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Feminismos é Igualdade

29
Jun20

Como está o Mundo?


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Nas últimas semanas, tenho observado e pensado bastante. O mundo continua a lutar contra a pandemia COVID-19 e se adaptando aos novos dias que virão.

Não consigo deixar de observar as muitas pessoas que tentam ajudar outras. Muito rapidamente vem-me à cabeça os profissionais de saúde que, mesmo exercendo a sua profissão, não deixaram de doar o seu tempo livre para estar na linha da frente e estender a mão a quem mais precisava. Vi pessoas a ajudarem-se umas às outras e tive pessoas que me ajudaram quando temi pela privação da minha liberdade. Vi outras tantas contribuírem com dinheiro para ajudar as mais afetadas pela pandemia e outras mudaram as suas vidas para limitar que o vírus se alastrasse, mesmo que essas mudanças tenham sido inconvenientes para elas mesmas. Por alguns momentos, os Direitos Humanos vieram ao de cima e a pandemia, para muitas pessoas, trouxe o melhor.

Por outro lado, observo e sinto o egoísmo crescer, a pouca empatia que existe desvanecer…. Vejo vários exemplos de pessoas que não parecem estar a contribuir para o bem comum, recusando-se a usar máscaras e até tornando-se violentas quando lhes é pedido para a colocarem. Pessoas que agem como se estivesse tudo bem e nem fazem um esforço para manter o distanciamento, e outras que insistem em não perceber que o mundo, quer queiramos ou não, mudou! E nós temos que mudar também.

É confuso, não conseguir entender o porquê das pessoas se recusarem a fazer, cada uma, a sua parte. Acho que o ser humano, quando nasce, vem com chip e é programado para satisfazer primeiro as suas necessidades e desejos. Mas não podemos continuar a viver numa sociedade egoísta. As pessoas não podem fazer o que quiserem sem ter consideração pelas outras. Uma vida civilizada exige que todas as pessoas considerem os seus interesses e o bem estar uns dos outros.

Não é fácil chamar à razão alguém, dizendo que o correto é o ser humano se preocupar mais com os outros. Obviamente que, para isso acontecer, esse alguém teria que estar ciente e sensível para se colocar no lugar do outro. O problema é que, se já havia falta de empatia, agora noto, ainda mais, pessoas com falta de capacidade de reconhecer, entender, compartilhar os pensamentos e os sentimentos. Existem, cada vez mais, pessoas indiferentes aos problemas dos outros, com pouca compaixão, não dando uma palavra amiga, sendo cada vez mais egoístas com o seu o ego lá em cima e para quem só importa o seu próprio umbigo.

O mundo mais parece uma luta de Wrestling - solidariedade vs egoísmo. Por um lado, a disposição para ajudar os mais próximos, por outro, o Eu em primeiro lugar. Dá que pensar… são duas caraterísticas bem opostas do ser humano.

Assusta-me pensar num mundo povoado por pessoas assim… Se a maioria não aprendeu nada com o que se passou nos últimos meses, como será o futuro? Será que não conseguem realmente entender que estamos todas e todos juntas/aos nisto?

Afinal como está o Mundo?

bannerCassianovo

 

22
Jun19

Empatia: Um mundo melhor depende de si


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

empatia

Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa, caso estivéssemos na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outra pessoa. Por vezes, sentimos empatia sem sequer sabermos o que isso significa. Mas, nos dias de hoje, com a proliferação da comunicação virtual e distante nas redes sociais, em vez da comunicação presencial “olhos nos olhos”, numa sociedade cada vez mais individualista e competitiva, a empatia começa a rarear. E o que acontece sem empatia? Proliferam a intolerância, o bullying, todos os tipos de violência.

Quando não gastamos nem um segundo para imaginar como a outra pessoa se sente, de onde vem, o contexto onde está inserida e o que passou, sem se lembrar que cada pessoa tem a sua história de vida, e sem tentar perceber como é estar na pele da outra pessoa, surgem as discussões acaloradas (e que normalmente não levam a lado nenhum) nas redes sociais, surge o fim de relacionamentos (familiares, amizades, etc), os crimes de ódio, a violência de género. Sem empatia, é impossível perceber que, em muitas situações, não existe uma verdade absoluta. Existem verdades, que dependem do ponto de vista de cada pessoa. No entanto, existem valores transversais a qualquer verdade. E esses são os direitos humanos (https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos).

Existem inúmeros exemplos de falta de empatia, e os estereótipos e preconceitos resumem isso mesmo. Quando alguém diz que uma mulher “pôs-se a jeito” para ser violada porque usou uma “saia curta”. Quando alguém não se coloca no lugar de um(a) jovem, para tentar perceber de onde veio e porque exibe determinados comportamentos, e toca a rotulá-lo(a) de incompetente. Quando se culpabiliza quem sai fora dos padrões, dizendo que só é gordo(a) quem quer e quem é desleixado(a). Quando se diz à boca cheia que não existem padrões para as mulheres, que a beleza é diversificada e, mal viram as costas, toca a criticar quem não se encaixa nesses padrões – ou porque é muito magra, ou muito gorda, ou a roupa não lhe fica bem, ou devia ter o cabelo assim ou assado, etc. Quando se encaixam rótulos ridículos em mulheres por serem louras, por terem tatuagens, por se vestirem de forma diferente, por terem uma personalidade diferente, por amarem mulheres, por não gostarem das coisas que a maioria das mulheres “deveria” gostar. Quando se diz que uma mulher tirou o homem do sério, por isso quase que “mereceu” ser vítima de violência. Quando se diz que os(as) refugiados(as) vêm “roubar” os nossos postos de trabalho e dinheiro, e ainda que são “terroristas”. Quando se alcunha os(as) desempregados(as) de “vadios(as)”, sem tentar perceber a história individual de cada pessoa. Quando não se percebe que a outra pessoa não pode, nem vai sempre fazer todas as nossas vontades e agir sempre daquela maneira que desejamos – a minha liberdade termina quando começa a do(a) outro(a). Quando se dá mais valor ao seguidismo do que à liberdade de pensamento.

Sem empatia, tornamo-nos egoístas e caímos no julgamento superficial e errado sobre as pessoas. Sem empatia, não é possível sentir compaixão. Sem empatia, proliferam os estereótipos e a hipocrisia. A falta de empatia é também responsável pelos danos que temos causado no nosso planeta. Não é, nem deve ser, apenas direcionada para a espécie humana.

Muitas décadas de abuso e ignorância, em relação à Natureza, trouxeram-nos a este século, onde o futuro da Humanidade está em cheque. Perante tudo isto, vamos continuar a tirar selfies com “sorrisos colgate”, a publicar “postas de pescada” nas redes sociais, e a ignorar o que se passa no mundo? A seguir modas e heróis/heroínas, em vez de fazer mudanças reais e permanentes no nosso estilo de vida? Vamos continuar a competir por bens materiais supérfluos, a tomar decisões sem ter em conta um todo, a mentir descaradamente quanto à falta de direitos humanos essenciais – como a saúde – sem assumir os erros e agir para corrigi-los? Vamos continuar a tapar o sol com uma peneira, a ver se passa por si só? É demasiado tarde para isso. A empatia é tramada. Trabalhar a empatia custa muito, dói cá dentro. Rebenta com o ego. Mas sem empatia, estamos a nos tornar uma espécie mais insensível, superficial e imediatista. Vamos acordar enquanto é tempo? Vamos praticar a empatia “à séria” e transformar o nosso bocadinho de Terra num lugar melhor? Bora lá.

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