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Feminismos é Igualdade

11
Jan19

Star Wars e o Feminismo


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINS

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A minha infância foi fortemente influenciada por filmes icónicos de ficção científica, aventura e fantasia, que o meu pai partilhava comigo. Dos quais, tenho que salientar a saga Star Wars, ou Guerra das Estrelas. Vi os primeiros três filmes em cassete VHS, alugada no clube de vídeo mais próximo de casa, pela primeira vez, quando tinha apenas 6 anos. Resta acrescentar que as cassetes pouco pararam no clube de vídeo durante alguns meses…

Perguntar-se-ão, o que tem a ver Star Wars com o feminismo e a igualdade de género? Algumas pessoas dirão que as personagens principais, da saga mais antiga, eram homens. Sim, é verdade. Mas uma personagem feminina destacou-se, sendo a única mulher num trio de protagonistas. Falo da Princesa Leia, ou Leia Organa. Em primeiro lugar, a Leia não representava em nada o estereótipo duma princesa. A sua personagem era uma mulher independente, empoderada, revolucionária. Levava consigo uma arma, que utilizava sempre que necessário para se defender e aos seus companheiros. Era “senhora do seu nariz”, uma General lutando pelo seu povo, contra um Império Galático ditatorial, feito apenas de homens, tenebroso e terrorista.

Não era uma princesa a precisar de alguém que a salvasse – de facto, ela própria ironiza com isso no Episódio IV. Leia salvou-se a si própria em imensas situações, assim como aos seus companheiros. Até nos filmes se defendeu de assédio do seu futuro companheiro, Han Solo, e só quando quis, é que permitiu a sua aproximação. Ajudou a liderar uma rebelião – que, por sua vez, tinha como líder também uma mulher, a Mon Mothma.

Cresci com a Leia no meu imaginário, chegando a reproduzir em mim os seus célebres penteados. Inspirava força a meninas como eu, a crescer sem baixar a cabeça, a lutar por ideais, a não seguir estereótipos. Apesar disso, a indústria cinematográfica, habituada às típicas donzelas à espera de serem resgatadas por príncipes encantados, às mulheres estereotipadas, ainda fez com que Leia tivesse que vestir um biquíni dourado ao ser escravizada pelo infame Jabba the Hutt no Episódio VI. Aparentemente, teria havido uma cedência. Mas, no alto do seu biquíni dourado, Leia mata Jabba, estrangulando-o com a corrente que a prendia. E logo, consegue se libertar. Quebrando o estereótipo da mulher frágil, fraca, à espera de ajuda.

Ao descobrir, pela primeira vez, que a Força também estava presente nela, e não apenas em personagens masculinas, fiquei feliz da vida. Porque brincava de Jedi com paus de vassoura no quintal da minha avó, imaginando se também haveria alguma mulher Jedi. Ao longo de anos, fui imaginando uma continuação da história de Star Wars, onde Leia se tornaria uma poderosa Jedi, o que foi até retratado em alguns livros que saíram posteriormente aos filmes. Infelizmente, a Disney escolheu outro caminho para Leia.

Não podemos menosprezar a ficção, porque esta tem um grande alcance, e transmite mensagens que influenciam positiva ou negativamente várias gerações, tal como servem de espelho para o que se passa no mundo, contemporaneamente. Com a quebra de tantos paradigmas, Leia tornou-se um ícone feminista. Foi, sem dúvida, a personagem feminina com mais impacto em Star Wars – sem menosprezar a sua mãe, a Senadora Padmé Amidala, ou a atual protagonista, Rey. Porque foi uma mulher/personagem à frente do seu tempo e mostrou ao mundo, em 1977, que as mulheres são capazes de tudo o que quiserem.

Infelizmente, a atriz Carrie Fisher faleceu consequência dum ataque cardíaco em 2016. Fica aqui a minha homenagem, tardia, e gratidão por ter encarnado Leia, uma personagem que tanto marcou a minha infância e juventude.

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