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Feminismos é Igualdade

29
Jul19

A importância da emancipação económica da Mulher


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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A mulher não quer continuar a ser tratada como ser menor. Constato com mágoa que, embora hoje haja mais mulheres a trabalharem, tanto no sector privado como no público, a sua emancipação económica não está protegida, no século XXI, assim como não era no XIX. Com o avanço da técnica e da ciência as coisas estão a retroceder e é uma angústia para muitas Mulheres. A fragilidade da sua condição de trabalho não é nada agradável, porque direitos alcançados têm vindo a ser esmagados.

Assistimos a lutas de trabalhadores/as, de vários sectores de actividades, a sua maioria mulheres, e são elas que mais reivindicam, por isso não é fácil compreender que, nos quadros superiores, a remuneração base e o ganho médio da mulher chegue a ser, em média, inferior em 40% à do homem para o mesmo nível de qualificação, e continuar a haver discriminação com base no género.

Defendo que a luta pela dignidade dos seres humanos tem de ser uma luta permanente, uma luta de todos os dias, face à desvalorização a que a globalização e a exploração sujeitam, em particular, as Mulheres que são mais exploradas e onde os valores humanos são mais ignorados. É visível que as Mulheres têm tido um papel importante na criação da riqueza e no desenvolvimento da região mas, lamentavelmente, é vítima de diversos tipos de discriminação. As actividades profissionais que habitualmente desempenham, normalmente, estão associadas aos baixos salários, quer no acesso e ascensão da carreira e, ainda, de discriminações com origem em estereótipos de diversa ordem que são usados pelos patrões para as sujeitar a uma maior exploração. Porque além de terem salários mais baixos, ocupam com maior frequência postos de trabalho em que recebem apenas o salário mínimo. Muitas vezes, as suas competências e qualificações são desvalorizadas, e as discriminações indirectas reflectem-se numa retribuição mais baixa ao longo da vida, em prestações de protecção social e pensões de reforma inferiores e em grave risco de pobreza, contribuindo para um acentuar das desigualdades e degradação das suas condições de vida e das suas famílias.

Ao longo dos últimos anos, ouviram-se muitas promessas sobre o combate à precariedade que promovia a insegurança, que era a antecâmara do desemprego e que punha em causa a articulação com a vida pessoal e familiar. Mas, na realidade, pouco ou nada mudou, isto porque o trabalho clandestino e não declarado, onde se enquadra, muitas vezes, o trabalho doméstico e o falso trabalho independente (falsos recibos verdes) continua a existir e afectar mais as Mulheres.

Por outro lado, diz-se, e é verdade, que o índice de escolaridade e as elevadas qualificações académicas das mulheres é superior à dos homens. No entanto, muitas delas estão empregadas mas sofrem fortes discriminações no emprego e na profissão. A instabilidade e a precariedade dos vínculos laborais a que estão sujeitas provoca maior risco de pobreza e é mais elevado entre as que têm contratos não permanentes. Sou abordada várias vezes por mulheres que me confidenciam ser cada vez mais generalizada a precariedade laboral e que é potenciadora de situações de assédio, tortura psicológica no trabalho, de repressão e intimidação, a insegurança, a angústia, condicionando a sua liberdade e o direito de organizarem a sua vida pessoal e familiar, além das consequências negativas na sua saúde.

Também se ouve muito falar do envelhecimento da população e da baixa da natalidade mas quem nos governa ainda não entendeu que sem a alteração das políticas de emprego e de rendimentos e sem melhores condições de vida e de trabalho e protecção social adequada, assim como, respeito pelos direitos de maternidade e paternidade tanto nas empresas como nos serviços, não é possível inverter a espiral do envelhecimento da população.

Eu, que desde muito jovem sempre lutei pela minha emancipação económica, defendo que a segurança no trabalho, salário justo e o respeito e cumprimento dos direitos das Mulheres e a conciliação da vida familiar e profissional têm uma influência determinante na natalidade, porque constituem o principal meio de subsistência das famílias. Assiste-se, lamentavelmente, a um quadro de desequilíbrio de poder na relação laboral, a favor das entidades patronais, as sucessivas alterações laborais, o aumento dos vínculos precários, a intensificação dos ritmos de trabalho e a acelerada redução dos vínculos de trabalho efectivo, aumentam as situações de intimidação, repressão e perseguição às trabalhadoras. Muito se ouve nos dias de hoje da falta de condições de trabalho de ordem diversa (materiais, condições físicas, escassez de pessoal, etc.) aliada à precariedade e a longos horários de trabalho, para além de ser potenciadoras do aumento de lesões e de situações de exaustão física e psicológica. Tudo o que as Mulheres conseguiram ao longo dos séculos ficou-se a dever à luta que foram imprimindo às suas justas reivindicações. Por isso, temos de continuar a lutar para que os nossos direitos que estão inscritos na lei tenham aplicação nas nossas vidas.

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04
Fev19

Dignidade para quem trabalha!


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

corticeira

A emancipação económica das Mulheres nem sempre foi muito bem vista. Muitas, mesmo contra ventos e marés, lutaram e conseguiram. Foi uma grande alegria o seu sonho ter-se tornado realidade. Com o seu trabalho, passam a ser independentes dos seus familiares, mas os trabalhos conseguidos eram mal pagos e com poucos direitos porque, para o capital, o seu objectivo é obter o máximo de lucro. Exploram quem tem apenas a sua força de trabalho para vender.

Foram travadas várias lutas e, aos poucos, foram conseguidos importantes direitos para quem trabalhava. Hoje é visível que, ao longo dos tempos, alguns se têm vindo a perder porque não foram cuidados e regados por quem devia fazê-lo, pois pensavam que os mesmos estavam de pedra e cal. Constata-se que há muitas Mulheres confrontadas nos seus locais de trabalho com dificuldades várias. Os seus direitos não são respeitados, fazendo com que a Igualdade de Género esteja cada vez mais longe de ser uma realidade nas suas vidas.

Quem detém o poder de forma maquiavélica vai colocando pedras na engrenagem. É justo que, para trabalho de valor igual, o salário entre Mulheres e Homens seja igual, porém há uma diferença de 15% menos para Mulheres. Fomos confrontadas com uma estatística que refere que para haver igualdade salarial ainda serão necessários duzentos e poucos anos. Tentam mentalizar as Mulheres, que são a maioria da população, que o objectivo nunca será alcançado, mas como se isso já não fosse um pesadelo, nos últimos meses, temos sido alertadas com várias notícias que estão a ter grandes repercussões na vida de muitas Mulheres trabalhadoras, com o objectivo de ainda as fragilizar mais com o assédio moral em vários locais de trabalho.

Ouvi a trabalhadora de uma empresa de comércio de bebidas e produtos alimentares dizer que tinha contrato de repositora e teve a infelicidade de cometer um erro. Na sequência do mesmo, foram-lhe dirigidas expressões pelo Chefe, tais como: vais fazer as malas e pores-te a andar; podeis fazer as malas; estás despedida, não te quero aqui; não prestas. A trabalhadora ficou muito nervosa e os colegas foram prestar-lhe assistência mas foram impedidos de o fazer. Queriam, apenas, dar-lhe um copo de água. O comportamento do superior hierárquico foi de uma violência enorme. As expressões são fortes e lesivas da sua dignidade. De repositora, mediante contrato, foi obrigada a prestar funções em armazém, passando a estar sujeita a comportamentos agressivos que lhe eram dirigidos, quer pelo chefe do armazém, quer pelo gerente, designadamente gritos, ameaças e perseguições, num ambiente hostil e intimidativo. Tudo isto causou ansiedade, perda de confiança e a maior consequência: um estado depressivo grave.

Ora, o assédio é um comportamento indesejado, baseado em factor de discriminação, praticado aquando o acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objectivo ou efeito perturbar ou constranger a pessoa, afectar a sua dignidade, ou lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador. Este gerente que impediu os colegas de darem um copo de água à colega, quando esta se encontrava nervosa, não satisfeito, ainda deu um soco na mesa, criando um ambiente intimidativo e hostil.

A lei hoje é clara, quanto ao dever do empregador, de instaurar procedimento disciplinar sempre que tiver conhecimento de alegadas situações de assédio no trabalho, mas a verdade é que continuam a acontecer casos destes em várias empresas, porque as leis não são cumpridas. Estas empresas devem ser denunciadas. Os chefes e Gerentes que têm estes comportamentos devem ser punidos e as trabalhadoras têm de exigir que os seus direitos sejam respeitados. Só assim a dignidade de quem trabalha pode ser reposta.

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