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Feminismos é Igualdade

23
Dez19

Vamos abrir as portas e janelas para a Igualdade entrar


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Vivemos um ano muito rico em termos da igualdade de género. Muitas instituições, associações, escolas, partidos, e pessoas individualmente, têm demonstrado um interesse maior sobre esta questão tão vital para conseguirmos um mundo mais justo e equilibrado a todos os níveis.

Quando falamos em igualdade, estamos a falar de direitos humanos. Estamos a dizer que, todas as pessoas, independentemente do seu sexo, orientação sexual, credo religioso, partido político, filiação sindical, gosto musical ou teatral, têm direitos iguais.

Há, no entanto, quem ainda pense que isto de direitos iguais, tem muito que se lhe diga, pois o homem é mais forte fisicamente e, logo, há profissões que são "só" deles. Que a mulher é mais frágil e sensível, e há profissões que são "só" delas. Aqui justifica-se muita da discriminação salarial que continua a existir, colocando a maioria das mulheres a ocupar os lugares mais baixos da hierarquia do trabalho. Já não é apenas “a trabalho igual, salário igual”, mas outra coisa discriminatória fundamentada na força física.

Cada vez mais mulheres desmentem esta teoria quando já são motoristas de pesados, pilotam aviões, gerem grandes empesas, são trabalhadoras da estiva, são prémios Nobel nas ciências e nas artes, na literatura, etc, etc,…e ainda continuam a gerar os filhos nos seus ventres, que são os continuadores da humanidade enquanto a terra resistir e existir.

A luta para que o Feminismo seja encarado como o direito a ser igual ainda não é entendida assim. Continuam a existir pessoas que dizem que as mulheres querem ser as dominadoras do mundo, ocupando o lugar que os homens ocupam há séculos. A história ensina-nos que nem sempre foi assim, mas, independentemente dos dados históricos, o que interessa é entender que a nossa luta é para que não sejamos tratadas como seres inferiores e frágeis, que só queremos “miminhos” nos dias assinalados. Sim, também gostamos de mimos, assim como os homens também gostam. Somos seres humanos e, como tal, gostamos de amar e ser amadas/os. Mas gostamos de ter direitos e ser respeitadas com dignidade, em direitos plenos de cidadania.

Infelizmente, não é assim que acontece ainda em muitas situações. Há homens que ainda pensam que a mulher é sua propriedade e que as podem maltratar e até matar como aconteceu este ano, onde foram assassinadas 32 mulheres, sendo uma da Madeira. Nos últimos 15 anos foram 503 as mulheres que foram mortas, sendo 14 da Madeira. São aos milhares as queixas de mulheres que sofrem violência doméstica, com todas as implicações com os filhos que acabam por sofrer, muitas vezes, sem poderem expressar esse sofrimento que vai marcar para sempre as suas vidas.

Há quem ainda falte aos eventos que assinalam estes problemas, dizendo que são secundários e que há outras coisas mais importantes para se preocuparem. Há muita falta de noção que, quando a igualdade está em causa, tudo está errado. Nada pode bater certo. É como tapar o sol com a peneira. Há grupos que se fecham apenas nos seus problemas específicos, pensando que resolvem os mesmos sem participarem na luta mais geral para que o mundo seja realmente equilibrado e justo. Há pessoas que acham que, ao fazer dois ou três eventos por ano, já cumpriram o seu papel e ficam com a consciência tranquila. “Eu já fiz a minha parte, o resto façam elas”…

ELAS, que devem também ser ELES, como podemos ver com a participação de alguns artigos deste blogue, são fundamentais para continuar a lutar por um mundo mais justo, mais igualitário e mais humano. Os homens também podem ser feministas: basta defenderem direitos iguais e serem coerentes na sua prática com essa maneira de pensar.

Mesmo com a existência de muitos problemas, hoje, o respeito por esta causa da igualdade é muito maior. Sem dúvida. Mesmo os meios de comunicação denotam algum interesse que gostaria de realçar e oxalá que prossigam neste caminho. Em todo o mundo vêm-se notícias de mulheres que saltam para as ruas, lutando e cantando, por este mundo sem violações aos direitos humanos e sem violadores de mulheres.

As escolas estão mais abertas ao tema. Muitas crianças e jovens estão a aprender a ser seres humanos de corpo inteiro, justos e alegres. Precisamos de alegria. Precisamos que as artes tratem deste tema. Obrigada a todas e a todos que, este ano, partilharam os seus talentos evocando a causa da igualdade. Foi muito bonito e gratificante ver a exposição de artistas plásticos e as peças no Balcão de Cristal e da OLHO_TE. Precisamos de continuar neste caminho e que venham muita gente a festejar todos os avanços para enfrentar os problemas que ainda faltam resolver.

A luta vai continuar. É um chavão mas é a verdade. Que venham muitas e muitos mais pois precisamos que este mundo onde vivemos seja mais justo e igualitário. Eu acredito que já começa a ser um pouco melhor e será muito mais se continuarmos a abrir as portas e as janelas para que a igualdade entre em todas as casas. Sem violência, com muito mais amor e respeito. Temos muito trabalho pela frente mas isso nunca nos assustou, porque quando as causas são justas, ninguém nos para.

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07
Dez19

Ele ajuda a mulher em casa. Que coisa tão linda e progressiva!


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Nesta época natalícia que se avizinha, quero vos presentear com a descrição sucinta de um artigo muito suis generis que tive a oportunidade de ler a semana passada no website da revista “Visão”, e que dá conta da opinião do psicólogo espanhol Alberto Soler acerca da “ajuda” que o homem deve dar em casa à sua esposa ou companheira no decorrer das responsabilidades parentais.

Segundo a revista, Alberto Soler teria sido surpreendido num supermercado com o comentário de duas senhoras que o elogiavam por tomar conta dos seus dois filhos gémeos de 15 meses prestando assim uma preciosa “ajuda” à esposa, facto este que levou o psicólogo a reflectir e deambular sobre o assunto durante algum tempo e posteriormente escrever no seu blog o seguinte: “Eu não ajudo em casa, eu faço parte da casa. E não, eu não ajudo a minha mulher com as crianças porque não posso ajudar alguém com uma coisa que é da minha inteira responsabilidade.” O comentário foi partilhado milhares de vezes pelos internautas e hoje conta já com diversas variações traduzidas em vários idiomas atingindo repercussão internacional possível através da internet.

Não obstante esta viralidade cibernética julgo existir ainda um longo caminho na desconstrução desta ideia da “ajuda” preciosa que o esposo, namorado ou companheiro pode dar à sua esposa ou companheira uma vez que é também seu dever cumprir com obrigações caseiras, quer isso implique lavar a loiça, cozinhar, engomar, ou cuidar dos filhos. Os filhos não são pertença exclusiva de um ou de outro membro do casal, de maneira que, ambos devem partilhar as responsabilidades que acarreta a educação e o bem-estar dos seus descendentes.

Na verdade, hoje tornou-se moda afirmar que se “ajuda” em casa porque nos fica bem, mas o termo deve ser repensado por forma a desmistificar esta ideia da caridade conjugal como se à mulher pertencesse o mundo doméstico e ao homem tudo o resto, e que apenas pela vontade do próprio poderá oferecer-se uma “mãozinha” se for conveniente. Ajudar em casa não é um cliché, não é uma moda dos tempos modernos. Devemos desconstruir o “ajudar” para nos ajudarmos enquanto sociedade que se regenera e se supera, eliminando este conceito ultrapassado e ingénuo. Sugiro que se reflita futuramente sobre este termo pobremente empregue e que doravante se aplique a expressão: “Ele contribui nos seus deveres”!

Wouldn't that be a sight!?

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19
Out19

A Comunidade LGBTI


umarmadeira

ARTIGO DE EMANUEL CAIRES

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Não tem muitos anos quando comecei a acreditar que a expressão “comunidade LGBTI” não fosse a mais indicada para nos referirmos às pessoas queer num todo. Acreditei que referirmo-nos como comunidade, é reconhecermo-nos como segregantes à restante população. E, de facto, quando se luta contra a homobitransfobia, não é realmente isso que se pretende. Pretende-se numa real inclusão das pessoas LGBTI na sociedade.

 

Com os tempos difíceis que atravessamos, socialmente, politicamente e a nível económico, apercebi-me que o importante é agirmos em comunidade. Esta ação em comunidade significaria a nossa sobrevivência e resiliência perante as adversidades. E, realmente, creio que esta ação em comunidade é algo em falta nos dias de hoje.

 

Agir em comunidade é como agir em família. Cuidarmo-nos, respeitarmo-nos, preocuparmo-nos… uns com os outros. E comecei a entender que isto acontecia comigo. Mas ao mesmo tempo percebi que a ação em comunidade está em vias de extinção, e não devia. O sentido de comunidade é a chave para que as conquistas não sejam reversíveis.

 

Por isso, vamos olhar mais uns pelos outros, ao mesmo tempo que fazemos mais e melhor para uma sociedade igualitária.

 

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15
Out19

15, 16 e 17 de outubro. Três dias para lembrar. Três dias para exigir Direitos


umarmadeira

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15, 16 e 17 de outubro são dias que se entrelaçam na defesa dos direitos das mulheres.

Declarado pelas Nações Unidas como Dia Internacional das Mulheres Rurais, o 15 de outubro, faz-nos lembrar que as mulheres rurais representam mais de um terço da população mundial e são afetadas de forma desproporcional pela insegurança alimentar e a pobreza.

O dia 16 de outubro, como Dia Mundial pela Alimentação, lembra-nos que o acesso à alimentação é um direito humano, que não pode ser ignorado e que as mulheres que constituem 43% da mão-de obra agrícola, desde que apoiadas com recursos, podem contribuir para uma diminuição substancial da população subnutrida.

17 de outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, lembra-nos que 1,2 biliões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza sendo a maioria mulheres e crianças.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) tem vindo a propor um conjunto de iniciativas e programas que apostando no apoio às mulheres rurais se possa evoluir no combate à pobreza e à desnutrição.

Quando se vive num país europeu como o nosso, há tendência para que estas realidades nos passem ao lado, apesar de sabermos que muitas e muitas das aldeias do interior do país, quase desertificadas e sem esperança de desenvolvimento, serem constituídas fundamentalmente por mulheres, a maior parte idosas, porque as mais jovens tendem a migrar.

A UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, como associação que entende que os feminismos não podem ser só urbanos e que as mulheres das zonas rurais não podem ficar esquecidas, considera que no Estatuto da Pequena Agricultura Familiar já previsto governamentalmente, se deve dar particular relevo aos direitos das mulheres rurais em termos de apoios efetivos para iniciativas de emprego, formas coletivas de produção, redes de mulheres inter-aldeias valorizando aquilo que elas produzem em termos de cultura e artes locais, de aproveitamento dos recursos naturais e paisagísticos para um turismo de proximidade, suficientemente atrativo para o envolvimento de jovens nas suas aldeias.

Lisboa, 13 de outubro de 2019
A direção da UMAR

05
Out19

O Feminismo e o Machismo


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

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Muita gente pensa que o feminismo é o contrário de machismo. Se o machismo é um modo de pensar em que os homens são superiores às mulheres e mandam nelas, o feminismo seria as mulheres a mandarem nos homens. Nos anos 60 do século passado, Maria Lamas, grande lutadora pelos direitos das mulheres (e não só), escreveu um artigo para o jornal Comércio do Funchal com o título MULHERES CONTRA HOMENS? Nesse artigo ela explicava que o feminismo era apenas uma luta pela igualdade de direitos e não para as mulheres se revoltarem contra os homens. O feminismo luta por uma sociedade equilibrada, mais justa, em que as mulheres usufruem dos direitos sociais, tal qual os homens. Somos todos humanos, vivemos no Planeta Terra e todos nós, homens e mulheres, de todas as raças, temos o direito de usufruir dos recursos naturais e civilizacionais.

Segundo uma corrente de pensamento, o machismo nasceu com a sedentarização dos povos. Deixaram a vida nómada, tinham propriedades e os homens, sendo mais fortes fisicamente, impuseram a sua autoridade. Exigiram contrato de casamento e fidelidade das mulheres para terem a certeza que as crianças que elas punham no mundo eram efectivamente seus filhos, que haviam de herdar os seus bens. O problema maior é que a mulher não escolhia marido, a família negociava o casamento, ela deixou de ter qualquer poder, se não tivesse filhos era repudiada, jogada ao abandono e o marido ia buscar outra que lhe desse herdeiros. Esta teoria percorreu milénios, foram criando regras opressoras, inventou-se doutrinas perversas e a mulher continuou a ser humilhada e maltratada. Inventou-se a Eva que pecou e por causa dela os humanos foram expulsos do paraíso e herdaram o pecado original. O antigo testamento trata as mulheres pior que os animais. O apedrejamento, defendido na bíblia e praticado pelos seus seguidores, é um castigo que nem se aplica a animais e ainda bem.

Dando um grande salto no tempo, chegámos ao século XVIII, em que na Europa surgem grandes pensadores que defenderam uma outra ordem social. Rosa Montero, escritora espanhola, afirma que o filósofo Locke, defensor da liberdade natural do homem, dizia que nem os animais nem as mulheres participavam dessa liberdade, pois tinham de estar subordinadas ao homem. Rousseau dizia que uma mulher sábia era um castigo para o esposo, para os filhos, para toda a gente. Kant afirmava que o estudo laborioso e árduas reflexões, inclusivamente quando uma mulher tinha êxito nesse aspecto, destruíam os méritos próprios do seu sexo.

Como é que podemos acreditar que pessoas inteligentes e sábias, grandes pensadores da época, acreditavam mesmo no que diziam sobre as mulheres? Em minha opinião, eles ficaram assustados quando viram que, apesar da opressão sobre as mulheres, inclusive ao nível da educação, em que as meninas das classes superiores (os pobres não iam à escola) frequentavam escolas onde apenas aprendiam a ler e algumas a escrever e pouco mais, enquanto os rapazes eram enviados para escolas mais evoluídas e para as universidades. Mesmo assim, algumas começaram a afirmar-se como escritoras e a defender os seus direitos em obras publicadas. O Feminismo começou a nascer e muitos homens sentiram que algo estava a mudar nas relações entre mulheres e homens e sentiram-se desconfortáveis.

As feministas eram apelidadas de loucas e infelizes. Sempre citando Rosa Montero, em 1908, em Espanha, o Jesuíta Alarcón escreveu num livro que “a emancipação da mulher é aberrante e que essas Euménides têm de ser encerradas em casas de correcção ou nos manicómios”. E em 1927, a revista Iris da Paz insurgia-se, dizendo que a “sociedade faria muito bem encerrando as feministas como loucas e criminosas”. E nós sabemos que muitas mulheres foram encerradas em manicómios por quererem impor a sua vontade e não seguir a vontade do pai ou do marido. Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma senhora da alta sociedade lisboeta, foi encerrada num manicómio, onde passou cerca de quatro anos. Quando lá chegou, encontrou uma ala do manicómio composta de outras mulheres como ela, no gozo das suas faculdades mentais, mas tinham cometido o pecado de não obedecerem aos maridos, aos pais ou outros homens da família.

Ainda hoje o feminismo é mal visto ao ponto de ouvirmos mulheres a dizerem: Eu defendo os direitos das mulheres, mas não sou feminista. De modo que uma das tarefas da UMAR é reabilitar o feminismo, mostrar que somos feministas porque lutamos pela igualdade de género e por um mundo justo e igualitário em direitos e deveres.

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05
Mai19

Divagações sobre a Arte...


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

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A resiliência de todos os povos e grupos que foram ocupados, oprimidos, maltratados, ignorados e explorados das mais variadas formas, ao longo dos tempos, é conhecida e, para além de estar registada, diretamente ou sub-repticiamente, nos documentos históricos, é tema recorrente na Ficção Literária, nas Artes Plásticas, na Música e em todas as outras Expressões Artísticas, não esquecendo o Folclore a o Artesanato.

Ainda que dedicasse este texto apenas enumerar os Artistas e Peças Artísticas que perpetuaram essa resistência e homenagearam a luta desses seres humanos a quem tanto devemos, faltaria sempre alguém ou algo. No entanto, não podemos esquecer que, tal como a História, também as Expressões Artísticas, ao longo dos tempos, sofreram as influências do poder dominante, das regras ditadas pela sociedade da época e da manipulação levada a cabo pelos contextos sociais e políticos.

Nenhuma destas contingências deve, na minha opinião, servir para desvalorizar uma obra de arte, mas sim fazer-nos refletir, pois, felizmente, a nossa visão sobre o mundo está a mudar e é com o novo olhar que essa mudança nos traz que devemos analisar a Arte e honrá-la, em todas as suas formas. Não há dúvida que temos uma dívida para com a Arte e os Artistas, que só poderá ser paga se exigirmos condições para que exerçam em liberdade e igualdade o seu trabalho, de forma que todas as franjas da sociedade sejam representadas. Estes são direitos que têm de ser respeitados, pois coartar esses direitos será comprometer o futuro legado da Humanidade.

Ao longo dos tempos, a fome e o ostracismo acompanharam aqueles Artistas que ousaram ser diferentes e ir contra os poderes instituídos, sendo atirados para a margem da sociedade e, muitas vezes, para a mendicidade como única forma de sobrevivência.

Se é verdade que a Arte permaneceu enquanto o poder e os poderosos ficaram perdidos na nebulosidade dos tempos, não podemos continuar à espera que esse reconhecimento seja trazido pelo futuro. Não podemos continuar a aceitar que a mão protetora dos diferentes regimes nos guie pelas Galerias, pelos monumentos, pelas Livrarias e pelas salas de Espetáculo. Vamos valorizar os nossos Artistas Aqui e Agora.

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20
Abr19

A situação das mulheres no trabalho...


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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A luta pela igualdade de género tem vindo a adquirir uma maior visibilidade, mas a lente da igualdade não pode estar desfocada da realidade! As mulheres precisam estar atentas para que a igualdade de género e de cidadania não corra o risco de ser como uma bandeira, justa é certo, mas incapaz de avançar sem luta contra interesses instalados, o que é caso para dizer, que só a união das mulheres podem fazer com que a leis sejam postas em prática, passando-se das palavras aos actos.

Ao longo da história, foram várias as mulheres que enfrentaram o poder instituído, pelo direito ao voto, ou por outros de grande alcance social ou económico, nem sempre valorizadas na sua época. Para as mulheres da minha geração foi com o 25 de Abril de 1974 que muitas puderam abraçar, com engenho e arte, várias causas e lutar por direitos e alcançá-los. Para muitas era um sonho, mas a justeza das reivindicações, a resiliência e entrega fizeram com que os seus objectivos se tornassem realidade, contra o assistencialismo ou esmolas, e as pessoas puderam ver melhoradas as suas vidas.

Estamos nas vésperas das comemorações dos 45 anos da revolução de Abril, mas entristece ver direitos humanos serem desrespeitados. A Constituição da Republica do nosso País é progressista e temos legislação em vigor muito importante, mas a sua aplicação tem pouca ligação à vida das pessoas, por exemplo, no que diz respeito às questões económicas. Houve empenho em todas as lutas, das Mulheres, que se travaram na nossa Região, mas destaco a participação na luta pela sua emancipação económica, para poderem passar a ter um trabalho efectivo, receber um salário ao fim de cada mês, um subsídio de férias e de natal, direitos sociais e, mais tarde, redução do horário de trabalho para 40 horas semanais. Foi uma grande alegria.

Lamentavelmente, hoje constata-se que as mulheres trabalhadoras estão cada vez mais sujeitas à precariedade, a horários longos, trabalho por turnos, banco de horas, horários concentrados, ataque ao descanso semanal e salários de miséria, com todas as suas implicações negativas na organização da suas vidas pessoal e familiar e no seu direito ao lazer e à sua saúde. Não sendo possível excluir as relações de poder e coacção e o assédio no trabalho, quando é sabido que a maior percentagem do assédio é praticado por superiores hierárquicos e chefias directas, sendo as mulheres as maiores vítimas, que não sendo um problema novo assume, hoje, novas e graves dimensões, como uma forma de tortura ou terrorismo psicológico.

Por outro lado, é sabido que os seus salários são, em média, mais baixos que os dos homens trabalhadores e são elas que ocupam com maior frequência postos de trabalho em que apenas se recebe o salário mínimo. O trabalho precário atinge, sobretudo, os jovens, mas as mulheres em maior número. Além da insegurança laboral e da chantagem que é exercida sobre os/as trabalhadores/as, a precariedade serve para pagar salários mais baixos, pois quem trabalha com vínculo não permanente aufere salários muito mais baixo e corre maior risco de pobreza do que quem trabalha com vínculo efectivo.

Para muitas mulheres, conciliar a sua vida familiar e profissional torna-se muito difícil. Muitas ficam obrigadas a interromper a sua actividade profissional, para cuidar dos filhos menores, embora hoje já haja uma evolução: há homens a ocupar-se dessa tarefa, porém, continua a serem as mulheres em maior percentagem, sós, a cuidar dos filhos. As diferenças são maiores nas tarefas domésticas do que nos cuidados familiares. Por outro lado, há que assinalar a grande percentagem de famílias monoparentais do sexo feminino, mas também a adesão dos pais trabalhadores à partilha de licença parental nos últimos anos, que têm evoluído de forma positiva. Outra situação é que há mulheres trabalhadoras mais afectadas pelas doenças profissionais, deixando muitas incapacitadas, e ganham menos 15% que os homens por trabalho de valor igual, são mais penalizadas devido às ausências relacionadas com o apoio às famílias, sendo a diferença maior nas empresas do sector privado.

A desigualdade salarial ainda é mais elevada quando comparamos os ganhos nas qualificações mais altas entre os quadros superiores. Sendo muito importante todo o trabalho a fazer para esbater estas desigualdades e para que as entidades infractoras sejam punidas.

Temos todas/os que lutar por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres, e que os direitos conquistados sejam consolidados e a igualdade seja uma realidade no trabalho e na vida.

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13
Abr19

Batalhar na Igualdade de Género, faz sentido?


umarmadeira

ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Não há dúvida de que houve um progresso nas últimas décadas, este progresso deveu-se em parte à custa da luta incansável de ativistas. Para mim, nos dias de hoje o maior desafio no que diz respeito à igualdade de género, é a educação. A mudança começa dentro da casa de cada um e de cada uma. Eu acredito que se começarmos a educar as nossas crianças, a nossa mãe, o nosso pai, o nosso irmão ou irmã para a igualdade, para os direitos humanos, para a cidadania, para a paz, daqui a uns anos estaremos com as várias formas de desigualdade menos visíveis.

Muitas vezes questiono “e se acontecesse/fosse contigo?” Tento sempre fazer com que cada pessoa que está no meu ambiente familiar se coloque no lugar da outra pessoa. As pessoas precisam urgentemente de aprender a parar e ouvir, compreender e respeitar. Aprender a respeitar cada pessoa independentemente de diferenças das capacidades, género, orientação sexual, raça, cultura… Se tenho visto resultados? Claro que sim. Eu não nasci a saber o que era a igualdade de género ou numa bela amanhã acordei e saltei da cama a dizer “sou feminista”. Eles e elas também não. É preciso educar!

Existe um preconceito que deriva sobretudo da ignorância, a maior parte das pessoas não sabe o que é ser feminista. Por isso, hoje passo a mensagem, amanhã volto a fazê-lo, depois de amanhã e depois, depois, depois…. E todos os dias o meu pai, a minha mãe, a minha sobrinha e todas as pessoas que convivem comigo vão interiorizando cada palavra e essa palavra passa para onde quer vão, para o trabalho ou para a escola.

Mas... Em todas as vidas existe um mas. Isto é dentro do meu seio familiar, no meu lar, onde existe diálogo, compreensão e união. Não é possível promover a igualdade de género se não houver condições dignas de sobrevivência. Na mesma, tento passar a mensagem às pessoas que vou encontrando no meu dia a dia e tento trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que de alguma forma essas pessoas se sintam respeitadas nos seus direitos, não apenas por serem mulheres ou homens, mas por serem mulheres e homens que têm determinadas características que as e que os tornam mais vulneráveis.

A igualdade de género ainda está longe de ser uma verdade absoluta, mas como sou uma sonhadora não deixarei de lutar, sei que daqui a alguns anos a questão ainda não estará resolvida, mas, acredito que todos e todas terão um maior usufruto dos seus direitos.

Nesta luta, juntar-se-ão outros e outras feministas e lutaremos por um conjunto de exigências curriculares e sociais, lutaremos sempre pela promoção da igualdade de género, pela mudança de mentalidades, por uma maior liberdade, sempre que necessário sairemos à rua, em todo o lado encontrar-nos-ão. Acreditem muito ainda vai acontecer… Por isso sim, faz sentido batalhar na igualdade género!

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06
Abr19

ZIPPY - Coleção sem género


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO PESTANA

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Eu também já fui jovem e já fui estúpido. Confesso que, por vezes ainda o sou. No entanto devo dizer que algumas atitudes me fazem espécie.

Este recente rebuliço em torno da nova coleção “sem género” da conhecida marca de roupa infantil Zippy é somente mais um exemplo de que a estupidez humana pode ir longe, muito longe mesmo. Pode ir a sítios e espaços onde o humano não chegou ainda. Pode contornar desejos e vergar vontades. A história pode ser esquecida ou simplesmente ignorada como é o caso concreto da indumentária e costumes.

Ainda não ouvi nenhum “macho” chamar a si o uso de saltos altos como sendo um acessório masculino pois a sua origem remonta ao pé masculino da antiguidade clássica. Desde o Egipto até à Grécia clássicas, passando pelos cavaleiros persas a e pela idade média até cerca de 1500 o salto alto era de uso exclusivo masculino. Tanto quanto se sabe, apenas se avançarmos até pouco depois do ano 1500, em França, reconhece-se Catherine de Médici como uma das primeiras mulheres a utilizar saltos altos e após esta data através do monarca Luis XIV o uso de saltos altos voltou a entrar na indumentária masculina. Diga-se ainda que Luís XIV usou e abusou de outros luxos da época como era as perucas. É caso para dizer que homem de barba rija usava salto alto e peruca no início do século XVI.

Diria o nosso maior vulto da poesia que se mudam os tempos, mudam-se as vontades. Devo concordar, mudaram-se os tempos e mudaram-se as vontades também, em particular aquela vontade de ser estúpido e de se discordar de ciências que não se conhecem, principalmente aquela que se chama história. Se eu recuar até à minha infância, dou por mim, menino franzino, a usar os fatos de treino, da moda à época, das minhas primas.

Querer marcar a diferença, por via de uma opinião estapafúrdia, deverá ser acompanhada de algum fundamento. E, para meu desespero, os fundamentos para a não aceitação da famigerada coleção da Zippy é de que Deus não quis assim. Aquela ampla deambulação do pensamento crítico que se faz quando não se tem outra explicação. Também Zeus fora responsável pelas tempestades quando não se ocupava da mulher do próximo. Assim vai a aceitação de sociedade à igualdade de género. Parece-me bem mas discordo!

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