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Feminismos é Igualdade

02
Jun21

Pandemia e desigualdade de género


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Nos últimos meses, algumas Instituições têm abordado em órgãos de comunicação social, vários problemas muito sensíveis que afetam dum modo particular as Mulheres, tais como serem as mais afetadas com o desemprego, na qualidade do emprego, no teletrabalho, na desigualdade salarial, nos baixos salários, com reflexos na baixa natalidade, na conciliação dos direitos da maternidade, na exclusão social.

O drama da escravidão das/os trabalhadoras/es imigrantes, no aumento da pobreza, pessoas que mesmo trabalhando vivem abaixo do limiar da pobreza, no aumento da violência doméstica e, ainda, de várias Mulheres de profissões diversas a assumirem publicamente terem sido assediadas; artistas, advogadas, jornalistas, psicólogas, estudantes, enfermeiras, economistas etc., a contarem o que sofreram e sofrem com o assédio sexual no trabalho, na rua, na noite, na praia, nos transportes, etc.

A Presidente da Comissão Europeia também se sentiu discriminada, aquando da sua deslocação à Turquia, por ser a primeira Presidenta a não ter cadeira para que se pudesse sentar, pois as cadeiras eram só para os homens, tendo ficado chocada.

Não menos verdade, e também visível, é que, com a pandemia, a maioria das famílias perdeu grande parte dos seus rendimentos e mais de metade dos madeirenses admitem dificuldades financeiras, tornando-se claro que os salários em Portugal e na Região são reconhecidamente muito baixos. Estávamos todas e todos com alguma expectativa que da cimeira social a realizar-se em Portugal, face a todo este quadro, saíssem respostas para alguns destes problemas, mas a conclusão que tirei é que foi uma cimeira de meias tintas, num momento Histórico, todos bem-intencionados mas com resultados nulos. Porque a resposta é nada, não há nenhuma medida concreta. O que saiu foi um conjunto de princípios gerais sem poder vinculativo, ficando ao critério de cada país a sua aplicação ou não. Por outro lado, a União Europeia tem vindo a abordar estes problemas, mas sobre a igualdade salarial de género, para que torne obrigatório a adoção de medidas de transparência sobre esta matéria, até aqui as diretivas europeias resultam apenas em recomendações. Nos últimos dados estatísticos tornados públicos, as mulheres ganham menos 14,4% em relação aos homens, mas é nas grandes empresas que mais se sente, ficando a diferença em 26%.

Não menos verdade é que é do conhecimento público que o Comité de Direitos Humanos do Conselho da Europa já concluiu que Portugal tem violado a carta dos direitos sociais da organização por falta de progresso em alcançar a igualdade salarial entre Mulheres e Homens.

Face a tudo isto, é claro que as Mulheres estão mais frágeis perante a pobreza, ocupam ainda uma pequena percentagem de cargos de maior poder, apesar de representarem mais de metade da população, ocupam ainda um número pequeno de assentos nos parlamentos, sofrem mais violência doméstica e ocupam a maior parcela de empregos precários.

É caso para dizer que esta pandemia é como uma guerra oculta contra as mulheres. Se não forem tomadas medidas, a COVID 19 pode apagar uma geração de frágeis avanços em direção à Igualdade de Género, isto porque torna-se visível a desigualdade neste contexto de pandemia.

Como se tudo isto já não bastasse, o aumento da violência doméstica reflete uma realidade alarmante, que com a pandemia se agravou no período do confinamento. É urgente por um fim a este horrível flagelo contra Mulheres e crianças. É fundamental uma mudança, mas só será possível se todas e todos unirmos esforços e atuarmos com determinação para atingirmos a Igualdade e justiça. As ações que forem tomadas determinarão as expectativas, não apenas da atual geração de Mulheres, mas também das gerações futuras.

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10
Mai21

Somos feministas por um mundo novo


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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O pior que pode acontecer à causa do feminismo é considerar que, em nome da pandemia, lutar por esta causa de direitos iguais para todos/as é uma utopia e que o melhor é congelar a nossa luta à espera que a pandemia fique controlada, porque existem outras prioridades.

No meu entender, nada é mais prioritário do que continuar a estar atentas/os aos problemas que surgem na sociedade e que aprofundam, negativamente, os direitos que foram conquistados com tanta luta e com tanto empenho de um conjunto de mulheres, nas quais me incluo. Sempre nos disseram que o que reivindicávamos ou defendíamos era acessório e não era o fundamental.

No entanto, à medida que a nossa luta ia produzindo efeitos positivos e que fomos conquistando direitos que abrangiam todas as mulheres, mesmo aquelas que nada fizeram para que os mesmos existissem, toda a gente começou a ser beneficiada e, então, tudo se tornou importante e a sociedade que nos quis calar passou a aceitar esses direitos como "coisas importantes que devem ser perservadas".

É sempre assim no que toca às mulheres. Começam por atacar mas, depois, existe um render coletivo ao que é conseguido. Foi assim com a maternidade e paternidade. Foi assim com o planeamento familiar. Foi assim com a IVG. Foi assim com o crime público da VD. Foi assim com o direito à adoção. Foi assim com tanta coisa que hoje faz parte do nosso ordenamento jurídico sem qualquer perturbação.

Atacam-nos por nos definirmos como feministas, quando consideramos que devíamos ser tratadas, no cartão de identidade, como cidadãs. Que queremos ser olhadas na rua com respeito e admiração, e não à luz de preconceitos machistas e com assédio. Que queremos ser tratadas no feminino nos discursos oficiais ou nos cumprimentos formais. Não gostamos de ser tratadas no masculino porque nenhum homem nos representa nem nós representamos os homens. Ambos existimos e queremos continuar a ser todos/as olhados/as e tratados/as com respeito e admiração pelo que somos, e não pelo sexo com o qual nascemos.

Lutamos por uma sociedade inclusiva para todos os seres humanos. Queremos um mundo novo para que toda a gente seja feliz e respeitada, independentemente dos credos, religiões, orientações sexuais ou outras coisas que defendam. Cada pessoa é que sabe da sua vida. Cada pessoa é que sabe do que gosta. Cada pessoa é livre para decidir o que quer fazer da sua vida.

Defendo que o que deve predominar nas nossas vidas são todas as cores do arco íris. Só com esse colorido da vida é que podemos continuar a sonhar em ser felizes durante e depois da pandemia. Não podemos deixar de sonhar e de querer que a vida nos proporcione vivências mais felizes, onde cada ser humano tenha o mesmo direito a ser feliz e realizado.

Utopia, dizem. Então, sou defensora de utopias. Precisamos de acreditar que vamos ultrapassar esta pandemia e que, entretanto, não deixamos de lutar por aquilo que consideramos justo. É isso que tem feito a UMAR/Madeira, tentando aproveitar estes novos tempos para organizar documentação que retrate a memória coletiva do que tem sido a luta das mulheres. Queremos deixar o nosso contributo, até para que a memória não se perca. Estamos a trabalhar em mais documentos que servirão para debates futuros, porque a pandemia vai passar e vamos continuar a lutar por um mundo novo sem desigualdades e com mais empatia entre todas as pessoas.

A nossa luta por um Feminismo de intervenção não para e nenhuma pandemia o vai destruir.

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04
Mai21

A Pandemia dos Afetos: Luz e Sombra


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINSiStock-1161961593-1

"Seis em cada dez portugueses passaram a valorizar mais os afetos com a pandemia." (Estudo Free Now)

 

A pandemia ainda não chegou ao seu fim, e continuamos num ciclo de vagas que sobem e descem ao sabor de números maiores e menores de casos de COVID-19. A cada nova vaga, mais estragos se fazem nas estruturas da sociedade que vão além das pessoas que são infetadas pelo vírus, e as que partem. Poderia falar dos estragos económicos, do encerramento de empresas, do desemprego, da pobreza, da incerteza no amanhã. Poderia falar no desgaste no sistema de saúde e de ensino, e das consequências da sua fraca valorização nas últimas décadas. Mas hoje, decidi abordar algo diferente.

Diz um estudo, realizado em oito países europeus, que os portugueses são os que mais passaram a valorizar agora as manifestações de afeto – abraços, beijos, etc. – do que antes da pandemia. O que dávamos por garantido, foi abalado num piscar de olhos, há pouco mais de um ano. Em nome da saúde e da segurança dos/as familiares e amigos/as, deixámos de conviver sem restrições, deixámos de visitar os/as nossos/as idosos/as, deixámos de trabalhar lado a lado com os/as nossos/as colegas, e todos os contactos presenciais tornaram-se cada vez mais raros e restritos.

Tentámos compensar a solidão e a carência afetiva com o contacto virtual. Salvou-nos (ou assim pensávamos) as videoconferências, as chamadas e as mensagens. Continuámos a trabalhar, através dum ecrã, muitas vezes sem fronteiras entre o pessoal e o profissional, entre o dia e a noite. Tudo se passou a fazer à distância dum clique. Mas o vazio, esse, continuou a crescer dentro de nós.

Fomos forçando a barra, muitas vezes lutando contra nós mesmos/as e contrariando aquilo em que sempre acreditámos, tentando surfar as ondas que surgiam, uma atrás da outra. Tal como surfistas frescos/as na competição, não sentimos o forte embate das primeiras ondas. Mas, à medida que o cansaço se foi instalando nos músculos e na mente, fomos perdendo o controle sobre a prancha, o equilíbrio, e acabamos desmoronando pouco a pouco, enrolados pelas ondas.

A princípio, não aceitámos que tal fosse possível. Afinal de contas, éramos “fortes e resilientes”. Só que, agora, fomos obrigados/as a estar mais connosco mesmos/as, a passar mais tempo dentro de casa, dentro de quatro paredes. E começou a emergir a Sombra, aquilo que passámos a vida toda a varrer para debaixo do tapete, aquilo que nunca quisemos conhecer e integrar.

A Sombra manifestou-se de forma diferente em cada pessoa. Revelou o que precisa ser curado, seja individualmente, seja enquanto Humanidade. Vieram à tona as intolerâncias para com as diferenças, a xenofobia e o racismo. A todo o custo, quisemos arranjar culpados/as para o que estava a acontecer, e descarregámos as nossas frustrações em quem estava mais próximo de nós, muitas vezes na forma de raiva – que nada mais é do que um reflexo do medo – e de comportamentos violentos. Procurámos subterfúgios para não querer trazer a Luz à Sombra.

E os meses foram passando. E a Sombra e a Luz foram dançando o seu tango, ora à luz do dia, ora ao luar. A dualidade tornou-se cada vez mais evidente e muitas pessoas também começaram a se tornar mais conscientes da necessidade duma mudança de paradigmas.

Só que a Sombra quer manter o status quo, o sistema tal como era antes da pandemia. A Sombra alimenta-se dos nossos medos, e alimenta o nosso Ego. E a Luz treme com o vento que agita as ondas, maiores ou mais pequenas, a cada mês que vai passando neste planeta, neste país, nesta ilha.

Estamos a chegar a um ponto onde já não aguentamos mais e precisamos de expressar os nossos afetos, de visitar os nossos entes queridos, de conviver. Mas, logo em seguida, vem aquele sentimento de culpa exacerbado por quem aponta o dedo e pelos mídia… “E se apanhei?… E se contagiei?” E surge o medo. E segue-se o confinamento, o teste, a espera silenciosa… A doença é mais contagiosa nos convívios e nos momentos de lazer, dizem… E as vacinas não impedem o contágio, dizem… A cada dia, uma nova notícia, uma contradição, um novo medo… e instala-se a confusão mental.

No entretanto, muitas pessoas vão morrendo, pouco a pouco, de solidão, de tristeza, de desalento. Outras, vão desesperando e acumulando dores profundas. E ainda, outras vão seguindo cada dia em modo automático, com olhares vazios perdidos num pequeno ecrã que seguram nas mãos e levam para todo o lado. Sorriem para as imagens que lá surgem, mas a tristeza nos seus olhares mostra que a alegria está algures perdida, dentro do peito, à espera de ser resgatada.

Esta pandemia é também uma pandemia de afetos. E por mais que pretendam transformar-nos em robôs, virados/as para a produtividade a todo o custo e com medo do lazer, somos Seres Humanos. Como Humanidade, precisamos encontrar uma nova forma de viver, equilibrando o presencial com a tecnologia, uma vida mais sustentável em todos os aspetos.

Que não precisemos de perder para valorizar. Que possamos novamente abraçar e beijar livremente. Que consigamos nos recuperar, também, desta pandemia dos afetos, e nos tornemos mais Humanos/as do que antes.

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02
Mar21

Consequências da pandemia!


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Neste já longo período da pandemia covid-19, as mulheres têm vivido momentos de grande stress e ansiedade, sendo confrontadas com muitas informações sobre a pandemia. Algumas verdadeiras, outras nem tanto, aparentemente com o intuito de confundir e baralhar as pessoas menos esclarecidas, e menosprezar a gravidade da pandemia que se abateu sobre a Humanidade. Ao longo deste período, muitas/os perderam as suas vidas, outras/os ficaram sem meios para viver com alguma dignidade: perderam o emprego, a sua habitação e os seus rendimentos, com graves consequências para as suas famílias.

Com o evoluir da pandemia e as suas medidas de confinamento, muitas famílias viram-se sem meios para sobreviver, sendo obrigadas a recorrer a Associações, IPSS e Juntas de Freguesias, etc.. Precisam de auxílio para poderem ter comida na mesa. Outras, nas suas casas, mesmo com grandes dificuldades, mas envergonhadas, porque nunca pensaram que algum dia seriam confrontadas com a pobreza e miséria, pois essa situação só acontecia a outras pessoas. Chegar ao fim do mês e não ter meios para pagar as suas despesas era impensável.

Por outro lado, algumas Mulheres sentem alguma revolta por haver pessoas sem escrúpulos a se aproveitar da pandemia. Enquanto aumenta o desemprego e a pobreza, cresce o número de milionários, que esvaziam os direitos de quem trabalha e aumentam o trabalho precário, baixam salários e ameaçam com despedimentos das e dos que mais sofrem com esta pandemia. Incentiva-se o drama do teletrabalho para milhares de mães e pais com crianças a cargo, com o novo confinamento, onde o governo insiste em manter um regime que deixa as pessoas entre a espada e a parede. Muitas mulheres são forçadas a acumular o teletrabalho com assistência às crianças, situação que provoca stress laboral, instabilidade emocional e intranquilidade familiar. Toda esta crise tem escancarado cada vez mais desigualdades na partilha de tarefas. As mulheres são as mais sacrificadas com esta pandemia. As consequências do teletrabalho têm uma dimensão na igualdade de género.

A crise social vai deixando as pessoas desesperadas, porque não são momentos propícios à socialização, à convivência que nos aproxime enquanto seres humanos. No que toca à violência doméstica, contra mulheres e crianças, o próprio confinamento e com as crianças fora da escola é propício a essas situações de agressão, dificultando a queixa.

Embora tenha havido ao longo dos últimos anos algum trabalho de consciencialização sobre a criminalidade dentro de casa, ainda morrem muitas mulheres, muitas crianças são vítimas de violência e, como se ainda não bastasse, somos um dos países que pior tratam as pessoas idosas.

Há ainda um longo caminho a percorrer na prevenção, sendo muito importante a disciplina de ensino para a cidadania. Há que continuar a luta por uma justa distribuição dos rendimentos que garantam a solidariedade, protejam os direitos das crianças e promovam a justiça social.

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02
Fev21

A Liberdade é uma luta constante


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

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Estamos a iniciar o mês de fevereiro de 2021 e mais parece que é uma espécie de prolongamento de 2020. Por mais que deseje diversificar estes textos de opinião, não consigo fugir à pandemia e às consequências sociais e económicas de toda esta situação.

Parece que já vimos este filme, ou que estamos na segunda (ou terceira) temporada da mesma série dramática, na qual todos e todas participamos. Mudam os protagonistas, mas a situação mantém-se semelhante, num enredo onde parece que, com muita tristeza, vira o disco e toca o mesmo.

Na verdade, as sociedades continuam focadas em regressar ao antigo normal, pré-pandemia, sem fazer as mudanças estruturais necessárias a uma transformação global que urge. Observo como se tenta tapar com remendos o que se poderia ter prevenido, houvesse a vontade e ousadia necessárias. Vejo como se tenta, a todo o custo, manter o sistema a funcionar da mesma forma, privilegiando “os grandes” em detrimento dos “pequenos”, onde as grandes fortunas ganham com a pandemia, a classe média empobrece ainda mais, o desemprego e a pobreza disparam, o acesso à informação está cada vez mais condicionado e os flagelos sociais crescem exponencialmente.

Apesar da pandemia afetar todas as pessoas, a história repete-se. São nestas alturas que o melhor e o pior da Humanidade vêm à tona, com mil cores e formas diferentes que ilustram somente a dualidade existente em cada ser humano. Os populismos e neofascismos grassam terreno, com discursos que apelam ao “confinamento mental” das pessoas, fechando portas à diversidade, às liberdades, às escolhas, à interculturalidade e ao que está “lá fora” e é “diferente” do dito “normal”, como que alimentando uma espécie de territorialidade primitiva da nossa espécie.

No entanto, a História já nos tem mostrado, por diversas vezes, que onde há fumo, há fogo. Ou seja, que estes movimentos surgem para chamar a atenção de que o sistema está a fraquejar e as mudanças são urgentes, antes que haja mais retrocessos em direitos fundamentais e ameaças à liberdade e igualdade entre todos os seres humanos – o que já aconteceu em vários países do mundo. Só que, quando se combate o fogo com o fogo, a chama tende a crescer e caminha-se para uma guerra, seja que forma tiver. Isso já aconteceu várias vezes na História da Humanidade… Será que aprendemos a lição?

Mudanças de fundo precisam-se. Propostas concretas, que cheguem a todas as pessoas e que mudem diversos paradigmas que só têm aprofundado, cada vez mais, desigualdades e violências. O sistema global precisa de mudar, para que caminhemos para uma verdadeira sustentabilidade social, económica e ambiental – na prática, não somente em discursos e documentos. Essa mudança começa em cada um/a de nós. Aproveitemos estes tempos para olhar para dentro, para observar a nossa vida, a nossa casa, a nossa família, e tentar perceber de que forma podemos concretizar mudanças para viver num maior equilíbrio com a Terra.

Sei que há quem lute diariamente para sobreviver, e que não tenha qualquer espaço mental ou emocional para pensar em mudanças. Exatamente para permitir que todas as pessoas sejam agentes da transformação na Terra, deveria ser aplicado um Rendimento Básico Universal para permitir que todas e todos, sem exceção, tenham o suficiente para as suas necessidades básicas, sem necessidade de fazer provas burocráticas disto e daquilo. Acabar com o paradigma de aceitar qualquer trabalho com quaisquer condições (muitas vezes, miseráveis) somente para sobreviver. Acabar com as vidas de sacrifício permanente, de décadas de trabalho para depois usufruir reformas miseráveis. Acabar com as desigualdades, e a falta de empoderamento das/os mais desfavorecidas/os. Acabar com os apoios míseros, que muitas vezes nem permitem pagar as contas básicas de água e luz, e substituí-los por este rendimento. Por mais dignidade.

Afinal de contas, o Estado somos nós. O dinheiro que circula diz respeito à contribuição de todas e todos nós. E se somos todos/as um/a só, também somos capazes de trabalhar em conjunto, em prol dum novo mundo, quebrando paradigmas ultrapassados e deixando vislumbrar novos horizontes, onde a liberdade seja uma constante, onde haja respeito por todas as diferenças e origens, onde os talentos e aptidões possam ser desenvolvidos e contribuir para a felicidade e bem-estar de todas e todos, onde possamos deixar brilhar, simplesmente, a nossa luz, de mil e uma cores.

Sei que as mudanças estruturais levam tempo, e não são fáceis. Até lá, comecemos por olhar à nossa volta e valorizar aquelas coisas tão belas e tão simples, que estão mesmo à nossa frente e que raramente “vemos com olhos de ver”. Observemos o céu, a paisagem, escutemos os sons da Natureza e procuremos focar a atenção, sempre que possível, no momento presente e no que nos faz sentir em paz. É aqui que começa a verdadeira transformação da Humanidade. Dentro de cada um/a de nós.

Que a liberdade seja uma constante nas nossas vidas.

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14
Dez20

Frappart, Dapena e COVID-19


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ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Nesta época em que vos escrevo tantos são os assuntos que merecem o destaque das minhas palavras pelo que optei por destacar três assuntos: 

No passado dia 2 de Dezembro, a francesa Stéphanie Frappart fez história ao tornar-se na primeira mulher a arbitrar um jogo da Liga dos Campeões de futebol sénior masculino. Alguns amantes do futebol provavelmente nem deram pelo marco histórico e isto deve-se ao simples facto de ter sido apenas mais um jogo da liga milionária dirigido por um árbitro que na instância era uma mulher. Nada mais do que isto. Nos cafés não se discutiu a já tradicional arbitragem, ninguém se indignou, os jogadores respeitaram a juíza, a vida seguiu o seu percurso normal e a caixa de Pandora manteve-se fechada. Com efeito o ferreiro dos Deuses e criador de Pandora, Hefesto, seria hoje um Deus de consciência tranquila. Hoje a mulher consegue se imiscuir e, não raras vezes, suplantar o homem nas tarefas e actividades que deveriam ser de todos. Meu Deus, Hefesto, estais ilibado de todo e qualquer estigma. Haveis criado apenas o igual ao homem, apenas algo mais atraente.

Ainda no desporto, Maradona, deixou o reino dos mortais para cruzar o rio Estige e o mundo chorou a sua partida homenageando-o das mais variadíssimas formas. Bom, “homenageando-o” é na verdade um eufemismo sendo que houve ainda quem quisesse demonstrar repúdio perante alguns dos valores defendidos por Maradona. Paula Dapena, jogadora de futebol da equipa espanhola Viajes Interrías FF recusou-se a prestar homenagem ao Deus do Futebol Diego Armando Maradona sentando-se no chão de costas voltadas enquanto se fazia um minuto de silêncio pelo desaparecimento do vulto desportivo. Quando questionada acerca da atitude, Dapena referiu que “quando se assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, esses gestos não foram feitos. E se não houve um minuto de silêncio pelas vítimas, não estou disposta a fazê-lo por um agressor". A atleta demonstrou ter mais coragem do que muitos homens ao ter uma voz diferente, mas simultaneamente assertiva perante alguns episódios. Os organismos que gerem o futebol, poderiam aprender algo desta posição e passar a utilizar a sua influencia para erradicar a violência contra as mulheres. Fica a ideia a quem de direito.

Por outro lado temos ainda o COVID-19 nesta época natalícia. Viver o natal em plena pandemia não será apenas um desafio mundano, pode mesmo ser um desafio pela sobrevivência. Com o vírus chegou também a crise e a nossa pérola do Atlântico não é excepção. O turismo abrandou para níveis nunca vistos e o grande motor da economia estancou. Milhares de pessoas precisam de apoio como nunca, e este natal poderá vir a ser pouco feliz para algumas famílias. Temo que os efeitos da pandemia agravem a violência doméstica uma vez que certamente fará aumentar os níveis de stress e a inabilidade em ultrapassar as depressões que se avizinham. Cabe-nos a todos ser vigilantes e ajudar homens, mulheres e crianças nesta época mais negra.

Lembrem-se de passar o natal em segurança, por vós e pelos outros.

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19
Out20

Sobre o Medo


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ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

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E de repente o medo chegou, mas já não veio sozinho.

Como habitualmente, já sem forças para lutar,

deixou-se escoltar pelos seus companheiros de viagem habituais:

o egocentrismo e a discriminação.

 

Já todos sabemos, de tanto ouvir dizer, que vivemos tempos difíceis e que a tendência é para piorar.  Esta tem sido uma dissertação escrita a diversas mãos, com espaço permanentemente reservado na Comunicação Social e para a qual não têm faltado os indispensáveis argumentos, provas e exemplos, sem faltar a necessária validação da autoridade “científica”.

A narrativa que tem vindo a ocupar o espaço público de comunicação é de tal modo que nos pode levar a acreditar que a expressão tão popular “éramos felizes e não sabíamos” se aplicava a toda a população, no passado recente que a pandemia COVID-19 veio interromper. Mas, não esqueçamos que, para um grande número de cidadãos e cidadãs, a situação em que viviam já era marcada por enormes dificuldades, tornadas insustentáveis com esta pandemia. Nunca é demais lembrar que a pobreza, a violência e o abandono matam mais do que qualquer vírus e estão cada vez mais escondidos, ofuscados pelas contingências dos tempos atuais, em que, devagarinho o medo se instala.

Primeiro o medo do vírus, anónimo, irreconhecível - um inimigo que nos rouba o futuro e aqueles que amamos. Com ele, as prioridades mudam e os círculos fecham-se, ameaçando grupos que pela sua fragilidade e invisibilidade ficam fora de qualquer círculo, presos à sua sorte.

Depois, o vírus vai deixando o seu anonimato e ouvem-se os arautos, que começam a delinear as suas faces, os seus perfis. Não as situações, as dificuldades e o desconhecimento, afinal, isso não serve às audiências.

Finalmente, esse medo vago e impreciso começa a ter forma. É o estrangeiro, a viajante, o vizinho, a funcionária. Assim, começa a discriminação e o egocentrismo, companheiros do medo que o desumanizam. São estes os sentimentos que urge destruir e substituir por uma verdadeira responsabilização cívica, com a certeza de que são, sobretudo, as situações que nos colocam a nós e aos outros em risco.

Sendo importante reconhecer a importância de todas as medidas que visem a proteção da saúde de todas e de todos, daqui não se pode partir para a estratégia generalizada do medo. Devemos sim assumir a nossa responsabilidade cívica de não deixar ninguém para trás, pois não podemos correr o risco de perder a nossa a humanidade.

Aos profissionais de saúde cabe a hercúlea tarefa de salvar as vidas, mas salvar a fé na humanidade é um trabalho de todas e de todos nós.

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21
Set20

Retrocessos…


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ARTIGO DE CÁSSIA GOUVEIA

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Em breve, assim espero, ouviremos falar da Era Pós-Pandemia. Estamos em plena transição, inaugurando uma Nova Era mas, enquanto não completamos essa transição, façamos uma reflexão. Desde o início do ano, temos vindo a verificar alguns pontos de rutura, imensas alterações climáticas, a pandemia Covid-19, movimentos antirracistas um pouco por todo o mundo e a falta de uma liderança mundial com capacidade para avaliar situações de risco, que comprometem vidas e os direitos humanos.

Esta pandemia provocou um reset mundial em que, pela primeira vez na história, família, educação e trabalho passaram a acontecer de forma simultânea e no mesmo lugar, dentro de casa... Mas nem todo o cenário é bonito.

Sabemos que a igualdade é fruto de lutas por direitos, mas o que muitos desconhecem é que existem muitas formas de desigualdade, umas às claras e outras disfarçadas com hipocrisia. Ultimamente, o que mais tenho assistido é a pandemia servir de justificação para tudo. Já chega de taparem o sol com a peneira, muitos dos problemas já existiam aos olhos da sociedade hipócrita em que vivemos. Ora vejamos, esta pandemia só veio agravar as desigualdades existentes e revelar, uma vez mais, mas agora com mais intensidade, as deficiências nos sistemas sociais, políticos, económicos e ambientais. Não há respostas para tudo e a ajuda não chega a todos e todas. É preocupante a perda de milhões de postos de trabalho pelas mulheres, sobre as quais também recai a falta de partilha das tarefas de cuidar das crianças e dos idosos. É angustiante saber que a pandemia e as medidas de confinamento provocaram um aumento de casos de violência doméstica. Fico aterrorizada só de pensar que muitas mulheres e crianças ficaram à mercê dos agressores que ficaram em casa por causa da quarentena, com todos os riscos e perigos que essa presença em clima de tensão acrescida podia gerar. “Mais do que nunca, é preciso haver tolerância zero à violência doméstica”, escreveram os embaixadores dos 124 Estados-membros da ONU – portanto, mãos à obra e coloquem em prática. Lembro também os mais esquecidos, as pessoas sem abrigo, pois quem não tem habitação, quem não tem acesso a água e energia é mais vulnerável à contaminação e não tem como defender-se. Brevemente, mais propriamente daqui a um ano, lembrar-se-ão delas e imaginem lá porquê?

Há umas semanas via, incrédula, no telejornal que, em África, havia um aumento da fome e perda de vidas humanas, com mulheres a morrer em trabalho de parto por não conseguirem ter acesso ao hospital. Nos campos de refugiados, são muitos os dramas que por lá se vive – já existiam antes da crise sanitária é verdade, mas agora, aumentaram. O que temos sabido sobre estes seres humanos tão frágeis e vulneráveis, em particular sobre as mulheres e crianças refugiadas? Há respostas? Há soluções?

O novo coronavírus impôs-nos muitos desafios. Um vírus que apesar de não olhar a geografias, na verdade não atinge todos os países e povos da mesma maneira. 

Precisamos de inverter todas as desigualdades que esta pandemia nos trouxe. Na verdade, não foi a pandemia e sim o ser humano que estava à espera de um pé em falso para que estas desigualdades viessem ao de cima. Precisamos de acabar com a desigualdade entre homens e mulheres que, em momentos de crise, provoca sempre inaceitáveis recuos nos direitos das mulheres, sem esquecer que estas crises são uma ameaça à proteção dos direitos das crianças.

Se a recuperação mundial for apenas focada na eficiência e no lucro a curto prazo, sem um olhar cuidadoso para a inclusão, corremos o risco de perder décadas de avanço na igualdade, o que seria péssimo para todos e todas.

Estão, assim, a surgir novos perigos, face a este novo padrão para o qual todos e todas devemos estar atentos e atentas. Que as pessoas tenham consciência: está à porta uma 2ª vaga, não ignoremos os gritos silenciosos. Os direitos humanos não podem ficar de quarentena, há que os defender diariamente.

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07
Set20

Avanço ou retrocesso?


umarmadeira

ARTIGO DE GUIDA VIEIRA

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Este ano de 2020 está a colocar desafios novos em todos os sentidos. Ou em nome da pandemia que percorre o mundo, devido a um vírus para o qual não foi encontrada a cura, se aceita retroceder nas liberdades, direitos e garantias, das e dos cidadãos ou, então, levantamos a cabeça, arregaçamos as mangas e não deixamos que isso aconteça.

Eu opto sempre pelo caminho de agir e não deixar de trabalhar naquilo em que acreditamos. Se achamos que o mundo continua desigual no que toca aos direitos das mulheres e de todas as pessoas que se sentem discriminadas ou marginalizadas por serem diferentes, quer seja na cor, orientação sexual, deficiência, etc., temos que continuar o nosso trabalho.

Não pode ser como era antes da pandemia; então, encontremos as novas formas de comunicar com a sociedade, mas vamos à luta que já se faz tarde. Não deixemos que este problema sanitário nos retire os recursos para fazermos o nosso trabalho na prevenção de todas as formas de violência e discriminação contra as mulheres e todos os seres humanos. Continuemos a exigir que o tema da importância da igualdade de género não saia das agendas de quem tem o poder nas mãos, porque são eles que também têm os recursos para apoiar quem trabalha nesta área.

Neste momento, a Região não tem nenhum plano aprovado contra a violência doméstica. O anterior já caducou com o governo que antecedeu. No entanto, os casos aumentam e, agora, de forma mais sorrateira, vão surgindo notícias de espancamentos de mulheres, de entradas nas urgências sem nunca mencionar o termo violência doméstica. Noticiam: “Uma mulher foi brutalmente agredida”; “Uma mulher foi às urgências com vários ferimentos na cara e no corpo”, etc., nunca mencionando o que causou essa situação. Fica nos segredos das quatro portas, para dentro, para onde estão e voltam a estar as mulheres.

Não há pandemia que possa parar o que tem que ser feito. Tenho ouvido muitas reivindicações, mas ainda não ouvi quem fale na necessidade de não baixar a guarda sobre este grave flagelo. Os Governos, Central e Regional, têm que colocar na agenda a prevenção e a ação contra a violência, como uma prioridade muito importante da sociedade. As Associações que trabalham nesta área não podem ficar despidas de recursos, porque o seu trabalho é uma ajuda fundamental para a efetivação dos direitos humanos que, se saiba, não foram suspensos devido à pandemia.

O trabalho voluntário das Associações tem limites, em vários sentidos. Os recursos humanos estão mais limitados, sobretudo das pessoas consideradas de risco, e há trabalho que tem que ser mesmo remunerado porque toda a gente precisa de ter recursos financeiros para viver.

Todo o trabalho na defesa dos direitos humanos devia ser considerado um investimento primordial dos orçamentos governamentais e devia ser distribuído por quem faz um verdadeiro trabalho para que a sociedade se torne mais tolerante, respeitadora, em que todos os seres humanos possam ser felizes e iguais. Alguns/umas continuam a dizer que isto é uma utopia, mas eu acredito piamente nela e agarro-me a ela para continuar a lutar por um mundo melhor e mais justo.

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13
Jul20

Mudam-se os tempos... E as vontades?


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

dualidade

O mundo está em ebulição. De um tempo de confinamento, em que a palavra de ordem era “vai ficar tudo bem” e a solidariedade estava na moda, a urgência de voltar ao dito “normal” e a necessidade de manter o sistema tal como estava antes da pandemia, a todo o custo, está a fazer com que assistamos a, cada vez mais, dualidade e extremismos no mundo.

Custa perceber como é que grande parte da Humanidade não aprendeu nada com estes últimos meses. Como ignorou os sinais do planeta e tentou pintar a pandemia ou de cor-de-rosa, ou de negro. Mais uma vez, dois extremos…

As notícias são quase que um diário da pandemia, salientando claramente os países onde a situação está “pior”. Lançar permanentemente o medo para formatar as mentes é o que está na ordem do dia. Ao mesmo tempo, novamente no lado oposto, surge o discurso da retoma económica e do “vai ficar tudo bem” quando não está tudo bem. E passa-se dum extremo para o outro, saltitando e confundindo quem se deixa absorver.

As desigualdades quase que passam ao lado por entre os pingos da chuva de discursos em tempos de COVID-19, mas estão a tornar-se cada vez mais evidentes. Não apenas desigualdades, mas também os tratamentos desiguais em todo este processo.

Há quem tenha que se deslocar diariamente para o trabalho em transportes públicos lotados, sem qualquer segurança. Há quem trabalhe em empresas sem quaisquer condições, mas que não possa abrir a boca porque precisa dum trabalho temporário e altamente precário para sobreviver. Há quem esteja a sofrer com o desemprego ou com a suspensão da sua atividade, e tenha muito pouca proteção social. Há quem seja estigmatizado/a pelo local onde vive. Há quem tenha que se desdobrar em mil e uma funções entre quatro paredes, num espaço minúsculo, onde ter um tempinho para si passou a ser um luxo. Há quem conviva diariamente com a violência e se sinta sem saída. Há quem esteja só. Há quem não tenha o que comer, há quem esteja no fundo do poço, há quem não saiba o que mais fazer para continuar… Enquanto outros/as se queixam de não poder viajar nas férias, ou de não poder assistir a um festival…

Pouco se fala destas situações. Porque o fundamental é falar da pandemia e da retoma económica, sem fazer as mudanças estruturais necessárias para dar o salto evolutivo e se preparar para a próxima fase. Investe-se em “cuidados paliativos” económicos, em vez de apostar na dignidade humana. Exige-se muito a muitas pessoas, e faz-se o oposto. Manipula-se as mentes para se vigiarem umas às outras. Culpabiliza-se o lazer e o fazer o que se gosta. Agarra-se ao exterior, ao viver para fora, fugindo a sete pés do interior. Assiste-se a quem brinca com o vírus, e a quem se isola com medo de tudo. Promove-se a desunião em todo o lado, até dentro de grupos que deveriam ser mais unidos e tolerantes. Cada vez menos se aceitam verdades diferentes, perspetivas diversas e olhares distintos. “Tenham medo, sintam raiva, sejam intolerantes… Mas… vai ficar tudo bem.”

Nesta curva pandémica de dualidade, estamos a caminhar a largos passos para o seu pico. Agarrando-se aos alicerces que sustentam a mesma curva, que são feitos de madeira altamente corroída por térmites. Foge-se da mudança, repete-se os erros e aposta-se na mesma fórmula, vezes e vezes sem conta…

Deseja-se um mundo melhor, mas faz-se exatamente a mesma coisa, dia após dia. Resiste-se à mudança, de dentro para fora... Deseja-se paz, mas promove-se constantemente a guerra, seja ela física, verbal ou escrita. Prega-se tolerância e convivência pacífica, mas pratica-se a intolerância para com quem não pensa ou sente exatamente da mesma forma. Defende-se os direitos humanos, mas na prática pratica-se a desigualdade em muitos campos da sociedade.

Sem coerência entre a palavra e a prática, o mundo não irá mudar para melhor. Sem integração da aprendizagem, tudo irá continuar igual. Os seres humanos são cocriadores da sua realidade, mas quando é que terão a coragem para se libertar da dualidade e do materialismo para criar, realmente, um mundo mais pacífico e igualitário?...

Esperemos por cenas dos próximos capítulos.

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