Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Feminismos é Igualdade

09
Nov21

Que a mobilização pela dignidade vença a inércia e a indiferença!


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen

«Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar»

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

Recordando Sophia, na semana do seu aniversário, permito-me pedir emprestadas as suas palavras.

O poema “Cantata da paz”, apesar de ter sido escrito e publicado numa época em que abundavam as ditaduras e o imperialismo europeu e americano ainda era “vendido” como inevitável num processo que calava a dor e o sangue derramado com a desculpa de um bem maior que, afinal, nada mais era do que a linguagem do terror, adequa-se, igualmente, à realidade do século XXI, representando quiçá o retrato que todos as forças políticas deveriam, mais do que analisar, vivenciar de perto, antes de se apresentarem aos eleitores, nas eleições que se avizinham.

Os relatórios da fome, de que nos fala Sophia, não podem continua a ser ignorados e urge denunciar a alta voz e em uníssono a vergonha que representam, para que não continuem a ser silenciados pelas jogadas de bastidores e por programas abstratos que ninguém lê.

Mas a população em geral, que vota e elege não está, igualmente, isenta de responsabilidades, pois ninguém tem o direito de substituir as suas responsabilidades cívicas pela sedução do discurso fácil e da passerelle onde desfilam as vaidades individuais e de grupo, nem pelas agendas voláteis, que se evaporam assim que as sondagens o exijam.

Em Portugal uma em cada cinco pessoas é considerada pobre, taxa que na Madeira é de um para cada três, dos quais um terço aufere salário. A partir destes resultados, podemos concluir que, no nosso país e na nossa região, trabalhamos para ser pobres, ou seja, o adjetivo pobre ganhou uma dimensão que, vergonhosamente, aproxima o Portugal do século XXI do Portugal do Estado Novo. Por outro lado, a própria condição de pobre, ganha uma hierarquia, entre os que trabalham ou recebem subsídio de desemprego e os que não têm qualquer tipo de rendimento.

Mas, a situação piora se estivermos a falar das mulheres, das crianças e das pessoas idosas a taxa de pobreza atinge percentagens ainda mais preocupantes, nomeadamente no caso das mulheres em que atinge 20%, situação que a epidemia veio agravar devido às desastrosas políticas sociais mal direcionadas.

Já no que diz respeito às crianças, herdeiros involuntários do Pecado Organizado de que nos falava Sophia, herdaram a pobreza financeira, mas também estão a herdar a pobreza da qualidade ambiental e da qualidade de vida, sendo estas duas últimas comuns a todas as crianças, independentemente do seu estatuto socioeconómico.

Mais uma vez, teremos a oportunidade de escolher o que queremos para o futuro do nosso país. Que a mobilização pela dignidade vença a inércia e a indiferença, porque cada vez que calamos a nossa indignação estamos a remeter para a invisibilidade social aquelas e aqueles que, pela extrema fragilidade em que sobrevivem, não têm voz.

Afinal, para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada. Mas será que quem nada faz merece esse nome?

bannerLuisanovo

 

11
Fev19

A pobreza, a exposição à violência e as leis que não saem do papel


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

pobreza

O risco de pobreza que atinge a nossa sociedade é escandaloso e constitui uma das maiores provas da crueldade humana, sobretudo porque faz as suas vítimas entre os grupos mais frágeis, nos quais se incluem aqueles que sofrem todo o tipo de violência, nomeadamente a violência doméstica, que, em Portugal, continua a alastrar de forma assustadora, apesar de todos as batalhas travadas, e de toda as leis criadas, pois a aplicação das mesmas esbarra, sistematicamente, com a força dos modelos tradicionais da sociedade patriarcal que continua a dominar.

É essa tradição secular que castiga duplamente as vítimas, que deveriam encontrar segurança e proteção no sistema judicial para prosseguirem as suas vidas, mas, em vez disso têm de lutar para se defenderem de um sistema que as fragiliza ainda mais, deixando-as em risco.

Num contexto de violência doméstica, não podemos negar que a pobreza está maioritariamente associada ao desemprego das mulheres, resultante da pressão social que as levou a optarem pela vida familiar em detrimento de uma carreira profissional; às desigualdades salariais, resultantes de discriminações várias, e à grande injustiça que é a não contabilização do trabalho doméstico para a economia familiar e do país, nomeadamente o papel de cuidadoras, que é automaticamente atribuído às mulheres, dentro do universo familiar e que as impede, tantas vezes, de desenvolver uma carreira.

Todas estas situações contribuem para os riscos de pobreza das vítimas, entre as quais, não esqueçamos, se incluem os filhos. No entanto, mesmo quando o contributo das mulheres para a economia familiar em termos monetários é preponderante, continuam as ser elas e as suas crianças que correm mais riscos de pobreza, pois, em qualquer uma das situações o/a agressor/a fica na casa de família, perpetuando, assim, o poder que tem sobre a vítima.

Mau grado esta realidade com que nos deparamos todos os dias, a luta pela igualdade continua a ter um papel secundário em todas as organizações, com a perigosa e falaciosa constatação de que o tratamento desigual está a desaparecer.

Se dúvidas houver do quanto há ainda a fazer, olhemos à nossa volta. No nosso país, onde vigora uma democracia, baseada numa constituição recheada de leis que nos deviam defender, a violência doméstica mata, o machismo mata. Mas o mundo é uma aldeia, lancemos também o olhar para longe, para outros países e veremos o assalto ao poder daqueles que defendem um retrocesso nos direitos alcançados, pondo em causa direitos que levaram séculos a conseguir, e veremos que a luta continua a ser urgente e necessária, sobretudo por uma intervenção judicial que não desvalorize a violência doméstica ou qualquer outra forma de violência com base em preconceitos ou estereótipos.

bannerLuisa

Sobre nós

foto do autor

Pesquisar

Siga-nos

Iniciativas diversas

Debate "A Nutrição e as Mulheres" 05/11/2018

Todas as fotografias aqui

Tertúlia "O impacto do 25 de Abril de 1974" 28/04/2019

Todas as fotografias aqui

Passeio de Verão UMAR Madeira 14/07/2019

Todas as fotografias aqui

Semana das Artes EcoFeministas, de 15 a 19/07/2019

Todas as fotografias aqui

43º Aniversário da UMAR 13/09/2019

Todas as fotografias aqui

Tertúlias Literárias

I Passeio dos Livros nos Jardins do Lido 03/08/2018

Todas as fotografias aqui

II Passeio dos Livros no Jardim de Santa Luzia 28/09/2018

Todas as fotografias aqui

III Passeio dos Livros na sede da UMAR Madeira 10/03/2019

Todas as fotografias aqui

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub