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Feminismos é Igualdade

21
Set20

Retrocessos…


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Em breve, assim espero, ouviremos falar da Era Pós-Pandemia. Estamos em plena transição, inaugurando uma Nova Era mas, enquanto não completamos essa transição, façamos uma reflexão. Desde o início do ano, temos vindo a verificar alguns pontos de rutura, imensas alterações climáticas, a pandemia Covid-19, movimentos antirracistas um pouco por todo o mundo e a falta de uma liderança mundial com capacidade para avaliar situações de risco, que comprometem vidas e os direitos humanos.

Esta pandemia provocou um reset mundial em que, pela primeira vez na história, família, educação e trabalho passaram a acontecer de forma simultânea e no mesmo lugar, dentro de casa... Mas nem todo o cenário é bonito.

Sabemos que a igualdade é fruto de lutas por direitos, mas o que muitos desconhecem é que existem muitas formas de desigualdade, umas às claras e outras disfarçadas com hipocrisia. Ultimamente, o que mais tenho assistido é a pandemia servir de justificação para tudo. Já chega de taparem o sol com a peneira, muitos dos problemas já existiam aos olhos da sociedade hipócrita em que vivemos. Ora vejamos, esta pandemia só veio agravar as desigualdades existentes e revelar, uma vez mais, mas agora com mais intensidade, as deficiências nos sistemas sociais, políticos, económicos e ambientais. Não há respostas para tudo e a ajuda não chega a todos e todas. É preocupante a perda de milhões de postos de trabalho pelas mulheres, sobre as quais também recai a falta de partilha das tarefas de cuidar das crianças e dos idosos. É angustiante saber que a pandemia e as medidas de confinamento provocaram um aumento de casos de violência doméstica. Fico aterrorizada só de pensar que muitas mulheres e crianças ficaram à mercê dos agressores que ficaram em casa por causa da quarentena, com todos os riscos e perigos que essa presença em clima de tensão acrescida podia gerar. “Mais do que nunca, é preciso haver tolerância zero à violência doméstica”, escreveram os embaixadores dos 124 Estados-membros da ONU – portanto, mãos à obra e coloquem em prática. Lembro também os mais esquecidos, as pessoas sem abrigo, pois quem não tem habitação, quem não tem acesso a água e energia é mais vulnerável à contaminação e não tem como defender-se. Brevemente, mais propriamente daqui a um ano, lembrar-se-ão delas e imaginem lá porquê?

Há umas semanas via, incrédula, no telejornal que, em África, havia um aumento da fome e perda de vidas humanas, com mulheres a morrer em trabalho de parto por não conseguirem ter acesso ao hospital. Nos campos de refugiados, são muitos os dramas que por lá se vive – já existiam antes da crise sanitária é verdade, mas agora, aumentaram. O que temos sabido sobre estes seres humanos tão frágeis e vulneráveis, em particular sobre as mulheres e crianças refugiadas? Há respostas? Há soluções?

O novo coronavírus impôs-nos muitos desafios. Um vírus que apesar de não olhar a geografias, na verdade não atinge todos os países e povos da mesma maneira. 

Precisamos de inverter todas as desigualdades que esta pandemia nos trouxe. Na verdade, não foi a pandemia e sim o ser humano que estava à espera de um pé em falso para que estas desigualdades viessem ao de cima. Precisamos de acabar com a desigualdade entre homens e mulheres que, em momentos de crise, provoca sempre inaceitáveis recuos nos direitos das mulheres, sem esquecer que estas crises são uma ameaça à proteção dos direitos das crianças.

Se a recuperação mundial for apenas focada na eficiência e no lucro a curto prazo, sem um olhar cuidadoso para a inclusão, corremos o risco de perder décadas de avanço na igualdade, o que seria péssimo para todos e todas.

Estão, assim, a surgir novos perigos, face a este novo padrão para o qual todos e todas devemos estar atentos e atentas. Que as pessoas tenham consciência: está à porta uma 2ª vaga, não ignoremos os gritos silenciosos. Os direitos humanos não podem ficar de quarentena, há que os defender diariamente.

bannerCassianovo

 

 

20
Nov19

Vídeo sobre a Convenção dos Direitos das Crianças


umarmadeira

Vídeo da UMAR Madeira sobre a Convenção dos Direitos das Crianças, que hoje se comemora o 30º aniversário, em que demos voz a crianças e jovens que participam no ART'THEMIS+ Madeira. Animações feitas com base em desenhos criados por participantes do projeto no ano letivo 2018/2019. Em parceria com a Câmara Municipal do Funchal. Edição do vídeo feita por Diogo Freire.

 

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