opinião para essa gente que veio para fazer com que as conquistas civilizacionais voltem para trás.

Quanto mais as desigualdades e a pobreza crescem, mais estas forças ganham terreno.

Lutar para a eliminação das desigualdades que geram pobreza e falta de direitos é uma obrigação de cada um/a de nós.

As feministas têm nesta luta um papel fundamental.

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