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Feminismos é Igualdade

06
Jul19

A mulher e a (hetero)sexualidade


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Vivemos numa sociedade patriarcal. A forma como esse patriarcado influencia a sexualidade da mulher está patente nos mais diversos preconceitos a que esta é submetida ao longo da vida. Desde logo porque o homem tem elevadas as suas prioridades, interesses e necessidades. Ao homem é dado o benefício de maior vontade sexual e, consequentemente, de poder usufruir em pleno as suas vontades. À mulher são, implicitamente, anexados os rótulos de, por ser mulher, ter pouco apetite sexual, de, por ser mulher, saber controlar os seus impulsos sexuais. A isto alia-se a ideologia da educação, em que as meninas são ensinadas, desde cedo, a acreditar que são diferentes e, por isso, a expressão, o comportamento e as vivências corporais delas devem ser controladas, educadas e polidas segundo os padrões da sociedade. A forma de manifestar o erotismo, pela mulher, é, assim, moldada pelo código erótico do homem, a quem, dentro da normalidade – retire-se aqui, portanto, as chamadas parafilias – tudo é permitido, enquanto à mulher é ensinado o que é desejável, fazendo-a enclausurar o seu desejo e o seu prazer.

O machismo afeta a sexualidade. O machismo afeta a sexualidade feminina quando coloca, na mulher, a culpa pelos abusos que ela sofre. Esta culpabilização percorre uma linha no tempo. Repare-se que, durante o período da inquisição, o desejo sexual era encarado como algo satânico e as mulheres, por serem bonitas e sedutoras, eram rotuladas como tentações do diabo. Muitas dessas mulheres, inclusive, foram queimadas sob o pretexto da bruxaria. No século XIX, então, a atividade sexual ficou marcada, predominantemente, para a reprodução sexual, deslocando o prazer e a autodescoberta para o canto obscuro do pecado. A atividade sexual da mulher casada restringia-se à maternidade e à satisfação do marido. A atividade sexual das mulheres socialmente rejeitadas servia, única e exclusivamente, para usufruto do homem que, não podendo esgotar a sua satisfação com as esposas, procuravam outros corpos para isso. Tanto a umas, quanto às outras era interdita a realização sexual plena. Este binómio sexualidade-reprodução, anexado à sexualidade feminina, é fortemente exponenciado até finais do século XIX, altura em que os estudos de Freud começaram a introduzir a ideia da sexualidade como algo fundamental na vida humana, potenciando discussões sobre sexo e respetivas técnicas, anatomia genital femininas e masculina e formas de prazer feminino. A revolução industrial colocou a mulher no mercado de trabalho, afastando-a da exclusividade – mas sem o deixar de fazer - do trabalho doméstico e dos papéis enquanto esposa e mãe. Ainda assim, até meandros dos anos 50, a sexualidade feminina continuou relacionada à procriação e ao casamento. A introdução da pílula anticoncecional foi um verdadeiro movimento feminista, dando à mulher a livre escolha da maternidade e uma nova e tão ansiada liberdade sexual.

O movimento feminista de emancipação aliou a todos os direitos de igualdade pretendidos, a igualdade de conduta sexual, um fenómeno que se determinou na última década do século passado, com a tentativa de destronamento de vários preconceitos, nomeadamente o da necessidade da mulher chegar ao casamento virgem – ao contrário do homem que deveria ser dotado de uma experiência sexual prévia.

No entanto, apesar da evidente evolução, a sexualidade feminina continua a ser apontada, pela sociedade, como algo menor e desmerecedor de atenção e compreensão e, consequentemente, a satisfação sem culpa ainda é condicionada por aspetos sociais e psicológicos. Os meios de comunicação retratam a mulher como objeto sexual. As campanhas publicitárias aliam, aos seus produtos, imagens de mulheres de corpos esculturais e despidos. A mulher passou de um extremo ao outro: da repressão total à exploração desenfreada da sua imagem sexual. E, pelo meio, não houve tempo para o autoconhecimento corporal, para a exploração das vontades e para a consciência de que a mulher é, tal como o homem, um corpo e uma cabeça feitos de desejo e fantasias.

bannerValentina

 

16
Jul18

Bem-vindas/os ao blog “Feminismos é Igualdade”


umarmadeira

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Este blog, implementado pela Associação UMAR, Núcleo da Madeira, tem como objetivos principais a partilha de opiniões por parte de um coletivo em relação à temática da Igualdade, e a divulgação de notícias relativas à nossa Associação.

A Associação UMAR, na Madeira, já existe desde a fundação da UMAR em 1976. É uma Associação Feminista, que luta pela Igualdade de Género, ou seja, pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. O percurso desta associação, na Madeira, sempre foi de grande esforço e dedicação. Durante muitos anos, as reuniões entre associadas eram feitas em sedes emprestadas de outras associações, em cafés ou em casa das próprias. Apenas em dezembro de 2014, isto é, após 38 anos de existência na região, é que, graças à Câmara Municipal do Funchal, a UMAR conseguiu ter uma Sede.

Embora com poucos recursos financeiros para implementar projetos, a UMAR Madeira desenvolveu, ao longo destes anos, diversas iniciativas na área da Igualdade que importam referir:

  • Vários cursos de formação profissional e de desenvolvimento pessoal integrados em projetos nacionais da UMAR;
  • O livro “Ecos de Memórias”, desenvolvido no âmbito do projeto Memórias e Feminismos, que congrega histórias de vida de mulheres na Madeira (mulheres de diversas classes sociais, idades e de vários concelhos da região), com o objetivo de dar a conhecer a realidade destas mulheres, a importância do seu testemunho e sua história para a sociedade;
  • O Diagnóstico Social pela Igualdade de Género no Funchal, desenvolvido em 2015, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, é pioneiro na Região Autónoma da Madeira. A partir de 500 questionários anónimos, recolhidos em várias freguesias do Concelho, foi possível conhecer e caraterizar a realidade da igualdade de género no Funchal. As conclusões deste estudo permitiram à Associação uma maior abertura, não só a nível de desenvolvimento de iniciativas, como também na criação de materiais relativos a esta temática;
  • O livro “As imagens falam por elas”, que retrata, à base de 300 registos fotográficos, os 40 anos de história do ativismo na Madeira;
  • O projeto “Promovendo a Igualdade na Comunidade e nas Escolas”, desenvolvido em 2017, com a parceria da SECI/CIG*, possibilitou à Associação organizar um grupo de associdadas para receberem formação interna, com o objetivo de serem elas próprias a desenvolverem iniciativas, em nome da UMAR, nas diversas áreas da igualdade de género.
  • Ao longo deste ano e do próximo ano letivo, com a parceria da SECI/CIG, o projeto “Art’themis+” será implementado em algumas escolas da Região, que tem como objetivos a Prevenção Primária da Violência de Género e a Promoção dos Direitos Humanos nas escolas.

Posto isto, com a experiência que foi sendo adquirida ao longo dos anos, tornou-se necessário alargar o debate à comunidade e promover a responsabilidade cívica de todas/os.     

O blog “Feminismos é Igualdade!” vem, então, acrescentar ainda mais vida a estas questões da igualdade de género, uma vez que permite a discussão de ideias e de opiniões em relação a diversos assuntos.

O caminho para a Igualdade de direitos entre homens e mulheres foi, é e deve ser sempre uma luta constante no nosso dia-a-dia!

 

*Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade / Comissão para a Cidadania e Igualdade

 

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