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Feminismos é Igualdade

29
Jul19

A importância da emancipação económica da Mulher


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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A mulher não quer continuar a ser tratada como ser menor. Constato com mágoa que, embora hoje haja mais mulheres a trabalharem, tanto no sector privado como no público, a sua emancipação económica não está protegida, no século XXI, assim como não era no XIX. Com o avanço da técnica e da ciência as coisas estão a retroceder e é uma angústia para muitas Mulheres. A fragilidade da sua condição de trabalho não é nada agradável, porque direitos alcançados têm vindo a ser esmagados.

Assistimos a lutas de trabalhadores/as, de vários sectores de actividades, a sua maioria mulheres, e são elas que mais reivindicam, por isso não é fácil compreender que, nos quadros superiores, a remuneração base e o ganho médio da mulher chegue a ser, em média, inferior em 40% à do homem para o mesmo nível de qualificação, e continuar a haver discriminação com base no género.

Defendo que a luta pela dignidade dos seres humanos tem de ser uma luta permanente, uma luta de todos os dias, face à desvalorização a que a globalização e a exploração sujeitam, em particular, as Mulheres que são mais exploradas e onde os valores humanos são mais ignorados. É visível que as Mulheres têm tido um papel importante na criação da riqueza e no desenvolvimento da região mas, lamentavelmente, é vítima de diversos tipos de discriminação. As actividades profissionais que habitualmente desempenham, normalmente, estão associadas aos baixos salários, quer no acesso e ascensão da carreira e, ainda, de discriminações com origem em estereótipos de diversa ordem que são usados pelos patrões para as sujeitar a uma maior exploração. Porque além de terem salários mais baixos, ocupam com maior frequência postos de trabalho em que recebem apenas o salário mínimo. Muitas vezes, as suas competências e qualificações são desvalorizadas, e as discriminações indirectas reflectem-se numa retribuição mais baixa ao longo da vida, em prestações de protecção social e pensões de reforma inferiores e em grave risco de pobreza, contribuindo para um acentuar das desigualdades e degradação das suas condições de vida e das suas famílias.

Ao longo dos últimos anos, ouviram-se muitas promessas sobre o combate à precariedade que promovia a insegurança, que era a antecâmara do desemprego e que punha em causa a articulação com a vida pessoal e familiar. Mas, na realidade, pouco ou nada mudou, isto porque o trabalho clandestino e não declarado, onde se enquadra, muitas vezes, o trabalho doméstico e o falso trabalho independente (falsos recibos verdes) continua a existir e afectar mais as Mulheres.

Por outro lado, diz-se, e é verdade, que o índice de escolaridade e as elevadas qualificações académicas das mulheres é superior à dos homens. No entanto, muitas delas estão empregadas mas sofrem fortes discriminações no emprego e na profissão. A instabilidade e a precariedade dos vínculos laborais a que estão sujeitas provoca maior risco de pobreza e é mais elevado entre as que têm contratos não permanentes. Sou abordada várias vezes por mulheres que me confidenciam ser cada vez mais generalizada a precariedade laboral e que é potenciadora de situações de assédio, tortura psicológica no trabalho, de repressão e intimidação, a insegurança, a angústia, condicionando a sua liberdade e o direito de organizarem a sua vida pessoal e familiar, além das consequências negativas na sua saúde.

Também se ouve muito falar do envelhecimento da população e da baixa da natalidade mas quem nos governa ainda não entendeu que sem a alteração das políticas de emprego e de rendimentos e sem melhores condições de vida e de trabalho e protecção social adequada, assim como, respeito pelos direitos de maternidade e paternidade tanto nas empresas como nos serviços, não é possível inverter a espiral do envelhecimento da população.

Eu, que desde muito jovem sempre lutei pela minha emancipação económica, defendo que a segurança no trabalho, salário justo e o respeito e cumprimento dos direitos das Mulheres e a conciliação da vida familiar e profissional têm uma influência determinante na natalidade, porque constituem o principal meio de subsistência das famílias. Assiste-se, lamentavelmente, a um quadro de desequilíbrio de poder na relação laboral, a favor das entidades patronais, as sucessivas alterações laborais, o aumento dos vínculos precários, a intensificação dos ritmos de trabalho e a acelerada redução dos vínculos de trabalho efectivo, aumentam as situações de intimidação, repressão e perseguição às trabalhadoras. Muito se ouve nos dias de hoje da falta de condições de trabalho de ordem diversa (materiais, condições físicas, escassez de pessoal, etc.) aliada à precariedade e a longos horários de trabalho, para além de ser potenciadoras do aumento de lesões e de situações de exaustão física e psicológica. Tudo o que as Mulheres conseguiram ao longo dos séculos ficou-se a dever à luta que foram imprimindo às suas justas reivindicações. Por isso, temos de continuar a lutar para que os nossos direitos que estão inscritos na lei tenham aplicação nas nossas vidas.

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20
Jul19

Num mundo de predadores sexuais, seja Fernanda Colombo


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO PESTANA

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Acordos prévios em primeiro lugar: o mundo em que vivemos está longe de ser perfeito, parece-me que podemos concordar com esta ideia e portanto considera-la consensual. Homem e mulher contribuem negativamente para a imperfeição mundana ou não fossemos todos parte da mesma esfera que poluí a natureza e a sociedade com a naturalidade inconsciente de quem actua sem olhar o dia de amanhã; com a imaturidade de um recém-nascido; com o desdém cúmplice de quem assiste ao genocídio dos seus descendentes mas falta-lhes a iniciativa motivadora de quem sente na pele a dor dos demais. Não pretendo vos falar de ambiente (apesar de ser um tema em que ambos, homens e mulheres, mereceriam uns tabefes bem aplicados pois todos, somos desprezíveis nesta matéria), mas sim de comportamentos positivos que diferenciam os “justos” dos “pecadores”.

Fernanda Colombo, a jornalista e árbitra de futebol que no último mês se notabilizou por proporcionar uma cena engraçada num jogo em que arbitrou, foi mais uma vítima do poder da testosterona que vem dominando o mundo desde o inicio do patriarcado e cuja aplicação é absolutamente generalizada a todas as áreas da sociedade. Após o vídeo em que brincou com um jogador de futebol se ter tornado viral na internet, Fernanda Colombo recebeu uma proposta sexual desprezível via e-mail e na qual lhe propunham encontrar-se com "clientes" por um "cachê mínimo de 7 mil”, reais, presumo. O autor do e-mail, um rapaz de boas famílias, presumo também, adianta que não se trata de prostituição (tratemos as coisas pelos nomes próprios) mas sim de uma “coisa” sem compromisso e cujos seus “clientes” são tipos novos, educados, respeitosos e inteligentes que apenas não têm tempo para socializar e que precisamente por esse facto a procuravam. Bem, se a questão é socializar, eu tenho uma série de amigos que não se importava de tomar umas cervejas e socializar com um tipo que nunca vimos na vida e se ainda receberemos 7 mil reais ou euros tanto melhor. Fica desde aqui a contraproposta do convite. Parece-me que, tal como o mundo à nossa volta aprendeu a designar as coisas e coisinhas com eufemismos, os predadores sexuais também o fizeram, consideremo-lo evolução. Não podemos considerar prostituição porque é apenas para socializar e também não podemos considera-los predadores porque são indivíduos simpáticos e inteligentes que apenas têm problemas no que respeita à socialização. O famigerado professor Taveira também não aliciou alunas e Bill Clinton continua a manter a palavra inicial sobre Monica Lewinsky: “I did not have sex with that woman”.

Fugindo ao tom irónico (parece-me cada vez mais frequente, já não consigo levar estas coisas a sério) deixo os parabéns a Fernanda Colombo pela coragem em denunciar a proposta que recebeu. O poder corrompe e corrompe sexualmente se for necessário. Fernanda Colombo bateu o pé e bem. Quantas outras mulheres já receberam propostas indecentes e calaram-se? Quantas mulheres foram assediadas e pressionadas sexualmente para poderem progredir nas carreiras? Enfim, perguntas que ficam na consciência de cada uma de vós e que pelo menos para vós próprias possam dizer “eu já!” ou “eu nunca, mas conheço quem já tenha passado por isso.”

Batam o pé. Não é não!

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06
Jul19

A mulher e a (hetero)sexualidade


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Vivemos numa sociedade patriarcal. A forma como esse patriarcado influencia a sexualidade da mulher está patente nos mais diversos preconceitos a que esta é submetida ao longo da vida. Desde logo porque o homem tem elevadas as suas prioridades, interesses e necessidades. Ao homem é dado o benefício de maior vontade sexual e, consequentemente, de poder usufruir em pleno as suas vontades. À mulher são, implicitamente, anexados os rótulos de, por ser mulher, ter pouco apetite sexual, de, por ser mulher, saber controlar os seus impulsos sexuais. A isto alia-se a ideologia da educação, em que as meninas são ensinadas, desde cedo, a acreditar que são diferentes e, por isso, a expressão, o comportamento e as vivências corporais delas devem ser controladas, educadas e polidas segundo os padrões da sociedade. A forma de manifestar o erotismo, pela mulher, é, assim, moldada pelo código erótico do homem, a quem, dentro da normalidade – retire-se aqui, portanto, as chamadas parafilias – tudo é permitido, enquanto à mulher é ensinado o que é desejável, fazendo-a enclausurar o seu desejo e o seu prazer.

O machismo afeta a sexualidade. O machismo afeta a sexualidade feminina quando coloca, na mulher, a culpa pelos abusos que ela sofre. Esta culpabilização percorre uma linha no tempo. Repare-se que, durante o período da inquisição, o desejo sexual era encarado como algo satânico e as mulheres, por serem bonitas e sedutoras, eram rotuladas como tentações do diabo. Muitas dessas mulheres, inclusive, foram queimadas sob o pretexto da bruxaria. No século XIX, então, a atividade sexual ficou marcada, predominantemente, para a reprodução sexual, deslocando o prazer e a autodescoberta para o canto obscuro do pecado. A atividade sexual da mulher casada restringia-se à maternidade e à satisfação do marido. A atividade sexual das mulheres socialmente rejeitadas servia, única e exclusivamente, para usufruto do homem que, não podendo esgotar a sua satisfação com as esposas, procuravam outros corpos para isso. Tanto a umas, quanto às outras era interdita a realização sexual plena. Este binómio sexualidade-reprodução, anexado à sexualidade feminina, é fortemente exponenciado até finais do século XIX, altura em que os estudos de Freud começaram a introduzir a ideia da sexualidade como algo fundamental na vida humana, potenciando discussões sobre sexo e respetivas técnicas, anatomia genital femininas e masculina e formas de prazer feminino. A revolução industrial colocou a mulher no mercado de trabalho, afastando-a da exclusividade – mas sem o deixar de fazer - do trabalho doméstico e dos papéis enquanto esposa e mãe. Ainda assim, até meandros dos anos 50, a sexualidade feminina continuou relacionada à procriação e ao casamento. A introdução da pílula anticoncecional foi um verdadeiro movimento feminista, dando à mulher a livre escolha da maternidade e uma nova e tão ansiada liberdade sexual.

O movimento feminista de emancipação aliou a todos os direitos de igualdade pretendidos, a igualdade de conduta sexual, um fenómeno que se determinou na última década do século passado, com a tentativa de destronamento de vários preconceitos, nomeadamente o da necessidade da mulher chegar ao casamento virgem – ao contrário do homem que deveria ser dotado de uma experiência sexual prévia.

No entanto, apesar da evidente evolução, a sexualidade feminina continua a ser apontada, pela sociedade, como algo menor e desmerecedor de atenção e compreensão e, consequentemente, a satisfação sem culpa ainda é condicionada por aspetos sociais e psicológicos. Os meios de comunicação retratam a mulher como objeto sexual. As campanhas publicitárias aliam, aos seus produtos, imagens de mulheres de corpos esculturais e despidos. A mulher passou de um extremo ao outro: da repressão total à exploração desenfreada da sua imagem sexual. E, pelo meio, não houve tempo para o autoconhecimento corporal, para a exploração das vontades e para a consciência de que a mulher é, tal como o homem, um corpo e uma cabeça feitos de desejo e fantasias.

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22
Jun19

Empatia: Um mundo melhor depende de si


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

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Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa, caso estivéssemos na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outra pessoa. Por vezes, sentimos empatia sem sequer sabermos o que isso significa. Mas, nos dias de hoje, com a proliferação da comunicação virtual e distante nas redes sociais, em vez da comunicação presencial “olhos nos olhos”, numa sociedade cada vez mais individualista e competitiva, a empatia começa a rarear. E o que acontece sem empatia? Proliferam a intolerância, o bullying, todos os tipos de violência.

Quando não gastamos nem um segundo para imaginar como a outra pessoa se sente, de onde vem, o contexto onde está inserida e o que passou, sem se lembrar que cada pessoa tem a sua história de vida, e sem tentar perceber como é estar na pele da outra pessoa, surgem as discussões acaloradas (e que normalmente não levam a lado nenhum) nas redes sociais, surge o fim de relacionamentos (familiares, amizades, etc), os crimes de ódio, a violência de género. Sem empatia, é impossível perceber que, em muitas situações, não existe uma verdade absoluta. Existem verdades, que dependem do ponto de vista de cada pessoa. No entanto, existem valores transversais a qualquer verdade. E esses são os direitos humanos (https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos).

Existem inúmeros exemplos de falta de empatia, e os estereótipos e preconceitos resumem isso mesmo. Quando alguém diz que uma mulher “pôs-se a jeito” para ser violada porque usou uma “saia curta”. Quando alguém não se coloca no lugar de um(a) jovem, para tentar perceber de onde veio e porque exibe determinados comportamentos, e toca a rotulá-lo(a) de incompetente. Quando se culpabiliza quem sai fora dos padrões, dizendo que só é gordo(a) quem quer e quem é desleixado(a). Quando se diz à boca cheia que não existem padrões para as mulheres, que a beleza é diversificada e, mal viram as costas, toca a criticar quem não se encaixa nesses padrões – ou porque é muito magra, ou muito gorda, ou a roupa não lhe fica bem, ou devia ter o cabelo assim ou assado, etc. Quando se encaixam rótulos ridículos em mulheres por serem louras, por terem tatuagens, por se vestirem de forma diferente, por terem uma personalidade diferente, por amarem mulheres, por não gostarem das coisas que a maioria das mulheres “deveria” gostar. Quando se diz que uma mulher tirou o homem do sério, por isso quase que “mereceu” ser vítima de violência. Quando se diz que os(as) refugiados(as) vêm “roubar” os nossos postos de trabalho e dinheiro, e ainda que são “terroristas”. Quando se alcunha os(as) desempregados(as) de “vadios(as)”, sem tentar perceber a história individual de cada pessoa. Quando não se percebe que a outra pessoa não pode, nem vai sempre fazer todas as nossas vontades e agir sempre daquela maneira que desejamos – a minha liberdade termina quando começa a do(a) outro(a). Quando se dá mais valor ao seguidismo do que à liberdade de pensamento.

Sem empatia, tornamo-nos egoístas e caímos no julgamento superficial e errado sobre as pessoas. Sem empatia, não é possível sentir compaixão. Sem empatia, proliferam os estereótipos e a hipocrisia. A falta de empatia é também responsável pelos danos que temos causado no nosso planeta. Não é, nem deve ser, apenas direcionada para a espécie humana.

Muitas décadas de abuso e ignorância, em relação à Natureza, trouxeram-nos a este século, onde o futuro da Humanidade está em cheque. Perante tudo isto, vamos continuar a tirar selfies com “sorrisos colgate”, a publicar “postas de pescada” nas redes sociais, e a ignorar o que se passa no mundo? A seguir modas e heróis/heroínas, em vez de fazer mudanças reais e permanentes no nosso estilo de vida? Vamos continuar a competir por bens materiais supérfluos, a tomar decisões sem ter em conta um todo, a mentir descaradamente quanto à falta de direitos humanos essenciais – como a saúde – sem assumir os erros e agir para corrigi-los? Vamos continuar a tapar o sol com uma peneira, a ver se passa por si só? É demasiado tarde para isso. A empatia é tramada. Trabalhar a empatia custa muito, dói cá dentro. Rebenta com o ego. Mas sem empatia, estamos a nos tornar uma espécie mais insensível, superficial e imediatista. Vamos acordar enquanto é tempo? Vamos praticar a empatia “à séria” e transformar o nosso bocadinho de Terra num lugar melhor? Bora lá.

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01
Jun19

O valor do voto


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

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O direito dos povos votarem e elegerem os seus governantes e representantes no poder político foi instituído há cerca de duzentos anos e não começou de forma universal para todos os cidadãos e cidadãs. Nem todos os homens tinham direito de votar e as mulheres estavam excluídas desse direito. Foi preciso muita luta para conseguirem o direito de eleger e serem eleitas. Para que serve o voto? Serve para eleger alguém. Mas nem todas as pessoas estão dispostas a defender os nossos direitos, as nossas necessidades e pretensões. Quem melhor que as mulheres, se forem sérias, para lutarem pelos direitos do sexo feminino?

O Movimento das Sufragistas nasceu da necessidade que um grupo de mulheres sentiu de alcançar o direito à educação em igualdade com os homens e o direito aos filhos, que só os pais é que decidiam da sua educação e demais assuntos que a vida dos filhos envolve. Estas eram as principais razões que as levaram à luta. Lutaram e sofreram muito e conseguiram o direito ao voto em 1918. E em 1925 conseguiram o poder sobre os filhos em igualdade de direitos com o pai, porque os parlamentares e governantes também dependiam do voto das mulheres. É aqui que está o valor do voto: ser força de pressão sobre os que nos governam de modo a conseguir o que temos direito, inclusive o direito de ser eleita em igualdade com os homens.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 26 de Maio foram eleitas, em Portugal, 9 mulheres e 12 homens. O número de eleitas já se aproxima do número de homens eleitos, isto porque existem quotas, não só em Portugal, mas em quase toda a Europa. Segundo li no caderno do Jornal Expresso de 25 de Maio, ainda nenhum país europeu atingiu o equilíbrio total de 50 mulheres e 50 homens nos parlamentos. A grande novidade deste artigo, para mim, é a seguinte: em 1907, na Finlândia, que ainda era um Grande Ducado, pela primeira vez houve eleições parlamentares livres, sem a interferência da Rússia. E pela primeira vez na história da Humanidade foram eleitas 19 mulheres para um parlamento com 200 assentos, quase 10 por cento dos eleitos. Já se passaram 112 anos e o parlamento da Ucrânia tem 11,6/% de mulheres e Malta com 11,9%.

A Finlândia é o país com maior percentagem de mulheres no Parlamento: 47%. A média de mulheres nos parlamentos europeus é de 31,5%. O país com maior percentagem de mulheres eleitas é o Ruanda, um país africano, pobre, que saiu há poucos anos de uma guerra civil, com 63% de mulheres na Câmara Baixa (o equivalente ao Parlamento) e 40% do Senado. Seguem-se Cuba e a Bolívia com mais de 50% de mulheres, o México está em 4º lugar no mundo e só depois a Finlândia e a Espanha. Portugal ocupa a 30ª posição mundial com 32,6% de mulheres no Parlamento Nacional.

Apesar de tudo, muitos e muitas eleitoras não exercem o seu direito de voto, deixando a outros o poder de decisão, o que representa negligência e falta de responsabilidade. Alguém escreveu há poucos dias: “a realização dos nossos deveres engrandece-nos, dá-nos tranquilidade e ajuda-nos a viver melhor connosco e com os outros.” Sejamos responsáveis e, para os próximos actos eleitorais, não deixemos de votar por negligência ou comodismo. O dever chama-nos.

O Dia 1 de Junho é o Dia da Criança. As crianças é o que de mais belo existe à face da Terra, mas precisam de ser queridas, amadas, respeitadas, alimentadas, educadas. Precisam viver num ambiente saudável, habitação condigna e família acolhedora e responsável.

Infelizmente, muitas crianças sobrevivem com muitas necessidades, são maltratadas e abusadas, por vezes pelos seus progenitores ou outros familiares, para não falar dos pedófilos que existem e nem sempre são punidos como merecem. Não esquecer o grande número de crianças a viver em países em guerra, arrastadas por famílias refugiadas e muitas delas afogadas e sepultadas no Mediterrâneo, às portas da Europa, um continente próspero, evoluído, com muita riqueza acumulada e, em grande parte, responsável por estas calamidades.

A Humanidade evoluiu, é capaz de invenções fantásticas, é possível chegar a diversos lugares do universo, mas ainda não é capaz de cuidar devidamente das suas crianças! Triste constatação!

bannerConceição

25
Mai19

Não deixar por mãos alheias o que é nosso!


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ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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O título deste artigo faz parte de um ditado popular que oiço desde pequena. Mas sabemos que nem sempre acontece assim. Houve sempre quem quisesse decidir por nós. Quem nos queira impingir o desconhecido, só porque sim. Quem nos trate ainda com menoridade, ou como minoria, quando sabemos que somos uma grande maioria que pode mudar muita coisa neste mundo.

No mundo em que vivemos estão a acontecer grandes coisas. Boas e más. O que mais me preocupa são os retrocessos no que diz respeito a direitos adquiridos com tanta luta e suor e que fazem parte das nossas vidas com toda a naturalidade. Sei que no mundo actual, outras questões estão na ordem do dia, como as alterações climáticas que influenciam toda a existência na Terra. Mas não considero contraditório continuar a estar atento e não deixar que haja retrocessos naquilo que foi adquirido e lutar com afinco por mudanças de mentalidade na forma como se encara a nossa vivência no Planeta Terra.

Mais do que nunca é preciso continuar a aliar ao que já foi conseguido outras conquistas. Mas há que saber tratar muito bem de tudo. Estar com atenção quando estamos a decidir, seja em relação a quem nos representa, seja em relação ao que vamos fazer. Se nada cai do céu, há coisas que só nós podemos decidir. Saber escolher de acordo com os balanços que fazemos. Não nos demitirmos e só dizer mal apenas porque sim.

Quando decidimos fazer uma escolha temos que conhecer bem o que estamos a escolher e não deixarmos que nos digam que o caminho é por ali, quando sabemos que é por aqui. Quando falamos de escolhas temos que estar conscientes, e seja qual for o resultado, sentirmos que as nossas consciências estão tranquilas.

Que não nos deixamos manipular com medo de maiorias, ou minorias. É tão bom ter o poder nas nossas mãos: de fazer, de dizer, de querer e de decidir. Nunca devemos delegar o nosso poder em quem não acreditamos que seja capaz de nos representar ou defender. Mesmo que nos digam “não vais por aí”, devemos fazer o que a nossa consciência manda. Só assim nos sentiremos realizadas e felizes.

Pela experiência da vida de feminista e activista, de corpo inteiro, pelos direitos das mulheres, sinto que cada vez mais precisamos de Gente que saiba o que fazer quando é preciso agir e defender o que nos interessa. Só assim podemos sentir segurança no prosseguimento da luta e no trazer para a agenda as novas questões que preocupam quem realmente defende os direitos humanos.

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18
Mai19

Unlucky Louie


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ARTIGO DE PAULO SOARES D'ALMEIDA

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Louis C.K., um dos melhores e mais visionários humoristas contemporâneos vai actuar em Portugal pela primeira vez. O circuito de “primeira liga” do stand-up mundial nunca tinha visitado o nosso país, apesar do paradigma estar a mudar com as vindas de Jimmy Carr, Jim Gaffigan ou Judah Friedlander.

Para quem não conhece C.K., ele é o criador de quase duas mãos cheias – péssima escolha de expressão – de espetáculos de stand-up; de Louie, uma das melhores sitcoms internacionais; Horace and Pete, uma série que tanto é capaz de arrancar a maior gargalhada como a mais sentida lágrima; escreveu também para nomes como Chris Rock, David Letterman ou Conan O´Brian; além de ter feito parte do elenco de filmes “oscarianos” como American Hustle, Trumbo ou Blue Jasmine.

Não é, propriamente, um curriculum que envergonhe ninguém. O que não o pode orgulhar, certamente, é o motivo pelo qual viu o seu nome nas bocas do mundo no final de 2017. O humorista americano foi um dos nomes envolvidos no movimento #MeToo, sendo acusado por várias mulheres de se “auto-gratificar” em frente a elas. As denunciantes eram humoristas em início de carreira e membros das equipas de produção de alguns projectos de C.K. Justificaram a não apresentação de queixa na altura das ocorrências por medo que as repercussões levassem à perda de trabalho. Acrescentando ainda, que o manager - um dos poderosos na América - do humorista as contactou a pedir o seu silêncio.

As acusações foram prontamente confirmadas pelo humorista, onde admitiu a conduta sexual imprópria e o abuso de poder sob essas mulheres. O escândalo levou a que visse o lançamento do seu novo filme e várias séries que produzia canceladas, resultando na perda de mais de 35 milhões de dólares. A polémica não teve impacto na bilheteira do nosso país pois, as quatro datas que foram abertas com o preço individual de 45 euros esgotaram nuns impressionantes quatro minutos.

Levantou-se, novamente, o dilema da separação da obra e do artista. Questão essa que não me consegue ter por inteiro em nenhum dos lados. Acredito que uma péssima pessoa possa criar um objecto artístico incrível. A história da arte dá-nos milhões de exemplos como: Picasso ou Bukowski eram misóginos convictos; Wagner, Ezra Pound, T.S. Eliot ou Walt Disney eram antissemitas; Flaubert pagava para ter relações com menores; Caravaggio matou uma pessoa; Bill Cosby drogou e violou mulheres; Roman Polanski abusou de uma menor, … Será que o filme “O Pianista” passa a ser mau? Ou o “Madame Bovary” torna-se em lixo literário? Não creio. Mas as atitudes destas pessoas são altamente repugnantes e condenáveis.

Como tal, não consigo admirar estas pessoas, mesmo conseguindo gostar do que criam. Parece ambíguo? Sim. Sem dúvida. Mas alguém ser capaz de criar algo colossal na vida de milhões de pessoas e de arruinar a existência de outras, também o é.

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27
Abr19

Da liberdade de escrever...


umarmadeira

ARTIGO DE VALENTINA SILVA FERREIRA

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Abril, mês da liberdade. Ontem lancei um livro erótico. O ano passado, por altura do Dia das Mulheres, a Joana apresentou o seu primeiro livro de poesia. A Guida escreve mensalmente para o Diário, fora tudo o que já publicou. A Conceição também escreve desde há muito. Elas, assim como a Assunção, a Cássia e a Carina exprimem-se neste blog. Isto só é possível porque Abril, naquele 25 de cravos e esperanças, permitiu que as mulheres se expressassem livremente em Portugal.

A literatura escrita por mulheres não é moda; tampouco as opiniões escritas por elas. O que se destaca agora, e cada vez mais, é uma adaptação do mercado editorial, cultural e político à voz das mulheres, sendo que até há poucas décadas eram elas quem se encaixavam, secretamente, muitas vezes escondidas sob pseudónimos masculinos, a um mercado feito por e dirigido a homens.

O relato masculino sempre foi o favorito. Repare-se que as grandes figuras femininas da literatura, aquelas personagens marcantes, foram descritas por homens. Uma mulher que escreve sobre outra mulher terá, certamente, outra complexidade.

Sylvia Plath, Judith Shakspeare e Virgínia Stephen tentaram reivindicar igualdade através dos seus textos. As três suicidaram-se porque a pressão era muita. Por cá, em altura de repressão, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa decidiram escrever um livro juntas (“As Novas Cartas Portuguesas”), desafiando os papéis sociais e sexuais esperados das mulheres. Foram censuradas, perseguidas, interrogadas.

A literatura escrita por mulheres é fundamental: mais não seja por sermos mais de metade da população, por termos, como qualquer ser humano, ideias e ideais, sentimentos e opiniões, momentos e movimentos. Conquistamos, aos poucos, o nosso espaço merecido após séculos de opressão, de barreiras, de nãos. Queremos que a interação do feminismo com as artes faça com que a história deixe de ser escrita apenas por homens. Queremos participar. Queremos dar a cara e a voz. Queremos assinar com o nosso nome: Valentina, Joana, Guida, Assunção, Cássia, Carina e Conceição.

Abril trouxe-nos isto: esta gigante pertença a um mundo que é cada vez mais nosso, mais feito das nossas palavras – palavras diferentes porque somos todas mulheres diferentes, porque nos expressamos de forma diferente. A riqueza desta diversidade é o que se impõe agora. Escrevamos mais. Com gritos, se preciso for. Com fúria. Com sede. Mas escrevamos. Ninguém mais nos cala. Obrigada, Abril.

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20
Abr19

A situação das mulheres no trabalho...


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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A luta pela igualdade de género tem vindo a adquirir uma maior visibilidade, mas a lente da igualdade não pode estar desfocada da realidade! As mulheres precisam estar atentas para que a igualdade de género e de cidadania não corra o risco de ser como uma bandeira, justa é certo, mas incapaz de avançar sem luta contra interesses instalados, o que é caso para dizer, que só a união das mulheres podem fazer com que a leis sejam postas em prática, passando-se das palavras aos actos.

Ao longo da história, foram várias as mulheres que enfrentaram o poder instituído, pelo direito ao voto, ou por outros de grande alcance social ou económico, nem sempre valorizadas na sua época. Para as mulheres da minha geração foi com o 25 de Abril de 1974 que muitas puderam abraçar, com engenho e arte, várias causas e lutar por direitos e alcançá-los. Para muitas era um sonho, mas a justeza das reivindicações, a resiliência e entrega fizeram com que os seus objectivos se tornassem realidade, contra o assistencialismo ou esmolas, e as pessoas puderam ver melhoradas as suas vidas.

Estamos nas vésperas das comemorações dos 45 anos da revolução de Abril, mas entristece ver direitos humanos serem desrespeitados. A Constituição da Republica do nosso País é progressista e temos legislação em vigor muito importante, mas a sua aplicação tem pouca ligação à vida das pessoas, por exemplo, no que diz respeito às questões económicas. Houve empenho em todas as lutas, das Mulheres, que se travaram na nossa Região, mas destaco a participação na luta pela sua emancipação económica, para poderem passar a ter um trabalho efectivo, receber um salário ao fim de cada mês, um subsídio de férias e de natal, direitos sociais e, mais tarde, redução do horário de trabalho para 40 horas semanais. Foi uma grande alegria.

Lamentavelmente, hoje constata-se que as mulheres trabalhadoras estão cada vez mais sujeitas à precariedade, a horários longos, trabalho por turnos, banco de horas, horários concentrados, ataque ao descanso semanal e salários de miséria, com todas as suas implicações negativas na organização da suas vidas pessoal e familiar e no seu direito ao lazer e à sua saúde. Não sendo possível excluir as relações de poder e coacção e o assédio no trabalho, quando é sabido que a maior percentagem do assédio é praticado por superiores hierárquicos e chefias directas, sendo as mulheres as maiores vítimas, que não sendo um problema novo assume, hoje, novas e graves dimensões, como uma forma de tortura ou terrorismo psicológico.

Por outro lado, é sabido que os seus salários são, em média, mais baixos que os dos homens trabalhadores e são elas que ocupam com maior frequência postos de trabalho em que apenas se recebe o salário mínimo. O trabalho precário atinge, sobretudo, os jovens, mas as mulheres em maior número. Além da insegurança laboral e da chantagem que é exercida sobre os/as trabalhadores/as, a precariedade serve para pagar salários mais baixos, pois quem trabalha com vínculo não permanente aufere salários muito mais baixo e corre maior risco de pobreza do que quem trabalha com vínculo efectivo.

Para muitas mulheres, conciliar a sua vida familiar e profissional torna-se muito difícil. Muitas ficam obrigadas a interromper a sua actividade profissional, para cuidar dos filhos menores, embora hoje já haja uma evolução: há homens a ocupar-se dessa tarefa, porém, continua a serem as mulheres em maior percentagem, sós, a cuidar dos filhos. As diferenças são maiores nas tarefas domésticas do que nos cuidados familiares. Por outro lado, há que assinalar a grande percentagem de famílias monoparentais do sexo feminino, mas também a adesão dos pais trabalhadores à partilha de licença parental nos últimos anos, que têm evoluído de forma positiva. Outra situação é que há mulheres trabalhadoras mais afectadas pelas doenças profissionais, deixando muitas incapacitadas, e ganham menos 15% que os homens por trabalho de valor igual, são mais penalizadas devido às ausências relacionadas com o apoio às famílias, sendo a diferença maior nas empresas do sector privado.

A desigualdade salarial ainda é mais elevada quando comparamos os ganhos nas qualificações mais altas entre os quadros superiores. Sendo muito importante todo o trabalho a fazer para esbater estas desigualdades e para que as entidades infractoras sejam punidas.

Temos todas/os que lutar por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres, e que os direitos conquistados sejam consolidados e a igualdade seja uma realidade no trabalho e na vida.

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22
Mar19

Um 8 de março de muita luta!


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ARTIGO DE MANUELA TAVARES

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O 8 de março de 2019 foi um dia em que milhares de mulheres saíram à rua por todo o país, em especial em Lisboa, no Porto e em Coimbra. Foi um grito de indignação perante os assassinatos de mulheres por violência nas relações de intimidade. Foi um sinal do repúdio a uma justiça que insulta as mulheres ao desculpabilizar agressores. Foi um levantar de muitas vozes contra as discriminações salariais, a precariedade no trabalho e na vida das mulheres, o assédio sexual, as muitas horas de trabalho não partilhado nas famílias, entre muitas outras questões que dominam as nossas vidas e tornam os quotidianos muito duros.

Podemos dizer que os feminismos saíram à rua numa grande maré mostrando que os espaços de protesto se alargaram a milhares de mulheres e homens, em especial jovens. É esta emergência de jovens feministas no movimento, que nos faz refletir sobre um presente em que as ideias de uma terceira vaga dos feminismos (identidades fluídas e não binárias) se estão a enraizar e a entrelaçar com reivindicações da segunda vaga, caso da luta contra a violência de género, tudo isto reforçado pela consciência das múltiplas discriminações sobre mulheres negras, imigrantes, trans, de diferentes etnias e capacidades.

Como membro da direção da UMAR sinto que temos grandes desafios pela frente, não só em termos de reflexão política feminista, mas também da ação que é preciso ter em relação ao flagelo da violência contra as mulheres, da prevenção nas escolas, da ação mais concertada ao nível da Educação para a Cidadania e em áreas, que não têm vindo a ser faladas nos últimos tempos com a acuidade que merecem, como as infra-estruturas de apoio a crianças e pessoas idosos na rede de serviços públicos.

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