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Feminismos é Igualdade

07
Dez19

Ele ajuda a mulher em casa. Que coisa tão linda e progressiva!


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Nesta época natalícia que se avizinha, quero vos presentear com a descrição sucinta de um artigo muito suis generis que tive a oportunidade de ler a semana passada no website da revista “Visão”, e que dá conta da opinião do psicólogo espanhol Alberto Soler acerca da “ajuda” que o homem deve dar em casa à sua esposa ou companheira no decorrer das responsabilidades parentais.

Segundo a revista, Alberto Soler teria sido surpreendido num supermercado com o comentário de duas senhoras que o elogiavam por tomar conta dos seus dois filhos gémeos de 15 meses prestando assim uma preciosa “ajuda” à esposa, facto este que levou o psicólogo a reflectir e deambular sobre o assunto durante algum tempo e posteriormente escrever no seu blog o seguinte: “Eu não ajudo em casa, eu faço parte da casa. E não, eu não ajudo a minha mulher com as crianças porque não posso ajudar alguém com uma coisa que é da minha inteira responsabilidade.” O comentário foi partilhado milhares de vezes pelos internautas e hoje conta já com diversas variações traduzidas em vários idiomas atingindo repercussão internacional possível através da internet.

Não obstante esta viralidade cibernética julgo existir ainda um longo caminho na desconstrução desta ideia da “ajuda” preciosa que o esposo, namorado ou companheiro pode dar à sua esposa ou companheira uma vez que é também seu dever cumprir com obrigações caseiras, quer isso implique lavar a loiça, cozinhar, engomar, ou cuidar dos filhos. Os filhos não são pertença exclusiva de um ou de outro membro do casal, de maneira que, ambos devem partilhar as responsabilidades que acarreta a educação e o bem-estar dos seus descendentes.

Na verdade, hoje tornou-se moda afirmar que se “ajuda” em casa porque nos fica bem, mas o termo deve ser repensado por forma a desmistificar esta ideia da caridade conjugal como se à mulher pertencesse o mundo doméstico e ao homem tudo o resto, e que apenas pela vontade do próprio poderá oferecer-se uma “mãozinha” se for conveniente. Ajudar em casa não é um cliché, não é uma moda dos tempos modernos. Devemos desconstruir o “ajudar” para nos ajudarmos enquanto sociedade que se regenera e se supera, eliminando este conceito ultrapassado e ingénuo. Sugiro que se reflita futuramente sobre este termo pobremente empregue e que doravante se aplique a expressão: “Ele contribui nos seus deveres”!

Wouldn't that be a sight!?

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