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Feminismos é Igualdade

23
Dez19

Vamos abrir as portas e janelas para a Igualdade entrar


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Vivemos um ano muito rico em termos da igualdade de género. Muitas instituições, associações, escolas, partidos, e pessoas individualmente, têm demonstrado um interesse maior sobre esta questão tão vital para conseguirmos um mundo mais justo e equilibrado a todos os níveis.

Quando falamos em igualdade, estamos a falar de direitos humanos. Estamos a dizer que, todas as pessoas, independentemente do seu sexo, orientação sexual, credo religioso, partido político, filiação sindical, gosto musical ou teatral, têm direitos iguais.

Há, no entanto, quem ainda pense que isto de direitos iguais, tem muito que se lhe diga, pois o homem é mais forte fisicamente e, logo, há profissões que são "só" deles. Que a mulher é mais frágil e sensível, e há profissões que são "só" delas. Aqui justifica-se muita da discriminação salarial que continua a existir, colocando a maioria das mulheres a ocupar os lugares mais baixos da hierarquia do trabalho. Já não é apenas “a trabalho igual, salário igual”, mas outra coisa discriminatória fundamentada na força física.

Cada vez mais mulheres desmentem esta teoria quando já são motoristas de pesados, pilotam aviões, gerem grandes empesas, são trabalhadoras da estiva, são prémios Nobel nas ciências e nas artes, na literatura, etc, etc,…e ainda continuam a gerar os filhos nos seus ventres, que são os continuadores da humanidade enquanto a terra resistir e existir.

A luta para que o Feminismo seja encarado como o direito a ser igual ainda não é entendida assim. Continuam a existir pessoas que dizem que as mulheres querem ser as dominadoras do mundo, ocupando o lugar que os homens ocupam há séculos. A história ensina-nos que nem sempre foi assim, mas, independentemente dos dados históricos, o que interessa é entender que a nossa luta é para que não sejamos tratadas como seres inferiores e frágeis, que só queremos “miminhos” nos dias assinalados. Sim, também gostamos de mimos, assim como os homens também gostam. Somos seres humanos e, como tal, gostamos de amar e ser amadas/os. Mas gostamos de ter direitos e ser respeitadas com dignidade, em direitos plenos de cidadania.

Infelizmente, não é assim que acontece ainda em muitas situações. Há homens que ainda pensam que a mulher é sua propriedade e que as podem maltratar e até matar como aconteceu este ano, onde foram assassinadas 32 mulheres, sendo uma da Madeira. Nos últimos 15 anos foram 503 as mulheres que foram mortas, sendo 14 da Madeira. São aos milhares as queixas de mulheres que sofrem violência doméstica, com todas as implicações com os filhos que acabam por sofrer, muitas vezes, sem poderem expressar esse sofrimento que vai marcar para sempre as suas vidas.

Há quem ainda falte aos eventos que assinalam estes problemas, dizendo que são secundários e que há outras coisas mais importantes para se preocuparem. Há muita falta de noção que, quando a igualdade está em causa, tudo está errado. Nada pode bater certo. É como tapar o sol com a peneira. Há grupos que se fecham apenas nos seus problemas específicos, pensando que resolvem os mesmos sem participarem na luta mais geral para que o mundo seja realmente equilibrado e justo. Há pessoas que acham que, ao fazer dois ou três eventos por ano, já cumpriram o seu papel e ficam com a consciência tranquila. “Eu já fiz a minha parte, o resto façam elas”…

ELAS, que devem também ser ELES, como podemos ver com a participação de alguns artigos deste blogue, são fundamentais para continuar a lutar por um mundo mais justo, mais igualitário e mais humano. Os homens também podem ser feministas: basta defenderem direitos iguais e serem coerentes na sua prática com essa maneira de pensar.

Mesmo com a existência de muitos problemas, hoje, o respeito por esta causa da igualdade é muito maior. Sem dúvida. Mesmo os meios de comunicação denotam algum interesse que gostaria de realçar e oxalá que prossigam neste caminho. Em todo o mundo vêm-se notícias de mulheres que saltam para as ruas, lutando e cantando, por este mundo sem violações aos direitos humanos e sem violadores de mulheres.

As escolas estão mais abertas ao tema. Muitas crianças e jovens estão a aprender a ser seres humanos de corpo inteiro, justos e alegres. Precisamos de alegria. Precisamos que as artes tratem deste tema. Obrigada a todas e a todos que, este ano, partilharam os seus talentos evocando a causa da igualdade. Foi muito bonito e gratificante ver a exposição de artistas plásticos e as peças no Balcão de Cristal e da OLHO_TE. Precisamos de continuar neste caminho e que venham muita gente a festejar todos os avanços para enfrentar os problemas que ainda faltam resolver.

A luta vai continuar. É um chavão mas é a verdade. Que venham muitas e muitos mais pois precisamos que este mundo onde vivemos seja mais justo e igualitário. Eu acredito que já começa a ser um pouco melhor e será muito mais se continuarmos a abrir as portas e as janelas para que a igualdade entre em todas as casas. Sem violência, com muito mais amor e respeito. Temos muito trabalho pela frente mas isso nunca nos assustou, porque quando as causas são justas, ninguém nos para.

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20
Nov19

Vídeo sobre a Convenção dos Direitos das Crianças


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Vídeo da UMAR Madeira sobre a Convenção dos Direitos das Crianças, que hoje se comemora o 30º aniversário, em que demos voz a crianças e jovens que participam no ART'THEMIS+ Madeira. Animações feitas com base em desenhos criados por participantes do projeto no ano letivo 2018/2019. Em parceria com a Câmara Municipal do Funchal. Edição do vídeo feita por Diogo Freire.

 

16
Nov19

Um mundo de desigualdades, onde são as mulheres e crianças quem mais sofre, onde crescem as ameaças aos direitos das mulheres


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ARTIGO DE MANUELA TAVARES

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Assistimos a momentos políticos e sociais muito preocupantes.

Perante um mundo de desigualdades crescentes, crescem as forças populistas de extrema direita que representam uma ameaça às liberdades, à democracia e aos direitos das mulheres.

Sabemos que os gritos de revolta de quem é espezinhado, de quem não tem casa para viver ou pão para comer são aproveitados por quem quer impor ditaduras disfarçadas de resolução dos problemas prementes.

As mulheres e as crianças são quem mais sofre com este cenário político e social.

As forças fascizantes envolvem os seus discursos de que os feminismos dão cabo das famílias, que não garantem os direitos destas. O que se passa é que essas forças defendem que as mulheres se devem dedicar totalmente aos maridos e filhos, deixem de ser elas próprias, tal como acontecia na ditadura salazarista de triste memória.

A extrema-direita em Espanha, que cresceu imenso nas últimas eleições, quer eliminar as leis de proteção às mulheres vítimas de violência. Para eles, a violência não significa morte, assassinatos. Significa apenas “arrufos” entre marido e mulher e querem voltar ao antigamente que “entre marido e mulher que ninguém meta a colher”.

Estas forças ultraconservadoras querem também dominar as escolas. Querem que qualquer programa de prevenção da violência ou de promoção da igualdade seja analisado por comissões de encarregados da educação. A escola, os/as professores/as, os estudantes não têm opinião para essa gente que veio para fazer com que as conquistas civilizacionais voltem para trás.

Quanto mais as desigualdades e a pobreza crescem, mais estas forças ganham terreno.

Lutar para a eliminação das desigualdades que geram pobreza e falta de direitos é uma obrigação de cada um/a de nós.

As feministas têm nesta luta um papel fundamental.

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09
Nov19

A Igualdade de Género está a fazer caminho, mas há que estar vigilante para não haver retrocesso


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ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Têm surgido ultimamente diversas abordagens, e de diversas formas, sobre a Igualdade de Género, em que a maioria reconhece que já foram feitos avanços, mas havendo ainda um largo caminho a percorrer, porque muito há a fazer contra a discriminação e mudança de mentalidades para que seja alcançada a Igualdade de Género, maior visibilidade dada à violência doméstica contra as mulheres, com alguns casos a lembrar-nos as atrocidades praticadas na idade média, assim como os maus tratos às crianças, Idosos/as, as agressões violentas entre Jovens, terminando com o aumento da Pobreza, e suas consequências que dai advêm para as Famílias e a sociedade.

A história demonstrou e o tempo confirmou que só é possível atacar as desigualdades entre mulheres e Homens Trabalhadores/as, se a Igualdade for respeitada e for assegurada a sua estabilidade e segurança no emprego valorizadas as suas profissões e forem garantidos e respeitados os seus direitos, para que cada pessoa possa obter a sua emancipação económica, satisfazer as suas necessidades básicas e cumprir com os seus compromissos, sem estar dependente de ninguém, o que passa por receber melhores salários e haver uma melhor distribuição da riqueza produzida, pois é sempre da parte mais fraca que reside a maior desigualdade da nossa sociedade.

As pensões de reforma que as Mulheres auferem são 32% inferiores à que recebem a maioria os Homens, porque entre outros fatores a desigualdade salarial continua a penalizá-las, com grandes reflexos nas suas carreiras contributivas e pensões, mesmo sendo as suas habilitações em muitos casos superiores às dos Homens.

Penso que se a avaliação fosse por competências, as Mulheres progrediam tanto como os homens, mas sabemos que assim não é. Porque engravidam, logo são penalizadas por serem mães, acusadas de absentismo por terem de faltar mais dias para prestarem assistência aos filhos enquanto são pequenos, embora já haja Pais a exercerem os seus direitos de paternidade para cuidarem dos filhos e levá-los ao médico, continua maioritariamente a ser a Mulher a ter essa responsabilidade, assim como os cuidados com os /as familiares idosos, a divisão de tarefas ainda é feita mas de forma lenta.

Somos mais de metade da humanidade mas só 1/3 das Mulheres ocupa lugares de decisão, e nos Parlamentos da República e Regional, assim como nas Autárquicas, às Mulheres ainda lhes falta um longo caminho a percorrer para estarem em pé de Igualdade, para poder termos uma sociedade mais justa e equilibrada. Temos boa Legislação, mas ainda há um grande fosso entre o que está na Lei e a sua ligação à vida.

Assiste-se a uma excessiva precariedade de centenas de trabalhadores/as, que executam funções permanentes, mas com vínculo muito precário e em várias situações nem lhes é pago o acordado, e para sobreviver têm de andar de mão estendida a pedir apoio. Esta triste realidade indica que há muitas, mesmo muitas pessoas a trabalhar, mas que não conseguem sair da situação de pobreza, e isso já não bastasse, no total dos/as trabalhadores/as abrangidos pelo salário mínimo, as Mulheres representam 51%, e o emprego criado o maior peso é para receberem o salário mínimo e quando recebem.

As formas de trabalho emergentes tentam equiparar perversamente trabalho subordinado ao trabalho por conta própria, para transformar trabalhadores/as em empresários/as nas estatísticas e em explorados na vida real. O futuro do trabalho não pode deixar de estar indissociável da justiça social e da valorização dos trabalhadores/as, tem de ser pelo progresso e justiça social que temos que lutar, porque é pelo avanço dos direitos que lá chegamos.

Não é por acaso que o trabalho e as suas Associações, sejam elas Internacionais Nacionais ou Regionais, normalmente estão associadas ao progresso na condição humana a princípios e valores que são postos em causa pelos que, subvertendo o conceito de modernidade, e recorrendo às chamadas plataformas digitais, promovem a desregulamentação das Leis Laborais e impõem condições de trabalho próximas da servidão para obterem o lucro máximo com custos mínimos. Porque se os compromissos e pactos aprovados fossem cumpridos, não tínhamos as situações de retrocesso social que se têm verificado em período de crise financeira, e  em contrapartida aumentado o leque de milionários. Não é por acaso que sempre que os/as trabalhadores/as lutam por salários mais justos e pela reposição dos seus direitos, os empresários apresentam um rol de dificuldades, e que os mesmos estão a pôr as empresas em risco. É verdade que a Legislação em Portugal defende uma política de igualdade, mas na prática têm pouca aplicação nas suas vidas. Temos que estar vigilantes, porque tudo o que conquistamos ao longo de quase meio século, nada nos foi dado, só foi conseguido porque houve muita luta e persistência de muitas mulheres, algumas delas já nos deixaram, mas outras ainda continuam na luta, por isso não podemos adormecer, não podemos dar o que conquistamos como adquirido, ou definitivo porque do outro lado o inimigo espreita-nos.

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24
Out19

Igualdade, Dignidade e Cidadania


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ARTIGO DE MADALENA NUNES

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O dia 24 de outubro foi consagrado por vários municípios em Portugal como o Dia Municipal da Igualdade. A cidade do Funchal também decidiu celebrá-lo desde 2014, por achar que esta temática é importante para o desenvolvimento económico e social da cidade, a par de um suporte na construção de uma sociedade mais justa e defensora dos direitos humanos. Foi um trabalho pioneiro que se começou a fazer no nosso município, pois nunca se tinha feito nada do género no Funchal, nem em qualquer outra câmara da Madeira.

Muitas vezes desvalorizam-se as datas que tentam alertar para assuntos que se consideram importantes. Contudo, os dias especiais são especialmente especializados em chamar a atenção para temáticas importantes e protegidas por lei, mas que acabam por ser esquecidas diariamente. Alguns exemplos: Dia das Crianças. Dia das Famílias. Dia das Mulheres. Dia da Alimentação. Dia da Água. Dia do Ambiente. Dia dos Direitos Humanos, etc. Se prestarmos atenção, muitas destas datas especiais estão diretamente ligadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos em 2015 pela Organização das Nações Unidas para envolver as nações no combate aos desafios económicos, sociais e ambientais que se colocam ao mundo hoje em dia e que só se vencem com o envolvimento intencional de cada um nessas causas.

Na Câmara Municipal do Funchal, o trabalho que começámos a desenvolver em 2014 centrou-se em dar visibilidade às questões da promoção da igualdade entre homens e mulheres. Queríamos trazer mais elementos de reflexão sobre o fosso existente entre o que está previsto na lei e o que efetivamente acontece no dia a dia. Por outro lado, também nos preocupou sempre o nível de violência contra as mulheres, particularmente a violência doméstica ou na intimidade.

Temos consciência de que o facto de o ser humano ter dois ouvidos e só uma boca pode significar que devemos ouvir mais do que falar. Por isso, criámos uma estrutura que nos ajudasse a ouvir o que as entidades que trabalham nestas áreas tinham a dizer. Foi assim que criámos o Conselho Municipal da Igualdade. Conhecermo-nos melhor. Percebermos o trabalho que cada um de nós faz e escolher caminhos que nos ajudem a potenciar tudo o que acontece no Funchal para se construir uma sociedade mais igual e mais justa, tem sido o caminho que se tem desenvolvido. Posteriormente, começámos também a entroncar este trabalho com outras preocupações que fazem parte da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação, nomeadamente no que diz respeito ao Combate à Discriminação em razão da Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Género, e Características Sexuais. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já começámos pela sensibilização de alguns públicos para estas questões, abrindo as nossas portas ao debate e à informação.

Em 2019, uma coisa que nos enche de orgulho é termos iniciado as celebrações da Semana Municipal da Igualdade com uma proposta que veio de um grupo de jovens de 9º ano, da Escola Gonçalves Zarco. Essa proposta, =Dade/G, desafia as artes plásticas a refletirem sobre o que é a Igualdade de Género. E 10 talentosos artistas responderam ao desafio. O resultado é uma exposição magnífica que está no átrio da Câmara do Funchal até dia 31 deste mês. São estes atos de cidadania que nos ajudarão a crescer em igualdade e em justiça. Em respeito e em dignidade.

E o programa municipal para esta semana envolve diferentes parceiros e vários tipos de atividades, numa abrangência que aposta na diversidade para chegar a um maior número de públicos alvo. Da entrega de prémios em que a Igualdade é o tema, aos debates. De peças de teatro, a trabalho com crianças de 3º e 4º ano, passando por conversas com jovens de 2º e 3º ciclo sobre igualdade de género e questões culturais, a panóplia é grande e o que custa é escolher ou arranjar tempo para poder assistir a tudo.

Celebrar o Dia Municipal da Igualdade é uma questão de celebrar a dignidade, o respeito, a cidadania e a democracia. Viva o dia 24 de outubro!!!

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19
Out19

A Comunidade LGBTI


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ARTIGO DE EMANUEL CAIRES

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Não tem muitos anos quando comecei a acreditar que a expressão “comunidade LGBTI” não fosse a mais indicada para nos referirmos às pessoas queer num todo. Acreditei que referirmo-nos como comunidade, é reconhecermo-nos como segregantes à restante população. E, de facto, quando se luta contra a homobitransfobia, não é realmente isso que se pretende. Pretende-se numa real inclusão das pessoas LGBTI na sociedade.

 

Com os tempos difíceis que atravessamos, socialmente, politicamente e a nível económico, apercebi-me que o importante é agirmos em comunidade. Esta ação em comunidade significaria a nossa sobrevivência e resiliência perante as adversidades. E, realmente, creio que esta ação em comunidade é algo em falta nos dias de hoje.

 

Agir em comunidade é como agir em família. Cuidarmo-nos, respeitarmo-nos, preocuparmo-nos… uns com os outros. E comecei a entender que isto acontecia comigo. Mas ao mesmo tempo percebi que a ação em comunidade está em vias de extinção, e não devia. O sentido de comunidade é a chave para que as conquistas não sejam reversíveis.

 

Por isso, vamos olhar mais uns pelos outros, ao mesmo tempo que fazemos mais e melhor para uma sociedade igualitária.

 

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