Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Feminismos é Igualdade

15
Out19

15, 16 e 17 de outubro. Três dias para lembrar. Três dias para exigir Direitos


umarmadeira

unnamed

15, 16 e 17 de outubro são dias que se entrelaçam na defesa dos direitos das mulheres.

Declarado pelas Nações Unidas como Dia Internacional das Mulheres Rurais, o 15 de outubro, faz-nos lembrar que as mulheres rurais representam mais de um terço da população mundial e são afetadas de forma desproporcional pela insegurança alimentar e a pobreza.

O dia 16 de outubro, como Dia Mundial pela Alimentação, lembra-nos que o acesso à alimentação é um direito humano, que não pode ser ignorado e que as mulheres que constituem 43% da mão-de obra agrícola, desde que apoiadas com recursos, podem contribuir para uma diminuição substancial da população subnutrida.

17 de outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, lembra-nos que 1,2 biliões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza sendo a maioria mulheres e crianças.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) tem vindo a propor um conjunto de iniciativas e programas que apostando no apoio às mulheres rurais se possa evoluir no combate à pobreza e à desnutrição.

Quando se vive num país europeu como o nosso, há tendência para que estas realidades nos passem ao lado, apesar de sabermos que muitas e muitas das aldeias do interior do país, quase desertificadas e sem esperança de desenvolvimento, serem constituídas fundamentalmente por mulheres, a maior parte idosas, porque as mais jovens tendem a migrar.

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, como associação que entende que os feminismos não podem ser só urbanos e que as mulheres das zonas rurais não podem ficar esquecidas, considera que no Estatuto da Pequena Agricultura Familiar já previsto governamentalmente, se deve dar particular relevo aos direitos das mulheres rurais em termos de apoios efetivos para iniciativas de emprego, formas coletivas de produção, redes de mulheres inter-aldeias valorizando aquilo que elas produzem em termos de cultura e artes locais, de aproveitamento dos recursos naturais e paisagísticos para um turismo de proximidade, suficientemente atrativo para o envolvimento de jovens nas suas aldeias.

Lisboa, 13 de outubro de 2019
A direção da UMAR

09
Set19

Democracia e identidade de género


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

raquel

Perante o hábito enraizado, no nosso país, de assistir à publicação de leis que não saem do papel, eis que, de repente, quando são criados mecanismos que permitem operacionalizar uma dessas leis, a sociedade entra em sobressalto. É muito confortável mostrar orgulho por viver um país como o nosso em que, a igualdade está consignada na lei, difícil é aplicar essa igualdade quando a tradição e os preconceitos a ela se sobrepõem, deixando a nu a solidão de todas e todos aqueles que não se encaixam no desenho que a sociedade desenhou para eles.

No início de um novo ano lectivo impõe-se refletir sobre o tipo de sociedade que queremos para o futuro. Queremos uma sociedade em que os nossos jovens e crianças se sintam seguros e felizes, com pleno direito ao respeito pela sua identidade ou queremos uma sociedade em que essa identidade tenha de andar escondida e de braço dado com o medo, exposta constantemente ao bullying e a todos os tipos de violência.

A publicação do Despacho n.º 7247/2019, de 16 de agosto, que veio estabelecer medidas concretas sobre o Decreto-lei n.º 38/2018, de 7 de agosto lançou uma discussão em alguns sectores que nos deve causar alguma preocupação. Salvaguardando opiniões legítimas sobre a sua aplicação, são as posições relacionadas com o seu próprio conteúdo as que me causam mais preocupação. Esta ideia de que a fragilidade tem de se adaptar à força dominante, de que aqueles e aquelas que carregam na maior das solidões a dor e o medo da violência têm de continuar invisíveis, para que os outros continuem confortáveis no status quo, é de uma crueldade sem limites e revela uma incapacidade, de se colocar no lugar do outro. Isto sim é um flagelo que não podemos deixar alastrar.

O respeito pela Identidade de Género não é radicalismo como alguns pretendem fazer crer, mas sim uma luta pelos direitos fundamentais de toda a humanidade em relação à qual ninguém tem o direito de ficar indiferente. Infelizmente, ainda é necessário derrubar muitas paredes e uma escola verdadeiramente inclusiva é sem dúvida o melhor sítio para fazê-lo, garantindo ambientes seguros e ensinando a empatia e o respeito pela diferença que existe em cada um de nós. Mas, para este trabalho, todas as mãos são poucas e para avançarmos é preciso encontrar eco em todos os setores da sociedade.

A Democracia só será plena quando aquilo que cada cidadã e cada cidadão têm de mais sagrado - a sua identidade - for respeitado.

bannerLuisanovo

22
Jun19

Empatia: Um mundo melhor depende de si


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

empatia

Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa, caso estivéssemos na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outra pessoa. Por vezes, sentimos empatia sem sequer sabermos o que isso significa. Mas, nos dias de hoje, com a proliferação da comunicação virtual e distante nas redes sociais, em vez da comunicação presencial “olhos nos olhos”, numa sociedade cada vez mais individualista e competitiva, a empatia começa a rarear. E o que acontece sem empatia? Proliferam a intolerância, o bullying, todos os tipos de violência.

Quando não gastamos nem um segundo para imaginar como a outra pessoa se sente, de onde vem, o contexto onde está inserida e o que passou, sem se lembrar que cada pessoa tem a sua história de vida, e sem tentar perceber como é estar na pele da outra pessoa, surgem as discussões acaloradas (e que normalmente não levam a lado nenhum) nas redes sociais, surge o fim de relacionamentos (familiares, amizades, etc), os crimes de ódio, a violência de género. Sem empatia, é impossível perceber que, em muitas situações, não existe uma verdade absoluta. Existem verdades, que dependem do ponto de vista de cada pessoa. No entanto, existem valores transversais a qualquer verdade. E esses são os direitos humanos (https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos).

Existem inúmeros exemplos de falta de empatia, e os estereótipos e preconceitos resumem isso mesmo. Quando alguém diz que uma mulher “pôs-se a jeito” para ser violada porque usou uma “saia curta”. Quando alguém não se coloca no lugar de um(a) jovem, para tentar perceber de onde veio e porque exibe determinados comportamentos, e toca a rotulá-lo(a) de incompetente. Quando se culpabiliza quem sai fora dos padrões, dizendo que só é gordo(a) quem quer e quem é desleixado(a). Quando se diz à boca cheia que não existem padrões para as mulheres, que a beleza é diversificada e, mal viram as costas, toca a criticar quem não se encaixa nesses padrões – ou porque é muito magra, ou muito gorda, ou a roupa não lhe fica bem, ou devia ter o cabelo assim ou assado, etc. Quando se encaixam rótulos ridículos em mulheres por serem louras, por terem tatuagens, por se vestirem de forma diferente, por terem uma personalidade diferente, por amarem mulheres, por não gostarem das coisas que a maioria das mulheres “deveria” gostar. Quando se diz que uma mulher tirou o homem do sério, por isso quase que “mereceu” ser vítima de violência. Quando se diz que os(as) refugiados(as) vêm “roubar” os nossos postos de trabalho e dinheiro, e ainda que são “terroristas”. Quando se alcunha os(as) desempregados(as) de “vadios(as)”, sem tentar perceber a história individual de cada pessoa. Quando não se percebe que a outra pessoa não pode, nem vai sempre fazer todas as nossas vontades e agir sempre daquela maneira que desejamos – a minha liberdade termina quando começa a do(a) outro(a). Quando se dá mais valor ao seguidismo do que à liberdade de pensamento.

Sem empatia, tornamo-nos egoístas e caímos no julgamento superficial e errado sobre as pessoas. Sem empatia, não é possível sentir compaixão. Sem empatia, proliferam os estereótipos e a hipocrisia. A falta de empatia é também responsável pelos danos que temos causado no nosso planeta. Não é, nem deve ser, apenas direcionada para a espécie humana.

Muitas décadas de abuso e ignorância, em relação à Natureza, trouxeram-nos a este século, onde o futuro da Humanidade está em cheque. Perante tudo isto, vamos continuar a tirar selfies com “sorrisos colgate”, a publicar “postas de pescada” nas redes sociais, e a ignorar o que se passa no mundo? A seguir modas e heróis/heroínas, em vez de fazer mudanças reais e permanentes no nosso estilo de vida? Vamos continuar a competir por bens materiais supérfluos, a tomar decisões sem ter em conta um todo, a mentir descaradamente quanto à falta de direitos humanos essenciais – como a saúde – sem assumir os erros e agir para corrigi-los? Vamos continuar a tapar o sol com uma peneira, a ver se passa por si só? É demasiado tarde para isso. A empatia é tramada. Trabalhar a empatia custa muito, dói cá dentro. Rebenta com o ego. Mas sem empatia, estamos a nos tornar uma espécie mais insensível, superficial e imediatista. Vamos acordar enquanto é tempo? Vamos praticar a empatia “à séria” e transformar o nosso bocadinho de Terra num lugar melhor? Bora lá.

bannerJoana

 

01
Jun19

O valor do voto


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

direito-de-voto-a-mulheres

O direito dos povos votarem e elegerem os seus governantes e representantes no poder político foi instituído há cerca de duzentos anos e não começou de forma universal para todos os cidadãos e cidadãs. Nem todos os homens tinham direito de votar e as mulheres estavam excluídas desse direito. Foi preciso muita luta para conseguirem o direito de eleger e serem eleitas. Para que serve o voto? Serve para eleger alguém. Mas nem todas as pessoas estão dispostas a defender os nossos direitos, as nossas necessidades e pretensões. Quem melhor que as mulheres, se forem sérias, para lutarem pelos direitos do sexo feminino?

O Movimento das Sufragistas nasceu da necessidade que um grupo de mulheres sentiu de alcançar o direito à educação em igualdade com os homens e o direito aos filhos, que só os pais é que decidiam da sua educação e demais assuntos que a vida dos filhos envolve. Estas eram as principais razões que as levaram à luta. Lutaram e sofreram muito e conseguiram o direito ao voto em 1918. E em 1925 conseguiram o poder sobre os filhos em igualdade de direitos com o pai, porque os parlamentares e governantes também dependiam do voto das mulheres. É aqui que está o valor do voto: ser força de pressão sobre os que nos governam de modo a conseguir o que temos direito, inclusive o direito de ser eleita em igualdade com os homens.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 26 de Maio foram eleitas, em Portugal, 9 mulheres e 12 homens. O número de eleitas já se aproxima do número de homens eleitos, isto porque existem quotas, não só em Portugal, mas em quase toda a Europa. Segundo li no caderno do Jornal Expresso de 25 de Maio, ainda nenhum país europeu atingiu o equilíbrio total de 50 mulheres e 50 homens nos parlamentos. A grande novidade deste artigo, para mim, é a seguinte: em 1907, na Finlândia, que ainda era um Grande Ducado, pela primeira vez houve eleições parlamentares livres, sem a interferência da Rússia. E pela primeira vez na história da Humanidade foram eleitas 19 mulheres para um parlamento com 200 assentos, quase 10 por cento dos eleitos. Já se passaram 112 anos e o parlamento da Ucrânia tem 11,6/% de mulheres e Malta com 11,9%.

A Finlândia é o país com maior percentagem de mulheres no Parlamento: 47%. A média de mulheres nos parlamentos europeus é de 31,5%. O país com maior percentagem de mulheres eleitas é o Ruanda, um país africano, pobre, que saiu há poucos anos de uma guerra civil, com 63% de mulheres na Câmara Baixa (o equivalente ao Parlamento) e 40% do Senado. Seguem-se Cuba e a Bolívia com mais de 50% de mulheres, o México está em 4º lugar no mundo e só depois a Finlândia e a Espanha. Portugal ocupa a 30ª posição mundial com 32,6% de mulheres no Parlamento Nacional.

Apesar de tudo, muitos e muitas eleitoras não exercem o seu direito de voto, deixando a outros o poder de decisão, o que representa negligência e falta de responsabilidade. Alguém escreveu há poucos dias: “a realização dos nossos deveres engrandece-nos, dá-nos tranquilidade e ajuda-nos a viver melhor connosco e com os outros.” Sejamos responsáveis e, para os próximos actos eleitorais, não deixemos de votar por negligência ou comodismo. O dever chama-nos.

O Dia 1 de Junho é o Dia da Criança. As crianças é o que de mais belo existe à face da Terra, mas precisam de ser queridas, amadas, respeitadas, alimentadas, educadas. Precisam viver num ambiente saudável, habitação condigna e família acolhedora e responsável.

Infelizmente, muitas crianças sobrevivem com muitas necessidades, são maltratadas e abusadas, por vezes pelos seus progenitores ou outros familiares, para não falar dos pedófilos que existem e nem sempre são punidos como merecem. Não esquecer o grande número de crianças a viver em países em guerra, arrastadas por famílias refugiadas e muitas delas afogadas e sepultadas no Mediterrâneo, às portas da Europa, um continente próspero, evoluído, com muita riqueza acumulada e, em grande parte, responsável por estas calamidades.

A Humanidade evoluiu, é capaz de invenções fantásticas, é possível chegar a diversos lugares do universo, mas ainda não é capaz de cuidar devidamente das suas crianças! Triste constatação!

bannerConceição

25
Mai19

Não deixar por mãos alheias o que é nosso!


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

direitos_humanos_gettyimages-e1473165932461

O título deste artigo faz parte de um ditado popular que oiço desde pequena. Mas sabemos que nem sempre acontece assim. Houve sempre quem quisesse decidir por nós. Quem nos queira impingir o desconhecido, só porque sim. Quem nos trate ainda com menoridade, ou como minoria, quando sabemos que somos uma grande maioria que pode mudar muita coisa neste mundo.

No mundo em que vivemos estão a acontecer grandes coisas. Boas e más. O que mais me preocupa são os retrocessos no que diz respeito a direitos adquiridos com tanta luta e suor e que fazem parte das nossas vidas com toda a naturalidade. Sei que no mundo actual, outras questões estão na ordem do dia, como as alterações climáticas que influenciam toda a existência na Terra. Mas não considero contraditório continuar a estar atento e não deixar que haja retrocessos naquilo que foi adquirido e lutar com afinco por mudanças de mentalidade na forma como se encara a nossa vivência no Planeta Terra.

Mais do que nunca é preciso continuar a aliar ao que já foi conseguido outras conquistas. Mas há que saber tratar muito bem de tudo. Estar com atenção quando estamos a decidir, seja em relação a quem nos representa, seja em relação ao que vamos fazer. Se nada cai do céu, há coisas que só nós podemos decidir. Saber escolher de acordo com os balanços que fazemos. Não nos demitirmos e só dizer mal apenas porque sim.

Quando decidimos fazer uma escolha temos que conhecer bem o que estamos a escolher e não deixarmos que nos digam que o caminho é por ali, quando sabemos que é por aqui. Quando falamos de escolhas temos que estar conscientes, e seja qual for o resultado, sentirmos que as nossas consciências estão tranquilas.

Que não nos deixamos manipular com medo de maiorias, ou minorias. É tão bom ter o poder nas nossas mãos: de fazer, de dizer, de querer e de decidir. Nunca devemos delegar o nosso poder em quem não acreditamos que seja capaz de nos representar ou defender. Mesmo que nos digam “não vais por aí”, devemos fazer o que a nossa consciência manda. Só assim nos sentiremos realizadas e felizes.

Pela experiência da vida de feminista e activista, de corpo inteiro, pelos direitos das mulheres, sinto que cada vez mais precisamos de Gente que saiba o que fazer quando é preciso agir e defender o que nos interessa. Só assim podemos sentir segurança no prosseguimento da luta e no trazer para a agenda as novas questões que preocupam quem realmente defende os direitos humanos.

47316115581_b87165503d_b

 

18
Mai19

Unlucky Louie


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

louis

Louis C.K., um dos melhores e mais visionários humoristas contemporâneos vai actuar em Portugal pela primeira vez. O circuito de “primeira liga” do stand-up mundial nunca tinha visitado o nosso país, apesar do paradigma estar a mudar com as vindas de Jimmy Carr, Jim Gaffigan ou Judah Friedlander.

Para quem não conhece C.K., ele é o criador de quase duas mãos cheias – péssima escolha de expressão – de espetáculos de stand-up; de Louie, uma das melhores sitcoms internacionais; Horace and Pete, uma série que tanto é capaz de arrancar a maior gargalhada como a mais sentida lágrima; escreveu também para nomes como Chris Rock, David Letterman ou Conan O´Brian; além de ter feito parte do elenco de filmes “oscarianos” como American Hustle, Trumbo ou Blue Jasmine.

Não é, propriamente, um curriculum que envergonhe ninguém. O que não o pode orgulhar, certamente, é o motivo pelo qual viu o seu nome nas bocas do mundo no final de 2017. O humorista americano foi um dos nomes envolvidos no movimento #MeToo, sendo acusado por várias mulheres de se “auto-gratificar” em frente a elas. As denunciantes eram humoristas em início de carreira e membros das equipas de produção de alguns projectos de C.K. Justificaram a não apresentação de queixa na altura das ocorrências por medo que as repercussões levassem à perda de trabalho. Acrescentando ainda, que o manager - um dos poderosos na América - do humorista as contactou a pedir o seu silêncio.

As acusações foram prontamente confirmadas pelo humorista, onde admitiu a conduta sexual imprópria e o abuso de poder sob essas mulheres. O escândalo levou a que visse o lançamento do seu novo filme e várias séries que produzia canceladas, resultando na perda de mais de 35 milhões de dólares. A polémica não teve impacto na bilheteira do nosso país pois, as quatro datas que foram abertas com o preço individual de 45 euros esgotaram nuns impressionantes quatro minutos.

Levantou-se, novamente, o dilema da separação da obra e do artista. Questão essa que não me consegue ter por inteiro em nenhum dos lados. Acredito que uma péssima pessoa possa criar um objecto artístico incrível. A história da arte dá-nos milhões de exemplos como: Picasso ou Bukowski eram misóginos convictos; Wagner, Ezra Pound, T.S. Eliot ou Walt Disney eram antissemitas; Flaubert pagava para ter relações com menores; Caravaggio matou uma pessoa; Bill Cosby drogou e violou mulheres; Roman Polanski abusou de uma menor, … Será que o filme “O Pianista” passa a ser mau? Ou o “Madame Bovary” torna-se em lixo literário? Não creio. Mas as atitudes destas pessoas são altamente repugnantes e condenáveis.

Como tal, não consigo admirar estas pessoas, mesmo conseguindo gostar do que criam. Parece ambíguo? Sim. Sem dúvida. Mas alguém ser capaz de criar algo colossal na vida de milhões de pessoas e de arruinar a existência de outras, também o é.

bannerPaulo

30
Mar19

Ter tempo para o tempo...


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

tempo

Vivemos tempos complexos, onde o imediatismo é a palavra de ordem. O tempo deixou de ser suficiente para tudo, pois andamos sempre a correr contra o tempo. Existem à nossa volta, constantemente, mil e uma informações a circular, e outras tantas solicitações e afins para dar conta. JÁ, AGORA. Se não soubermos colocar limites ou estabelecer prioridades, deixamo-nos afogar nessa espiral, acabando por não ter tempo para o tempo. O passado é habitualmente deixado de parte (ou pesquisado no Dr. Google), e vivemos sempre para o futuro.

Esta cultura iniciou-se com a expansão das redes sociais e internet. Há uma ansiedade generalizada de “ter que dar conta do recado, senão serei uma pessoa fracassada. Tenho que estar informada, ou serei vista como descuidada e ficarei desintegrada do resto da sociedade.” Correr contra o tempo está a nos transformar em pessoas mais ansiosas e angustiadas. Reservar um tempo para nós é quase visto como egoísmo.

As tecnologias rasgaram a relação espaço-tempo, deixou de haver tempo para pensar no tempo. Esperar passou a ser sinónimo de perder tempo. “Não há tempo a perder”, é o slogan impresso em todo o lado. Passou a ser tudo uma questão de velocidade. As pessoas querem tudo para ontem: a realização de sonhos, de objetivos, de metas. Graças à pressa, estamos a nos tornar mais virtuais do que reais – paremos um pouco para olhar à nossa volta e refletir sobre isso. Andamos mais cansados/as, por vezes mais desorientados/as. E, muitas vezes, mais infelizes.

Eu pertenço à geração de transição entre um mundo menos virtual e menos globalizado, para o que temos atualmente. E tenho a dizer que há, também, diversas vantagens neste novo mundo. A informação está muito mais acessível. Através dum click, podemos ter acesso a formações, livros, matérias-primas e afins vindas do outro lado do mundo. Comunicar e se fazer ouvir nunca esteve tão facilitado. É possível influenciar o mundo inteiro sem sair de casa. Mas, parece não haver tempo para se pensar no tempo.

Esta globalização e imediatismo têm levado a que desenvolvamos, cada vez mais, um estilo de vida insustentável. Compramos o que está na moda, sem pensar se, realmente, precisamos daquela peça. Desperdiçamos imenso, em tudo, sem pensar nas consequências a médio e longo prazo. Depois, como num piscar de olhos, aparece uma iniciativa promovida por alguém, mediática, in, e lá vamos clicar e partilhar nas redes sociais, expressando o nosso apoio de forma efusiva. De repente, a consciência fica um bocadinho mais leve. Até podemos participar na iniciativa, e durante algum tempo, até podemos fazer umas mudanças de vida. Mas, muitas vezes (e é isso que me preocupa), passando o mediatismo da causa, tornamos aos velhos hábitos, e os problemas da falta de sustentabilidade mantêm-se.

Valoriza-se, muitas vezes, o imediato e mediático, e desvaloriza-se a prevenção primária de tudo. Como a da violência de género. Aquele “trabalhinho difícil” que precisa ser feito continuamente, a longo prazo, para ir lançando sementinhas de mudança por todo o lado. Aquele trabalho não visível a olho nu, à primeira vista, mas o qual vai influenciando, devagarinho, muitas pessoas. Ao mesmo tempo, há aquelas pessoas que trabalham para manter vivas as memórias de como tudo aconteceu e como chegamos aqui, para informar e fazer com que haja reflexão no presente, sobre o futuro e o que se poderá perder do passado. Como a luta dos direitos das mulheres, a cronologia que ilustra o caminho de conquista de direitos que os homens sempre tiveram, mas que às mulheres eram negados – e que ainda são negados em muitos países. Estimular o pensamento crítico. Pessoas que não se deixam cegar pelos holofotes e vão, com persistência e resiliência, fazendo o seu caminho. Pessoas que lutam pelas mesmas causas há muitos anos, como a igualdade de género, e que não desistem enquanto houver ainda algo a melhorar, a fazer, independentemente se “está in ou out”. Pessoas que valorizam e reinventam métodos do passado, mais sustentáveis. Pessoas que, efetivamente, melhoraram a vida de muitas outras pessoas. Acredito que são essas pessoas que serão, para sempre, recordadas por muitas outras pessoas, e tento seguir o seu exemplo.

Apesar de pertencer a uma geração de transição, oscilando entre o tempo do presente e o tempo do passado, revejo-me mais na tal persistência e resiliência, e menos no imediatismo. Para tudo, há que haver um equilíbrio. Saibamos utilizar as ferramentas que temos à nossa volta para lutar pelo que acreditamos. Sem perdermos o tempo para pensar no tempo.

bannerJoana

07
Jan19

O Mundo preocupa-me...


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

mundo

Assusta-me o rumo que o nosso Mundo tem vindo a tomar… Nos últimos anos, assisti a uma série de lutas pelo reconhecimento de direitos e igualdade. Entre elas, estão as lutas de mulheres, jovens, comunidade LGBT, etc. Porém, é com muita tristeza que observo um aumento das ameaças, das discriminações, das desigualdades, das violências...

Estamos a assistir a um fenómeno mundial. Tenho visto um forte crescimento dos fundamentalismos, da intolerância e do conservadorismo, bem como a defesa pública de posições contrárias aos direitos humanos, totalmente xenófobas, anti-igualitaristas, racistas, patriarcalistas, homofóbicas e que não aceitam os avanços da igualdade, seja no acesso aos direitos, seja nas liberdades de escolhas e expressões. Por detrás destas manifestações e discursos, constroem-se figuras públicas e políticas, como é o caso do Trump nos EUA, o Erdogan na Turquia – e passo a citar uma frase desta figura: "Uma mulher que nega ser mãe, que se recusa a cuidar da casa, é incompleta e deficiente”. Ora, isto é um absurdo total, e a mais recente figura, o Bolsonaro, acabou de chegar à presidência do Brasil.

Mas existem muitas mais figuras como estas pelo mundo fora. Com este tipo de mentalidades a comandar o Mundo, as consequências são assustadoras! O nosso Mundo caminha para o retrocesso. Passamos a ter sociedades mais limitadas nas liberdades, menos tolerantes e mais violentas com as diferenças, mais liberais no que diz respeito à defesa da violência como mecanismo de proteção e do avanço de fazer a justiça pelas próprias mãos.

É a triste realidade que enfrentamos, sociedades menos democráticas e igualitárias. A Europa, que para mim sempre foi um exemplo de defesa e de respeito na questão dos Direitos Humanos, nos últimos anos só tem demonstrado uma crise humanitária ao deportar milhares de migrantes, para já não falar nos que deixaram morrer no mar Mediterrâneo. Mas o que se passa com este Mundo?

Falamos em Direitos Humanos, direitos que nos pertencem desde que nascemos, e a igualdade deve ser prioritária no Mundo. Todo o ser humano deve ter os seus direitos! Mas será que estes malucos eleitos governantes não sabem o que são Direitos Humanos? Eu exemplifico: é ter direito à vida, habitação, alimentação, saúde, educação, ao desporto, à cultura, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito, ao acesso à justiça e à segurança pública. Estão a ver? É tão simples, todos estes direitos devem ser garantidos pelos governos.

Não podemos nem devemos aceitar que todas as conquistas alcançadas, com muita luta e com algum sangue derramado, sejam destruídas. Que mais podemos fazer para mudar as mentalidades que não ponderam sobre este assunto e que precipitam o Mundo para um caminho que poderá ser desastroso?! Como disse Martin Luther King “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Por favor, que o Mundo não se cale!

bannerCassia

Sobre nós

foto do autor

Pesquisar

Siga-nos

Iniciativas diversas

Debate "A Nutrição e as Mulheres" 05/11/2018

Todas as fotografias aqui

Tertúlia "O impacto do 25 de Abril de 1974" 28/04/2019

Todas as fotografias aqui

Passeio de Verão UMAR Madeira 14/07/2019

Todas as fotografias aqui

Semana das Artes EcoFeministas, de 15 a 19/07/2019

Todas as fotografias aqui

43º Aniversário da UMAR 13/09/2019

Todas as fotografias aqui

Tertúlias Literárias

I Passeio dos Livros nos Jardins do Lido 03/08/2018

Todas as fotografias aqui

II Passeio dos Livros no Jardim de Santa Luzia 28/09/2018

Todas as fotografias aqui

III Passeio dos Livros na sede da UMAR Madeira 10/03/2019

Todas as fotografias aqui

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D