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Feminismos é Igualdade

18
Mai19

Unlucky Louie


umarmadeira

ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

louis

Louis C.K., um dos melhores e mais visionários humoristas contemporâneos vai actuar em Portugal pela primeira vez. O circuito de “primeira liga” do stand-up mundial nunca tinha visitado o nosso país, apesar do paradigma estar a mudar com as vindas de Jimmy Carr, Jim Gaffigan ou Judah Friedlander.

Para quem não conhece C.K., ele é o criador de quase duas mãos cheias – péssima escolha de expressão – de espetáculos de stand-up; de Louie, uma das melhores sitcoms internacionais; Horace and Pete, uma série que tanto é capaz de arrancar a maior gargalhada como a mais sentida lágrima; escreveu também para nomes como Chris Rock, David Letterman ou Conan O´Brian; além de ter feito parte do elenco de filmes “oscarianos” como American Hustle, Trumbo ou Blue Jasmine.

Não é, propriamente, um curriculum que envergonhe ninguém. O que não o pode orgulhar, certamente, é o motivo pelo qual viu o seu nome nas bocas do mundo no final de 2017. O humorista americano foi um dos nomes envolvidos no movimento #MeToo, sendo acusado por várias mulheres de se “auto-gratificar” em frente a elas. As denunciantes eram humoristas em início de carreira e membros das equipas de produção de alguns projectos de C.K. Justificaram a não apresentação de queixa na altura das ocorrências por medo que as repercussões levassem à perda de trabalho. Acrescentando ainda, que o manager - um dos poderosos na América - do humorista as contactou a pedir o seu silêncio.

As acusações foram prontamente confirmadas pelo humorista, onde admitiu a conduta sexual imprópria e o abuso de poder sob essas mulheres. O escândalo levou a que visse o lançamento do seu novo filme e várias séries que produzia canceladas, resultando na perda de mais de 35 milhões de dólares. A polémica não teve impacto na bilheteira do nosso país pois, as quatro datas que foram abertas com o preço individual de 45 euros esgotaram nuns impressionantes quatro minutos.

Levantou-se, novamente, o dilema da separação da obra e do artista. Questão essa que não me consegue ter por inteiro em nenhum dos lados. Acredito que uma péssima pessoa possa criar um objecto artístico incrível. A história da arte dá-nos milhões de exemplos como: Picasso ou Bukowski eram misóginos convictos; Wagner, Ezra Pound, T.S. Eliot ou Walt Disney eram antissemitas; Flaubert pagava para ter relações com menores; Caravaggio matou uma pessoa; Bill Cosby drogou e violou mulheres; Roman Polanski abusou de uma menor, … Será que o filme “O Pianista” passa a ser mau? Ou o “Madame Bovary” torna-se em lixo literário? Não creio. Mas as atitudes destas pessoas são altamente repugnantes e condenáveis.

Como tal, não consigo admirar estas pessoas, mesmo conseguindo gostar do que criam. Parece ambíguo? Sim. Sem dúvida. Mas alguém ser capaz de criar algo colossal na vida de milhões de pessoas e de arruinar a existência de outras, também o é.

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