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Feminismos é Igualdade

05
Out19

O Feminismo e o Machismo


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

6-11

Muita gente pensa que o feminismo é o contrário de machismo. Se o machismo é um modo de pensar em que os homens são superiores às mulheres e mandam nelas, o feminismo seria as mulheres a mandarem nos homens. Nos anos 60 do século passado, Maria Lamas, grande lutadora pelos direitos das mulheres (e não só), escreveu um artigo para o jornal Comércio do Funchal com o título MULHERES CONTRA HOMENS? Nesse artigo ela explicava que o feminismo era apenas uma luta pela igualdade de direitos e não para as mulheres se revoltarem contra os homens. O feminismo luta por uma sociedade equilibrada, mais justa, em que as mulheres usufruem dos direitos sociais, tal qual os homens. Somos todos humanos, vivemos no Planeta Terra e todos nós, homens e mulheres, de todas as raças, temos o direito de usufruir dos recursos naturais e civilizacionais.

Segundo uma corrente de pensamento, o machismo nasceu com a sedentarização dos povos. Deixaram a vida nómada, tinham propriedades e os homens, sendo mais fortes fisicamente, impuseram a sua autoridade. Exigiram contrato de casamento e fidelidade das mulheres para terem a certeza que as crianças que elas punham no mundo eram efectivamente seus filhos, que haviam de herdar os seus bens. O problema maior é que a mulher não escolhia marido, a família negociava o casamento, ela deixou de ter qualquer poder, se não tivesse filhos era repudiada, jogada ao abandono e o marido ia buscar outra que lhe desse herdeiros. Esta teoria percorreu milénios, foram criando regras opressoras, inventou-se doutrinas perversas e a mulher continuou a ser humilhada e maltratada. Inventou-se a Eva que pecou e por causa dela os humanos foram expulsos do paraíso e herdaram o pecado original. O antigo testamento trata as mulheres pior que os animais. O apedrejamento, defendido na bíblia e praticado pelos seus seguidores, é um castigo que nem se aplica a animais e ainda bem.

Dando um grande salto no tempo, chegámos ao século XVIII, em que na Europa surgem grandes pensadores que defenderam uma outra ordem social. Rosa Montero, escritora espanhola, afirma que o filósofo Locke, defensor da liberdade natural do homem, dizia que nem os animais nem as mulheres participavam dessa liberdade, pois tinham de estar subordinadas ao homem. Rousseau dizia que uma mulher sábia era um castigo para o esposo, para os filhos, para toda a gente. Kant afirmava que o estudo laborioso e árduas reflexões, inclusivamente quando uma mulher tinha êxito nesse aspecto, destruíam os méritos próprios do seu sexo.

Como é que podemos acreditar que pessoas inteligentes e sábias, grandes pensadores da época, acreditavam mesmo no que diziam sobre as mulheres? Em minha opinião, eles ficaram assustados quando viram que, apesar da opressão sobre as mulheres, inclusive ao nível da educação, em que as meninas das classes superiores (os pobres não iam à escola) frequentavam escolas onde apenas aprendiam a ler e algumas a escrever e pouco mais, enquanto os rapazes eram enviados para escolas mais evoluídas e para as universidades. Mesmo assim, algumas começaram a afirmar-se como escritoras e a defender os seus direitos em obras publicadas. O Feminismo começou a nascer e muitos homens sentiram que algo estava a mudar nas relações entre mulheres e homens e sentiram-se desconfortáveis.

As feministas eram apelidadas de loucas e infelizes. Sempre citando Rosa Montero, em 1908, em Espanha, o Jesuíta Alarcón escreveu num livro que “a emancipação da mulher é aberrante e que essas Euménides têm de ser encerradas em casas de correcção ou nos manicómios”. E em 1927, a revista Iris da Paz insurgia-se, dizendo que a “sociedade faria muito bem encerrando as feministas como loucas e criminosas”. E nós sabemos que muitas mulheres foram encerradas em manicómios por quererem impor a sua vontade e não seguir a vontade do pai ou do marido. Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma senhora da alta sociedade lisboeta, foi encerrada num manicómio, onde passou cerca de quatro anos. Quando lá chegou, encontrou uma ala do manicómio composta de outras mulheres como ela, no gozo das suas faculdades mentais, mas tinham cometido o pecado de não obedecerem aos maridos, aos pais ou outros homens da família.

Ainda hoje o feminismo é mal visto ao ponto de ouvirmos mulheres a dizerem: Eu defendo os direitos das mulheres, mas não sou feminista. De modo que uma das tarefas da UMAR é reabilitar o feminismo, mostrar que somos feministas porque lutamos pela igualdade de género e por um mundo justo e igualitário em direitos e deveres.

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20
Jul19

Num mundo de predadores sexuais, seja Fernanda Colombo


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO PESTANA

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Acordos prévios em primeiro lugar: o mundo em que vivemos está longe de ser perfeito, parece-me que podemos concordar com esta ideia e portanto considera-la consensual. Homem e mulher contribuem negativamente para a imperfeição mundana ou não fossemos todos parte da mesma esfera que poluí a natureza e a sociedade com a naturalidade inconsciente de quem actua sem olhar o dia de amanhã; com a imaturidade de um recém-nascido; com o desdém cúmplice de quem assiste ao genocídio dos seus descendentes mas falta-lhes a iniciativa motivadora de quem sente na pele a dor dos demais. Não pretendo vos falar de ambiente (apesar de ser um tema em que ambos, homens e mulheres, mereceriam uns tabefes bem aplicados pois todos, somos desprezíveis nesta matéria), mas sim de comportamentos positivos que diferenciam os “justos” dos “pecadores”.

Fernanda Colombo, a jornalista e árbitra de futebol que no último mês se notabilizou por proporcionar uma cena engraçada num jogo em que arbitrou, foi mais uma vítima do poder da testosterona que vem dominando o mundo desde o inicio do patriarcado e cuja aplicação é absolutamente generalizada a todas as áreas da sociedade. Após o vídeo em que brincou com um jogador de futebol se ter tornado viral na internet, Fernanda Colombo recebeu uma proposta sexual desprezível via e-mail e na qual lhe propunham encontrar-se com "clientes" por um "cachê mínimo de 7 mil”, reais, presumo. O autor do e-mail, um rapaz de boas famílias, presumo também, adianta que não se trata de prostituição (tratemos as coisas pelos nomes próprios) mas sim de uma “coisa” sem compromisso e cujos seus “clientes” são tipos novos, educados, respeitosos e inteligentes que apenas não têm tempo para socializar e que precisamente por esse facto a procuravam. Bem, se a questão é socializar, eu tenho uma série de amigos que não se importava de tomar umas cervejas e socializar com um tipo que nunca vimos na vida e se ainda receberemos 7 mil reais ou euros tanto melhor. Fica desde aqui a contraproposta do convite. Parece-me que, tal como o mundo à nossa volta aprendeu a designar as coisas e coisinhas com eufemismos, os predadores sexuais também o fizeram, consideremo-lo evolução. Não podemos considerar prostituição porque é apenas para socializar e também não podemos considera-los predadores porque são indivíduos simpáticos e inteligentes que apenas têm problemas no que respeita à socialização. O famigerado professor Taveira também não aliciou alunas e Bill Clinton continua a manter a palavra inicial sobre Monica Lewinsky: “I did not have sex with that woman”.

Fugindo ao tom irónico (parece-me cada vez mais frequente, já não consigo levar estas coisas a sério) deixo os parabéns a Fernanda Colombo pela coragem em denunciar a proposta que recebeu. O poder corrompe e corrompe sexualmente se for necessário. Fernanda Colombo bateu o pé e bem. Quantas outras mulheres já receberam propostas indecentes e calaram-se? Quantas mulheres foram assediadas e pressionadas sexualmente para poderem progredir nas carreiras? Enfim, perguntas que ficam na consciência de cada uma de vós e que pelo menos para vós próprias possam dizer “eu já!” ou “eu nunca, mas conheço quem já tenha passado por isso.”

Batam o pé. Não é não!

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22
Fev19

Fazer Acontecer


umarmadeira

ARTIGO DE MADALENA SACRAMENTO NUNES

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Já alguma vez experimentaram dar a vossa opinião numa reunião ou conversa e ninguém parecer ligar? Já se deram conta de que, passado pouco tempo, ouvem alguém a repetir o que vocês disseram, como se a ideia tivesse partido de si e não de vocês, sendo então essa ideia altamente aplaudida? Grrrrrr!!!!!

Já alguma vez se deram conta de que quando estão a expor um conceito ou ideia, outra pessoa vos interrompe, afirmando que explicam melhor, voltando a dissertar sobre o que vocês tinham estado a comunicar e retirando-vos o uso da palavra? Buuuffffff!!! Grrrrrrrr!!!

Já alguma vez experimentaram estar a falar e serem constantemente interrompidas ou interrompidos, sentindo que são sistematicamente ignoradas ou ignorados? Arre!!!! Buuufffff!!! Grrrrrr!!!!!

Já alguma vez saíram de uma reunião, com um sentimento de frustração monumental, sentindo que se estivessem num filme de desenhos animados as vossas orelhas deveriam estar a emitir um fumo explosivo e uns sons estridentes, tipo apito de um comboio? Humpffff!!! @#$#@$%$#!!!

Já alguma vez tiveram vontade de esbofetear alguém no fim de uma reunião ou de um grupo de conversa, mesmo que vocês se considerem pessoas do bem? 💣 💣 💣 ☠ ☠ ☠ 💣 💣 💣!!!!

Bem-vindos e bem-vindas ao mundo diário das pessoas mais tímidas, mas maioritariamente, ao mundo das mulheres. Sei como se sentem. Espero que também vocês percebam como eu me encontro muitas vezes… Se acham que isto vos acontece com alguma regularidade, não desistam de intervir e vejam algumas formas que podem ajudar a ultrapassar estas situações:

- Se forem vocês a conduzir uma reunião, não aceitem que as pessoas sejam interrompidas quando estão a usar da palavra;

- Se estão a usar da palavra e alguém decidir meter a colher, não o permitam. Continuem a falar, falem mais alto, ou interrompam e digam que poderão intervir quando vocês tiverem acabado;

- Preparem as vossas intervenções, evitando usar pausas longas. Alguém vai logo interromper, de certeza. Não lhes dêem essa oportunidade;

- Usem um tom de voz confiante, seguro e audível. Se for preciso treinem em casa, ou gravem com o telemóvel a vossa intervenção de preparação e… critiquem-se sem piedade, tentando perceber como podem melhorar a vossa exposição;

- Se tiverem pessoas na reunião que se sentem também ignoradas, ultrapassadas e forçadas a ouvir os outros, sendo-lhes retirada visibilidade, montem uma estratégia de solidariedade, como as mulheres na Casa Branca de Obama usaram – amplifiquem o que foi dito por um ou uma de vocês. Isto é: combinem antes que, quando alguma das pessoas do vosso grupo apresentar uma ideia, a outra pessoa a usar da palavra reforça o que foi dito, mencionando o nome do autor ou da autora da ideia;

- Não aceitem, de modo nenhum, ser interrompidas ou interrompidos. Façam-no com educação e algum humor, se conseguirem. Caso não consigam, deixem-se de pruridos, usem a assertividade e deem um “Chega p’ra lá!”

- Se queremos que a mudança aconteça, temos de fazer por isso. Tomem consciência da descriminação de que se sentem vítimas e pensem que deve haver outras pessoas a sentir o mesmo. Conversem, troquem ideias, mas não se fiquem pelos lamentos.

Arranjem aliadas e aliados. Façam diminuir a desigualdade e a descriminação todos os dias, em todos os pequenos e grandes momentos.

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17
Out18

Muito do trabalho que temos...


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Tenho ouvido falar, nos últimos anos, meses e semanas, em várias estatísticas: diminuição do desemprego, diminuição da precariedade, aumentos salariais e até de melhoria das condições de vida. Mas a realidade parece-me bem diferente.

Se é verdade que o desemprego tem diminuído segundo os números tornados públicos no País e na Região, constato, por outro lado, empresas a encerrarem, outras a irem para a insolvência, entidades patronais públicas e privadas a negociarem rescisões de contratos de trabalhadoras/es. Daí o peso dos contratos permanentes terem vindo a diminuir e o aumento e peso dos vínculos menos estáveis, onde direitos conquistados com muitas lutas e sacrifícios estão a ser atirados borda fora. O que prova também que, ao contrário do que é dito, a diminuição da precariedade não é real e o seu flagelo tem vindo a aumentar, com contratos a prazo e falsos recibos verdes, trabalho a parte time, à hora etc. O que constato é que o mercado de trabalho está cada vez mais com requintes de precariedade, com o trabalho das empresas prestadoras de serviços e de aluguer de mão - de – obra.

As características ligadas ao crescimento dos contratos a prazo é assustador, enquanto os contratos permanentes veem a diminuir drasticamente, tanto para mulheres como para homens, o que faz com que vão perdendo os direitos que foram conquistados com muito trabalho e persistência e por esta via qualquer dia só termos apenas deveres.

Outra forma de precariedade são os/as trabalhadores /as por conta própria, porque a instabilidade promove a insegurança e põe em causa a vida pessoal e familiar.

Por outro lado, os salários praticados são baixos e a média salarial de quem trabalha atravessa uma crise aguda, com a destruição dos empregos efetivos, os empregos existentes são substituídos por outros com vínculos mais frágeis, com diferenças salariais que atingem até 40% menos e a rotatividade do mercado e o risco do contrato terminar é angustiante, dum modo particular para as mulheres. É um facto que, em Portugal, as mulheres ganham menos do que os homens por trabalho igual e de valor igual que executam, em especial se compararmos os ganhos mensais, significa que a desigualdade atinge 18% menos do que recebem os homens, fazendo elas o mesmo trabalho, traduzindo-se a diferença em 79 dias de trabalho no ano sem ser remunerado feito pelas mulheres.

A desigualdade ainda é mais elevada quando comparados com os ganhos médios dos quadros superiores. A discriminação está na base desta situação. As atividades profissionais que as mulheres desempenham, habitualmente associadas a baixos salários, quer no acesso e ascensão da carreira, discriminação com origem em estereótipos de diversa ordem, usados pelos patrões e sujeita a maior exploração.

O falso trabalho independente, outra realidade que afecta muitas mulheres. Uma geração com maior índice de escolaridade e elevadas qualificações académicas, na sua maioria mulheres, no entanto, muitas estão desempregadas, outras forçadas a imigrar, ou empregadas mas que sofrem fortes discriminações.

A precariedade potencia situações de assédio, tortura psicológica no trabalho e repressão de intimidade, promovendo a insegurança  e angústia e condicionando a liberdade e o direito de organização de vida pessoal e familiar.

Por outro lado, a subvalorização das competências e qualificação das mulheres, bem como as discriminações indiretas, refletem-se nas redistribuições baixas ao longo da vida, em prestações de proteção social, pensões de reforma inferiores e num grave risco de pobreza.

Somos um dos Paises onde se trabalha mais horas por semana e a percentagem de mulheres a trabalharem a tempo parcial é muito elevada, fenómeno que há meia dúzia existia, mas em muito baixa percentagem. Por isso, não podemos cruzar os braços, temos de continuar a luta pela igualdade de género e para que os direitos conquistados não sejam mais espezinhados.

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21
Set18

Sexismo: aqui, ali e acolá


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO PESTANA

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A final do US Open feminino do passado dia 09 de Setembro ficou marcada por duas questões memoráveis: a primeira foi a vitória histórica da jovem nipónica Naomi Osaka; a segunda, bem mais relevante para este artigo, foram os acontecimentos dentro do campo que se fizeram repercutir pelo mundo do ténis e não só, e que são, infelizmente, tema de debate aceso das últimas semanas.

O encontro ficou manchado por uma discussão acesa entre Serena e o árbitro português, Carlos Ramos, que penalizou a norte-americana por indicações recebidas por parte do treinador; esta penalização levou a atleta a partir a raquete e a ter uma discussão acesa com o fiscal da partida invocando sexismo por parte do mesmo pois, a seu entender, o mesmo não teria acontecido a um atleta masculino. Ora, eu confesso que não sei se a Serena Williams tem razões para a acusação ou se foi uma atitude de mau perdedor mas o que eu sei, e tenho a certeza do que vou afirmar, é que o sexismo é um problema real e presente no desporto, na vida académica bem como no mundo empresarial.

Infelizmente a mulher continua a ser alvo de discriminação de género, ora porque aos olhos da banalidade e da ignorância são consideradas incapazes de desempenhar determinadas tarefas, ora porque aos olhos da sociedade é esperado que a mulher tenha um determinado tipo de comportamento e acredito que não deve haver nada mais difícil do que uma mulher querer ser simplesmente tratada ao nível de um qualquer homem e não o ser! Eu que sou determinado e não acredito em fatalismos ou determinismos fico apreensivo perante estes cenários que na verdade não abrem muitas portas no que respeita à igualdade de género. Nas empresas é esperado que a mulher tenha um alto desempenho, que receba (em média) menos do que um homem e que se silencie perante determinados casos de assédio, e refira-se que o mais pequeno piropo é também assédio e não uma mera piadinha para a malta se rir um bocado.

Na política continua a ser difícil atingir a paridade absoluta das listas eleitorais porque a maioria dos homens não pretende abdicar dos seus cargos , ou, numa outra vertente a própria população apresenta alguma resistência em votar numa mulher em detrimento de um homem. Longo é ainda o caminho a percorrer nesta vertente. No desporto, é esperado que a mulher tenha um determinado tipo de comportamento, nomeadamente que aceite todas as decisões da arbitragem sem que com isso tenha o direito de as contestar, quiçá esse seja o papel do homo sapiens; recordo-me de John McEnroe (o eterno bad boy do ténis) e das suas birras constantes no campo com árbitros e outros atletas mas no geral provocada risada do público e não as críticas que recebeu Serena Williams. Mas enfim, são estes facilitismos que tem o meu género, era um bad boy e não uma tipa qualquer que tem de dar o exemplo e não pode ceder às emoções.

Atenção - Muita Atenção, não pretendo, nem por um segundo, defender e desculpabilizar as atitudes em campo da estadunidense, um mau perder é sempre um mau perder e a raiva incontrolável no desporto é sempre condenável quer seja por parte de um homem ou de uma mulher e isto é igualdade de género.

 

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09
Ago18

Passar das Palavras aos Actos


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Continuamos a assistir diariamente a várias tentativas, no País e na Região, da vulgarização e aceitação de expressões de violência contra as mulheres, no trabalho e na vida.

As mulheres continuam a ser a maioria dos/as desempregados/as, sendo a precariedade uma constante, sobretudo entre as mais jovens e pratica-se uma pobreza salarial, dado que cada vez mais se empobrece a trabalhar e são as mulheres que auferem maioritariamente o salário mínimo e, mais tarde, vão auferir de baixas pensões de reforma.

Como se não bastasse, continuam as discriminações salariais, a desvalorização das actividades profissionais e das qualificações das mulheres, existe pressão, intimidação e diversas formas de assédio no trabalho.

Temos, até, acórdãos impregnados de preconceitos e estereótipos que tendem a reduzir a mulher a um papel subalterno e a desvalorização do drama da violência doméstica.

O combate à violência contra as mulheres passa também por promover a sua emancipação e igualdade no trabalho e na vida.

Se a independência económica das mulheres é a sua melhor protecção contra as várias formas de injustiças, lutar pela valorização do trabalho de mulheres e homens, significa exigir a quem de direito medidas e acções políticas concretas de combate às causas e origens da violência.

 Temos de agir todos os dias, quer seja no trabalho, na sociedade ou na família, para que a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres seja uma realidade nas nossas vidas.

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