Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Feminismos é Igualdade

01
Jun19

O valor do voto


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

direito-de-voto-a-mulheres

O direito dos povos votarem e elegerem os seus governantes e representantes no poder político foi instituído há cerca de duzentos anos e não começou de forma universal para todos os cidadãos e cidadãs. Nem todos os homens tinham direito de votar e as mulheres estavam excluídas desse direito. Foi preciso muita luta para conseguirem o direito de eleger e serem eleitas. Para que serve o voto? Serve para eleger alguém. Mas nem todas as pessoas estão dispostas a defender os nossos direitos, as nossas necessidades e pretensões. Quem melhor que as mulheres, se forem sérias, para lutarem pelos direitos do sexo feminino?

O Movimento das Sufragistas nasceu da necessidade que um grupo de mulheres sentiu de alcançar o direito à educação em igualdade com os homens e o direito aos filhos, que só os pais é que decidiam da sua educação e demais assuntos que a vida dos filhos envolve. Estas eram as principais razões que as levaram à luta. Lutaram e sofreram muito e conseguiram o direito ao voto em 1918. E em 1925 conseguiram o poder sobre os filhos em igualdade de direitos com o pai, porque os parlamentares e governantes também dependiam do voto das mulheres. É aqui que está o valor do voto: ser força de pressão sobre os que nos governam de modo a conseguir o que temos direito, inclusive o direito de ser eleita em igualdade com os homens.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 26 de Maio foram eleitas, em Portugal, 9 mulheres e 12 homens. O número de eleitas já se aproxima do número de homens eleitos, isto porque existem quotas, não só em Portugal, mas em quase toda a Europa. Segundo li no caderno do Jornal Expresso de 25 de Maio, ainda nenhum país europeu atingiu o equilíbrio total de 50 mulheres e 50 homens nos parlamentos. A grande novidade deste artigo, para mim, é a seguinte: em 1907, na Finlândia, que ainda era um Grande Ducado, pela primeira vez houve eleições parlamentares livres, sem a interferência da Rússia. E pela primeira vez na história da Humanidade foram eleitas 19 mulheres para um parlamento com 200 assentos, quase 10 por cento dos eleitos. Já se passaram 112 anos e o parlamento da Ucrânia tem 11,6/% de mulheres e Malta com 11,9%.

A Finlândia é o país com maior percentagem de mulheres no Parlamento: 47%. A média de mulheres nos parlamentos europeus é de 31,5%. O país com maior percentagem de mulheres eleitas é o Ruanda, um país africano, pobre, que saiu há poucos anos de uma guerra civil, com 63% de mulheres na Câmara Baixa (o equivalente ao Parlamento) e 40% do Senado. Seguem-se Cuba e a Bolívia com mais de 50% de mulheres, o México está em 4º lugar no mundo e só depois a Finlândia e a Espanha. Portugal ocupa a 30ª posição mundial com 32,6% de mulheres no Parlamento Nacional.

Apesar de tudo, muitos e muitas eleitoras não exercem o seu direito de voto, deixando a outros o poder de decisão, o que representa negligência e falta de responsabilidade. Alguém escreveu há poucos dias: “a realização dos nossos deveres engrandece-nos, dá-nos tranquilidade e ajuda-nos a viver melhor connosco e com os outros.” Sejamos responsáveis e, para os próximos actos eleitorais, não deixemos de votar por negligência ou comodismo. O dever chama-nos.

O Dia 1 de Junho é o Dia da Criança. As crianças é o que de mais belo existe à face da Terra, mas precisam de ser queridas, amadas, respeitadas, alimentadas, educadas. Precisam viver num ambiente saudável, habitação condigna e família acolhedora e responsável.

Infelizmente, muitas crianças sobrevivem com muitas necessidades, são maltratadas e abusadas, por vezes pelos seus progenitores ou outros familiares, para não falar dos pedófilos que existem e nem sempre são punidos como merecem. Não esquecer o grande número de crianças a viver em países em guerra, arrastadas por famílias refugiadas e muitas delas afogadas e sepultadas no Mediterrâneo, às portas da Europa, um continente próspero, evoluído, com muita riqueza acumulada e, em grande parte, responsável por estas calamidades.

A Humanidade evoluiu, é capaz de invenções fantásticas, é possível chegar a diversos lugares do universo, mas ainda não é capaz de cuidar devidamente das suas crianças! Triste constatação!

bannerConceição

20
Jul18

Lutas Feministas


umarmadeira

ARTIGO DE CONCEIÇÃO PEREIRA

800

Segundo li na Comunicação Social, mulheres inglesas marcharam em diversas cidades do seu país a 11/ 6/ 2018, celebrando o centésimo aniversário da conquista do direito ao voto feminino que aconteceu em 1918.

Durante anos, mulheres inglesas lutaram intensamente pelo direito ao voto, em igualdade com os homens. Foi a luta das sufragistas. Estas mulheres levaram pancada da polícia, foram encarceradas e maltratadas pelo poder e até alguns maridos as expulsaram da casa. Mas elas não recuaram. Porquê? Porque queriam ter mais poder perante o Estado e a sociedade e conquistarem direitos, como o poder sobre os filhos, que lhes era negado. E por fim conseguiram o direito ao voto e só depois o direito sobre os filhos que elas davam à luz e só os pais homens decidiam da vida deles.

Estas mulheres, além das conquistas conseguidas, foram um exemplo para as outras nos outros países, como em Portugal, onde muitas mulheres republicanas se empenharam pelo direito ao voto, entre muitas outras reivindicações, mas foi muito difícil esta e outras conquistas. Só na sequência do 25 de Abril de 1974, todas as portuguesas e portugueses obtiveram o direito ao voto em toda a sua extensão.

Em Portugal, também há 100 anos, Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma dama da alta sociedade lisboeta, deixou o palácio de São Vicente, onde vivia com o marido e um filho para viver em união de facto como Manuel Claro, um homem que tinha sido motorista da casa dos senhores de São Vicente. Trocou a opulência por uma vida simples ao lado do homem que amava. O marido, um senhor prepotente e muito considerado na sociedade, foi procurá-la e, com auxílio das autoridades, encarcerou-a numa casa de doentes mentais, onde ela se encontrou com um certo número de outras mulheres que lá estavam encarceradas por razões iguais ou parecidas com as dela. O Manuel Claro também esteve preso cerca de 4 anos, acusado de raptar Maria Adelaide. Sofreram muito, mas por fim puderam viver o seu amor durante cerca de 30 anos.

Todos os familiares de Maria Adelaide a condenaram, até o filho, que era a pessoa que ela mais amava. Grandes psiquiatras da época afirmaram que Maria Adelaide estava louca, era uma “louca lúcida”, porque tinha deixado um palácio e um marido rico e famoso para viver com um homem pobre.

Neste artigo, só me refiro em concreto a estes dois casos, que aconteceram há um século, mas muitas outras lutas foram travadas durante os últimos cem anos. A sociedade conservadora e machista esforça-se ao máximo para que não se altere nada na nossa vida quotidiana, porque cada vitória obtida é uma referência e arrasta consigo mudanças que os machistas temem.

Que as lutas das mulheres que nos precederam nos inspire e nos encoraje para fazer avançar a luta pelos nossos direitos. Como disse Confúcio “LEMBRA-TE QUE EXISTES PORQUE HOUVE OUTROS ANTES DE TI”.

 

bannerConceição

 

Sobre nós

foto do autor

Pesquisar

Siga-nos

Iniciativas diversas

Debate "A Nutrição e as Mulheres" 05/11/2018

Todas as fotografias aqui

Tertúlia "O impacto do 25 de Abril de 1974" 28/04/2019

Todas as fotografias aqui

Passeio de Verão UMAR Madeira 14/07/2019

Todas as fotografias aqui

Semana das Artes EcoFeministas, de 15 a 19/07/2019

Todas as fotografias aqui

43º Aniversário da UMAR 13/09/2019

Todas as fotografias aqui

Tertúlias Literárias

I Passeio dos Livros nos Jardins do Lido 03/08/2018

Todas as fotografias aqui

II Passeio dos Livros no Jardim de Santa Luzia 28/09/2018

Todas as fotografias aqui

III Passeio dos Livros na sede da UMAR Madeira 10/03/2019

Todas as fotografias aqui

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D