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Feminismos é Igualdade

04
Mai21

A Pandemia dos Afetos: Luz e Sombra


umarmadeira

ARTIGO DE JOANA MARTINSiStock-1161961593-1

"Seis em cada dez portugueses passaram a valorizar mais os afetos com a pandemia." (Estudo Free Now)

 

A pandemia ainda não chegou ao seu fim, e continuamos num ciclo de vagas que sobem e descem ao sabor de números maiores e menores de casos de COVID-19. A cada nova vaga, mais estragos se fazem nas estruturas da sociedade que vão além das pessoas que são infetadas pelo vírus, e as que partem. Poderia falar dos estragos económicos, do encerramento de empresas, do desemprego, da pobreza, da incerteza no amanhã. Poderia falar no desgaste no sistema de saúde e de ensino, e das consequências da sua fraca valorização nas últimas décadas. Mas hoje, decidi abordar algo diferente.

Diz um estudo, realizado em oito países europeus, que os portugueses são os que mais passaram a valorizar agora as manifestações de afeto – abraços, beijos, etc. – do que antes da pandemia. O que dávamos por garantido, foi abalado num piscar de olhos, há pouco mais de um ano. Em nome da saúde e da segurança dos/as familiares e amigos/as, deixámos de conviver sem restrições, deixámos de visitar os/as nossos/as idosos/as, deixámos de trabalhar lado a lado com os/as nossos/as colegas, e todos os contactos presenciais tornaram-se cada vez mais raros e restritos.

Tentámos compensar a solidão e a carência afetiva com o contacto virtual. Salvou-nos (ou assim pensávamos) as videoconferências, as chamadas e as mensagens. Continuámos a trabalhar, através dum ecrã, muitas vezes sem fronteiras entre o pessoal e o profissional, entre o dia e a noite. Tudo se passou a fazer à distância dum clique. Mas o vazio, esse, continuou a crescer dentro de nós.

Fomos forçando a barra, muitas vezes lutando contra nós mesmos/as e contrariando aquilo em que sempre acreditámos, tentando surfar as ondas que surgiam, uma atrás da outra. Tal como surfistas frescos/as na competição, não sentimos o forte embate das primeiras ondas. Mas, à medida que o cansaço se foi instalando nos músculos e na mente, fomos perdendo o controle sobre a prancha, o equilíbrio, e acabamos desmoronando pouco a pouco, enrolados pelas ondas.

A princípio, não aceitámos que tal fosse possível. Afinal de contas, éramos “fortes e resilientes”. Só que, agora, fomos obrigados/as a estar mais connosco mesmos/as, a passar mais tempo dentro de casa, dentro de quatro paredes. E começou a emergir a Sombra, aquilo que passámos a vida toda a varrer para debaixo do tapete, aquilo que nunca quisemos conhecer e integrar.

A Sombra manifestou-se de forma diferente em cada pessoa. Revelou o que precisa ser curado, seja individualmente, seja enquanto Humanidade. Vieram à tona as intolerâncias para com as diferenças, a xenofobia e o racismo. A todo o custo, quisemos arranjar culpados/as para o que estava a acontecer, e descarregámos as nossas frustrações em quem estava mais próximo de nós, muitas vezes na forma de raiva – que nada mais é do que um reflexo do medo – e de comportamentos violentos. Procurámos subterfúgios para não querer trazer a Luz à Sombra.

E os meses foram passando. E a Sombra e a Luz foram dançando o seu tango, ora à luz do dia, ora ao luar. A dualidade tornou-se cada vez mais evidente e muitas pessoas também começaram a se tornar mais conscientes da necessidade duma mudança de paradigmas.

Só que a Sombra quer manter o status quo, o sistema tal como era antes da pandemia. A Sombra alimenta-se dos nossos medos, e alimenta o nosso Ego. E a Luz treme com o vento que agita as ondas, maiores ou mais pequenas, a cada mês que vai passando neste planeta, neste país, nesta ilha.

Estamos a chegar a um ponto onde já não aguentamos mais e precisamos de expressar os nossos afetos, de visitar os nossos entes queridos, de conviver. Mas, logo em seguida, vem aquele sentimento de culpa exacerbado por quem aponta o dedo e pelos mídia… “E se apanhei?… E se contagiei?” E surge o medo. E segue-se o confinamento, o teste, a espera silenciosa… A doença é mais contagiosa nos convívios e nos momentos de lazer, dizem… E as vacinas não impedem o contágio, dizem… A cada dia, uma nova notícia, uma contradição, um novo medo… e instala-se a confusão mental.

No entretanto, muitas pessoas vão morrendo, pouco a pouco, de solidão, de tristeza, de desalento. Outras, vão desesperando e acumulando dores profundas. E ainda, outras vão seguindo cada dia em modo automático, com olhares vazios perdidos num pequeno ecrã que seguram nas mãos e levam para todo o lado. Sorriem para as imagens que lá surgem, mas a tristeza nos seus olhares mostra que a alegria está algures perdida, dentro do peito, à espera de ser resgatada.

Esta pandemia é também uma pandemia de afetos. E por mais que pretendam transformar-nos em robôs, virados/as para a produtividade a todo o custo e com medo do lazer, somos Seres Humanos. Como Humanidade, precisamos encontrar uma nova forma de viver, equilibrando o presencial com a tecnologia, uma vida mais sustentável em todos os aspetos.

Que não precisemos de perder para valorizar. Que possamos novamente abraçar e beijar livremente. Que consigamos nos recuperar, também, desta pandemia dos afetos, e nos tornemos mais Humanos/as do que antes.

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13
Abr21

Violência nas Redes Sociais, uma realidade atual!


umarmadeira

ARTIGO DE MARGARIDA PACHECO

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Hoje em dia vivemos todos/as conectados/as pela internet. O mundo virtual e as redes sociais trouxeram uma nova forma de nos relacionarmos com as outras pessoas e com a realidade que nos rodeia. Estaremos todos/as mais conectado/as com a internet ou estaremos todos/as menos conectados/as com a realidade? Com a pandemia, houve um aumento do uso das redes sociais, que se tornaram uma fonte importante de conexão, de comunicação e de partilha. Ajudou-nos a sentirmo-nos conectados com o mundo, com as pessoas e também com nós mesmos/as. Com o isolamento físico e o aumento da conexão virtual das nossas relações interpessoais, será que podemos separar o mundo virtual do mundo real? 

Há cada vez mais redes sociais diversificadas que têm fatores positivos como, a rápida partilha de notícias, a criatividade e a possibilidade de falarmos sobre temas e problemáticas a nível mundial. No entanto, há também o lado negativo. A interação nas redes sociais emerge como um espaço de violência através de manifestações de ódio. Muitas vezes as pessoas fazem comentários depreciativos, humilham, ameaçam e exercem violência psicológica. Muitos desses comentários são feitos anonimamente, com recurso a perfis falsos, mas que têm um grande impacto na vida de todos nós, principalmente dos/as jovens. Essas manifestações de ódio têm sempre como base a discriminação, a opressão, a exclusão, e os estereótipos e preconceitos que continuam a ser perpetuados e legitimados na nossa sociedade. Os comentários de ódio presentes nas redes sociais que são manifestados através do racismo, da xenofobia, do sexismo, da homofobia, da transfobia e do classicismo, são uma nova forma de violência de exercermos a violência estrutural, cultural e simbólica na qual a nossa sociedade é desenvolvida.  

Tem se refletido cada vez mais sobre o impacto do mundo digital. A desvalorização de nós mesmos/as, a falta de sentimento de presença, a comparação negativa com as outras pessoas, a falta autoestima, são algumas das consequências negativas que todos/as nós sofremos devido à violência exercida nas redes sociais. 

 É importante alertar e consciencializar a sociedade sobre as várias formas de violência e o impacto que estas têm na nossa vida, seja nas relações interpessoais, na escola, no trabalho ou até mesmo, na relação com nós mesmos/as. É ainda necessário refletirmos em sociedade sobre estas consequências de modo a promovermos uma sociedade mais igualitária e inclusiva, que previna a violência dentro e fora do mundo virtual. Precisamos urgentemente de desenvolver políticas públicas e educativas para a prevenção e combate aos discursos de ódio e violência online.

A violência nas redes sociais é uma realidade atual. Por isso, precisamos de compreender que esta violência o é um espelho daquilo que se passa na nossa sociedade e que todos/as fazemos parte deste problema.

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05
Abr21

Na direção da Utopia


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

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Se tens um coração de ferro, bom proveito.

O meu fizeram no de carne, e sangra todo dia.

José Saramago

 

No dia 5 de abril de 1821, foi extinto por decreto o tribunal da Inquisição em Portugal.

 

Quis iniciar este texto com uma efeméride positiva, pois não vivemos tempos felizes. Não que a felicidade tenha sido erradicada do nosso planeta, afinal, ela está por aí e todos a conhecemos, mas não está no ar que respiramos, também não está nos acontecimentos que presenciamos, nem nas notícias que recebemos. Vejamos.

Hoje, dia 5 de abril de 2021, passados 200 anos sobre a data que comecei por referir, os ataques a “Cabo Delgado”, deixam um rasto de fome e destruição em milhares de inocentes, entre os quais crianças, doentes e idosos que perderam o pouco que tinham e foram separados daqueles que lhes garantiam o mínimo de proteção e cuidados. Fundamentalismo religioso ou ganância? Talvez os dois, mas pouco importa, o sofrimento tem apenas um nome: a população inocente e massacrada por sucessivas jogadas dos senhores da guerra.

Um pouco por todo o mundo, a juntar-se à devastação da pandemia, as consequências de políticas ambientais desastrosas desembocam em tragédias que destroem as vidas e o futuro de quem menos possui. Anda hoje, Timor-Leste procura sobreviver às cheias que assolaram o país.

 

No futuro, quando os anos vinte deste século aziago puderem ser analisados sem a emotividade da atualidade, esta época será associada a muitas outras em que, ao longo da história da humanidade, a violência, a fome e a solidão atacaram a população mais frágil, tratada sempre como um dano colateral, sacrificado em nome de um bem maior, do qual é sempre excluída.

Porventura, será a pandemia-COVID 19 o fenómeno que mais marcará estes anos, por tão habitual e ordinário se terem tornado as outras “pandemias”, e os cidadãos do futuro concluirão sobre o papel positivo da natural evolução científica e tecnológica que tornou mais suportável os constrangimentos impostos. Não há como discordar. Sem dúvida que os heróis, a quem nunca agradeceremos nem valorizaremos o suficiente, encontrarão, como sempre acontece, postumamente, a merecida homenagem.

Estudarão, provavelmente, também o fenómeno inexplicável de algumas vozes vindas de um passado sombrio, que procuram ressuscitar ideologias tenebrosas e ameaçam levar ao engano as populações sofridas, que voluntariamente se aproximam do abismo.

A humanidade do futuro perguntar-se-á porque gastamos tanto tempo a destruir-nos, quando o poderíamos ter aproveitado para nos salvarmos.

 

Mas, voltemos à esperança, afinal, foi assim que comecei o texto, gostaria de acabá-lo da mesma forma.

A notícia inicial dava conta de uma conquista, num momento da nossa história em que o humanismo começava, timidamente, a dar os primeiros passos, a caminho dos direitos e garantias de todos os seres humanos. Ora, em 2021, essas conquistas cresceram e estão plasmadas em lei. Ainda que a tradição e o saudosismo de alguns agentes dessa mesma lei dificultem a sua aplicação, temos nas nossas mãos os instrumentos para criar uma sociedade mais igualitária, em que se erradique para sempre todo o tipo de tirania, exploração desenfreada, racismo, xenofobia e perseguição com base na orientação sexual, religião ou qualquer outra situação.

 

Ao longo de séculos, mulheres e homens tiveram de lutar desafiando a lei vigente, abrindo caminho com a sua própria vida e não desistiram, trouxeram-nos até aqui. Temos o dever de honrá-los, hoje. Temos as ferramentas, mas se não as usarmos iremos perdê-las, não tenhamos dúvidas, e todo o sofrimento passado terá sido em vão.

Por muito que tentem barrar o caminho, a direção só pode ser uma, rumo ao humanismo pleno, em comunhão com a natureza.

 A utopia estará sempre à nossa espera, obrigando-nos a dar mais um passo, porque

“Vemos, ouvimos e lemos/Não podemos ignorar” [Sophia de Mello Breyner]

 

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29
Mar21

Num Planeta distante


umarmadeira

ARTIGO DE CARINA JASMINS

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Era uma vez um Planeta muito distante, onde as pessoas tinham uma aparência semelhante à nossa, viviam de uma maneira tranquila, formavam uma única sociedade interdependente, com muita diversidade na aparência e na maneira de ser, mas havia uma admiração e um respeito pela individualidade de cada um, consideravam essa diversidade a sua maior riqueza.

Tinham evoluído num respeito profundo pela Natureza e pelo Planeta onde viviam. Era um povo evoluído em consciência e também tecnologicamente e estando em paz com todos, assim como com a luxuriante natureza que os rodeava, decidiram que gostariam de explorar o Universo e conhecer outros planetas, outras culturas, outras maneiras de pensar e de viver. Tinham construído naves com sistemas de navegação que permitiam detetar as “autoestradas” do Universo, que eram túneis espaço-tempo que permitiam atravessar grandes distâncias em pouco tempo, conseguindo, assim, visitar zonas distantes do Universo.

Numa dessas explorações chegaram a um belíssimo Planeta Azul, num distante sistema solar. Este planeta destacava-se no negro do espaço, como uma linda esfera azul brilhante. Admirados com a beleza daquele planeta que lhes fazia lembrar o seu próprio planeta, idealizaram que deveria ser um planeta tranquilo onde imperava a paz.

Sempre que chegavam a um planeta, conseguiam ter acesso à memória desse Planeta, porque para eles os Planetas eram seres vivos que, além da sua própria memória, guardavam também a memória de todos os acontecimentos desde o início. Ao aceder, começaram a ver e a sentir os enormes tumultos, lutas, violência, separação que tinham ocorrido ao longo dos milhares de anos da existência da espécie humana, já que estes eram os habitantes principais e em maioria deste planeta. Era deveras impressionante como a sua parte animal estava tão presente ao longo de tantos milhares de anos, mas pensaram que isso era normal, toda a evolução começa de um nível mais baixo de consciência para o mais elevado.

A surpresa foi quando chegaram aos tempos recentes em que se deparando com uma imensa evolução desde os primórdios da existência, a humanidade ainda mantinha guerras em algumas partes do planeta e a maior parte dos territórios onde não haviam guerras externas mantinham grandes guerras internas, dentro de si próprios, o que levava a pequenas grandes guerras com aqueles que os rodeavam. Admiraram-se por ainda fazerem distinções baseadas na cor da pele, na aparência, e em tantas outras coisas, pensavam como era possível, porque eram todos humanos, iguais na sua matriz, apenas o exterior mudava, mas isso era bom e não conseguiam ver. Os estereótipos e preconceitos ainda imperavam na maioria dos seres humanos deste planeta e com a sua visão evoluída conseguiam ver a ignorância e imaturidade que ainda reinava. A força física era usada para dominar, maltratar, matar aqueles que eram mais frágeis. O poder e a ganância geravam desigualdades, que poderiam ser facilmente combatidas se houvesse mais partilha.

Ficaram chocados com o profundo desrespeito com que tratavam a natureza porque dependiam dela para a sua própria vida.  Olhavam para tudo com espanto e tristeza, falando entre si, refletindo sobre tudo aquilo que tinham visto e sentido.

Neste Planeta, a Humanidade ainda não percebeu que é Uma Unidade, que o tempo de vida é relativamente curto e que deveria ser aproveitado para se elevar, transcendendo os instintos de onde partiu para algo mais elevado que lhes traga alegria genuína, que expanda o amor que está dentro de todos e que encarceram no peito, essa é a sua maior miséria, aquela que gera tanto sofrimento em si e nos outros seres.

Que devem procurar a natureza e serem Um com ela, porque ela faz parte de quem são, viver o pouco tempo que estão neste magnifico planeta contemplando as belezas que os rodeiam: um pássaro a cantar, o voo de uma gaivota sobre o mar, o nascer e o pôr do sol, viver mais esses momentos mágicos que estão à disposição de todos, porquê não aproveitam? Não entendemos. Porque não aproveitam mais para se tratarem bem e se amarem para que possam viver em paz e amar verdadeiramente quem está à sua volta e puderem, assim, trazer uma Paz verdadeira a todo o planeta? O bem de um é o bem de todos, ainda não perceberam que dependem todos uns dos outros, que estão todos juntos nesta grande nave que é o Planeta Terra que os leva a viajar todos os dias pelo universo.

Voltaremos a este Planeta daqui a muitos anos para saberem como estão, temos esperança em vocês humanidade, para que percebam, finalmente, que apesar de serem todos diferentes, essa é a vossa grande riqueza, tal como acontece no nosso lindo Planeta. Somos todos únicos e é quando respeitamos e exercemos a nossa verdadeira essência que trazemos a riqueza e a evolução à nossa volta, porque trazemos o único à realidade.

Formam todos juntos HUMA UNIDADE e que vivam cada dia mais essa realidade, para que juntos, possam um dia viver em harmonia consigo, com os outros e com a Natureza que os rodeia, neste Planeta tão lindo que têm a honra de viver.

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18
Mar21

Romancear o Pernicioso


umarmadeira

ARTIGO DE CLÁUDIO TELO PESTANA

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Romancear o cotidiano é tarefa inerente à poesia, à música, às artes enfim, não fosse o coração (no sentido figurado) humano sedento de emoções. Em boa verdade esta busca, esta necessidade, esta dependência dos humanos em relação às emoções é inexoravelmente o que torna o milagre da humanidade ser possível. Não só não vivemos sem emoções como não a podemos dissociar da lógica ou da razão, honras feitas a toda a obra de António Damásio. Apesar do dado adquirido, é necessário separar-se as águas em Romancear o Cotidiano e Romancear o Pernicioso. O pernicioso, assim como o cotidiano, toma muitas formas. Entre estas realço à partida a violência e o seu efeito romanceado o qual ocorre mais vezes do que o que poderia ser esperado. Saliento um caso que me tem feito espécie desde que chegou ao meu conhecimento. Chris Watts, pai devoto de duas filhas, Bella e Celeste, e esposo carinhoso de Shanann Watts. Bom, devoto e carinhoso, são qualidades que não coloco em causa que Chris tenha, em algum momento da sua vida familiar, tido para com as mulheres da sua vida. Isto antes de as ter matado a todas, naturalmente. Chocados? Também eu fiquei quando vi documentários sobre este caso e sim, reforço que Chris fora, em algum momento, um pai dedicado e um esposo carinhoso até um dia ter, escandalosamente, assassinado as suas duas meninas e respectiva esposa. Um crime macabro que culminou com a condenação de Chris Watts a múltiplas sentenças perpétuas.

Ora, o alcance do Romancear o Pernicioso que mencionava anteriormente é de tal forma ilimitado que consegue distorcer a imagem de um sociopata, como o é Chris, e elevá-lo a um nível romanceado estratosférico. O assassino tem recebido, pasmem-se, centenas de cartas de amor por parte de mulheres que se têm oferecido para uma relação amorosa. É visto, por algumas mulheres, e não obstante ter confessado o seu crime, como a coisinha mais fofa à face da terra. Macabro? Ridículo? Surreal? Independentemente do epíteto que se prefira atribuir, a verdade é que existe um certo jeitinho especial para os humanos conseguirem Romancear o Pernicioso, não por forma exclusiva a desculpabiliza-lo, apesar de também o ser, mas porque é impossível viver sem ser ao comando das emoções e estas deixam-nos incessantemente à sua mercê. Estas mulheres são também vítimas da condição humana no seu maior esplendor. A diferença entre elas e a mulher que sofre de violência no dia-a-dia e não se afasta da relação por acreditar que o cônjuge irá melhorar, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam envolver por músicas, livros, filmes ou qualquer outra forma de arte que ofusca o empoderamento feminino e o reduz a meros objectos sexuais, é inexistente. A diferença entre estas mulheres e aquelas que se deixam apaixonar por algum homem com traços de violência bem patentes são igualmente inexistentes. A imagem de um Bad Boy que se possa dobrar, manipular e por fim curar é extremamente aliciante e faz activar o sistema de recompensas no cérebro assim como a um viciado no jogo sedento pela recompensa. Apesar das possíveis explicações científicas devo afirmar que este cenário me faz espécie pois se o Romancear o Pernicioso é plausível convém que se reconheça igualmente a inexorabilidade inerente ao perigo. Se é perigoso é porque te pode, e na esmagadora maioria das vezes vai, fazer mal. Não consideres sequer essa possibilidade.

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02
Mar21

Consequências da pandemia!


umarmadeira

ARTIGO DE ASSUNÇÃO BACANHIM

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Neste já longo período da pandemia covid-19, as mulheres têm vivido momentos de grande stress e ansiedade, sendo confrontadas com muitas informações sobre a pandemia. Algumas verdadeiras, outras nem tanto, aparentemente com o intuito de confundir e baralhar as pessoas menos esclarecidas, e menosprezar a gravidade da pandemia que se abateu sobre a Humanidade. Ao longo deste período, muitas/os perderam as suas vidas, outras/os ficaram sem meios para viver com alguma dignidade: perderam o emprego, a sua habitação e os seus rendimentos, com graves consequências para as suas famílias.

Com o evoluir da pandemia e as suas medidas de confinamento, muitas famílias viram-se sem meios para sobreviver, sendo obrigadas a recorrer a Associações, IPSS e Juntas de Freguesias, etc.. Precisam de auxílio para poderem ter comida na mesa. Outras, nas suas casas, mesmo com grandes dificuldades, mas envergonhadas, porque nunca pensaram que algum dia seriam confrontadas com a pobreza e miséria, pois essa situação só acontecia a outras pessoas. Chegar ao fim do mês e não ter meios para pagar as suas despesas era impensável.

Por outro lado, algumas Mulheres sentem alguma revolta por haver pessoas sem escrúpulos a se aproveitar da pandemia. Enquanto aumenta o desemprego e a pobreza, cresce o número de milionários, que esvaziam os direitos de quem trabalha e aumentam o trabalho precário, baixam salários e ameaçam com despedimentos das e dos que mais sofrem com esta pandemia. Incentiva-se o drama do teletrabalho para milhares de mães e pais com crianças a cargo, com o novo confinamento, onde o governo insiste em manter um regime que deixa as pessoas entre a espada e a parede. Muitas mulheres são forçadas a acumular o teletrabalho com assistência às crianças, situação que provoca stress laboral, instabilidade emocional e intranquilidade familiar. Toda esta crise tem escancarado cada vez mais desigualdades na partilha de tarefas. As mulheres são as mais sacrificadas com esta pandemia. As consequências do teletrabalho têm uma dimensão na igualdade de género.

A crise social vai deixando as pessoas desesperadas, porque não são momentos propícios à socialização, à convivência que nos aproxime enquanto seres humanos. No que toca à violência doméstica, contra mulheres e crianças, o próprio confinamento e com as crianças fora da escola é propício a essas situações de agressão, dificultando a queixa.

Embora tenha havido ao longo dos últimos anos algum trabalho de consciencialização sobre a criminalidade dentro de casa, ainda morrem muitas mulheres, muitas crianças são vítimas de violência e, como se ainda não bastasse, somos um dos países que pior tratam as pessoas idosas.

Há ainda um longo caminho a percorrer na prevenção, sendo muito importante a disciplina de ensino para a cidadania. Há que continuar a luta por uma justa distribuição dos rendimentos que garantam a solidariedade, protejam os direitos das crianças e promovam a justiça social.

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11
Jan21

O Voto: cartão dourado da democracia


umarmadeira

ARTIGO DE LUÍSA PAIXÃO

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Pela segunda vez desde o início da pandemia os portugueses e as portuguesas são chamados a exercer o seu dever de votar. Depois das Eleições Regionais dos Açores, agora, teremos uma eleição a nível nacional, com a maior parte da população em confinamento geral ou parcial.

Esta situação é, sem dúvida, mais um teste à democracia no nosso país, que, nos últimos tempos, tem sido como nunca, desde a Revolução de Abril, desafiada nos seus princípios e valores fundamentais, sendo, por isso, tão importante preservá-los, sobretudo aquele que está na base de qualquer regime democrático, o direito ao voto.

Vemos que, há uma demissão cada vez maior de participação cívica e democrática, por parte da população, nas decisões que a todos dizem respeito, entregando-as cegamente nas mãos das instituições governativas e ignorando  totalmente as suas responsabilidades de intervir de forma comprometida, enquanto cidadãs e cidadãos de um mundo onde, urgentemente, temos todos de assumir as nossas responsabilidades cívicas, sob pena de, se não o fizermos, deixarmos escapar a réstia de humanidade que ainda existe e sem a qual não conseguiremos ultrapassar este momento tão difícil que estamos a enfrentar.

Façamos um exercício mental a tentar imaginar como seria sobreviver a esta pandemia no tempo do Estado Novo, regime que, atualmente, exerce um enorme fascínio em algumas pessoas, as quais, obviamente, não o experimentaram ou viveram-no do lado dos opressores. Se fizermos esse exercício, com base em fontes fidedignas, chegaremos rapidamente à conclusão do desespero sem limites que estaria a sofrer a maioria da população portuguesa, pois, para além das condições de enorme pobreza geral em que viviam, não poderiam efetuar qualquer queixa ou denúncia, visto que as mesmas seriam vistas como um ataque ao regime e punidas “exemplarmente”.

Não podemos negar o quão desesperante está a ser a vida para os setores mais frágeis da sociedade, nomeadamente com o alastrar do desemprego. Esta pandemia agravou as diferenças sociais, alastrou a pobreza, aumentou a discriminação e todos os tipos de violência. Mas, como vivemos em democracia, todos essas injustiças podem ser denunciadas. Podemos obrigar o poder instalado a confrontar-se com as suas atitudes e, ainda que, na maior parte dos casos, a nossa denúncia não resolva os problemas graves que existem, está nas nossas mãos continuar a lutar e manter a liberdade para continuar a travá-la. Todas as denúncias que hoje fazemos, toda a visibilidade que damos às injustiças que grassam na sociedade, só conseguimos fazê-las porque vivemos num sistema democrático.  No entanto, para que essa democracia seja verdadeira é preciso que usemos a arma que nos dá o verdadeiro poder: o voto.

Não podemos desprezar a herança deixada por todas e todos aqueles que lutaram, com sangue, suor e lágrimas, sacrificando o seu futuro, pelos ideais democráticos. Cabe-nos a nós, não defraudar a esperança desses homens e dessas mulheres, honrando as suas conquistas.

Fazer com que toda a população, sem qualquer distinção possa exercer o direito ao voto é algo que temos de exigir ao Governo, a nós cabe-nos exercer esse direito. 

A história recente já nos tem mostrado as consequências da abstenção e o que pode acontecer quando achamos que o nosso voto é algo sem importância. O preço a pagar pelo comodismo geral das nossas sociedades tem sido um vergonhoso recuo na história dos direitos humanos.

Temos de usar a nossa arma mais poderosa, já no dia 24 de janeiro, votando para a Presidência da República.

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