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Feminismos é Igualdade

24
Out19

Igualdade, Dignidade e Cidadania


umarmadeira

ARTIGO DE MADALENA NUNES

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O dia 24 de outubro foi consagrado por vários municípios em Portugal como o Dia Municipal da Igualdade. A cidade do Funchal também decidiu celebrá-lo desde 2014, por achar que esta temática é importante para o desenvolvimento económico e social da cidade, a par de um suporte na construção de uma sociedade mais justa e defensora dos direitos humanos. Foi um trabalho pioneiro que se começou a fazer no nosso município, pois nunca se tinha feito nada do género no Funchal, nem em qualquer outra câmara da Madeira.

Muitas vezes desvalorizam-se as datas que tentam alertar para assuntos que se consideram importantes. Contudo, os dias especiais são especialmente especializados em chamar a atenção para temáticas importantes e protegidas por lei, mas que acabam por ser esquecidas diariamente. Alguns exemplos: Dia das Crianças. Dia das Famílias. Dia das Mulheres. Dia da Alimentação. Dia da Água. Dia do Ambiente. Dia dos Direitos Humanos, etc. Se prestarmos atenção, muitas destas datas especiais estão diretamente ligadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos em 2015 pela Organização das Nações Unidas para envolver as nações no combate aos desafios económicos, sociais e ambientais que se colocam ao mundo hoje em dia e que só se vencem com o envolvimento intencional de cada um nessas causas.

Na Câmara Municipal do Funchal, o trabalho que começámos a desenvolver em 2014 centrou-se em dar visibilidade às questões da promoção da igualdade entre homens e mulheres. Queríamos trazer mais elementos de reflexão sobre o fosso existente entre o que está previsto na lei e o que efetivamente acontece no dia a dia. Por outro lado, também nos preocupou sempre o nível de violência contra as mulheres, particularmente a violência doméstica ou na intimidade.

Temos consciência de que o facto de o ser humano ter dois ouvidos e só uma boca pode significar que devemos ouvir mais do que falar. Por isso, criámos uma estrutura que nos ajudasse a ouvir o que as entidades que trabalham nestas áreas tinham a dizer. Foi assim que criámos o Conselho Municipal da Igualdade. Conhecermo-nos melhor. Percebermos o trabalho que cada um de nós faz e escolher caminhos que nos ajudem a potenciar tudo o que acontece no Funchal para se construir uma sociedade mais igual e mais justa, tem sido o caminho que se tem desenvolvido. Posteriormente, começámos também a entroncar este trabalho com outras preocupações que fazem parte da Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação, nomeadamente no que diz respeito ao Combate à Discriminação em razão da Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Género, e Características Sexuais. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas já começámos pela sensibilização de alguns públicos para estas questões, abrindo as nossas portas ao debate e à informação.

Em 2019, uma coisa que nos enche de orgulho é termos iniciado as celebrações da Semana Municipal da Igualdade com uma proposta que veio de um grupo de jovens de 9º ano, da Escola Gonçalves Zarco. Essa proposta, =Dade/G, desafia as artes plásticas a refletirem sobre o que é a Igualdade de Género. E 10 talentosos artistas responderam ao desafio. O resultado é uma exposição magnífica que está no átrio da Câmara do Funchal até dia 31 deste mês. São estes atos de cidadania que nos ajudarão a crescer em igualdade e em justiça. Em respeito e em dignidade.

E o programa municipal para esta semana envolve diferentes parceiros e vários tipos de atividades, numa abrangência que aposta na diversidade para chegar a um maior número de públicos alvo. Da entrega de prémios em que a Igualdade é o tema, aos debates. De peças de teatro, a trabalho com crianças de 3º e 4º ano, passando por conversas com jovens de 2º e 3º ciclo sobre igualdade de género e questões culturais, a panóplia é grande e o que custa é escolher ou arranjar tempo para poder assistir a tudo.

Celebrar o Dia Municipal da Igualdade é uma questão de celebrar a dignidade, o respeito, a cidadania e a democracia. Viva o dia 24 de outubro!!!

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25
Set19

Estar no lado certo não é fácil


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Não pensem que ser ativista é glamoroso. Pode, até, ser moda mas, como qualquer moda, quem não o é por convicção, não sentirá, a longo prazo, que o ativismo incomoda. Ser ativista não é fácil. As pessoas afastam-se. As pessoas rotulam. As pessoas falam pelas costas e dificultam um trabalho que é urgente. De repente, quando dás por ti, perdeste (supostos/as) amigos/as, ganhaste outra mão cheia de inimigos/as. Dizia-me uma ativista que é como se tivesses lepra. Tu abraças as tuas convicções ao mesmo tempo que a maioria se afasta de ti. O mundo parece ser feito para quem bajula, para quem leva ao colinho, para quem diz que sim a tudo, para quem não reivindica.  O mundo tem sido feito pelos quem têm o poder e pelos que querem beber um bocadinho desse poder. Não importa como.

O ativismo é consequência de uma insatisfação de alma. E isto é doloroso. É bastante doloroso. Às vezes, parece uma doença lá dentro, num sítio que nem sabes que existe. O assoberbamento do mundo pesa-te, faz-te perder as forças, hesitas se deves continuar, se não seria mais fácil pensar menos, agir menos, importar-se menos, empatizar menos. Mas é isso que querem, não é? Que deixemos de nos revoltar. Que sejamos mais um/a no mar de desinteresse. E como é fácil o desinteresse...

Não pensem que ser ativista é especial. Não nos faz especiais. Ser ativista é consequência de um mundo que não respeita as pessoas, os animais e a natureza. Ser ativista é perceber que o mundo está torto e que não nos sentimos parte dele. Viver na invisibilidade é dolorido.

Não pensem que ser ativista é nos acharmos superiores. Na verdade, é ao contrário: por vermos tantos/as como nós serem diminuídos é que a revolta começa. Viver revoltada/o é péssimo. Faz mal à saúde.

Ainda assim, ser ativista é o que nos sustenta no equilíbrio. Porque somos assim: almas livres; de diária desconstrução porque também temos os nossos preconceitos; corações sedentos por justiça; corpos que querem viver em segurança. Talvez o ativismo nos melhore os defeitos. Talvez não, porque somos pessoas. Não somos heroínas ou heróis, não queremos medalhas nem menções, não precisamos de validação. Só queremos que nos oiçam, que reflitam e que venham para o lado de cá da barricada. 

Estar no lado certo não é fácil. Mas é menos difícil quando não estamos sozinhas/os.

Eu sou muito, muito grata a quem está connosco.

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