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Feminismos é Igualdade

06
Jul20

Zig Zag


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

imagemartigo

A RTP decidiu retirar – entretanto, depois de fazerem nova dobragem, já o repôs – um programa da sua grelha. Quando vi a notícia especulei qual teria sido o excluído: o meu primeiro pensamento apontou para a transmissão de touradas. Fez-me todo o sentido deixar de passar, em sinal aberto, uma actividade que consiste em torturar um ser vivo a sangue frio para deleite dos seus “aficionados”. Também me ocorreu o Prós e Contras, por considerar estar em queda livre há imenso tempo. Qualquer dia, ainda dedicam um episódio para debater o racismo com um painel, quase todo ele, composto por caucasianos. Quer dizer, tarde demais, já aconteceu.

Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, desde que não me tirassem o galanteador piscar de olho do José Rodrigues dos Santos, o nosso Dan Brown, estava pronto para qualquer hecatombe.

Abri a notícia e li que se tratava de uma série chamada Destemidas. As queixas ao provedor do telespectador e a revolta nas redes sociais tinham sido imediatas à sua exibição. Queixavam-se de “doutrinação ao socialismo, apologia ao Marxismo ou à identidade de género”.  A indignação era tal que senti que se tratava de algo perigosíssimo. Vi que a série está incluída no Zig Zag, que é o espaço de programação infantil do canal público. Confesso que estranhei, mas podia ser um Cavalo de Troia. Ou, neste caso, de Moscovo. A sinopse descreve o programa como “Histórias de mulheres excecionais, ousadas e decididas que fizeram o que quiseram e lutaram pelos seus sonhos. Mulheres de ideais, épocas, idades e mundos muito distintos, que foram capazes de ir para além das convenções e preconceitos sociais e triunfaram perante as adversidades. Cientistas, atrizes ou ativistas que desejaram ser independentes, viajar, ser úteis, estudar, trabalhar, chegar ao poder de um país, ou simplesmente... salvar um farol!”.

Fiquei confuso, não consegui identificar vestígios soviéticos, pelo contrário, pareceu-me muito interessante e empoderador um programa infantil que destacava a luta e coragem de mulheres pela luta de direitos humanos. Isto, em épocas da nossa história em que ser mulher era sinónimo de ter menos direitos. Não quis acreditar que se tratava de enviesamento ideológico e, como tal, avancei para a visualização do episódio. Senti a adrenalina de estar prestes a ver algo extremamente transgressor. Por precaução, optei por fechar a janela e a porta pois tenho um vizinho saudosista do Estado Novo e, apesar de ser uma terra belíssima, não me convinha muito ir agora para Peniche.

O vídeo começa com uma música, temi que fosse a Internacional Socialista, mas não. Falso alarme. O alegado episódio prevaricador é o número 19, que se foca na vida da activista francesa pelos direitos das mulheres, Thérèse Clerc. No fim, percebi os três motivos que chatearam tanta gente: ela ser a favor do aborto, beijar outra mulher e a referência à importância de Karl Marx na sua vida. O programa é destinado a um público-alvo dos 10 aos 13 anos. Não tenho estudos suficientes para afirmar com toda a confiança do mundo que seja a idade ideal para se falar de aborto, contudo, acredito na importância da educação sexual nas escolas. E, quando digo escolas, não falo em infantários, mas talvez seja bem necessária no ensino anterior às Universidades Seniores. O beijo entre duas mulheres gerou polémica, não por homofobia – dizem – mas por quererem ser os pais a apresentar a homossexualidade às suas crianças, em vez de o descobrirem através de um televisor. Bem, a não ser que os filhos vivam, como a personagem de Sandra Bullock, no filme Bird Box, de olhos vendados o tempo todo, lamento ser o mensageiro do apocalipse, porém, acredito que seja apenas uma questão de tempo até verem um casal homossexual a beijar-se na rua. Quanto a Marx, para uma criança, é apenas o cão da série juvenil que acreditam ser um descabido live action da Patrulha Pata. No final do episódio, caso as crianças não se tenham distraído no TikTok durante o mesmo, na pior das hipóteses, vão apenas perceber alguns dos pontos da nossa constituição, tais como ser crime discriminar pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo, orientação sexual ou identidade de género. Bem, pelo menos ainda não associaram o facto de o Bob, o Construtor utilizar nas suas obras ferramentas como foices e martelos como uma mensagem secreta para os jovens Illuminati.

bannerPaulo1

 

09
Set19

Democracia e identidade de género


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

raquel

Perante o hábito enraizado, no nosso país, de assistir à publicação de leis que não saem do papel, eis que, de repente, quando são criados mecanismos que permitem operacionalizar uma dessas leis, a sociedade entra em sobressalto. É muito confortável mostrar orgulho por viver um país como o nosso em que, a igualdade está consignada na lei, difícil é aplicar essa igualdade quando a tradição e os preconceitos a ela se sobrepõem, deixando a nu a solidão de todas e todos aqueles que não se encaixam no desenho que a sociedade desenhou para eles.

No início de um novo ano lectivo impõe-se refletir sobre o tipo de sociedade que queremos para o futuro. Queremos uma sociedade em que os nossos jovens e crianças se sintam seguros e felizes, com pleno direito ao respeito pela sua identidade ou queremos uma sociedade em que essa identidade tenha de andar escondida e de braço dado com o medo, exposta constantemente ao bullying e a todos os tipos de violência.

A publicação do Despacho n.º 7247/2019, de 16 de agosto, que veio estabelecer medidas concretas sobre o Decreto-lei n.º 38/2018, de 7 de agosto lançou uma discussão em alguns sectores que nos deve causar alguma preocupação. Salvaguardando opiniões legítimas sobre a sua aplicação, são as posições relacionadas com o seu próprio conteúdo as que me causam mais preocupação. Esta ideia de que a fragilidade tem de se adaptar à força dominante, de que aqueles e aquelas que carregam na maior das solidões a dor e o medo da violência têm de continuar invisíveis, para que os outros continuem confortáveis no status quo, é de uma crueldade sem limites e revela uma incapacidade, de se colocar no lugar do outro. Isto sim é um flagelo que não podemos deixar alastrar.

O respeito pela Identidade de Género não é radicalismo como alguns pretendem fazer crer, mas sim uma luta pelos direitos fundamentais de toda a humanidade em relação à qual ninguém tem o direito de ficar indiferente. Infelizmente, ainda é necessário derrubar muitas paredes e uma escola verdadeiramente inclusiva é sem dúvida o melhor sítio para fazê-lo, garantindo ambientes seguros e ensinando a empatia e o respeito pela diferença que existe em cada um de nós. Mas, para este trabalho, todas as mãos são poucas e para avançarmos é preciso encontrar eco em todos os setores da sociedade.

A Democracia só será plena quando aquilo que cada cidadã e cada cidadão têm de mais sagrado - a sua identidade - for respeitado.

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