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Feminismos é Igualdade

13
Out21

Só com Mudança de mentalidades é possível conciliar a vida profissional, familiar e pessoal!


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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A já longa situação Pandémica de COVID19, que se abateu no mundo e que nos afectou a todas/os, mas que hoje, felizmente, já está a caminhar para a sua quase normalidade, mas temos de continuar com alguns cuidados, mesmo assim, por mais algum tempo, e passados que são quase dois anos, tem trazido ao de cima algumas reivindicações que se encontravam adormecidos tais como: os horários de trabalho e a conciliação da vida familiar e pessoal. Embora sejam uma questão crucial das sociedades actuais com reflexos a vários níveis e em múltiplas dimensões da vida das/os trabalhadores, desde a questão da demografia e os problemas decorrentes da baixa natalidade para a sustentabilidade da economia e do sistema de protecção social, aos problemas da igualdade entre mulheres e homens no trabalho, na família e na sociedade e os estereótipos de género que continuam a atribuir o papel de principal cuidadora, limitando ou menorizando o seu papel social e profissional enquanto mulher.

A taxa de empregabilidade da mulher é grande, mas apesar de haver sinais positivos sobre a participação dos homens ao nível da partilha de responsabilidades na vida familiar, existe uma grande distância entre a partilha equilibrada de responsabilidades e as realidades quotidianas. São as Mulheres que mais dificuldades sentem na conciliação do trabalho com a vida familiar e pessoal. Algumas veem-se forçadas a suspender as suas carreiras profissionais para cuidar dos/as filhos/as e não é por acaso que a maioria das/os cuidadoras/es informais são mulheres, abdicam a título temporário ou definitivo do trabalho remunerado para prestar assistência a cônjuge, pais, filhos ou outros familiares em condição de fragilidade ou de dependência. E são as Mulheres que mais recorrem ao apoio extraordinário à família, o que torna mais claro as assimetrias que continua a marcar a prestação de cuidados no seio familiar.

 

Neste contexto, os efeitos causados pela pandemia e o teletrabalho para um grande número de mulheres, aprofundaram ainda mais as dificuldades já existentes com a conciliação entre trabalho e vida familiar e profissional.

Na prática, o prolongamento generalizado e a constante irregularidade dos horários e tempos de trabalho são claramente incompatíveis com a necessidade de conciliar diariamente a vida profissional com a vida familiar e pessoal, não favorecem a efectivação do direito ao lazer e à cultura e, muitas vezes, têm repercussões negativas na saúde dos/as trabalhadoras/es.

Gostava de dizer que, apesar dos significativos progressos registados, a verdade é que a sociedade parte ainda do pressuposto que cabe à mulher assumir a quota principal das responsabilidades da família, que sejam as mulheres a gozar maioritariamente todas as licenças, faltas e dispensas relacionadas com o apoio à família, enquanto relativamente aos homens, tais práticas continuam a ser mal vistas e mal aceites.

Por outro lado, assiste-se a uma contínua degradação dos serviços públicos, sendo uma fonte de preocupação para as famílias que acaba por afectar as questões da conciliação. Porque a conciliação da vida profissional e familiar é um direito fundamental de quem trabalha e que as entidades empregadoras têm o dever de respeitar e facilitar, porque é necessário identificar as necessidades das mulheres e homens e das suas famílias e dar-lhes uma resposta urgente e cabal e não é isso o que se passa, infelizmente.

A dificuldade em conciliar as diferentes esferas da vida é uma realidade quotidiana que afecta e condiciona diariamente a vida de quem trabalha e das suas famílias, complicando o dia-a-dia, e provocando a destabilização  das relações entre as pessoas, perturbando a educação e o desenvolvimento harmonioso das crianças e jovens, distorcendo as vivencias familiares e sociais , fazendo crescer fenómenos como o stress, depressão, ansiedade, burnout e a falta de motivação. Estes são cada vez mais relatados por um significativo número de trabalhadoras/os face à enorme pressão para responder às exigências do ambiente de trabalho moderno e à actual situação pandémica. Tal ocasionou repercussões, não só na vida profissional como também na vida pessoal, familiar e social.

Por isso, sem discutir-se o tempo de trabalho e a organização do tempo de trabalho e sem se procurar um justo equilíbrio entre tempos de trabalho e tempos de não trabalho, não se pode discutir a conciliação entre as várias esferas da vida das/os trabalhadoras/es.

Enquanto as leis que se aprovam não tiverem aplicação à vida concreta das famílias e a conciliação for vista pelo prisma do interesse das empresas e não for reconduzida ao plano das necessidades e interesses das pessoas e das famílias, também não é possível discutir e, muito menos, concretizar qualquer tipo de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal, do meu ponto de vista. É preciso combater a instabilidade e a precariedade dos vínculos laborais, dando vínculo de trabalho efectivo que garanta estabilidade a quem trabalha. É preciso adequar ao exercício das responsabilidades familiares o cumprimento das normas laborais de protecção das mães e dos pais trabalhadores. Há que investir e melhorar os serviços públicos nas áreas sociais, da saúde, dos transportes e da habitação, a fim de proporcionar a quem vive do seu salário e às suas famílias maiores facilidades de conciliação e das suas responsabilidades familiares com a sua vida profissional.

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02
Jun21

Pandemia e desigualdade de género


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Nos últimos meses, algumas Instituições têm abordado em órgãos de comunicação social, vários problemas muito sensíveis que afetam dum modo particular as Mulheres, tais como serem as mais afetadas com o desemprego, na qualidade do emprego, no teletrabalho, na desigualdade salarial, nos baixos salários, com reflexos na baixa natalidade, na conciliação dos direitos da maternidade, na exclusão social.

O drama da escravidão das/os trabalhadoras/es imigrantes, no aumento da pobreza, pessoas que mesmo trabalhando vivem abaixo do limiar da pobreza, no aumento da violência doméstica e, ainda, de várias Mulheres de profissões diversas a assumirem publicamente terem sido assediadas; artistas, advogadas, jornalistas, psicólogas, estudantes, enfermeiras, economistas etc., a contarem o que sofreram e sofrem com o assédio sexual no trabalho, na rua, na noite, na praia, nos transportes, etc.

A Presidente da Comissão Europeia também se sentiu discriminada, aquando da sua deslocação à Turquia, por ser a primeira Presidenta a não ter cadeira para que se pudesse sentar, pois as cadeiras eram só para os homens, tendo ficado chocada.

Não menos verdade, e também visível, é que, com a pandemia, a maioria das famílias perdeu grande parte dos seus rendimentos e mais de metade dos madeirenses admitem dificuldades financeiras, tornando-se claro que os salários em Portugal e na Região são reconhecidamente muito baixos. Estávamos todas e todos com alguma expectativa que da cimeira social a realizar-se em Portugal, face a todo este quadro, saíssem respostas para alguns destes problemas, mas a conclusão que tirei é que foi uma cimeira de meias tintas, num momento Histórico, todos bem-intencionados mas com resultados nulos. Porque a resposta é nada, não há nenhuma medida concreta. O que saiu foi um conjunto de princípios gerais sem poder vinculativo, ficando ao critério de cada país a sua aplicação ou não. Por outro lado, a União Europeia tem vindo a abordar estes problemas, mas sobre a igualdade salarial de género, para que torne obrigatório a adoção de medidas de transparência sobre esta matéria, até aqui as diretivas europeias resultam apenas em recomendações. Nos últimos dados estatísticos tornados públicos, as mulheres ganham menos 14,4% em relação aos homens, mas é nas grandes empresas que mais se sente, ficando a diferença em 26%.

Não menos verdade é que é do conhecimento público que o Comité de Direitos Humanos do Conselho da Europa já concluiu que Portugal tem violado a carta dos direitos sociais da organização por falta de progresso em alcançar a igualdade salarial entre Mulheres e Homens.

Face a tudo isto, é claro que as Mulheres estão mais frágeis perante a pobreza, ocupam ainda uma pequena percentagem de cargos de maior poder, apesar de representarem mais de metade da população, ocupam ainda um número pequeno de assentos nos parlamentos, sofrem mais violência doméstica e ocupam a maior parcela de empregos precários.

É caso para dizer que esta pandemia é como uma guerra oculta contra as mulheres. Se não forem tomadas medidas, a COVID 19 pode apagar uma geração de frágeis avanços em direção à Igualdade de Género, isto porque torna-se visível a desigualdade neste contexto de pandemia.

Como se tudo isto já não bastasse, o aumento da violência doméstica reflete uma realidade alarmante, que com a pandemia se agravou no período do confinamento. É urgente por um fim a este horrível flagelo contra Mulheres e crianças. É fundamental uma mudança, mas só será possível se todas e todos unirmos esforços e atuarmos com determinação para atingirmos a Igualdade e justiça. As ações que forem tomadas determinarão as expectativas, não apenas da atual geração de Mulheres, mas também das gerações futuras.

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17
Mai21

Produtividade: salve-se quem puder.


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Naquela manhã, uma mulher deixou a filha dentro do carro. Quando se lembrou, já era demasiado tarde. O espaço público encheu-se de moralismos e, em bicos de pés, apontaram-se dedos à mãe, à malvada, quem é que esquece uma filha dentro do carro um dia inteiro?

Somos seres humanos, corpos que carregam outras pessoas dentro, ansiedades e medos, milhares de informações, necessidades e desafios. Somos pessoas do século XXI, com o que isso tem de bom e de mau, absorvidas pela tecnologia cada vez mais superior àquilo que achamos conseguir acompanhar, absorvidas pelo trabalho e pelo capital. Somos os seres que parecem competir sobre quem dorme menos, quem trabalha mais horas, quem está permanentemente ligado, quem produz mais, quem tem a melhor ideia, quem dá mais às causas, quem tem mais problemas de saúde. Somos os bichos mais estranhos do planeta porque, enquanto os outros animais parecem levitar sobre o tempo – mesmo os que têm uma curta esperança de vida – nós queremos ser mais rápidos que o tempo, queremos que as 24 horas se traduzam em 48 e, no fundo, não vivemos na pressa de viver tudo.

Naquela manhã, uma mulher era uma destas pessoas, uma destas tantas pessoas. Não a conhecendo, imagino que estivesse absorvida pelas suas tarefas, que alguma coisa na rotina se tenha alterado, que problemas a afligissem. Imagino que tivesse contas para pagar, dilemas para resolver, planos para cumprir. Imagino que tenha dormido pouco, que tenha trabalhado horas a mais, que estivesse permanentemente ligada, que quisesse produzir mais, que quisesse ter a melhor ideia, que quisesse dar mais às suas causas. Imagino, também, que ame profundamente a filha que perdeu e, no meio do fazer-se valer enquanto pessoa do século XXI – trabalha!, pensa!, dorme pouco!, faz mais! – esqueceu-se do mais importante: o cuidar-se e, com isso, alargar o cuidado aos seus. Imagino, quase na certeza, que o calvário que enfrenta agora é pior que qualquer outra coisa. Haverá espaço para uma mulher feliz na mãe que morreu ali?

Eu não tenho crianças sob a minha responsabilidade. No cenário da minha vida, não consigo conceber espaço, tempo e segurança emocional para cuidar de uma. Admiro as mulheres que enfrentam a maternidade enquanto se digladiam com outras responsabilidades – e também os homens que enfrentam a paternidade, embora saibamos que é ainda sobre a mulher que recaem as maiores dificuldades. Não tenho filhos ou filhas, mas sei que, se os/as tivesse, eu poderia muito bem ser, naquela manhã, a mulher que deixou a filha dentro do carro. E quando me lembrasse, já seria demasiado tarde, e o espaço público encher-se-ia de moralismos para, em bicos de pés, apontar-me os dedos, a mim, a malvada, quem é que esquece uma filha dentro de um carro um dia inteiro?

Precisamos de mudar isto. Precisamos de deixar de competir e passar a cooperar. Sermos uma equipa. Um conjunto de seres que caminham para um mesmo objetivo, o da felicidade e da justiça. Precisamos de parar de exigir de nós e dos outros o que prejudica o coletivo enquanto humanidade. Humanidade: haverá produtividade exacerbada que a salve? Pelo que vou compreendendo, a continuar assim, acabaremos todas/os doentes, desgastadas/os, divididas/os e confusas/os. Que não seja o salve-se quem puder.

E, hoje, já viveram?

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10
Mai21

Somos feministas por um mundo novo


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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O pior que pode acontecer à causa do feminismo é considerar que, em nome da pandemia, lutar por esta causa de direitos iguais para todos/as é uma utopia e que o melhor é congelar a nossa luta à espera que a pandemia fique controlada, porque existem outras prioridades.

No meu entender, nada é mais prioritário do que continuar a estar atentas/os aos problemas que surgem na sociedade e que aprofundam, negativamente, os direitos que foram conquistados com tanta luta e com tanto empenho de um conjunto de mulheres, nas quais me incluo. Sempre nos disseram que o que reivindicávamos ou defendíamos era acessório e não era o fundamental.

No entanto, à medida que a nossa luta ia produzindo efeitos positivos e que fomos conquistando direitos que abrangiam todas as mulheres, mesmo aquelas que nada fizeram para que os mesmos existissem, toda a gente começou a ser beneficiada e, então, tudo se tornou importante e a sociedade que nos quis calar passou a aceitar esses direitos como "coisas importantes que devem ser perservadas".

É sempre assim no que toca às mulheres. Começam por atacar mas, depois, existe um render coletivo ao que é conseguido. Foi assim com a maternidade e paternidade. Foi assim com o planeamento familiar. Foi assim com a IVG. Foi assim com o crime público da VD. Foi assim com o direito à adoção. Foi assim com tanta coisa que hoje faz parte do nosso ordenamento jurídico sem qualquer perturbação.

Atacam-nos por nos definirmos como feministas, quando consideramos que devíamos ser tratadas, no cartão de identidade, como cidadãs. Que queremos ser olhadas na rua com respeito e admiração, e não à luz de preconceitos machistas e com assédio. Que queremos ser tratadas no feminino nos discursos oficiais ou nos cumprimentos formais. Não gostamos de ser tratadas no masculino porque nenhum homem nos representa nem nós representamos os homens. Ambos existimos e queremos continuar a ser todos/as olhados/as e tratados/as com respeito e admiração pelo que somos, e não pelo sexo com o qual nascemos.

Lutamos por uma sociedade inclusiva para todos os seres humanos. Queremos um mundo novo para que toda a gente seja feliz e respeitada, independentemente dos credos, religiões, orientações sexuais ou outras coisas que defendam. Cada pessoa é que sabe da sua vida. Cada pessoa é que sabe do que gosta. Cada pessoa é livre para decidir o que quer fazer da sua vida.

Defendo que o que deve predominar nas nossas vidas são todas as cores do arco íris. Só com esse colorido da vida é que podemos continuar a sonhar em ser felizes durante e depois da pandemia. Não podemos deixar de sonhar e de querer que a vida nos proporcione vivências mais felizes, onde cada ser humano tenha o mesmo direito a ser feliz e realizado.

Utopia, dizem. Então, sou defensora de utopias. Precisamos de acreditar que vamos ultrapassar esta pandemia e que, entretanto, não deixamos de lutar por aquilo que consideramos justo. É isso que tem feito a UMAR/Madeira, tentando aproveitar estes novos tempos para organizar documentação que retrate a memória coletiva do que tem sido a luta das mulheres. Queremos deixar o nosso contributo, até para que a memória não se perca. Estamos a trabalhar em mais documentos que servirão para debates futuros, porque a pandemia vai passar e vamos continuar a lutar por um mundo novo sem desigualdades e com mais empatia entre todas as pessoas.

A nossa luta por um Feminismo de intervenção não para e nenhuma pandemia o vai destruir.

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22
Mar21

Mulheres na política e na vida pública


umarmadeira

ARTIGO DE MADALENA SACRAMENTO NUNES

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Em política, quando se fala de igualdade entre homens e mulheres, tendemos a olhar para a presença delas nos parlamentos, nas assembleias, nos executivos, etc. Contam-se quantas lá estão (não interessa o lugar ou a função) e apregoa-se que se implementou a paridade. Na minha opinião, nada mais falso e enganador. É importante que as mulheres entrem na política, claro. Mas para que a sua ação seja influente e decisória é necessário que os papéis que lhes são atribuídos sejam importantes e não meros adornos. É fácil de verificar que muitas delas entram nesses lugares simplesmente para preencher espaço sem relevância e calar vozes que defendem essa mesma participação igualitária na vida dos territórios regionais, nacionais, europeus. Façam um exercício e olhem com lentes mais críticas para algumas realidades que nos cercam:

  • Quantas vezes são elas escolhidas para serem porta-vozes (parlamentares ou outros)?
  • As pastas que lhes são atribuídas mantêm os estereótipos femininos, apresentando-as como as melhores pessoas para as funções sociais de cuidadoras ou educadoras?
  • Que orçamentos são adstritos às suas áreas?
  • Quantas estão em comissões consideradas verdadeiramente importantes e com visibilidade mediática?
  • Quando se constituem comissões consideradas decisivas para o país ou região, que equilíbrio de género lá existe?
  • Quando se dá visibilidade ao trabalho desenvolvido por elas, quem aparece na comunicação social a apresentá-lo?

Falar em igualdade de género fica sempre bem e dá imenso jeito. Ser consequente já custa mais, pois implica ser verdadeiramente defensor ou defensora desses princípios, abdicando da ânsia de protagonismo e poder. E isso não é fácil. Os partidos políticos são importantes como fatores de participação das mulheres na vida pública. Contudo, também devem constituir-se como instrumentos que promovem as mulheres a cargos de decisão. Penso que nos lembramos de Rui Rio afirmar que em mais de cem câmaras o PSD só escolheu 3 mulheres para presidentes de câmara (!!!) porque elas não aparecem!!! Se olharmos para a composição atual da Câmara Municipal do Funchal, chegamos à conclusão de que em reunião de câmara existem mais mulheres (6) do que homens (5). Contudo, também aqui convém olhar com atenção e perceber por que razão isso aconteceu. Elas estavam em lugares dificilmente elegíveis e só subiram porque os homens que estavam à sua frente desistiram.

Observem os programas das televisões e verifiquem quantas mulheres são convidadas para falarem como especialistas ou como pensadoras da política regional, nacional ou internacional. Muito poucas. São sempre eles os escolhidos. Quer sejam especialistas ou não. Ninguém questiona.

Para que estas coisas mudem é necessário que quem acredita na democracia representativa faça ouvir a sua voz, seja homem ou mulher, partido político ou órgão de comunicação social. Criticar. Escrever. Falar. “Fazer barulho”. Tudo isto é importante. Só assim as mulheres poderão vir a estar representadas na vida pública e política em termos paritários e correspondentes à sua proporcional presença na população portuguesa (52,8%).

Não esqueçam que hoje em dia há um movimento cada vez mais intencional que defende o regresso das mulheres ao “lar”. Tal como escrevi no meu primeiro artigo para a UMAR Madeira, “A única coisa que cai do céu é chuva. O resto é luta!”

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